Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2014
2014 O ANO DA VIRAGEM PARA O INCERTO

UM ANO DE CRISES MÚLTIPLAS

Guerra na Europa – Terrorismo do Estado Islâmico pior que o Nazismo

 

Estado Islâmico.png

 

Se passarmos em revisão o ano 2014 notaremos que foi um ano de surpresas e mudança. A guerra também voltou à Europa.

Neste centenário da primeira guerra mundial com 18 milhões de mortos dá-se início aos vícios do século XX: Kiev, Krim, o Inferno da Síria e do Iraque são o melhor exemplo disso e preparam uma nova era também na cena política internacional. Países fronteiriços da Rússia revelam-se como palco para motejo entre a Rússia e o Ocidente.

No Iraque e na Síria instala-se um estado de terror ainda pior que os de Hitler e de Estaline. Fenómeno novo preocupante e indicativo da globalização do terrorismo revela-se o facto de os terroristas islâmicos serem recrutados também das cidades de Estados de direito como a UE.

A Turquia (membro da nato) torna-se mais islamista e dá cobertura ao terrorismo sunita na Síria e no Iraque, a que os curdos resistem com a esperança de a História lhes vir a fazer justiça e lhes reconhecer posteriormente o direito à sua nacionalidade, ao estado do Curdistão. (Este será o próximo conflito!). A política internacional aceita a destruição de um estado antes multicultural como era a Síria, e em conivência com a facção muçulmana sunita (turca e saudita) contra a facção xiita (iraniana) aceita dividir a região em território sunita e xiita deixando também o problema do Curdistão para as calendas gregas. O ocidente apenas reage mas sem um conceito integral; a liga árabe não está interessada em consenso. A ONU reflecte a divisão dos estados e dos interesses.

A Alemanha prefere dedicar-se ao negócio económico e falar da solidariedade dos outros países europeus no que toca à distribuição dos refugiados. Entretanto cresce na Alemanha o desejo de participar mais activamente nas intervenções militares de conflitos mundiais. Isto significará o acréscimo de poder também militar não só da Alemanha mas também da Europa. Em 2014 cria-se a necessidade de intensificar o armamento. A Alemanha inicia uma nova política e a NATO forma uma nova tropa de reacção; a polícia e os serviços secretos de informação preparam-se para piores tempos ao constatar o terrorismo extra e intra muros. Por isso a Alemanha cala os casos de espionagem dos EUA na Europa.

O apoio russo aos separatistas do leste da Ucrânia (invasão) e a sua anexação da ilha Krim na Rússia criam uma nova situação na Europa. A Ucrânia que tinha entregado as armas nucleares à Rússia em 1994 pensava, com isso, adquirir a sua independência e integridade territorial. A Rússia sente-se ferida nos seus interesses fronteiriços com a NATO e parece encetar um caminho imprevisível.

Sanções contra a Rússia provocaram uma crise económica na Rússia com consequências negativas também para a economia ocidental.

Putin considera a queda da União Soviética como “a maior catástrofe geopolítica do século XX”. Não aceita que as fronteiras da NATO se tornem as fronteiras da Rússia, o que vai levar a NATO à corrida às armas. Um caso bicudo de resolver também devido à falta de entendimento entre os países europeus.

Os EUA espionam os amigos, porque consideram prioritários os interesses políticos, económicos e de defesa. A crise da UE vai-se arrastando.

Milhares de refugiados da guerra e da miséria morrem no mediterrâneo e muitos milhares encontram refúgio entre nós.

A sociedade não se encontra preparada sequer para reconhecer os perigos e conflitos que ela mesma anda a chocar. Tem medo de imaginar e analisar cenários possíveis porque muita da nossa inteligência política foi formada numa mentalidade polar ou da guerra-fria.

Os cristãos tornaram-se nas maiores vítimas da modernidade; em cada cinco minutos que passam é morto um cristão. Hoje tornou-se moda atacar os cristãos. Até quando surge um comentário sobre o terrorismo árabe logo surge uma resposta desculpante ou desviadora do assunto para canto, com o argumento de que os cristãos também já perseguiram com a inquisição ou caça às bruxas. 400 milhões de cristãos encontram-se ameaçados e 100 milhões sofrem violência directa (massacres, aprisionamento, marcação das casas onde vivem cristãos com o nome nazareno, pagamento do imposto de cabeça – por cristão, como era costume durante a ocupação muçulmana da Península Ibérica, etc.) . As igrejas do ocidente não reagem porque se encontram preocupadas com problemas de umbigo e sob o pensar correcto que domina a imprensa e a política ocidental.

