Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009
A CULTURA NO FUTURO DAS CIDADES – 2

 

 
 
Como surgiram as cidades
 
Convém aqui recordar que a vida que existe na Terra, e que ao longo de milhões de anos se desenvolveu e que moldou pelo menos em parte a evolução da sua superfície, é em si mesma um milagre pois se imaginarmos um gráfico das pressões e temperaturas no universo, que variam ambas entre zero e milhões das respectivas unidades, se processa num minúsculo quadrado com apenas algumas dezenas destas unidades em cada lado.
 
O Homem desde há alguns séculos começou a ter influência no ambiente e assim que conseguiu agrupar-se e produzir mais do que consumia iniciou a construção de cidades onde se desenvolveram todas as civilizações conhecidas porque o desenvolvimento implica a existência de inúmeros especialistas das tecnologias conhecidas e a existência de massa crítica populacional só possíveis num ambiente urbano.
 
Na verdade a grande diferença da vida rural para a vida urbana reside no facto de só esta permitir a complementariedade dos especialistas e a convivência activa e produtiva entre os habitantes, assim facilitando a divulgação dos conhecimentos e o seu aproveitamento, isto é o desenvolvimento de uma Cultura correspondente à sua identidade e que com ela inter-age.
 
Verificou-se ao longo da História que muitas cidades nasceram, cresceram e desapareceram sendo neste caso substituídas por outras, atingindo-se agora um número elevado de cidades com vários milhões de habitantes cada, que precisam de receber do exterior praticamente tudo o que lhes é necessário para viver, mas fornecendo ao mundo o conhecimento e o progresso tecnológico.
 
O seu crescimento pode realizar-se por simples expansão de um centro único ou pela aglomeração de vários centros do que resultam frequentemente territórios urbanos com dezenas de km de extensão, mas sempre com redução das áreas naturais.
 
Só que neste momento e pela primeira vez na História, como a globalização está para ficar, já não está em causa a permanência ou a destruição de uma cidade mas toda a humanidade passou a ser uma metrópole dadas as facilidades existentes na comunicação, quer directa ou por sistemas de transporte de informação e assim total interdependência.
 
O que atrás foi apresentado serve para colocar agora dois pontos:
       1º As cidades não podem continuar a crescer indefinidamente o que obriga a resolver problemas de gestão bastante delicados mas inevitáveis;
       2º O paradigma do crescimento obrigatório da economia, herdado do século XIX tem que ser alterado para rigoroso critério de sustentabilidade onde a quantidade seja substituída pela qualidade.
Ou seja conseguir-se uma mudança cultural profunda.
(continua)
 
Tavira, 8 de Agosto de 2009
 José Carlos Gonçalves Viana
 
 


publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:07
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