Sábado, 18 de Julho de 2009
POSTAIS ILUSTRADOS XX

 

TEOLOGIA DA ECONOMIA II
Parte II
A Parúsia [1]
 
 
No entanto, com referência ao
amor fraternal, não necessitais
de que vos escrevamos, porque
vós mesmos sois ensinados por
Deus a vos amardes uns aos
outros” Tessalonicences, 9
 
 
 
Continuando, então, na esteira das últimas palavras que vos deixei, as escolhas e as
oportunidades que nos são oferecidas à nossa inteligência, gostaria de continuar a dar--vos a minha modesta opinião sobre a Encíclica “Caritas in Veritate” de Bento XVI; opinião que me surge num plano diferente de qualquer ideologia político-partidária, porque esta palavra do Papa não deve ser observada sob o ponto de vista político, dado se dirigir aos Povos da Terra, como Comunidade Global e, não só exclusivamente à Comunidade Cristã. As questões são colocadas universalmente a todos nós, sem excepção; em resumo, à Humanidade. Mas... a Encíclica é um documento político? Claro que é, contudo, não tem forçosamente, de ter uma análise política! Diria melhor, a Encíclica está acima da política! O que me atrai, na leitura da “Caritas in Veritate”, é que da palavra do Sumo Pontífice agiganta-se um ser humano de grande sensibilidade que nos vem dizer que a Economia não é um fim, mas um meio, que é preciso coragem para mudar as regras e assumir valores que já existem, mas, que estão esquecidos da prática do dia a dia, relegados para um plano exclusivamente material. Este é o descobrir de uma conclusão que está latente há muito tempo na consciência dos Homens. A Parúsia, a necessidade de voltar a acreditar numa nova mensagem; passa pelo abrir as portas do Inferno, condição “sine qua non” para que a segunda vinda de Jesus ocorra. Mas, estas, as portas do Inferno, já não estão abertas? O crash da economia mundial resultante da vigarice instalada que usou os 5% de ingenuidade e boa-fé de alguns e 95% da ganância estimulada de outros não é já uma hecatombe infernal que aumentou a miséria e o desemprego? [2] Os surtos epidémicos e as pandemias; as doenças que avassalam, mormente os povos do continente africano; a fome e a guerra não são um horror infernal dantesco?
 
 Imagem de Bento XVI
 
A actual Encíclica vem clamar por uma nova ordem económica mundial... Esta, a Palavra bebida na fonte epistolar de São Paulo não é mais do que o sentir da necessidade de conforto e de confiança no futuro em que todos nós carecemos de acreditar. Resta saber se a Igreja Católica é capaz de tomar a atitude que a mensagem da Encíclica encerra e pressupõe; atitude esta já profetizada no Livro “As Sandálias do Pescador” de Morris West [3].
 
Bento XVI colocou a sua Igreja na situação de ter de ser parte activa na solução do problema; de tomar a iniciativa de congregar as outras Igrejas do Mundo, na mesma missão solidária e corajosa de se despojarem da solenidade e secularidade, e praticarem, pragmática e efectivamente, a Caridade, sem atitudes hesitantes e dúbias.
 
As obras sociais das várias Igrejas, já de si uma grande e importante ajuda, não são, hoje, suficientes para acudir à miséria que se espalhou pelos Povos da Terra. As Igrejas precisam de, em conjunto, alertar os Governos das Nações e afirmarem-lhes a sua vontade de ajudar, presencialmente e em força; mas, solicitando que a Justiça funcione, na vigilância e na prevenção de comportamentos desviantes e que assegure o castigo desses mesmos comportamentos, com leis internacionais mais interventoras e duras.

 

 
Não é suposto que o nível tecnológico que alcançámos nos ajude a acreditar que a inteligência humana tem capacidade para solucionar estes terríveis problemas? Ou, o nosso cada vez maior conhecimento cientifico é uma barreira a que os sentimentos de Amor, Fraternidade e Humanidade permaneçam envergonhados no nosso consciente?
 
A barbárie não pode sobrepor-se à inteligência. Seria desumanamente ilógico! Sobre esses combates falar-vos-ei de seguida, assim como, abordarei o entendimento que tenho de expressões por mim usadas, identificadas como bons Sentimentos e boas
Emoções.
 
O conforto do Espírito [4] é agora menos premente e urgente do que o combate à fome, às doenças e às suas origens... trata-se de pôr em prática o amor fraternal de que nos fala São Paulo e que existe em todos nós, para lá dos defeitos que cada um de nós possa ter...
 
