Domingo, 6 de Setembro de 2009
ASSIM FALAMOS – 3

 

 
Gramática
 
Os melhores preparados são os que ficam/estão/são mais bem preparados
 
            Ouvi, uma vez mais, pela televisão. Foi a respeito da gripe: “Temos que estar “melhor preparados” para a enfrentar”. Mas com tais incorrecções de linguagem, morremos todos de gripe, ou, pelo menos, gripados. É certo que ninguém se importa.
           
            As formas melhor/pior são o comparativo dos adjectivos bom/mau, tal como dos advérbios bem/mal.
           
            No tempo em que o ensino do francês era bem tolerado – mais bem tolerado – costumávamos explicar que os comparativos dos advérbios franceses bien/mal eram mieux/pis, sempre invariáveis, enquanto que os dos adjectivos bon/mauvais eram meilleur/pire, variáveis – un meilleur élève, une meilleure élève, de pires élèves.... Diferentemente, pois do caso português de homonimia - melhor/pior, comparativos sintéticos tanto dos adjectivos como dos advérbios, variáveis em número ou não, segundo os casos.
           
            Dir-se-á, pois, “ter melhor / pior figura” como adjectivos, sendo incorrectas as formas mais boa / mais má – (fr. meilleur / pire); “isto vai melhor / pior”, advérbios, (sendo incorrectas as formas mais bem / mais mal(fr. mieux/pis).
             (Usar-se-á, todavia, as formas analíticas mais bom, mais mau em caso de expressão de duas qualidades do mesmo sujeito. Ex: “Xavier é mais mau do que grosseiro ”;Micaela é mais boa do que eficiente”.)
 
            Mas há na língua portuguesa uma forma verbal chamada particípio passado que tem uma construção especial no comparativo. Os advérbios bem e mal, precedendo os particípios passados, no caso, pois, do comparativo, empregam-se segundo a forma analítica mais bem / mais mal em vez da forma sintética melhor / pior. Igualmente, no superlativo analítico: o mais bem ( estimado...) / o mais mal (estimado...)
            Alguns exemplos:
            - “Folques. é mais bem / mais mal educado do que Guilherme.” – e não melhor / pior educado. No superlativo: o mais bem / o mais mal educado.
            - “Aquele prédio está mais bem / mais mal construído do queo outro” – e não melhor / pior construído. Superlativoo mais bem / o mais mal construído.
            - “Aquele país pareceagora mais bem / mais mal governado / regido/ defendido / protegido do que dantes” – e não melhor / pior governado, melhor / pior regido, melhor / pior defendido, melhor / pior protegido. Superlativo: o mais bem / o mais mal governado, defendido...
            Outros exemplos de particípipos passados no comparativo e no superlativo relativo de superioridade, o advérbio anteposto ao particípio:
 
            Mais bem / mais mal (do que); O mais bem / o mais mal 
 
            lido; escrito; desenhado; traduzido; justificado; argumentado; explicado; barbeado; esculpido; lavado; cozinhado; amado.......
 
            Não se diga, pois:(o) melhor lido, escrito...
 
            Poder-se-á usar a forma sintética (melhor / pior) todavia, em caso da sua posposição ao particípio:
 
            Ex: O discurso foi aplaudido melhor do que se esperaria.
 
            Mas o mais frequente será, na anteposição do advérbio ao particípio, como mais bem traduzido, o uso da forma analítica.
             Se é que a correcção linguística ainda merece alguma atenção entre nós, após um falso Acordo Ortográfico da nossa subserviência ao Estrangeiro.
 
                        Berta Brás


publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:28
link do post | comentar | favorito
|

3 comentários:
De Henrique Salles da Fonseca a 6 de Setembro de 2009 às 20:46
Senhora Professora Berta Brás:
O "A bem da Nação" não cumpre as regras do Acordo Ortográfico de 1990 pelo que os seus textos que enquadrei na rública «ASSIM FALAMOS» fazem todo o sentido.
Ouso mesmo pedir-lhe mais.
Continuemos...
Melhores cumprimentos,
Henrique Salles da Fonseca


De Luis Santiago a 6 de Setembro de 2009 às 21:40
Senhora Professora Berta Brás,
Infelizmente, a nossa subserviência ao Estrangeiro, não se manifesta só no acordo ortográfico. Recordo quando o acordo da nossa vergonha, elaborado por "altas autoridades culturais e académicas" de ambos os países foi outorgado pelo senhor presidente da república, escrevi um artigo num jornal em que começava por citar o Poeta Fernando Pessoa: "Apetece-me fazer um comício dentro de minha alma" e concluía o texto com "Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem". Mas isto foi uma citação final para me enganar a mim mesmo e expressar a minha dor como português a quem tiram a coluna dorsal todos os dias com a prática de iniquidades que ofendem a portugalidade, porque, Senhora Professora, "eles" sabem muito bem o que fazem... e porquê. Os meus respeitos.


De Henrique Salles da Fonseca a 7 de Setembro de 2009 às 08:56
RECEBIDO POR E-MAIL:

Respondo a Salles da Fonseca, agradecendo o apoio e o incentivo. Posso dizer que tenho um blog - "Por AmaisB"- que iniciei no ano passado e que os textos do início, contendo inclusivamente cartas aos governantes sobre o Acordo, em inútil tentativa de o evitar, focaram também críticas - irónicas, por vezes - sobre casos pontuais do nosso laxismo ortográfico. A Luís Santiago agradeço a sua voz contestatária, que aquece os corações de quem sente de igual forma. Os meus cumprimentos a ambos.
Berta Brás


Comentar post

mais sobre mim
pesquisar
 
Dezembro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


artigos recentes

O FILHO DAS SALSAS ERVAS

FRASE DO DIA

RESTAURADORES DA SOBERANI...

OLIVARES, ESSE DEMOCRATA

FRASE DO DIA

CARTA DE UN MINISTRO AL R...

LIDO COM INTERESSE – 74

PERU – 12

PERU – 11

PERU – 10

arquivos

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Janeiro 2004

tags

todas as tags

links
Contador

contador de visitas para site
blogs SAPO
subscrever feeds