Quinta-feira, 30 de Junho de 2016
SE A MINHA ILHA SOUBESSE…

 

 

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Na placidez desta hora

Em que o calor começa

A incomodar-me,

Refugio-me

Debaixo do caramanchão.

Enquanto as galinhas

Que daqui avisto

Continuam o seu labor

Dentro da cerca.

 

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 Maria Mamede



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 21:02
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GUERRA-FRIA ENTRE A NATO E A RÚSSIA

 

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Manobra da NATO na Polónia, uma Provocação?

 

Mais de 30.000 soldados, 3.000 veículos, dezenas de aviões de guerra e barcos dos países da NATO encontram-se em manobras na Polónia numa demonstração de força perante a Rússia. Este espectáculo destina-se a atemorizar o governo de Putin interessado em manter para a Rússia as antigas zonas de influência da antiga União Soviética.

 

Nestas manobras militares, a NATO serve os interesses americanos mais interessados na provocação do que na solução dos problemas. Os interesses genuínos da Europa, que exigiriam mais diálogo e prontidão de compromisso entre a Europa e a Rússia são assim sacrificados aos USA e seus parceiros estratégicos.

 

O facto de terem sido convidados para as manobras da NATO observadores militares da Ucrânia e da Geórgia, torna a acção ainda mais provocante. Indirectamente, a NATO manifesta o seu interesse de admitir os dois países na zona de influência da NATO sem consideração pelos interesses da Rússia como herdeira da antiga União Soviética.

 

Os países ao longo da fronteira da Rússia tornam-se cada vez mais em zonas demarcadas de conflito de interesses rivais.

 

A NATO, devido à influência da Alemanha, viu-se obrigada a retroceder um pouco na sua retórica agressiva, passando a declarar as manobras como exercícios da NATO sob orientação da Polónia.

 

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António da Cunha Duarte Justo



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:26
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BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE UMA PEDRADA NO CHARCO

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     Começou por ser um lago de águas limpas e cristalinas onde Jean Monnet e os seus companheiros Adenauer, Schuman, Churchill e outros gostavam de ver os seus rostos reflectidos. Porém, mais tarde, aquelas águas se foram tornando fétidas, graças ao efeito pernicioso e superveniente de novos e variados afluentes, e, sobretudo, de uma poluição ambiental colectiva antes não imaginável. E é nesta espécie de pântano que acontece o BREXIT, ou seja, uma valente pedrada no charco. Que ninguém esperava e que alguns entendem que pode ser seguida de outras, como admite Wolfgang Münchau em artigo recente publicado no Financial Times.

 

     Metáforas à parte, passemos a tratar os bois pelos nomes.

 

     Várias causas podem ser apontadas para explicar o falhanço do projecto europeu, cujos sinais são cada vez menos disfarçáveis. O pano de fundo começou a ser tecido com o fim da Guerra Fria e o advento do Neoliberalismo, quando a lógica do mercado financeiro começou substituir sem rebuço os ideais de partilha, de solidariedade e de subsidiariedade. Mas o que é intrigante é a União Europeia se ter constituído em perfeita testa de ferro dos novos valores, completamente ao arrepio daquilo que foi o sonho de Jean Monnet. E o curioso é que ele deve ter pressentido este cenário à grande distância quando, em 1972, numa conferência realizada em Lausanne a que deu o título de “L’Europe Unie, de L’Utopie à la Realité”, afirmou que teria sido porventura mais avisado começar pela cultura e não pela economia. Este facto é-nos lembrado pelo Professor Adriano Moreira em artigo publicado no Diário de Notícias no passado dia 22 do corrente mês.

 

      O que é particularmente incómodo e desanimador é constatar que os actuais sucessores dos pais do sonho europeu não têm qualquer identidade genética com quem os precedeu no passado. Olha-se para o senhor Dijsselbloem (presidente do Eurogrupo), para o senhor Juncker (presidente da Comissão Europeia), para o senhor Schäuble (ministro das finanças da Alemanha), ou para o senhor Barroso (ex-presidente da Comissão Europeia), entre outros mais títeres do sistema hoje dominante, e o que é que se vê? Gente de duvidosa estirpe política, gente de visão anquilosada, gente ignorante ou insensível à História da Europa; ou se não a ignoram fazem dela autêntica tábua rasa. Com líderes deste calibre, o sonho europeu não podia almejar grandes horizontes, e provavelmente foi esta realidade redutora que Jean Monnet previu em 1972.