O Ano 2014 não será para esquecer pelas consequências das tragédias nele iniciadas ou acentuadas a nível internacional.

Portugal encontra-se ainda em estado de excepção dado estar submetido a um regime especial de poupança; a confiança do cidadão na política está de rastos, o combate à corrupção encontra muita resistência por parte de poderes enredados e instalados.

2015 não parece prometer muito, resta-nos a esperança.

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António da Cunha Duarte Justo



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:44
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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2014
BEIJA-MÃO ÀS GRADES

 

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O ex-primeiro-ministro José Sócrates, preso em Évora, inaugurou uma nova prática: a de conceder audiências na cadeia.

José Sócrates, preso em Évora, inaugurou uma nova prática: a de conceder audiências na cadeia. As peregrinações de inúmeras figuras públicas à penitenciária de Évora, sob a capa aparente de visitas de apoio e solidariedade, mais não parecem do que exercícios de vassalagem.

Ao longo de anos e enquanto governante Sócrates garantiu ganhos milionários a alguns dos maiores grupos económicos, em particular na Finança e nas Obras Públicas. Todos aqueles que Sócrates beneficiou estarão agora a ir à cadeia beijar-lhe a mão. Será uma questão de gratidão. Por lá passaram e continuarão a passar os concessionários das parcerias público-privadas (PPP), a quem Sócrates garantiu rendas obscenas em negócios sem risco. Assim, não será de estranhar que o todo-poderoso Jorge Coelho, presidente durante anos do maior concessionário de PPP rodoviárias, o grupo Mota-Engil – tenha rumado a Évora. Também lá esteve em romagem José Lello, administrador, durante os governos socialistas, da construtora DST, que muito ganhou também com PPP.

Não deixa de ser curioso que cheguem apoiantes de todos os sectores que Sócrates tutelou. O líder do futebol português, Pinto da Costa, foi mais um dos que manifestou o seu apoio público. Afinal, Sócrates foi o ministro do desporto que trouxe o Euro 2004 para Portugal. Um Euro que valeu muitos milhões de euros aos clubes de futebol e seus dirigentes. Mais um gesto de vassalagem.

Para ser visitado e apoiado, a Sócrates bastará enviar a convocatória. Todos aqueles cujos podres Sócrates conhece, os que usufruíram de benefícios ilegítimos pelas suas decisões – todos aparecem ao primeiro estalar de dedos. Todos temem Sócrates, pois sabem que se ele resolver falar, desmorona o seu mundo de promiscuidades entre política e negócios.

Com estas convocatórias e manifestações de apoio, o ex-primeiro-ministro pretende manipular a opinião pública, vitimizando-se; bem como condicionar a Justiça, através da sua manifestação de força e influência.

Mas o que não faz e deveria fazer é aproveitar o acesso directo aos media para explicar quais os bens de fortuna que lhe permitiram, sem rendimentos compatíveis, manter, durante anos e depois de sair do poder, uma vida de ostentação.

 

27 de Dezembro de 2014

 

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Paulo Morais



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:14
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ASILO POLÍTICO

 

Fugitivos para quem a última Âncora de Refúgio são as Igrejas

Igrejas alemãs continuam a Tradição de Lugares de Refúgio como na Idade Média

 

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Muitas igrejas na Alemanha tornam-se em lugares de refúgio temporário para solicitantes de asilo ameaçados de deportação (casos humanitários excepcionais ameaçados de expulsão, por vezes os “casos-Dublin” - requerentes que vieram através de outros Estados europeus e cujo processo deveria ter sido feito no primeiro país de chegada e como tal sem direito a refúgio no segundo país de chegada, a não ser que se encontrem há mais de 6 meses na Alemanha)...

Na minha região de Kassel há 11 paróquias evangélicas que albergam 15 refugiados e duas paróquias católicas com famílias que tacitamente albergam para não entrarem em conflito com as Autoridades civis.

