Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009
LUSOFONIA – 6

 

 UM CONVITE AO SIGNIFICADO
 
O DESTINO– 2
 
Logo que se dê um pão a quem nunca o teve, logo há-de querer um chouriço. E disso bem estão cientes os dirigentes que tão bem vêm explorando a insatisfação, a reivindicação e a inveja das massas populares. Os próprios órgãos da comunicação vivem desse mesmo filão sem quererem notar que se transformaram no “coito dos bufos” acautelados pelo segredo profissional. Lembram a Inquisição acautelada pelo segredo do confessionário.
 
Assente a poeira nos caminhos, constata-se com amargura que “em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. Hoje, como no séc. XV. E se tivéramos um modelo de desenvolvimento de lógica imperial e mercantilista, rapidamente constatámos que nada sabíamos por nós próprios fazer e que era chegado o momento de esmolar. E é precisamente isso que a Europa vem fazendo: dar-nos as esmolas que sublimamos com o faustoso apelido de Quadros Comunitários de Apoio.
 
Mas diz-se por aí que 2013 é o limite dessas esmolas. Ou seja, a partir dessa altura vamos ter mesmo que fazer alguma coisa de jeito.
 
E se Friedrich List (1789 – 1846) se suicidou aos 57 anos em pura antevisão do insucesso internacional das suas ideias (de que a integração só se pode fazer entre quem esteja num mesmo patamar de desenvolvimento) e, pelo contrário,
 
 
Milton Friedman (1912 - 2006) tenha morrido aos 94 anos e em plena glória (pugnando pela globalização como ela se está a processar), isso não obsta a que o primeiro tivesse a razão dos pobres e o segundo a dos ricos.
 
Eis como neste cenário friedmaniano se nos impõe afinal o regresso bem rápido à primazia dos bens transaccionáveis como “pão para a boca” em que – bem àquem da imagem parabólica – o mar se revela como sendo de novo o nosso destino.
 
Como há cinco séculos.
 
Bragança, 5 de Outubro de 2007 – VI Encontro da Lusofonia
 
 
 Henrique Salles da Fonseca

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:44
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4 comentários:
De Henrique Salles da Fonseca a 3 de Dezembro de 2009 às 14:59
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Regressar ao mar? Mas faltam barcos, a pesca está limitada e desprotegida, a costa nem chega para produzir sal bastante para regressarmos aos "salários" com que teremos que reembolsar os servidores... Nem os nossos surfistas nos trazem glória! E muito menos Baptistas Pereiras a atravessarem em glória o canal da Mancha. Não, safa não temos, creio eu. O nosso surf é outro, com muitos contorsionismos, até ver.
Berta Brás


De Henrique Salles da Fonseca a 3 de Dezembro de 2009 às 15:52
Muito Prezada Senhora Professora Berta Brás, agradeço o seu comentário que me parece muito pessimista. Eu poderei ir ao fundo e afogar-me com o resto da Humanidade mas darei luta e esbracejarei. Não me abandono ao conceito muçulmano da fatalidade do destino.
Neste início do séc. XXI o mar para cujas ondas aponto tem simultaneamente um sentido real e um figurado. No primeiro sentido, temos que reconstruir o «cluster» do mar como o Eng. Gonçalves Viana já apontou aqui neste nosso blog; no figurado, tenho os mercados externos como fundamentais para as nossas empresas adquirirem a dimensão que o mercado interno se revela incapaz de assegurar por não ter a dimensão necessária à sobrevivência no âmbito da actual globalização. Ir para o mar neste sentido pode significar as empresas portuguesas internacionalizarem-se não por se venderem a capitais estrangeiros mas sim pela abertura de escritórios lá fora onde lancem os produtos das respectivas casas-mãe.
Não me abandono, como vê.
Continuemos a apontar caminhos e não esmoreçamos como alguns nos querem ver.


De Henrique Salles da Fonseca a 3 de Dezembro de 2009 às 19:11
RECEBIDO POR E-MAIL:

Eu não é que me entregue, Dr. Salles da Fonseca. Há várias maneiras de lutar. Uma delas alertando, lembrando os caminhos do desvio, mesmo que seja através da ironia. Hoje falaram em combate à corrupção. Mas também nos falta uma educação capaz. Daí a preocupação como uma constante. Por causa do défice. Será que neste pequeno rectângulo que tudo importa, menos o sol, que tudo deve, menos o sol também, há espaço para a ilusão?
Berta Brás


De Henrique Salles da Fonseca a 3 de Dezembro de 2009 às 15:58
RECEBIDO POR E-MAIL:

Vale a pena ler e se degustar com a leitura/adentra-nos na imersão.
Maria Inês Botelho
Presidenta do Elos Internacional


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