 

     Não vão faltar análises e previsões acerca do BREXIT. Há quem seja de opinião de que os efeitos da decisão dos ingleses serão mais devastadores para a zona euro do que para a sua própria economia interna. Além das suas previsíveis repercussões na coesão política do Reino Unido, e ainda com o ónus de poderem contaminar países onde os nacionalismos estão latentes, como os casos da Espanha e da Bélgica.

 

     Se não houver forma de regular os referendos sobre a União Europeia, estabelecendo a expressão eleitoral mínima para caucionar qualquer futuro Exit, a União irá ruir como um baralho de cartas. É inacreditável que esta situação não tenha sido anteriormente prevista nos tratados, mediante, por exemplo, a imposição de um mínimo de 70% de votos para caucionar a saída e um limite aceitável para a abstenção eleitoral, uma vez que se trata de situação deveras delicada para a estabilidade da União. Basta lembrar, como veio a público, que grande parte do eleitorado britânico se queixou de insuficiente informação sobre o que estava em causa e também de grosseira e despudorada manipulação eleitoral por parte de algumas forças partidárias concorrentes, designadamente dentro do Partido Conservador.

 

     No entanto, e apesar da apreensão que nos traz este BREXIT, há quem até pense que a pedrada no charco vai obrigar a União Europeia a reflectir sobre o seu estado e provavelmente a inflectir o rumo que vem seguindo. Isto é, a refundar-se. Mas independentemente deste Exit ou de outros que possam vir a perfilar-se no horizonte próximo, a União Europeia, à vista dos primeiros sinais, desde há muito que devia ter empreendido uma verdadeira autognose para tirar as devidas ilações sobre as causas do pântano contaminado em que se converteu. É quase unânime apontar como a causa mais flagrante do desvio do caminho o que ficou resolvido no Tratado de Lisboa, a partir do qual passámos a ter a Europa dos directórios, ou das chancelarias, em vez da Europa dos cidadãos. Com as vontades soberanas a ficarem na dependência de poderes que não passaram por escrutínio eleitoral, e, por isso, com duvidosa legitimidade democrática.

 

     Não quero ser alarmista, mas não posso deixar de ser realista e confessar a minha pouca fé no futuro desta União Europeia.

 

Tomar, 28 de Junho de 2016

 

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Adriano Miranda Lima



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 03:20
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2016
UM REFERENDO E A FALÊNCIA DOS PARTIDOS TRADICIONAIS

 

DESVIRTUAMENTO DO PODER QUE EMANA DO POVO.jpg

 

O referendo que ocorreu no Reino Unido, mais provavelmente ex-Reino Unido, veio trazer ao de cima o que já se ia apercebendo estar a acontecer no interior dos partidos políticos que nestas últimas décadas detinham o poder na maioria dos países europeus.

 

Com efeito os dois principais partidos do Reino Unido mostraram claramente não só estarem no seu interior desligados entre as chefias e as estruturas como talvez ainda pior desligados do seu eleitorado e isto se na verdade ainda o têm. O que significa na prática uma autêntica falência política em toda a linha.

 

No entanto isto não é maleita apenas inglesa.

 

A própria União Europeia está nesta mesma linha de actuação: afastamento crescente entre eleitores e eleitos e desenvolvimento de centros de decisão não eleitos, portanto democraticamente a eliminar.

 

Por outro lado em vários países europeus, não todos mas quase, tem sido claro não só esse afastamento da população em relação aos detentores do poder mas também estes serem mais ativos a beneficiar os seus partidários do que a defender os interesses essenciais dos seus países como seja a sua independência e o seu futuro.

 

Portanto só vejo duas hipóteses de solução: esses partidos reestruturarem-se para poderem depois reestruturarem o país ou surgirem novos partidos que não cometam os mesmos erros e sejam capazes de governar de forma a aumentar a riqueza do país e da sua população para o que é indispensável saberem dinamizar os trabalhadores e o capital produtivo (que é forçoso distinguir do especulativo que tem de ser controlado ou eliminado) pois sem esse conjunto de trabalho e capital bem sintonizado, e um Estado bem governado, não sairemos desta apagada e vil tristeza de crise.

 

Lisboa, 28 de Junho de 2016

Eng. J.C. Gonçalves Viana

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 15:53
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NOTAS SONORAS

 

 

Nem todas as notas são musicais. Há-as de Banco, de rodapé, etc.

 

Som, qualquer som? Não! Nem todo o som é correcto no momento certo. Nem na música nem na conversa.

 

Mas se há curiosidades como essa de um bemol poder ter exactamente o mesmo som que um sustenido, isso não significa que se possam escrever indistintamente. Também na língua francesa é muito difícil distinguir um «an» de um «en» no som de inúmeras palavras. E há mesmo quem se aplique a pronunciar o «in» como se fosse «en» ou «an».