Dar guarida a fugitivos é tradição das igrejas mas não sustentada pelo actual direito civil. As Autoridades respeitam a ilegalidade deste proceder não indo buscar ninguém aos espaços da igreja para a deportação. As igrejas acolhem e ajudam os refugiados independentemente da sua crença. A responsabilidade e manutenção pertencem à comunidade paroquial. As igrejas não questionam o direito único do Estado, preocupam-se e intervêm em casos individuais quando reconhecem perigo de vida ou o ferimento de direitos humanos (muitas vezes uma pausa de reflexão para as Autoridades civis!). Os refugiados não podem abandonar os espaços da igreja. As Autoridades têm tolerado o asilo na igreja. Até hoje os refugiados na igreja conseguiram ser reconhecidos posteriormente pela lei estatal. Aqui temos um exemplo de como a relação entre Estado e Religião funciona no sentido de uma sociedade mais humana em que a lei, por vezes não discrimina casos especiais.

As exigências de hospitalidade do Novo Testamento, (Mt 25,35ff; Rom 0:13; Heb 13,2; 1 Pedro 4.9), obriga os cristãos a dar guarida a quem procura protecção legal junto deles, independentemente de raça, religião ou cor. Já antigamente, servos que se sentiam maltratados pelo Senhor conseguiam, por vezes, refúgio nos conventos até encontrarem um senhorio mais humano.

Também Maria e José se refugiaram numa gruta onde nasceu Jesus. Andaram por terras do Egipto para escaparem à perseguição, assim reza a alegoria elucidativa. Já no AT, no Deuteronómio 4, 41 e 42 e em 19, 2 são mencionados lugares de asilo. Na Idade Média a Igreja cria lugares de amor ao próximo (pobres, doentes e estrangeiros) geralmente ligados a um convento. Por decreto imperial foi concedido o direito de asilo temporário nas Igrejas desde que o que procurava refúgio não fosse assassino.

A prática do asilo em igrejas alemãs dá-se discretamente e só em casos humanitários especiais. Assim se serve melhor os requerentes de asilo e não se provoca o Estado.

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António da Cunha Duarte Justo



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 03:56
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Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2014
O JULGAMENTO POLÍTICO EM CURSO DA CLASSE DOS BANQUEIROS

 

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09.12.14

Durante horas - uma autêntica maratona -, dois membros da família mostraram ao Parlamento que tudo o que cada um deles fez cabe dentro dos limites da mais estrita legalidade: nenhuma transgressão; nenhuma pisadela do risco. Trata-se pois de "empobrecimento lícito"; empobrecimento deles e dos que neles acreditaram.

 

10.12.14

Dos dois Espírito Santo sob escrutínio parlamentar, o segundo - José Maria - revelou-se tosco, um derrotado óbvio e desde escola primária. Nem sequer a gramática elementar conseguiu aprender. Em contrapartida, o primeiro – Ricardo – revelou-se mestre consumado. Que artista e que espectáculo! O Parlamento nunca tinha visto nada parecido e provavelmente não voltará a ver. De porte impávido e sereno, hábil na arte da empatia: "Estou aqui para prestar contas ao povo de que V. Vexas são os eleitos ". Perante o público em geral, a inversão de posições - "não estou aqui para me defender; estou aqui para atribuir culpas a quem as tem". Aos deputados, desarmava-os mediante avaliação da qualidade das perguntas. Foi visível o embaraço paralisante causado pelo oportuno elogio da inteligência e saber revelados na pergunta. (Mas não a todas, claro. O manipulador sabe que o valor está na raridade). Ao familiar contraditor, reduziu-o a zero com uma simples e certeira pedrada. "Se ele disse isso é porque recebeu alguma contrapartida". Só o alvejado reagiu: fê-lo com emoção mas sem argumentos. Desempenho comparável, no cinema, só possivelmente Anthony Hopkins; equivalentes na história, só me ocorrem as figuras de Talleyrand ou Disrael. Perante o show, pode-se identificar a natureza do imbróglio em que se viu envolvido. Eu diria que isto aconteceu porque RS tem muito mais de político do que de financeiro.

