Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
POSTAIS ILUSTRADOS XXXII

 

 
 
Raphanus Raphanistrum
 

“O Pai ama o Filho e tem entregue todas as coisas na sua mão” João, 3:35

 
 
Não sou botânico, mas hoje venho abordar o tema de plantas e flores, mais concretamente, venho falar-vos do dito cujo raphanus raphanistrum que significa rábano silvestre ou selvagem. Faz parte da família das crucíferas (o nome não condiz) porque este de que vos falo não se dá bem com as cruzes. Cresce sem cultura em quase todo o Portugal, mas faz parte mais intensa da flora da Serra da Adiça. Esta Serra fica convenientemente próxima da fronteira espanhola. (O raphanus emigrou para Espanha por causa de lhe meterem um livro no Index nacional e cortarem-lhe o almejado subsídiozito). A Serra caracteriza-se pelas suaves lombas avermelhadas e esta planta, herbácea de ADN, é de um vermelho doentio, mas aparece muitas vezes com cores rosáceas. As lombas da Serra estão cobertas de oliveiras e vejam a coincidência, Jesus Cristo partiu do Monte das Oliveiras para a cruz. Mas este raphanus raphanistrum escreve sobre Jesus da mesma forma como vive do húmus da terra, rasteiro, colado ao solo, para melhor sugar e viver. Só ataca quem garantidamente lhe oferece a outra face. Não vá o diabo lembrar-se e arranjar-lhe uma caldeirada salmon rushdiana e acontecer-lhe o mesmo que a Jesus: a morte. O Raphanus raphanistrum traduz-se do latim como o rábano dos rábanos, i.e., o only one. O especial. Para terminar. Se for ao dicionário Houaïss e procurar o significado de saramago lá encontra a classificação botânica latina raphanus raphanistrum, mas, explorando a enciclopédia luso-brasileira, lá encontraremos: “gracioso de comédias, personagem burlesco em certas farsas, tipo lacaio”. E aparece na botânica brasileira a espécie de água, como planta crucífera brasileira chamada rábano bastardo. E concluo por aqui o meu estudo, pois acho que já gastei o meu latim...
 
 Luís Santiago

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:18
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5 comentários:
De Henrique Salles da Fonseca a 26 de Novembro de 2009 às 22:23
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Embora discorde em vários aspectos da crítica feita a Saramago, acho o texto de Luís Santiago uma excelente e inteligente alegoria que progressivamente, em irónico suspense, vai desvendando o objecto visado, terminando na identificação de saramago com o tal raphanus. Só posso acrescentar que os dicionários da Lello Universal e o da Academia de Ciências de Lisboa, da Verbo, também referem esse sentido gracioso de comédias, personagem burlesca de farsa. Todavia, quando lemos alguma da obra de Saramago - até mesmo "Caim" - dificilmente nos parece rasteiro o estilo e o pensamento do escritor, que achamos de grande riqueza e dimensão criativa. Mas Vieira também foi subjectivo nos seus retratos do polvo, do torpedo, etc.
Creio que o Saramago ficará orgulhoso e seu amigo, depois de o ler, sr. Luís Santiago.
Berta Brás


De Luís Santiago a 27 de Novembro de 2009 às 23:06
Senhora Professora Berta Brás, Um escritor para mim, sendo português, tem acima de tudo de ser português, não sei se me faço entender porque daqui não quero passar. Foi escolhido para Prémio Nobel, não por ser um escritor por aí além, mas por questões meramente políticas. Aliás o fundador deve dar voltas no túmulo por causa do uso que a Academia de Estocolmo faz do seu legado. António Lobo Antunes estava e está melhor posicionado para ser um genuíno Prémio Nobel da Literatura Mundial . Conheço a obra de ambos e sei as diferenças abismais, entre elas, a dureza e a escrita oportunista de um, e a naturalidade e a ternura da narrativa de outro. Acresce o facto de que sou católico e não gosto que me cuspam na minha religião. Atreva-se o raphanus a dizer de Alá o que diz de Deus e do Corão o que diz da Bíblia e aguardemos o resultado. Se ele tiver coragem para isso, claro! Desculpe-me Professora, não quero de modo algum ofendê-la, jamais conseguiria ofender uma Senhora, mas pode ter a certeza se raphanus soubesse o que eu penso dele jamais quereria ser meu amigo e eu tampouco quero ser amigo dele. Creia-me com o respeito de sempre. Luís Santiago


De Henrique Salles da Fonseca a 29 de Novembro de 2009 às 10:32
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Tratava-se de o homenagear a si, sr. Luís Santiago, pela alegoria do "raphanus", não para o ofender. As opiniões são livres, e os gostos também, mesmo subjectivos. Eu também não gosto do Lobo Antunes, só porque "Memória de Elefante", lida há ums trinta anos, me ferira os tímpanos, pela linguagem de obscenidade, nessa altura ainda pouco comum. Agora, o jeito de esfregar o lóbulo da orelha enquanto responde modestamente, sottovoce, nas entrevistas televisivas, também me cria rejeições "incontornáveis", como se diz muito. E nada disso é sério, sei-o bem, apenas subjectivo. De resto, os problemas existenciais em "Memória..." lembravam-me também os de Roquentin da "Náusea", mas à maneira da nossa bota bicuda de imitação referida em "Os Maias", sintomáticos do nosso novo-riquismo e preciosismo provincianos, a linguagem despretensiosamente corrente de Sartre, na sua ironia devastadora, bem como a angústia do protagonista, eram exageradamente retorcidos em L. Antunes. E estas apreciações subjectivas me levam a que o não leia, ao contrário de Saramago que leio com gosto pela forma estuante de vida e de arreganho e originalidade que imprime ao que escreve.
Berta Brás


De Luís Santiago a 29 de Novembro de 2009 às 14:00
Senhora Professora,
Eu entendi o elogio e agradeço; e não estou ofendido. Um discussão académica é o que é. Não há nada de pessoal nisto. Temos opiniões divergentes o que é saudável. Mas permita-me já agora distanciar o saramago do Lobo Antunes. Um escreve por oportunismo e para ganhar astutamente dinheiro, provocando as pessoas e despertando-lhe o interesse da forma mais errada. Acorda a curiosidade das pessoas pela maledicência. O Lobo Antunes também ganha dinheiro como é evidente, mas ganha-o sem truques. Nunca o ouvi agredir ninguém. Se a Professora já ouviu ou viu o Lobo Antunes a usar métodos pouco éticos para lançar os seus livros, esclareça-me, por favor. Não me vai dizer que as entrevistas que dá são pouco éticas ou moralmente condenáveis? Isso é uma maneira de estar e muito humana até, porque não esconde os "tiques". Estaríamos horas em posicionamentos e argumentações diferentes. Se pretender fazer com que todos usufruamos das nossas opiniões e elas tenham utilidade cultural, partamos para a apreciação literária das obras dos dois autores em questão e todos ganharemos com isso. Os meus respeitos. Luís Santiago


De Henrique Salles da Fonseca a 29 de Novembro de 2009 às 19:21
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Bem que eu o achava bastante ardido...

Maria Eduarda Fagundes


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