 

Foi o caso que há tempos aprendi na Antena 2 pela voz do compositor Pedro Amaral que se dedicou a explicar a Sinfonia Fantástica de Hector Berlioz e em que a certa altura disse que o compositor se inspirou em diversas cenas campestres para imaginar a dita sinfonia. Por exemplo, o andamento tal (já não recordo qual) foi inspirado numa cena a que ele assistiu em que dois pastores conversavam «pendant le rancer des vaches». Acabo de escrever da forma correspondente à exacta pronúncia que ouvi. Julgando eu que era fluente em francês, logo me apressei num acto de contrição reconhecendo a minha enorme ignorância e necessidade de continuar a aprender...

 

Chegado a casa (ouço rádio enquanto conduzo), fui de imediato à procura de esclarecer o que as vacas teriam estado a fazer. Servi-me do dicionário que usei desde sempre e recorri também ao tradutor do Google.

 

«Rancer» – é verbo que não existe, pura e simplesmente;

«Rance» – corresponde a ranço e não estou a ver como tal coisa poderia atacar as vacas vivas e inspirar uma sinfonia que é mesmo fantástica;

«Rencer» – é verbo que também não existe;

«Rence» – não existe tal palavra.

 

Até que me restou o «rince» e o «rinçage» como enxaguar.

 

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Finalmente, deu para imaginar que os pastores conversavam enquanto tinham as vacas dentro do riacho, a enxaguar. Essa, sim, uma cena que pode inspirar um artista por muito prosaico que seja lavar o estrume colado à pele dos animais.

 

Só que o «in», o «en» e o «an» não são como o sustenido e o bemol: correspondem a sons diferentes, por mais subtis que sejam essas diferenças e um compositor como Pedro Amaral não deve confundir sons. Trata-se, afinal, da sua profissão (creio mesmo que inspiração).

 

Esclarecido o cenário, voltei a ouvir da capo al fine a Sinfonia Fantástica de Berlioz na gravação que possuo e confesso que nos cinco andamentos da obra não vislumbrei qualquer cornúpeto, quer sujo quer enxaguado.

 

Os artistas são mesmo... uns artistas.

 

Henrique Salles da Fonseca

Henrique Salles da Fonseca

(no Jardim da Estrela, Lisboa, com o «Caramelo»)



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 07:42
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Terça-feira, 28 de Junho de 2016
HOLOCAUSTO DE ARMÉNIOS

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MARTIN SCHULZ REAGE ÁS REACÇÕES DE ERDOGAN À DECLARAÇÃO DO BUNDESTAG SOBRE O HOLOCAUSTO AOS ARMÉNIOS

 

 

O presidente turco (segundo relata a imprensa alemã) colocou indirectamente o Parlamento Alemão nas proximidades do terrorismo.

 

O Presidente do Parlamento da UE Martin Schulz criticou as expressões do presidente turco contra os deputados de um outro Estado dizendo:"Este tipo de abordagem representa a quebra de um tabu absoluto, que eu condeno fortemente".

 

O presidente Erdogan, na sequência da declaração do Bundestag do assassínio turco aos arménios como Holocausto, reage de maneira não própria de um Presidente de um país civilizado, ao atacar os 11 deputados de origem turca de uma nação amiga como se estes tivessem de ser lacaios da política turca e estar de acordo com um Presidente autocrata que rompe com as conversações com os curdos, bombardeia os curdos sob o manto da NATO, persegue jornalistas e a imprensa que o critica e tira a imunidade aos Deputados curdos na Turquia.

 

As frases de Erdogan são suficientes para se reconhecer nelas racismo e para mostrar com que espécie de personalidade a UE faz negociações. A respeito dos 11 Deputados alemães de origem turca o Presidente afirmou: “Alguns dizem que eles são turcos. Mas que espécie de turcos?”. “O seu sangue tem de ser investigado através de um teste de laboratório”. “Lá deve haver 11 turcos! Isso é que era bom! Eles não têm nada em comum com a identidade turca (“com a turquidade”). Enfim, o seu sangue está corrompido". Considera-os “o braço prolongado” da organização terrorista PKK na Alemanha.

 

O deputado Cem Özdemir, chefe dos Verdes, que tinha tomado a iniciativa da resolução no Parlamento Alemão é quem recebe mais ameaças de morte.

 

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António da Cunha Duarte Justo



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:35
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LONGUINHA CXLIV

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REFLEXÕES HERÉTICAS

 

Ou é da minha vista, ou a discussão em torno do Brexit (como em tantas outras momentosas ocasiões) gira em torno de uma falácia e de três argumentos não menos falaciosos.