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Luís Soares de Oliveira



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 13:22
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O MUNDO ÀS AVESSAS

 

 

 

Já uma vez tentei reproduzir uns versos de que só me lembra uma pequena parte, que cantava na Adega da Lucília, que mais tarde mudou o nome para O Faia, uma fadista já velhota, baixinha, que eu tanta vez ouvi, há mais de sessenta anos, e que tinha uma graça imensa e cujo nome infelizmente esqueci:

 

O mundo anda às avessas

E muitos julgam que não

Eu que me vejo por mim

Vejo que o mundo é assim

Com tanta contradição

Há latagões serafins,

Desventurados venturas,

Claras que são escuras,

Etc.

 

Mas olhemos um pouco à nossa volta:

 

- Genève ia fazer, num jardim publico, um monumento lembrando o centenário do genocídio dos arménios, perpetrado pela Turquia em 1915, o que pressupunha o reconhecimento oficial desse genocídio. A Turquia ameaçou com corte de relações comerciais e como dinheiro fala mais alto que moral e ética, o conselho federal suíço... aconselhou que se pensasse em outro local, não “tão exposto”, para o monumento. Mais ou menos escondido ou de modo a que ninguém veja! Quer dizer, a Suiça e a sua apregoada neutralidade, uma vez mais baixa a cabeça ao dinheiro e, vergonhosamente, não quis reconhecer o hediondo crime desse genocídio! Covardes. Política.

 

- Em Bruxelas, no último dia 4 de Dezembro duas activistas de uma quadrilha feminista internacional atacaram e destruíram um presépio instalado na Praça Central da capital belga e não houve cristão que lá fosse, lhes tirasse as máscaras e as levasse para... um bordel. Covardes. Política?

 

FGA-Presépio Bruxelas.jpg

 

- No Brasil, uma comissão montada pela esquerda – leia-se governo do pt – apresentou o seu relatório sobre torturas, mortes, etc., durante os anos da ditadura militar, relatório extenso, infame e que propunha anular a Lei da Amnistia, assinada quando os militares entregaram o poder aos civis e permitiu uma transição pacífica. Desse relatório constam 190 mortes, mas não consta nem um único dos 128 que os comunistas mataram e jamais indemnizaram as famílias.

 

Nem referem os muitos crimes cometidos pela madama dona presidenta ou pelo famigerado capitão Lamarca, um assassino que escreveu um tratado sobre guerrilha urbana traduzido em todas as línguas de guerrilheiros, que por proposta do pt foi post-mortem promovido a coronel, com soldo de general de brigada, e indemnizada generosamente a viúva e filhos. Esse tal capitão, um dia num confronto com uma tropa do Exército, capturou um Tenente e todos os soldados. Mandou os soldados embora e deu ordens para que matassem o Tenente à coronhada o que foi imediatamente cumprido.

 

Alguma diferença entre este assassino, Che Guevara, que se distraía a matar a tiros de pistola os prisioneiros em Havana, ou os jihadistas que degolam jornalistas e outros? Nenhuma. Com a arma na mão, são todos uns covardes. Política?

 

- Entretanto corre o processo chamado “Lava-Jato”, que descobriu a maior vergonha da história do Brasil: os bilionários roubos à Petrobrás, em que estão envolvidos dois presidentes, os do pt como é evidente, presidentes e directores da Petrobrás e das maiores empresas fornecedoras e mais umas dezenas de políticos do mesmo pt e seus asseclas.

 

Aparecem até contratos de compra ou aluguer de plataformas de petróleo com o valor em aberto! O “contratado” escrevia o que quisesse, sabendo que a diferença para o valor real tinha que ser entregue ao “contratante” que o fazia chegar aos padrinhos!

 

No dia em que a CPI apresentou ao congresso o seu relatório sobre a Petrobrás, o relator, membro do pt, achou que estava tudo bem! Felizmente o Promotor que está a tratar do assunto e mais alguns juízes, acham que está tudo mal!

 

E vejam como é um assunto importante: nesse dia, depois da discussão deste problema nacional e internacional, os deputedos entretiveram-se a aprovar uma LEI que determina o dia 25 de Outubro como o dia do macarrão!

 

Dantes a política era só de pizza. Agora já lhe chamam “rodízio de massas”!

 

Tudo ladroagem, covardia e... política.

 

Como é mesmo que dizia De Gaulle?

