Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
LICHNOWSKY E LIST – 2

 

 Imagem
Manuel Teles da Silva (1641-1709)
Marquês do Alegrete, negociador português do
Tratado de Methuen
 
 
Apenas com três artigos, o Tratado de Methuen é o texto mais reduzido da história diplomática europeia:
 
"I. Sua Majestade ElRey de Portugal promete tanto em Seu proprio Nome, como no de Seus Sucessores, de admitir para sempre daqui em diante no Reyno de Portugal os Panos de lãa, e mais fábricas de lanificio de Inglaterra, como era costume até o tempo que forão proibidos pelas Leys, não obstante qualquer condição em contrário.
 
II. He estipulado que Sua Sagrada e Real Magestade Britanica, em seu proprio Nome e no de Seus Sucessores será obrigada para sempre daqui em diante, de admitir na Grã Bretanha os Vinhos do produto de Portugal, de sorte que em tempo algum (haja Paz ou Guerra entre os Reynos de Inglaterra e de França), não se poderá exigir de Direitos de Alfândega nestes Vinhos, ou debaixo de qualquer outro título, directa ou indirectamente, ou sejam transportados para Inglaterra em Pipas, Toneis ou qualquer outra vasilha que seja mais o que se costuma pedir para igual quantidade, ou de medida de Vinho de França, diminuindo ou abatendo uma terça parte do Doreito do costume. Porem, se em qualquer tempo esta dedução, ou abatimento de direitos, que será feito, como acima he declarado, for por algum modo infringido e prejudicado, Sua Sagrada Magestade Portugueza poderá, justa e legitimamente, proibir os Panos de lãa e todas as demais fabricas de lanificios de Inglaterra.
 
III. Os Exmos. Senhores Plenipotenciários prometem, e tomão sobre si, que seus Amos acima mencionados ratificarão este Tratado, e que dentro do termo de dous meses se passarão as Ratificações."
 
 
Na opinião de Lichnowsky era aqui que residia a razão de ser da dívida externa e do subdesenvolvimento de Portugal pelo que, considerando List um dos economistas mais importantes do seu tempo, não hesitou em pedir o seu conselho sobre a questão.
 
Lisboa, Setembro de 2009
 
 Henrique Salles da Fonseca
 
BIBLIOGRAFIA:
 
 

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 10:17
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4 comentários:
De Henrique Salles da Fonseca a 25 de Setembro de 2009 às 18:12
RECEBIDO POR E-MAIL:

Para quem leu que, até na época dourada dos Descobrimentos se importava o cereal que comíamos, dos Países Baixos, não admira que séculos depois, com a economia sempre arruinada, um Tratado com uma nação potente, não nos fizesse criar uma aparência de estabilidade. Mas é sempre só aparência. Realmente, não sei o que nos acontece. Não trabalhamos? Não produzimos com competência? Muito roubamos? Porque não avançamos? E agora como estamos? Para onde vamos? Creio que não há respostas. Depende de nós, mas não sabemos. Nada sabemos.
Berta Brás


De Anónimo a 25 de Setembro de 2009 às 18:17
Com Ricardo, Marx e tantos outros pensadores de épocas mais recentes, criou-se o hábito de apostrofar o Tratado de Methuen e os seus negociadores portugueses. Peço vénia para discordar, por considerar que se está a julgar o passado com uma métrica que, à data, não existia (a modos de preencher o totobola à 2ª fª). À época, os vinhos portugueses quase tinham sido banidos do mercado inglês pelos vinhos franceses (por razões de logística, o mercado inglês, o mais apetecível naqueles recuados tempos, estava dado por perdido); e boa parte do mercado português de panos era abastecida por Espanha (Catalunha, sobretudo). Tendo isto em consideração, quem ousará lançar o primeiro calhau ao Marquês do Alegrete (cuja biografia ignoro, o que me leva a suspeitar que talvez não fosse tão bom de contas assim)


De Henrique Salles da Fonseca a 25 de Setembro de 2009 às 18:47
Exmº Senhor «Anónimo»:
Concordo totalmente com o seu comentário e só tenho pena do seu anonimato pois creio que nos poderia ajudar muito no esclarecimento de tantas matérias em que neste blog navegamos à descoberta de um rumo útil para o nosso País.
Não faz sentido julgar o passado à luz dos critérios de hoje. Estou perfeitamente convicto de que o Marquês do Alegrete fez o que fez imbuido das melhores intenções. O Rei também assim considerou e por isso o elevou à honra de Marquês.
Mas como V. Exª verificará com o nº 3 desta série que publicarei muito em breve, o dilema não está na bondade ou prejuizo do Tratado de Methuen mas sim nas alternativas que se nos colocam neste início do séc. XXI.
Peço-lhe que continue a visitar-nos e a comentar sempre que assim entender. Se um dia se quiser dar a conhecer, estou certo de que todos apreciaremos.
Atenciosamente,
Henrique Salles da Fonseca


De Adriano Lima a 26 de Setembro de 2009 às 13:53

É interessante anotar que num acordo de apenas 3 curtos e claros artigos foi selado um acordo de magna importância, mostrando que naquele tempo a palavra dada tinha um valor prevalecente sobre tudo o resto, em contraponto com os tempos hodiernos em que o mais importante parece ser a letra ambígua para propiciar as mais diferentes "interpretações", para gozo e lucro dos escritórios de advogados.
Mas outro contributo notável a este artigo é o comentário dos senhor "Anónimo", como reconhece o doutor Salles da Fonseca, autor do artigo. O que ele escreve devia servir de lição aos muitos demagogos e palavrosos baratos que por aí pululam.


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