 

A falácia: a Europa, se ainda se não reduz à Zona Euro (ZEuro), é, pelo menos, sinónimo de União Europeia (UE) - como durante décadas o foi conscientemente do Mercado Comum (MC) (afinal, uma variante da confusão que entre nós grassa entre Estado e Governo (mais Administração Pública), com efeitos não menos perniciosos).

 

Os argumentos falaciosos: (i) a paz na Europa depende da UE; (ii) a prosperidade na Europa depende da UE; (iii) sem a UE, a Europa não se alcandorará a potência mundial.

 

Convido-o, Leitor, a acompanhar-me nestas reflexões mais próprias de um herege.

 

A) A paz na Europa

 

Certamente, o leit-motif de Monnet-Schumann-Adenauer era: não mais pancadaria entre a França e a Alemanha. Mas abordaram a questão ainda com a mentalidade do período entre as duas guerras mundiais: controlar mutuamente a base industrial do aparelho militar de cada um (CECA) para ficarem os dois ao abrigo de surpresas desagradáveis. E juntaram ao acordo alguns dos países que mais tinham sofrido com as guerras entre ambos (Holanda, Bélgica e Luxemburgo) mais a Itália que não teria boas recordações de nenhum deles (Nizza/Nice é ainda hoje uma ferida aberta no orgulho da Itália do Norte). Estes quatro parceiros eram úteis a vários títulos: (i) serviam de lastro nos conflitos em que a França e a Alemanha futuramente se envolvessem, amortecendo-os; (ii) poderiam ter algum efeito moderador, au préàlable/vorher; (iii) mas, acima de tudo, afastavam a tentação de um qualquer dos ex-beligerantes lançar à socapa, em país vizinho, as raízes de um novo complexo militar-industrial (a Alemanha de então estava completamente bloqueada a Leste pela "cortina de ferro").

 

Para prevenir possíveis confrontos militares no futuro, a NATO (que a RF Alemanha tinha começado a integrar pouco tempo antes) era - e é - muito mais eficaz. Além de que, ao tempo, a vizinhança de uma URSS agressiva não abria espaço, a Ocidente, para novas aventuras militares-nacionalistas germânicas. Por isto, o argumento de que CECA e CEE eram fundamentais para a paz sempiterna na Europa Ocidental, embora simpático e apelativo para povos esvicerados por duas carnificinas, carecia de um módico de razão. Como dizia, com graça, o Embaixador Siqueira Freire: "A CEE é mais obra de Stalin que dos Pais Fundadores".

 

A queda do Muro de Berlim talvez não tivesse o poder de alterar substancialmente a correlação de forças no seio da CEE - e, se foi este o temor de Miterrand, não estaria ele a ver bem o problema. O que alterou, de cima a baixo, a geometria da CEE foram: (i) o colapso da URSS que deu rápido sumiço a uma ameaça geo-estratégica; (ii) a não menos rápida adesão dos ex-satélites europeus da URSS à CEE (impulsionada, se não mesmo forçada, por uma Alemanha reunificada; os casos da Eslovénia e da Croácia, que desencadearam a Guerra dos Balcãs e o desmembramento da Jugoslávia, são exemplares). E caía por terra o argumento que tinha, até então, sustentado a CEE na vertente "segurança": não só a ameaça geo-estratégia da URSS parecia ter desaparecido no horizonte, como a Alemanha (mas não já a França) passava a ter, a Leste, acesso franqueado a economias que lhe reforçavam o poder industrial.

 

Felizmente, ainda não surgiu na Alemanha a tentação de converter todo o seu poderio industrial em poderio militar-industrial - graças, não tenho a menor dúvida, à NATO. Mas, creio, bastará que Putin se torne mais ameaçador, e a NATO menos fiável, para vermos crescer uma nova Wermacht. Até ao momento, a hegemonia alemã na Europa manifesta-se mais através do controlo monetário da ZEuro do que por meio da eficiência industrial. A Zeuro, um brinde que Miterrand entregou à Alemanha de mão-beijada, mesmo conhecendo a inflexível posição alemã nestas matérias durante os episódios da "serpente europeia" e do Sistema Monetário Europeu.

 

B) A prosperidade na Europa

 

Como seria de esperar, a liberdade de comércio (eliminação das taxas aduaneiras e dos obstáculos de natureza administrativa ao movimento transfronteiriço de mercadorias e de serviços) deu um fortíssimo impulso às economias europeias que a praticaram.

 

O problema é que, desaparecidos os entraves ao comércio transfronteiriço, os restantes obstáculos, que sempre existiram, tornaram-se ainda mais visíveis e especialmente sentidos: o risco cambial - mas também as restrições que atingiam a movimentação de pessoas e de capitais e o livre estabelecimento.

