Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
O REI DE ESPANHA...

 

... VISITOU A MADEIRA
 
           
 
Sua Muito Católica Majestade, o Rei D. Juan Carlos visitou o Arquipélago da Madeira, lacuna agora colmatada, dos seus tempos de juventude em Portugal e dos seus posteriores afazeres de Estado. Juanito, para os amigos, mostra-se sempre simpático para com Portugal e os portugueses – e também não tem razão nenhuma para não o ser – fala português, uma coisa quase impensável para um espanhol e sobretudo num castelhano, e pensamos que tem ganho jus à consideração geral como homem e como estadista. Excedeu até as expectativas quando mandou calar aquele senhor que dá pelo nome de Chávez.
 
Por isso não há razão nenhuma de ordem pessoal para que o monarca de cerca de três quartos da antiga Hispânia não seja bem recebido no antigo reino de Portugal e dos Algarves. Quando, porém, as questões de Estado se intrometem nas visitas oficiais e nos passeios o caso muda de figura. E quando for caso disso os nossos representantes têm que pôr a coluna erecta, levantar o queixo, olhá-lo nos olhos e dizer-lhe o que for de justiça.
 
Durante a visita à Madeira decorreu o aniversário da banda de música de Câmara de Lobos, onde actuou a banda local e …. a filarmónica de Olivenza (com “z”). Este evento foi promovido pela Secretaria de Estado Regional dos Assuntos Culturais.
           
Ora tal facto, à luz do diferendo que existe desde 1801/7 relativamente à ocupação ilegal daquela antiga e portuguesíssima vila – onde os espanhóis de resto, não têm razão alguma – só pode ser considerado uma provocação, ou uma distracção de mau gosto. Aliás, de Espanha poderia ter vindo uma banda de 30000 localidades diferentes, mas escolheu-se a de Olivença. Não foi certamente por acaso. Moncloa sabe do seu ofício e é pena é que do lado português andem todos aparentemente a dormir na forma e ninguém faça o trabalho de casa.
           
Vejamos: a questão de Olivença é sistematicamente ignorada em todas as cimeiras luso-espanholas (e não ibéricas, um erro elementar!) que se realizam todos os seis meses – a próxima vai ser em Elvas. Mas curiosamente o primeiro-ministro Zapatero escreveu uma carta à direcção dos Amigos de Olivença (GAO) – patriótica associação constituída em 1938, e que desde então luta denodadamente pelo retorno de Olivença à sua Pátria – exortava o GAO “a participar positivamente na resolução do assunto[1]. Mais tarde constituiu-se em Olivença o fórum “Além Guadiana” de iniciativa local para promover actividades de cariz cultural. Mas como se mostraram, de um modo geral favoráveis a Portugal, tal não terá agradado às autoridades espanholas, que logo se moveram contra aquelas “irreverências”. No passado dia 11 de Julho, deram-se até ao desplante de inaugurar um busto dessa figura sinistra que foi Manuel Godoy – principal carrasco da Olivença portuguesa – numa das salas da Torre de Menagem do Castelo daquela vila, mandado construir por … D. Dinis.
           
Do lado de cá da raia, vários autarcas de municípios vizinhos, continuam a fazer e a dizer uma série de disparates, pois não há maneira de entenderem que se têm que desenvolver juntando-se à costa portuguesa, e não ao lado de lá da fronteira. É que no fim de serem chupados, os caramelos espanhóis, deixam sempre uma grande amargo de boca...
           
Ora na Madeira a coisa fia ainda mais fino: os nossos “hermanos” – manda a boa higiene e os bons costumes que os irmãos quando crescidos, devem viver em casas separadas – ainda alimentam reivindicações espúrias sobre as ilhas Selvagens e não devem gostar nada de actos de soberania portuguesa, como foi a recente visita de Jaime Gama, em Maio deste ano, enquanto presidente da Assembleia da República, àquele pedaço de território de grande importância estratégica.
           
E em tudo o que os espanhóis façam ou intentem, nós devemos desconfiar e é lamentável que os portugueses passassem a esquecer rapidamente os seus “segredos de família” e a andar com as “guardas” em baixo.
           
A banda de Olivença permaneceu quatro dias no Arquipélago e deu dois concertos, juntamente com a “Banda Recreio Camponês” de Câmara de Lobos: só fazia sentido recebê-la não como espanhola mas como indo de território português… Mas tudo passou despercebido entre autoridades, população e meios de comunicação social.
           
Curiosamente, ou não, lá apareceu mais uma sondagem cretina, feita pela Universidade de Salamanca e publicitada pelo “El Pais” (tido como próximo do PSOE), em que se afirma que percentagens elevadas de portugueses e espanhóis pretendem a (maldita da) União Ibérica.
           
E houve até um conhecido banqueiro português que veio afirmar a necessidade de “amalgamar” tudo o mais possível. Já não chegavam os grotescos Saramago e Mário Lino, se auto proclamarem traidores – ao dizerem-se iberistas! O segundo sendo ministro, continuou no governo; ao primeiro ofereceu-se-lhe uma fundação, paga com dinheiros públicos e com sede na casa dos bicos, moradia do grande Afonso de Albuquerque, que deve andar a ranger os dentes no túmulo.
           
