Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
PORTUGAL, UM ÍCONE MUNDIAL - 4

 

UM PAÍS DE MISSÃO
 
 
CRIADORES E INTÉRPRETES DA ALMA LUSA
 
7. Às vezes as pessoas entram em crise de identidade. Querem desvendar mistérios. Querem saber mais, ir mais fundo. Captar o sentido da vida e do mundo.
Sou cidadão do mundo, com todas as suas complexidades, pluralidades e paradoxias.
Mas o que eu queria saber é por que tantos têm um carinho especial por “esse pedaço de terra”, na parte mais ocidental da Europa, de frente para o mar... aclamado como “Jardim da Europa”.
 
Repito que gostaria de não ter nascido neste país, para não o amar por obrigação, mas por devoção, por conhecimento e amplitude de visão e para poder dar um testemunho por vivência e convicção.
Por outro lado, acho isto uma sem-razão, pois não somos nós que escolhemos o nosso lugar para nascer.
Nascer em certos lugares é mais que uma eventualidade, é uma missão.
 
8. Por que este país merece tanto respeito, carinho e amor, de tanta gente de destaque e de visão, do mundo inteiro, há tantos séculos? Abra os ouvidos e escute; abra os olhos e leia, solte a língua e fale.
·        Por que Camões produziu essa prodigiosa obra: “Os Lusíadas”, cantando o País e sua Gente, seus Feitos e o seu Futuro? Só um grande país poderia despertar tão grande amor, num mortal genial:
Para tão grande amor tão curta a vida
 
            No final do Poema, Camões celebra a tarefa, preocupado, dando a missão por cumprida:
Não mais musa, não mais,
que a lira tenho destemperada
e a voz enrouquecida
 
·        Por que Vieira produziu alguns de seus Sermões monumentais, para exaltar o seu país, se no próprio país recebeu tantos revezes? Por que colou, à imagem de Portugal, o mito fantástico do V Império, como a missão matricial de seu país?
O português tem Portugal para nascer
E o mundo inteiro para viver
 
·        Por que Fernando Pessoa dedicou poemas e meditações tão profundas e monumentais ao seu País, elevando-o aos píncaros das estrelas?
 
 “A Europa (...)
Fita, com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal”
 
Pessoa dá-nos também o lado trágico do País, ao glorificá-lo:
“Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal ”
É o próprio Pessoa que nos revela as dimensões da “Pátria”, nos quatro cantos do mundo:
Nossa Pátria é a Língua Portuguesa
 
            Afirmo, com lealdade: não me consta que Camões, Vieira e Pessoa sejam pessoas sentimentais, de parco conhecimento e deficitária inteligência.    
            Mas porque não ouvir também as lições de Teixeira de Pacoaes, de Agostinho da Silva, e de tantos mais?
 
(continua)
 
Setembro de 2009
 
 José Jorge Peralta

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:59
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3 comentários:
De Henrique Salles da Fonseca a 12 de Novembro de 2009 às 14:11
RECEBIDO POR E-MAIL:

Amar a pátria não é exclusivo dos Portugueses. Qualquer ser racional, formado - ou não - dentro de princípios cívicos, ama o espaço que lhe foi berço ou dos seus ancestrais, espaço de que estudou a história, a geografia, a língua e os que a souberam elevar, a arte e os que a souberam dignificar, espaço a que o ligam recordações que calam fundo dentro de cada ser. Os grandes génios souberam cantar a pátria, prestigiando-a, outros a aviltaram - como Almada Negreiros, por exemplo na "Cena do Ódio", mais, em todo o caso, o seu povo - "A pátria onde Camões morreu de fome / E onde tantos enchem a barriga de Camões". O próprio Saramago não perde pitada para denegrir o povo português. Ultimamente, "Caim" serviu, entre outros objectivos, para, oralmente, acusar o povo de ignorância da Bíblia. Camões, nessa estrofe que cita, concluiria sobre a "gente surda e endurecida" de uma "pátria que está metida no gosto da cobiça e na rudeza duma austera apagada e vil tristeza". Todos amamos a Pátria, e, afinal, não por obrigação mas porque a sentimos como nossa, a quem devemos respeito e dedicação e que gostaríamos de melhorar. Todavia, não é isso que vemos nela, nesta nossa, pelo menos, que nos desrespeita e atropela, com o seu "gosto da cobiça" causador da "vil tristeza". É isso que provoca o sentimento não de desamor pela pátria, mas de repúdio por quem a avilta.
Berta Brás


De Henrique Salles da Fonseca a 12 de Novembro de 2009 às 14:32
BRAVO!, Professora Berta Brás.
Também eu nutro um profundo sentimento de repúdio por quem avilta a Pátria. Despreso quem diz mal sem apontar soluções plausíveis e compatíveis com o modelo civilizacional ocidental em que felizmente nos integramos, politicamente democrático.
Este blog é o meu instrumento de promoção do bem da nossa Nação o que implica identificar problemas e apontar-lhes soluções. Nestas circunstâncias - no pressuposto de que todos os Autores mantêm a serenidade dos espíritos esclarecidos - apontar defeitos nada tem a ver com maledicência e sugerir soluções é uma acção patriótica do mais alto relevo.
Mas ser patriota não tem também nada a ver com ser-se patrioteiro, cantor de méritos ocultos e fados melancólicos, míticos e quiçá místicos.
Mantenhamos a serenidade se somos clarividentes.
Henrique Salles da Fonseca


De Adriano Lima a 12 de Novembro de 2009 às 21:55
Concordo com o que disseram os dois comentaristas, todos nós em sintonia com a intenção do autor.
O nosso problema é esta dificuldade em conciliar a Nação com o Estado, dificuldade tanto mais pronunciada quanto maior é a liberdade com que pensamos e organizamos o Estado. Portugal tornou-se grande no tempo em que os grandes líderes usaram do poder com pouca ou nenhuma restrição. Que o diga o infante D. Henrique. Tempos que se foram e que por certo ninguém deseja de volta, não pela recordação da glória mas pelo estilo do mando. Mas é pena que não se consiga criar eficientes correias de transmissão entre a fria e rígida organização estatal e a massa boa e devota do povo.
Por mim, sempre que vou ao estrangeiro levo sempre a grata recordação do pequeno Café de Tomar onde saboreio uma boa "bica", que outra igual não encontro no estangeiro, enquanto leio o jornal da casa que o dono me traz sempre com um sorriso simpático. Só em Portugal!


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