 

As 4 liberdades acabaram por ser instituídas na CEE, mas à custa de regras cada vez mais minuciosas e intrusivas - e de um aparato burocrático para as preparar e fazer cumprir que não parava de crescer. O principal problema com este estado de coisas nem sequer era o peso da burocracia. Era, sim, o modelo que, na CEE, dava forma a essa burocracia: o modelo da regulamentação (tudo o que não está expressamente autorizado, está tacitamente proíbido), tão ao gosto das culturas francesa e germânica (onde nós, portugueses, vamos buscar inspiração). Nunca a Comissão Europeia (CE) deu mostras de acolher o bom princípio "Comply or Explain" que prevalece no sistemas de inspiração anglo-saxónica (e no sistema financeiro internacional, desde há uns anos a esta parte).

 

A pressão no sentido de "mais Europa, mais integração, mais federalização" decorre, precisamente, do modelo da regulamentação, uma vez que a CE sempre fez crer que lhe faltavam os poderes suficientes para se impor aos Estados Membros - alguns deles, aliás, organizados à luz do alternativo modelo da regulação (tudo está tacitamente autorizado, se não estiver expressamente proíbido).

 

O risco cambial era, porém, o maior empecilho - como tinha ficado bem patente nos fracassos da "serpente europeia" e do Sistema Monetário Europeu. Os Estados Membros mais desenvolvidos e, simultaneamente, exportadores líquidos (com a Alemanha à cabeça) sofriam-no de quatro maneiras: (i) pela incerteza que o risco cambial introduz sempre na actividade económica (e nos processos de decisão, em geral) - e, ainda que a exposição ao risco cambial possa ser razoavelmente coberta, isso implica inevitavelmente custos que roem as margens de lucro; (ii) por verem o potencial de compra do MC (e, mais recentemente da UE) diminuir de um dia para o outro, com as desvalorizações cambiais a que os Estados Membros economicamente mais débeis (mas, mesmo assim, mercados apetecíveis) tinham de recorrer de tempos a tempos; (iii) por terem de competir com economias, certamente menos inovadoras e menos eficientes, mas que não hesitavam em lançar mão da desvalorização cambial, já para impulsionar as suas próprias exportações, já para exportar parte das suas crises domésticas (que eram, aliás, frequentes); (iv) enfim, por se aperceberem da dinâmica de valorização imparável das suas próprias moedas nacionais - tendência que o seu potencial exportador e a sua boa gestão macroeconómica tornavam impossível de conter.

 

Por isso, o risco cambial tinha de desaparecer da CEE - o que só foi conseguido, em parte (porque vários Estados Membros se auto-excluiram e outros ainda não foram aceites), com a criação da ZEuro. ZEuro que a Alemanha, com uma estratégia negocial digna da eficiência germânica, moldou à imagem e semelhança do Deutsche Mark (DEM) – mas de forma a pôr-se ao abrigo da constante revalorização cambial de que o DEM não se conseguia livrar. Até então, sabia-se, os efeitos da "ortodoxia monetária e fiscal" alemã na sua própria economia eram atenuados pelas políticas fiscais mais expansionistas da Itália, da França e de alguns Estados Membros periféricos - apesar do incómodo que era a permanente ameaça de desvalorização cambial em várias economias da CEE. A partir de então, não mais risco cambial no interior da ZEuro - e o efeito contrabalanceador das políticas fiscais expansionistas era, agora, assegurado pelo crédito bancário transfronteiriço que fluia abundante e sem restrições.

 

Parecia o melhor dos mundos. Para os Estados Membros exportadores líquidos, com destaque para a Alemanha, que passavam a produzir e exportar livres da preocupação com o risco cambial em boa parte da sua actividade económica (e emprego). Para os Estados Membros importadores líquidos, que, sem grande esforço, recebiam dos Bancos alemães e franceses (e poucos mais) os fundos de que necessitavam para financiar o desequilíbrio sistemático das suas Balanças de Transacções Correntes (BTC). Mas não era tal - porque na vida económica não há almoços grátis.

 

Desde logo, os Bancos alemães e franceses endividavam-se até aos cabelos no mercado monetário dos EUA – o que a ninguém preocupava, até estalar a crise financeira de 2007/2010 (uma outra história, também digna de ser contada). E mais dois obstáculos se agigantavam: (i) na esfera real da economia - os desequilíbrios (deficits aqui; superavits acolá) das BTC no interior da ZEuro; (ii) na esfera nominal da economia - o risco de crédito que se ia acumulando nos Balanços dos Bancos que financiavam tais desequilíbrios (sobretudo, Bancos alemães e franceses, recordo), risco para o qual eles não dispunham de Capitais Próprios suficientes, nem tinham maneira de obter nos mercados financeiros o capital de que careciam. Deu no que deu - e foi o que se viu.

