Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
POSTAIS ILUSTRADOS XXX

 

 
TEOLOGIA DA ECONOMIA II
Parte IV
Conclusões e Soluções

Só não vê quem não querDom Manuel Clemente, Bispo do Porto, Programa “O Dia do Senhor”, Rádio Renascença, 20/09/09 – 10h00-11h00.

 
Na citação acima, Dom Manuel Clemente reportava-se às qualidades das pessoas comuns que ascendem a Santos, qualidades essas que têm a ver com a humildade, com os sacrifícios de uma vida ao serviço dos outros de que os Evangelhos, a nossa História e a História da Humanidade estão repletos de exemplos de vida dos que escolhem o caminho contrário à sua presença silenciosa, dos que escolhem não ser vistos e estar. E, estes exemplos de que as Histórias nos dão conta, segundo o emérito Bispo do Porto, passam ao lado de quem não quer ver esses exemplos de simplicidade e abnegação. Assim, há pessoas que são vistas e não estão e pessoas que estão e não são vistas. Decididamente, os políticos nunca chegarão a Santos, porque não querem ver o estado em que está o país. Já está provado, pela experiência deixada, que qualquer dos partidos que passou pelo poder, carece de ter maioria absoluta. Está, outrossim, provado que a inversa também é verdadeira: a falta de maiorias absolutas esbarra nas tentativas de consenso. Só quando houver a absoluta consciência de que os consensos são necessários; mais, são um imperativo patriótico, é que chegaremos a formas superiores de governação por consensos. Ainda ninguém se apercebeu de que a partilha do poder é que é uma forma sublime e superior de Democracia? Continuo com o meu contributo cívico, como forma de fazer política, trazendo à liça ideias, que, sendo discutíveis, não melhores, nem piores do que outras, são exequíveis:
B) Soluções:
Agricultura, Comércio e Pescas – Neste âmbito, temos de entender que a agricultura não tem dimensão para o mercado nacional, o comércio está desorganizado e as pescas são um exemplo da iniquidade das várias formas de exploração dos intermediários:
                1º - Na área da agricultura, o país foi remetido para a situação de subsidiado. Os agricultores e as suas associações representativas aceitaram os subsídios de Bruxelas, para serem reduzidos à condição de inactivos. Ninguém pensou nas dádivas envenenadas e destruíram alegremente colheitas em troca de dinheiro. Escolheu-se a via mais confortável e mais fácil que abriu o caminho aos produtos espanhóis, franceses e italianos, esquecendo que o dinheiro é volátil e uma vez desaparecido não tem retorno. Ou melhor, tem retorno com muito trabalho![1];
                2º - A primeira coisa a fazer é alterar, precisamente, o papel do Estado. O Estado deveria ser, tão somente, legislador, regulador e fiscalizador. A política de subsídios (na agricultura, atribuídos sem um rigoroso escrutínio) seria substituída por seguros de colheitas, criando-se as condições às companhias de seguros e aos agricultores para uma transição empenhada e em segurança;
                 3º - Combater-se a desertificação do interior, incentivando-se o repovoamento das aldeias abandonadas [2] e apoiando a formação de novas, com políticas de uma colonização da interioridade que afastasse a imagem e o estigma de pobreza, com o lançamento de cursos técnico-profissionais agrícolas, tudo isto acompanhado de políticas de inserção que motivassem os mais novos a ser os novos colonos [3]do país. Colonos na sua própria terra! Desenraizar do espírito dos jovens portugueses a ideia errada de que o sucesso profissional está nas licenciaturas. Que ser doutor, engenheiro, economista, arquitecto ou médico é garantia de sucesso na vida e de bons ordenados;
                 4º - O calcanhar de Aquiles, neste três sectores é, indubitavelmente, a intermediação e a margem de lucro. Ao Estado compete regularizar esta matéria com mão de ferro, para impedir que o lucro seja injustamente distribuído por aqueles que não “suam” a produção.
Os pontos anteriores trazem à colação matérias que, por sua vez, têm de ser alvo de alterações radicais e objectivas, mormente, no apoio à maternidade, à deslocação de citadinos para o interior, às políticas fiscais, sociais... etc... etc... Numa só expressão: deslocalizar e descentralizar a actividade produtiva! Contudo, trata-se de uma matéria tão vasta que não tem cabimento nestes textos que têm como objectivo último lançar apenas algumas ideias para fazerem parte de programas e acções governativas futuras. Só não vê quem não quer... ou não tem interesse em ver, sabe-se lá por que razões pouco transparentes.
 
 Luís Santiago
 
[1] Recordo que no longínquo ano de 1985 dei uma entrevista à Rádio Renascença, como técnico e na altura afirmei, mais ou menos assim, que se aceitássemos como exigências para integração de pleno direito na política agrícola comum (PAC) demitirmo-nos de produzir o que queríamos e sabíamos e não defendêssemos a autoctonia dos nossos produtos regionais com firmeza, o país acabaria por ser transformado numa colónia de férias da Europa, com um único produto para oferecer. O Sol e o clima! Já não estamos muito longe disso. 
[2] Há países ricos que adquirem terras dos países pobres da África e da Ásia, por meio de arrendamento ou compra, para expandirem a sua capacidade agrícola, segundo informações do Instituto Internacional de Investigação de Política Alimentar (International Food Policy Research Institute, criado em Washington em 1975), que tem como missão promover soluções de política alimentar que reduzam a pobreza e a fome e a desnutrição a nível mundial (*);
[3] A esta ideia está associada uma outra. A de incentivar a natalidade como combate ao envelhecimento populacional. No fim de 2008 registávamos 10.627.250 almas das quais 17,6% já estão na terceira idade. É muito, se atendermos a que temos uma dívida de 10 mil milhões de euros para pagar, que aumenta diariamente. Precisamos de gente jovem para trabalhar e investir demograficamente no país real.     
(*) Também a FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations), prepara a 36ª sessão da sua Conferência que terá lugar em Roma de 18-23 de Novembro de 2009 e que inclui a apresentação do Quadro Estratégico 2010-2019, cujo primeiro ponto versa sobre “Os desafios para a alimentação, agricultura e desenvolvimento rural”.

tags:

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:52
link do post | comentar | favorito
|

1 comentário:
De Luis Santiago a 28 de Setembro de 2009 às 21:14
ERRATA: Muito embora se entenda o conteúdo geral da mensagem que pretendo transmitir, no primeiro período, o que é verdade é que me expressei de forma errada e escrevi o contrário de que pretendia dizer, tornando o texto confuso. Onde começo por "..que os Evangelhos, a nossa História e a História da Humanidade estão repletos de exemplos de vida dos que escolhem o caminho contrário à sua presença silenciosa, dos que escolhem não ser vistos e estar." Corrijo para: "... os Evangelhos, a nossa História e a História da Humanidade estão repletos de exemplos de vida dos que escolhem o caminho de uma presença silenciosa, dos que escolhem não ser vistos e estar." Apresento, desde já, as minhas desculpas aos leitores deste blog e ao seu proprietário por este erro, com a promessa de que, futuramente, passarei a ter mais cuidado.
Luís Santiago


Comentar post

mais sobre mim
pesquisar
 
Outubro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13

19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


artigos recentes

PERU – 5

PERU – 4

PERU – 3

PERU – 2

PERU – 1

ESCRITORES ESQUECIDOS

LIDO COM INTERESSE - 19

LIDO COM INTERESSE – 73

ESTAREMOS TRAMADOS ENQUAN...

ÉTICA E INFINITO

arquivos

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Janeiro 2004

tags

todas as tags

links
Contador

contador de visitas para site
blogs SAPO
subscrever feeds