Noutro âmbito é ainda de reter que o Arquipélago da Madeira é aquele que pode, verdadeiramente, fazer concorrência em termos de turismo às ilhas Baleares e sobretudo às Canárias. E é curioso (e lamentável!) que a única ligação marítima entre o Continente e o arquipélago seja feita entre Portimão e o Funchal por um ferry boat … espanhol.
           
Afinal o “manicómio em autogestão”não acabou nos tempos do famigerado PREC.[2]
                                                                                 
 João José Brandão Ferreira
                                                         TCor/Pilav (Ref)


[1][1] Carta entretanto enviada para o MNE e PR para os efeitos tidos por convenientes…
[2][2] Processo Revolucionário em Curso

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 10:30
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3 comentários:
De Henrique Salles da Fonseca a 21 de Agosto de 2009 às 11:20
RECEBIDO POR E-MAIL:

Tantos cordelinhos em suspenso sobre o nosso país, que não atamos nem desatamos! Mas aquece-nos o coração quando uma voz mostra algum desassombro patriótico na expressão do seu sentir.
Berta Brás


De Manuel Alves a 25 de Agosto de 2009 às 02:19
Senhor Salles da Fonseca
O excelente texto do Senhor Brandão Ferreira põe em evidência mais um episódio vexante para o Povo Português.
Este episódio serviu, mais uma vez, para tomar o pulso aos sentimentos de Pátria e Nação dos Portugueses que, como se vê é cada vez mais débil.
Os nossos vizinhos Espanhóis tudo têm feito, para "levar a água ao seu moinho", exactamente como o fizeram no Século XVI.
Sucedem-se os actos anestesiantes visíveis, as peitas e sabe-se lá quantas ofertas de futuras benesses invisíveis, se, se, se...
São os sucessivos galardões Não-sei-de-quê aos intelectuais portugueses, são os cargos executivos oferecidos a personalidades que tiveram cargos governativos em Portugal, é toda a casta de benesses a jovens estudantes, etc.,etc.
Por outro lado desmascaram-se escravizando trabalhadores portugueses modestíssimos e incultos, antecipando uma prática que vejo já generalizada pelo rumo que as coisas estão a tomar.
Progressivamente vão adquirindo bens territoriais, prédios, mercados, compram-nos tudo quanto achem que tem valor, compram licenças de pesca, procedem a variados actos destinados a esbater a importância das fronteiras que tanto custaram aos nossos antepassados conquistar e defender e até já andam a ensinar a língua deles nas escolas oficiais portuguesas quais generosos vizinhos.
Tudo isto está orquestrado com um fim em vista que só quem é ignorante, estúpido ou Português renegado e traidor não pode ou não quer ver.
O modus operandi " não se afasta do que foi seguido nas vésperas de 1580, basta ler alguns capítulos da História de Portugal nos Séculos XVII e XVIII de Rebello da Silva, para o confirmar.
Do lado português é por demais evidente a acção dos vende-pátrias a quem o Povo Português deu a responsabilidade de lhe defender os seus legítimos interesses e que nada têm feito nesse sentido.
Veja-se o caso da importação dos médicos espanhóis e mais recentemente dos cubanos que só falam o castelhano.
Passou mais um 14 de Agosto e, que eu visse, NINGUÉM deu uma palavra pública sobre Aljubarrota.
(A propósito: gostava de saber se o Santo Condestável Nuno Álvares Pereira já tem assento nos altares espanhóis!!!).
Passam os 1º de Dezembro e ninguém já sabe o que representou para Portugal.
Os locutores portugueses da TVI que dirigiram a palavra, num péssimo espanhol, ao rei de Espanha nesta visita à Madeira, foram respondidos num quase português perfeito...
Certamente ignoram que Juan Carlos se criou na Vila de Cascais, aprendeu o idioma português no tempo do Doutor Oliveira Salazar, e que este garantiu à Família Real Espanhola as mais perfeitas condições de vida no exílio.
Desgraçadamente, quem tenha menos de trinta e cinco anos em Portugal, ignora quase tudo sobre TUDO, excepto os vícios.
Assim estamos... mas nem todos!
Enquanto houver pessoas da craveira do autor deste Blogue, bem como daqueles que aqui escrevem textos como o que serviu de mote a este meu mal alinhado desabafo, tenho esperança e por isso apetece-me gritar: PORTUGAL É PARA CONTINUAR,
A Bem da Nação.


De Henrique Salles da Fonseca a 25 de Agosto de 2009 às 12:32
RECEBIDO POR E-MAIL:

Não entendo essa geração que pensa no retorno à uma nova Ibéria. Esqueceram que seus antepassados pagaram caro pela nacionalidade e agora querem dar de " bandeja" as suas conquistas, apagando toda uma história. Não será um preço demasiado alto pelo desenvolvimento econômico? Será que ela, a nova geração de portugueses, não tem capacidade para fazer, sozinha, a sua lição de Economia? Se assim for, nos tornaremos os "primos pobres" dos espanhóis, os seus capachos.

Maria Eduarda


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