 Luís Santiago
 
[1] O título desta II Parte é justificado porque considero esta Encíclica como um acontecimento que se assemelha a uma nova aparição da Igreja Católica, mais humana e sensível ao sofrimento dos Povos (não quero dizer que não o fosse antes, mas não tão claramente expressa como na mensagem de Bento XVI); esta Igreja que se tem apresentado dogmática, inflexível quanto a questões de modernidade e que, por isso, perde vocações por falta de capacidade de adaptação aos desafios em evolução do Mundo. Esta nova Igreja, se assim podemos afirmar, despe, na Encíclica, as roupas da solenidade e secularidade. E porque o Papa Bento XVI escolheu São Paulo e os ensinamentos das suas cartas como bandeira da “Caritas in Veritate”; e, ainda, por que é São Paulo que fala aos Tessalonicences, da Segunda Parúsia;
[2] O índice de pobreza, em Portugal, aproxima-se dos 20%, começando a atingir, cada vez mais, os jovens à procura de primeiro emprego;
[3] Morris West, num cenário de crise internacional, em que a China como potência mundial emergente está a braços com o espectro da fome, que será o rastilho para a III Guerra mundial, vem colocar no Vaticano, em plena “Guerra Fria” um Papa de origem soviética preso na Sibéria, que terá como missão, apaziguar o conflito eminente. A solução do Papa é oferecer a Tiara de São Pedro como garantia de que a Igreja Católica assegurará a ajuda mundial à China para ultrapassar a crise da falta de alimentos. Através de um Padre, que se torna Secretário do novo Papa eleito, Morris West traz-nos, a par da história central do livro, a ideia de um novo Cristo; o Cristo Cósmico, segundo o Autor;
[4] Não podemos, contudo abandonar o Espírito, mas, este só se fortalecerá tratando-se as necessidades físicas. : “Mens sana in corpore sano

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:38
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4 comentários:
De petitprince a 25 de Julho de 2009 às 00:09
A encíclica do Papa, para além de extremamente oportuna, remete para a essencia do cristianismo , despindo-o de tudo aquilo que ofusca a sua verdadeira expressão.
A Pobreza é, em si, um universal e não pode, penso, ser tratada como um relat+orio de fenómenos localizados. É um fenómeno grande demais para a nossa boa vontade! Atesta-o o facto de, dentro e fora da Igreja, tanta e tão boa gente vir de há muito a denunciar o problema, a fazer levantamentos de situações, a denunciar, recriminar e exigir "medidas".
S+o que, muito antes de a globalização se apresentado como um chavão de retórica já a Pobreza era global. Era-o, pelo menos, no sentido em que existia - e, infelizmente, continua a existir... -por toda a parte, embora com incidências diversificadas.
O fenómeno Pobreza, tal como a Paz, só pode encontrará alivio - solução só por milagre...- se todos os países do Mundo, independentemente do seu nível de riqueza, se empenharem na criação de uma instituição especificamente criada para essse fim e detentora de poderes de supervisão sobre a circulação e preservação de bens, permanente aconselhamento e chamada de atenção para os inevitáveis desregramentos, e com capacidade para exercer acções punitivas sobre o desrespeito das normas. Fora disto, nada feito! Os 28 continuarão a reunir para acordar formas de aprisionar a Riqueza nos lugares do costume e a Pobreza continuará a ser. na melhor das hipóteses, encarada como uma ameaça social que, espera-se, os Estados encontrarão formas de gerir.
Na minha modestíssima opinião à Igreja, - uma comunidade de pessoas e não uma sociedade de individuos - não cabe ter uma doutrina social. Cabe, como aliás está subjacente a toda a encíclica, apelar à responsabilidade que cabe às pessoas de motivar os individuos, os cidadãos anónimos que navegam no conceito abstracto que é "a sociedade".
É esse que cabe à Igreja ,como comunidade de "homens de boa vontade que individualmente são pessoas e não individuos demograficamente entregues e governados por um Estado, frequentemente eleito mais por partoicipação do que por convicção, a que atribuem todos os males e de quem esperam todas as benesses.
E, afinal, parafraseando o Rei-Sol, "l'Etat c'est nous"...


De petitprince a 25 de Julho de 2009 às 00:19
Peço desculpa pelas gralhas - para não dizer erros...- que, por imperdoável desleixo , deixei escapar no meu comentário...


De Henrique Salles da Fonseca a 25 de Julho de 2009 às 11:52
Prezada Senhora "Petit Prince":
Quando o conteúdo do seu comentário tem aquele nível, a forma perde importância.
Notei que substituiu o acento tónico por um + o que se resume a falhar por uma tecla.
Havia um pianista que fazia dessas e doutras mais graves e que depois se desculpava com «imaginação interpretativa» e nunca foi punido nem sequer à revelia ou em efígie.
As «páginas» deste blog estão à sua disposição sempre que queira publicar algum texto que considere caber no nosso estilo.
Melhores cumprimentos,
Henrique Salles da Fonseca


De petitprince a 25 de Julho de 2009 às 23:57
Gratíssima pela sua amabilidade e complacência
Maria


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