Domingo, 27 de Setembro de 2009
SERVIÇO DA REPÚBLICA

 

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«(...) a República não mereceria
os melhores desta geração por 
não se sentirem estes respeitados
nem reconhecidos, o que teria por
consequência o recusarem-se  a
continuar a entregarem os seus
   méritos e esforços à Nação.»
   (Adriano Moreira, entrevista a Mário Crespo)
 
 
 
O Professor tem expressões interessantes que habitualmente exigem uma segunda leitura para cabal entendimento. Se lido é assim, ouvido exige muita atenção – a tal que impunha o silêncio no hemiciclo parlamentar quando subia à tribuna dos oradores – para não se perder o fio à meada. Sólido e substancial não é, contudo, límpido.
 
Da frase proferida entendo que gente de bem não se disponibiliza para a mistura com os vulgares profissionais de serviço à República. Tenho a ideia como boa.
 
Também tenho a República como boa e a actual ausência de Ética como má. Mas esta ausência nada tem a ver com o Regime. Tem, isso sim, com o pós-modernismo em que desgraçada e globalmente caímos. E ao anularem a Ética também mataram o futuro. Os modernistas foram os últimos que tiveram futuro. Os pós-modernistas veneram a Deusa Hedone e seu esposo US Dólar. Julgam-se ilustres mas não passam de vaidosos; julgam-se ricos mas vivem do crédito que os crédulos lhes conferem; julgam-se predestinados para o desempenho de uma missão que gerem a cada momento que passa sem uma perspectiva de futuro, o tal que mataram pois mais não lhes interessa do que o momento presente.
 
Na praça pública rareiam hoje os valorosos e pululam os banais. E não só no âmbito do vulgarizado debate político – prenhe de insultos, acusações, dislates e presumidas corrupções ao mesmo tempo que virgem de ideias novas ou de Sentido de Estado – mas na vida cá fora também.
 
Solução? Reponha-se a Ética – que é a questão dos factos – já que pedir Moral, a questão dos princípios, é demais para quem paira longe dessas alturas. Pode ser que então os valorosos se dignem servir a Nação. Se uns e outra ainda houver…
 
 
Lisboa, Setembro de 2009
 
 Henrique Salles da Fonseca

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:54
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7 comentários:
De Manuela Magno a 27 de Setembro de 2009 às 11:01
Viva a República com ÉTICA!


De Henrique Salles da Fonseca a 27 de Setembro de 2009 às 13:22
RECEBIDO POR E-MAIL:

Viva Caro Salles da Fonseca.
Muito bem esta sua intervençao.
Mendo Castro Henriques


De Adriano Lima a 27 de Setembro de 2009 às 16:30
Dia de reflexão e de decisão, quedemo-nos ao menos em decifrar o pensamento de Adriano Moreira, homem que eu respeito até à medula. Eu também às vezes tenho de ler uma segunda vez para perceber o verdadeiro sentido do seu verbo, mas que este me delicia delicia. Antes de mais, considero-o um cidadão de enorme envergadura cívica e política, que honrou o partido em que se filiou a seguir ao 25 de Abril. Tentar minimizar a sua importância por comprometido com funções políticas às ordens de Salazar é um rematado disparate e uma tremenda injustiça. Não se esqueça que Adriano Moreira exerceu o seu cargo de ministro do Ultramar com um intuito reformador, para mudar o que achava mal ou dissonante com os tempos, claro que sem poder desviar-se demasiado do trilho imposto pelo chefe do governo. E quando concluiu que lhe seria difícil manter o seu azimute, pediu demissão.

Ora, quando Adriano Moreira proferiu as palavras introdutórias deste artigo, queria transmitir o seu entendimento de que a República só pode ter os seus melhores filhos nos mais altos cargos de decisão. Moreira é, e foi, para mim, um desses filhos.

Mas como cativar os melhores filhos da nação e trazê-los incondicionalmente ao serviço da república, eis a questão aqui colocada. Mas outras questões se antecipam: haverá efectivamente melhores filhos da nação do que os que temos? As democracias modernas podem alhear-se dos novos fenómenos com que ela se entrelaça? E, sendo assim, não será uma utopia pensar que é recuperável a ética socrática em toda a sua inteireza e plenitude?
É que se houve um tempo em que a ética socrática foi estrondosamente derrotada pelo relativismo e pelo individualismo dos sofistas, é o nosso tempo. Como dar a volta a isto é um problema que é de todas as modernas democracias.
E, pronto, vou agora votar e imaginar que a massificação deste gesto cívico será o mínimo que podemos fazer para melhorar a República.




De Henrique Salles da Fonseca a 27 de Setembro de 2009 às 19:01
RECEBIDO POR E-MAIL:

Lapidar!
Berta Brás


De José Rosado a 1 de Outubro de 2009 às 12:47
Muito bem Dr. Henrique.
Sucinto e directo.


De Kilas a 4 de Agosto de 2010 às 16:45
Quer seja uma Monarquia ou uma República, essa a Mátria que a todos concede uma identidade, são os seus filhos que lhe dão o nome, sendo por seu lado os enteados aqueles que por vezes mais a honram. Há necessidade de uma introversão, de um silêncio geral, em vez das carvalhadas e das besteiradas que se ouvem nas ruas e se lêm nos jornais.

Os melhores desta geração continuam e continuarão por seu lado a existir, independentemente do facto de entregarem ou não os seus méritos e esforços à Nação... Por assim dizer, na qualidade de bons, para quê lutar contra a maré, se navegar a seu favor resulta mais fácil, saudável e proveitoso?


De Manuel Dias a 29 de Março de 2011 às 01:59
O Prof. Adriano tem a sabedoria da ave de Minerva pela sua vivência multidimensional reflexiva. Os melhores da Nação não têm tido oportunidade de dar o seu melhor porque:
- a Universidade tem apostado na alienação e não na fidelidade, como Gustavo de Fraga o explicou.
- se criou um filtro unidimensional alicerçado em supostas autoridades que publicamente só falam abstracções e lugares-comuns representando um pensar unidimensional e um sentir inautêntico, apenas preocupado com o politicamente correcto, para agradar aos poderes dominantes. Assim se destroi a criatividade imprevisível da Nação.


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