Domingo, 18 de Outubro de 2009
PARA UMA DIMINUIÇÃO DA NATALIDADE

 

 (ao estilo de comentário alargado)
Leio o texto “Religião põe à prova a tolerância do Estado Secular” de António da Cunha Duarte Justo, encimado pela foto de um rapaz muçulmano dobrado sobre um tapete, aparentemente no átrio duma escola. Expõe que a directora dum liceu alemão, tendo proibido um aluno árabe de fazer as orações diárias no seu tapete, a pretexto de que se tratava de uma escola neutral na questão religiosa, se viu confrontada com uma acção posta em tribunal pelo usufrutuário do tapete e sentenciada a aceitar de volta aluno e tapete, temporariamente voados de lá.
Duarte Justo acha a sentença judicial propícia a novos temores e desequilíbrios sociais, numa luta entre cruzes e tapetes e interroga sobre o caso português onde “o governo socialista expulsou as cruzes da escola” e em que a probabilidade de igual incidente de força arábica – que é o mesmo que dizer petrolífica -  faria o nosso PM repensar o caso das cruzes, segundo o ideário da democracia de igualdade de oportunidades, já que, para todos os efeitos, se teria de render à força dos tapetes.
Pergunta ainda Duarte Justo se “o medo duma escola devota será proporcional à náusea dos preservativos socialistas na escola portuguesa”. E acrescenta: “Quem como o PM Sócrates instrumentalizou a escola para a distribuição de anticonceptivos gratuitos e para a indoutrinação sexual, certamente não terá dificuldade em colocar também genuflexórios e tapetes de oração”.
A  este texto respondi com um comentário que me parece pertinente, e por isso o transcrevo: “Creio que sim, que a nossa Educação possa permitir a entrada do tapete para a genuflexão muçulmana, ou para outros quaisquer objectivos que tenham a ver com o uso da pílula de forma mais confortável. Por uma questão de democracia, é natural que também mande construir altares de madeira, ou mesmo nichos piedosos, para mostrarmos que não temos menos direitos que os muçulmanos de rezar nos corredores, quando em casa provavelmente não precisamos. É preciso respeitar os muçulmanos e os seus tapetes. Mas talvez os muçulmanos nada queiram de nós. Ficar-se-ão pela Alemanha, cujos tapetes são mais macios, e deste modo a nossa Educação prosseguirá altiva em direcção ao nada de sempre, apesar dos esforços de tantos dos seus excelentes professores, que têm que cair em todas as armadilhas que lhes são estendidas. Sem tapete”.
Mas foi, sobretudo, pensando em nos manter na testa da Civilização que o nosso PM propôs a substituição da cruz pela pílula, ou mesmo, em caso de necessidade, pelo tapete oriental, progressista como é, não desejando equiparar-se aos condes Gouvarinho da galeria queirosiana, quando este exclama para Torres Valente, que propusera a abolição do catecismo na escola: “Creia o digno par  que nunca este país retomará o lugar à testa da civilização, se nos liceus, nos colégios, nos estabelecimentos de ensino, nós outros, os legisladores, formos, com a mão ímpia, substituir a cruz pelo trapézio...” (“Os Maias”, IX).
Nunca o nosso PM se posicionaria num registo destes, de gouvarinhanço! Só muito forçado pelas incongruências dos tempos que atravessamos, que nos forçam ao tapete, e que por isso nos impõem igualmente a cruz. Mas de preferência o preservativo.
Berta Brás


publicado por Henrique Salles da Fonseca às 10:03
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Dezembro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


artigos recentes

O FILHO DAS SALSAS ERVAS

FRASE DO DIA

RESTAURADORES DA SOBERANI...

OLIVARES, ESSE DEMOCRATA

FRASE DO DIA

CARTA DE UN MINISTRO AL R...

LIDO COM INTERESSE – 74

PERU – 12

PERU – 11

PERU – 10

arquivos

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Janeiro 2004

tags

todas as tags

links
Contador

contador de visitas para site
blogs SAPO
subscrever feeds