 

O objectivo oculto dos Programas de Ajustamento (vulgo, troika) foi difundir por esse mundo fora uma mensagem subliminar mais ou menos nestes termos: "Depositantes! Investidores! Contrapartes nos mercados financeiros! Sossegai! Não tendes por que vos preocupar. Quem deve dinheiro aos Bancos alemães e franceses vai acabar por pagar de uma maneira ou de outra. Por isso, estes nossos Bancos não terão de provisionar, muito menos contabilizar, perdas que consumam os seus Capitais Próprios. Alguns Bancos periféricos poderão colapsar e desaparecer, é certo. Mas, que diabo! há que dar o exemplo (e sempre é menos concorrência, que começava a irritar). O certo é que não deixaremos nunca que os grandes Bancos alemães e franceses fiquem em apuros".

 

Uma mensagem gritada e imposta a todo o custo - que mais exacerbou a propensão dirigista da CE (e do Eurogrupo), soprada dos bastidores pela Alemanha (Schauble).

 

Com o Euro, vemos agora, a CE ganhou novos pretextos para ampliar e aprofundar o modelo da regulamentação sobre o qual tinha construído toda a UE. E a Alemanha (mas só a Alemanha) obteve um conjunto de vantagens que de outro modo nunca estariam ao seu alcance: (i) conseguiu dissociar a evolução da taxa de câmbio da sua moeda nacional (agora, o Euro) do seu crescente potencial económico e dos sucessivos superavits da sua BTC; (ii) deficitária em matérias primas energéticas, conseguiu passar a pagar na sua própria moeda nacional (o Euro) o gás natural que compra na Rússia e noutras regiões euro-asiáticas - fundos que permanecem depositados nos seus próprios Bancos (os quais ficam assim poupados a problemas de liquidez, além de obterem evidentes e substanciais ganhos de senhoriagem; situação que só é igualada pelos EUA - mais nenhuma economia à face da Terra goza de igual privilégio); (iii) conseguiu pôr-se ao abrigo do risco cambial numa parte significativa das suas exportações e dos seus movimentos de capitais; (iv) conseguiu induzir nos restantes Estados Membros uma procura acrescida assente em dívida - de que a sua indústria (mas não os seus serviços) tira o melhor proveito; (v) pelo facto de financiar a compra das suas exportações, não directamente, mas através de Bancos locais, conseguiu que o excessivo endividamento das economias suas clientes não se reflicta de imediato nos principais Bancos alemães, antes corroa os Balanços desses Bancos locais; (vi) conseguiu transformar um grave problema de crédito malparado nos Balanços dos seus principais Bancos, num problema de default dos Estados Membros com desequilíbrios profundos nas respectivas BTC (o dedo em riste para os desequilíbrios orçamentais não é mais que uma cortina de fumo para ocultar os movimentos interbancários na ZEuro); (vii) converteu os contribuintes dos Estados Membros à beira do default (e, em tese, de todos os restantes Estados Membros) - estejam eles, contribuintes, pessoalmente endividados ou não - em fiadores irrestritos dos empréstimos que os Bancos alemães vão fazendo aos Bancos locais para financiar a procura de produtos alemães.

 

E é isto – não mais, ou menos, Europa - que está presentemente em causa.

 

C) A Europa como potência mundial

 

Para ser uma verdadeira potência mundial (isto é, capaz de projectar a sua vontade no mundo) falta à UE uma capacidade militar com efeito dissuasor credível. Não basta uma indústria militar de ponta (que existe). São necessárias botas dispostas a ir para o terreno, seja onde for. E só no Reino Unido - e, talvez, em França - estão disponíveis essas tais botas em número significativo. A UE só é vista como potência mundial enquanto integrar a NATO. Até agora, tem surgido na cena mundial sempre na sombra do poder político-militar dos EUA - e sem o conforto dessa sombra, pouco ou nada contaria.

