Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
5 de Outubro

 

Em 1910, a taxa de analfabetismo adulto da população portuguesa rondava os 90% sendo os 10% letrados constituidos maioritariamente por religiosos e militares

 

 

 

O 5 DE OUTUBRO (DE 1143)
 
 
Já o disse e repito: orgulho-me de ser português.
 
Orgulho-me de pertencer a um povo que escreveu a história da humanidade.
 
Só não consigo entender porque comemoramos a 5 de Outubro a implantação da República e nos esquecemos daquilo que, em meu entender, é muito mais importante: o nascimento de Portugal como nação independente.
 
Em 5 de Outubro de 1143, D. Afonso Henriques celebra um acordo de paz com seu primo, rei Afonso VII de Castela e Leão (Tratado de Zamora), ainda que sem o reconhecimento da Santa Sé, mas na presença do Cardeal Guido de Vico (a Santa Sé precisou de 36 anos e de cem moedas de ouro para reconhecer D. Afonso Henriques como rei soberano).
 
Esta é uma data gravada no sangue dos portugueses, pelo menos daqueles que se orgulham de o ser.
 
Somos o mais antigo país europeu. Fomos os primeiros a surgir como nação independente, contudo somos talvez os únicos que não comemoramos a data da nossa formação enquanto nação.
 
Andamos esquecidos (há 900 anos!!) de celebrar o que mais importa à história de um povo. Não há quem não saiba quem foi o 1º Rei de Portugal, da sua árdua luta pela independência, da sua determinação e grandeza de carácter. D. Afonso Henriques tido como: “ prudente, sábio, inteligente, belo, gigante, leão rugidor”, desde cedo impôs a sua vontade e a sua determinação, consta que com apenas 13 anos de idade e antecipando 700 anos a um gesto de Napoleão Bonaparte, na cerimónia em que o sagram cavaleiro, na Catedral de Zamora, D. Afonso Henriques ignora a presença do Cardeal e ele próprio sagra-se cavaleiro.
 
Aos 21 anos é Rei de Portugal e com ele inicia-se a mais bela história de uma nação. Com mais ou menos dificuldades mas sempre povoada por grandes feitos e grandes homens (e mulheres também!).
 
Começámos por alargar território e as grandes e dolorosas batalhas com os mouros. Fomos confrontados com a impertinência dos nossos vizinhos e com eles escrevemos a “meias” algumas passagens da história.
 
Lançámo-nos na descoberta de novos mundos numa visão arrojada do Infante D. Henrique. Donos de um império impressionante, inaugurámos uma nova ordem económica e estabelecemos uma nova visão do mundo. Apreendemos novas culturas e levámos a nossa língua aos quatro cantos da terra. Mais uma vez e para além dos nossos vizinhos espanhóis, recebemos as “visitas” dos nossos “aliados” ingleses e franceses. De todos nos livrámos e mantivemos esta pequena grande nação independente.
 
Mas curiosamente, a 5 de Outubro celebramos apenas a passagem da monarquia para a república, como se o regime ou a forma que este adopta fosse mais importante que o nascimento da nossa nacionalidade. Temos esta tendência, quase mórbida, para apelarmos aos pormenores esquecendo o mais importante, aquilo que mais nos dignifica como portugueses.
 
Já agora, se o importante são as batalhas porque não comemoramos a de S. Mamede ou a de Aljubarrota?
 
A cidadania de que tanto e tantos falam hoje só é possível se estivermos cientes do nosso valor e da nossa história (de que nos devemos orgulhar).
 
O “Sebastianismo” só acontece porque teimamos em envolver-nos num denso nevoeiro que nos tolda a visão e nos impede de ver mais adiante. E enquanto teimarmos em esquecermos quem somos, e donde vimos, dificilmente saberemos para onde vamos.
 
Acordem valentes lusitanos!
 
Ínclita Geração – precisa-se!
 
 Dina Lapa de Campos
Presidenta do Elos Clube de Faro

 


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:33
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2 comentários:
De Adriano Lima a 6 de Outubro de 2009 às 19:38
Bela e emotiva exortação! E plena de verdade, convenhamos. É incompreensível que se queira exaltar tanto o republicanismo que se esquce o nascimento da cidadania e o trajecto da cidadania ao longo de 800 anos. Se Portugal se fez respeitado e entrou na história universal foi durante a monarquia. E o mais grave equívoco surgiu com a alteração das cores da bandeira nacional. De facto, celebrar o nascimento de Portugal seria o acontecimento aglutinador que não excluiria ninguém. Nenhum regime, nenhuma ideologia.


De Ruben Santos a 14 de Outubro de 2009 às 23:19
A Dra. Lina Lapa de Campos honrou a Casa dos Açores no Algarve ao publicar no "Nove Ilhas", o boletim cultural desta instituição, em 26 de Outubro de 2007, o trabalho acima citado.
Foi óptimo relê-lo e saber a expansão que "A Bem da Nação" prporciona a trabalhos de grande qualidade.


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