Domingo, 9 de Agosto de 2009
CRÓNICA DO BRASIL

O que aconteceu à nossa autonomia?

 
Há dias atrás, fui surpreendida por uma circular da Secretaria de Saúde da nossa cidade notificando que os profissionais da área médica das Unidades de Atendimento estavam obrigados a prescrever medicação genérica distribuída na rede pública, usando o nome químico, nunca o de fantasia (o dos laboratórios), sob risco de sofrer algum tipo de penalização, não esclarecido no texto. Tudo, segundo a nota, em beneficio do paciente. Mesmo já, naturalmente, dando prioridade à medicação distribuída na rede (quando tem), para aliviar o bolso do utente, senti-me manipulada, cerceada no meu direito de prescrever o medicamento que julgasse mais efetivo ou adequado para o paciente, pois no final das contas, sou eu, e não o governo que responde pelo tratamento.
 
 De tempos em tempos, quando mudam as chefias, é sempre a mesma coisa, surgem “novidades” em editais.  São normas para atendimento e execução de procedimentos para serem seguidas de numa forma controladora e burocrática que não deixa margem para casos anômalos ou fora da rotina. Cortam-nos a liberdade de ação e as opções de tratamentos. E o pior é que nesse contexto, o paciente vê-se lançado de um lado para outro, submetido a numa burocracia que no lugar de resolver-lhe o problema, manipula-o dando uma falsa idéia de eficiência. É como ocorre naquelas nossas velhas conhecidas filas (bichas) de Banco que, no lugar de serem retas, fazem curvas e voltas na perspectiva ilusória que estão encolhendo.
Estamos, nós brasileiros, sendo controlados pelas autoridades que, através de leis e medidas provisórias, dizem-nos o que é melhor para a gente? Será que estão nos tirando a autonomia? Não será isso uma forma sutil de ditadura? São tantas as determinações para a implementação dos programas governamentais que nos tiram, cada vez mais, a liberdade para exercer a nossa atividade que dá até para pensar....
 
Na desculpa que estão protegendo o utente do serviço público, o médico é pressionado a receitar o que está na lista da Unidade de Atendimento, para dar "IBOP” ao governo. Mas não diz ao profissional o que fazer quando os estoques de medicamentos estão a zero, (o que é muito freqüente), ou quando não há medicamentos alternativos( o que é comum) para os casos excepcionais, de alergia ou intolerância a certos remédios disponíveis na rede. 
 Porém, não é só na área de saúde que as nossas autoridades metem o bedelho. Proíbem a propaganda de certos produtos, por exemplo, como a chupeta, para garantir o sucesso da campanha governamental da amamentação (coisa boa), mas tirando da mãe o acesso a outras informações e consequentemente ao direito de escolha (coisa má).  No entanto, deixa que a indústria produza o produto, dê emprego, desde que ela não propague o que faz...  São medidas para melhorar a vida do brasileiro, diz o governo. Quanta preocupação com a qualidade de vida da população!  Até as propagandas em forma de brindes, como canetas, blocos de anotações, sabonetes, cremes, foram proibidos, como se uma esferográfica fosse fator determinante na escolha deste ou daquele medicamento para um profissional correto. Malandragem e corrupção estão presentes em todos os setores das atividades públicas brasileiras e têm de ser combatidas, a começar pela educação recebida em casa e nas escolas, e pelos exemplos de honestidade dos nossos governantes, mas tudo com respeito à liberdade do indivíduo.
 
 Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 03/08/09

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 11:25
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