 

Acontece que a Alemanha nasceu com o sonho - e o apetite - de ser vista como uma potência mundial (das Grosse Deutschland). Foi assim logo na Conferência de Berlim. Foi assim na curta Guerra Franco-Prussiana e com o Kaiser Guilherme II. Foi assim com Hitler, que cavalgou essa vontade e esse apetite até limites inimagináveis. E é assim, não tanto na UE, mas principalmente na ZEuro - o que é dizer, querendo ser vista como leader de uma moeda de reserva mundial (o Euro)

 

Pragmática, conhecedora da História à custa própria, a Alemanha sabe que, por maior que seja o seu poderio industrial e financeiro, com 80 milhões de habitantes nunca deixará de ser uma Média Potência, cuja zona de influência estratégica até se situa a Leste, onde cedo ou tarde esbarrará na Rússia - a Grande Potência que sempre temeu (infelizmente, ainda não vi suficientemente escalpelizado o papel da Alemanha nos acontecimentos que desaguaram na Revolução Laranja (Ucrânia, NOV2014); mas sempre me pareceram tirados quase a papel químico do que se passou na ex-Jugoslávia, com a Croácia e a Eslovénia, peças no mapa idealizado da Grosse Deutschland).

 

Para ser reconhecida como uma potência mundial, a Alemanha sabe que tem: (i) de se transvestir de UE, com os seus 550 milhões de habitantes; (ii) de ser um fidelíssimo membro da NATO - o que lhe evita o esforço económico e financeiro de criar e manter uma capacidade militar à altura das suas ambições, e não despertar receios na vizinhança. Dito de outro modo: a Alemanha tudo tem feito para se elevar discretamente ao patamar das 3 Grandes Potências mundiais (EUA, China e Rússia), aos ombros dos restantes Estados Membros (dizendo-lhes que são eles, em conjunto, e não ela, que têm voz entre os "Grandes") e usando o Euro como moeda de reserva mundial. Uma estratégia que tem seguido, desde os anos '80, de maneira inflexível, com disciplina germânica. Mas, cada vez mais, é só a voz alemã que se faz ouvir.

 

D) BREXIT

 

“Brexit, what a nuisance!” Não duvido. As razões que ditaram o voto maioritário no referendo britânico não se recomendam? Concedo. Mas o que foi posto frontalmente em causa não foi a Europa. Foi o modelo político-burocrático (a UE) em que se quis, e quer, espartilhar a Europa. Foi a referida falácia, mais os argumentos falaciosos que a acompanham. E foi também a nossa (não) política na Europa, resumida ao venal: “Façam o que muito bem entenderem, tanto se nos dá. O importante é mesmo que venha de lá o “taco”.

 

Se a resposta da UE (e a do nosso Governo, à sua escala insignificante) for "mais Europa" – em que custos e benefícios continuem a ser cada vez mais desigualmente repartidos, já entre Estados Membros, já no interior de cada Estado Membro - não prevejo nada de bom para ninguém.

 

 

Junho de 2016

António Palhinha Machado

A. Palhinha Machado

 



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 00:40
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A VINGANÇA DOS CÉSARES

 

Relicário de S. Pedro e S. Paulo.jpg

 

 

OU O VALOR MATERIAL DO ESPÍRITO

 

 

 

O clero católico é fiel à Igreja e não necessariamente às Pátrias; a tradição paulina traduz-se no primado dessa fidelidade ao abrigo da qual a Igreja se abstém de interferir na política dos Estados se estes lhe garantirem a liberdade que ela própria considere apropriada ao desenvolvimento do seu munus apostólico.

 

Constituída, assim, como Juíza em causa própria, fica a Igreja totalmente livre para gerir os seus interesses desse modo cumprindo a separação de Poderes que lhe foi imposta mas de que rapidamente passou a usufruir. Se a estas realidades se acrescer a sabedoria acumulada ao longo de mais de 2000 anos de informação oriunda do confessionário (que não publica mas de que naturalmente se serve de modo tão discreto quanto eficaz), então dá para imaginarmos a dimensão que em nome do Espírito a Santa Sé de facto possui. A monumentalidade arquitectónica urbi et orbe é a ponta do iceberg de um poder material não quantificado que acumulou com o intuito de suportar a caridade que pratica como uma das suas principais vocações. Dito de outro modo, dá para admitir como muito proveitosa a gestão da ira divina e correspondente absolvição dos pecados. Qui bene amat, bene castigat.

 

Mas como actualmente a Santa Sé não cunha moeda, que benefício tem a Itália pelo facto de albergar o Vaticano? E que beneficia a Santa Sé pelo facto de ter a envolvente protecção italiana? Apetece falar na «vingança dos Césares» contra os bárbaros e na existência de um Segundo Império Romano em que o mando, afinal, não é por certo o da República. Fica a questão de saber se, na crise financeira, a Santa Sé deixará a Itália no genuflexório perante as exigências teutónicas e se, mais uma vez, se abstém de intervir no mundo profano, o tal que nega mas que lhe vem dando tão lautas prebendas.

 

Numa época de fim de ciclo, com tanta gente apostada no lançamento da confusão em nome da liberdade de pensamento (ou na quântica libertinagem?), vale bem ocupar um pouco de tempo a esclarecer quem é fiel a que valores confabulando também sobre se não será este o momento de o espírito zelar pelo corpo. Até porque, como diz a sabedoria dos antigos, primum vivere, deinde philosophari.

 

Questão final: está a Igreja disposta a defender a origem das suas prebendas? Até porque, como diz a sabedoria popular, vão-se os anéis para que fiquem os dedos.

 

 

Henrique na piscina das mulheres em Anuradhapura,

Henrique Salles da Fonseca

(junto à piscina dos monges em Polunaruva, Sri Lanka, NOV15)



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Segunda-feira, 27 de Junho de 2016
O TEMPO E O SEU MODO

 

 

Guilhermina Suggia, a grande violoncelista que encheu Pablo Casals, seu marido, de inveja por não ter tanto sucesso artístico como ela, nasceu no Porto em 27 de Junho de 1885 e faleceu na mesma cidade em 30 de Julho de 1950. Viveu 65 anos e faria hoje 131 anos se essa fosse uma idade comum.

 

A particularidade da efeméride é que ela fez 60 anos no dia em que eu nasci e eu fiz 50 anos no dia em que o meu amigo Tomás Bernardo nasceu e que hoje faz 21 anos.

 

Tomás Bernanrdo.jpg

 

Dá a impressão que o tempo foi elástico entre a célebre violoncelista e este promissor jovem estudante de engenharia, meu companheiro de equitações.

 

Mas não, o tempo não é elástico, o que varia é o modo e nós somos apenas testemunhas empenhadas do seu andamento.

 

Continuemos...

 

27 de Junho de 2016

 

Chefe índio 2.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(no Amazonas, Março de 2016)



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:04
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MENTES BRILHANTES

 

 

Foi na instrução primária que tive professoras de alto nível diplomático. Diziam que certos dos meus colegas eram inteligentes e que eu era trabalhador. Eis por que me habituei desde a infância aos eufemismos que os sábios usavam para me chamarem burro. Mas foi também logo nessas idades que não me deixei abater talvez já conformado com a realidade e com o princípio que mais tarde aprenderia que diz que contra factos não há argumentos.

 

E como a inteligência é relativa tanto no espaço como no tempo e muito resultante dos trabalhos que fortalecem ou enfraquecem a rede de sinapses com que cada um nasce, aí estive eu a trabalhar o suficiente para nunca ter perdido um ano desde as primeiras letras até à conclusão da licenciatura.

 

Ciente de que possuía alguma capito deminutia, eis-me a fazer uma coisa de cada vez para que todas as sinapses se dedicassem apenas a um tema, sem dispersão que pudesse levar a que o sistema gripasse. Desenvolvi, pois, a capacidade de concentração e ao longo da vida tenho encontrado mentes brilhantes que quando estão a fazer uma coisa já estão a pensar noutra nunca chegando a rematar à baliza e muito menos a meter golo. Fazer uma coisa de cada vez não obsta que se faça uma aproximação holística ao tema. O meu método é, pois, inspirado no provérbio italiano que diz que «chi va piano va sano e va lontano».

 

Ainda tentei fazer 10 coisas ao mesmo tempo aprendendo a tocar piano mas acabei com a experiência para salvaguardar a serenidade da vizinhança.

 

Já lá vão 71 anos, acho que tenho feito bem e tenciono assim continuar durante esta segunda série de 70.

 

Primavera árabe.jpg

 

Um dos temas que mereceu a minha atenção durante estes últimos anos foi a chamada «Primavera árabe» e foi com algum receio que fui ouvindo as opiniões dessas mentes brilhantes espalhadas por tudo quanto é televisão europeia e americana. Se os factos já me davam motivos para recear as consequências, as opiniões desses iluminados deixavam-me estarrecido.

 

Estava-se mesmo a ver que não era Primavera nenhuma e que o derrube dos ditadores iria descambar na tomada do Poder pelas forças mais conservadoras do Islão. E aí está a débâcle do Norte de África e do Médio Oriente a dar-me razão.

 

Tudo se resume a um ditame: derrube de Estados laicos para instauração de hierocracias fundamentalistas.

 

Entretanto, acho que é o Putin que está certo e os EUA que estão errados na Síria e por aí fora...

 

E que fazer perante a invasão muçulmana da Europa?

 

Mas as mentes brilhantes dizem que assim é que está certo e eu fico-me pela minha burrice. Haja saúde!

 

Henrique em Marrakesh.jpg

Henrique Salles da Fonseca

(em Marrakesh, 2006)



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 06:50
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