 

Para encerrar o ano, 2014, notícias chatas, tristes, revoltantes, dolorosas. Não podemos fingir que está tudo bem e que o próximo ano será de grande prosperidade para a humanidade e toda a natureza.

 

Por isso, este apanhado de violência, corrupção, vergonha para uns e falta de vergonha para outros, vamos deixar no lixo do passado.

 

O lixo e o PIB deste “país do futuro” que não deve atingir este ano nem 0,2%. Zero, vírgula dois!

 

Não é um ano para esquecer. Temos que manter bem presentes toda a vergonha e covardia que dominaram este ano, para ver se podemos, de alguma forma, evitar que se repitam.

 

Começaremos aqui 2015 com “Histórias da História” bem mais interessantes e menos desumanas.

 

Porque não desejar um Bom Ano Novo?

 

Não custa nada.

 

28 de Dezembro de 2014

 

Francisco Gomes de Amorim, Junho 2013, Lisboa.jpg

Francisco Gomes de Amorim



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 07:51
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Domingo, 28 de Dezembro de 2014
CARTA AO MENINO JESUS

 

Francisco e Jesus.jpg

 

Meu Menino Jesus

Da meninice

Onze anos volvidos

E só hoje fiz o teu Presépio;

Podes até achar que foi tolice

Esperar tanto tempo

Porém

Tu sabes, muito bem

Que o luto se instalou

Fundo, no meu peito.

Ah se não tivesses ficado nele

Escondido

Seria perpétuo o meu gemido

E jamais eu poderia

Fazer-Te vir à tona

Neste oceano de amargura;

Por isso, meu Menino

É a Ti que devo

Apesar da dor, ora lonjura

Este raio de luz-felicidade

Este Sol de esperança

Renovada

E é por Ti, só por Ti

Que na verdade

A Vida

Inda tem mais caminhada!...

 

9 de Dezembro de 2014

 

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Maria Mamede

 



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 13:45
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NEM NO FASCISMO…

 

Prisão de Évora.png

 

Sempre se disse que o silêncio, sendo de ouro, deve ser preferido à expressão oral, que só merece desprezível prata como paralelismo, uma prata que escurece com o tempo e requer solarine e pano para brilhar como outros metais vulgares. Não penso assim. Sempre admirei os dadores da palavra oral, exactamente por imperícia pessoal desse dom, entre os outros que também me falham. Por isso sempre admirei o meu pai, que o tinha, e todos os actuais que o têm, entre os quais José Sócrates. É certo que, descrente deste e dos seus argumentos de expressão acusatoriamente exaltada e defensivamente patética, mudava para o Dr. Marcelo da TVI que ocorria ao mesmo tempo que a entrevista no 1º Canal a Sócrates, um homem pleno de experiências de vida e de estudos, com algumas passagens nestes pouco esclarecidas, mas nem por isso menos importantes no seu singrar em acção e palavras.

Tudo isto, para citar o artigo de João Miguel Tavares (Público, 18/12/14) – «O Direito inalienável de falar», respondendo ao desafio sobre se lhe era indiferente o obstáculo à expressão pública imposto a Sócrates. É evidente que a sua resposta foi negativa, mas começou por afirmar que constituíra pura inverdade a asserção malevolente do advogado de Sócrates, João Araújo, na sua linha discursiva, copiada do seu constituinte Sócrates, de auto vitimização e de hetero-acusação. Assim, pois, «no plano da liberdade de expressão, que é certamente o mais importante, não faz qualquer sentido que José Sócrates seja impedido de falar, ainda que preso. As ditaduras encarceram os corpos e calam as vozes. As democracias prendem pessoas mas não lhes roubam a voz ou o direito a queixarem-se.»

Donde se segue que, afirma João Miguel Tavares, «Como facilmente imaginam, eu dificilmente acreditarei algum dia numa palavra que saia da boca de José Sócrates. Mas não me passa pela cabeça impedi-lo de dizer o que quiser.»

É certo que também se apontam outros eventos reprováveis a respeito deste caso: ontem, por exemplo, os noticiários mostraram a indignação do pai dos Serviços Nacionais de Saúde, António Arnaut, que viu devolvido um seu livro enviado carinhosamente a Sócrates, nesta quadra efusiva do Natal, e afirmando que nem na ditadura casos destes eram possíveis. Segue-se que já há frases a favor da existência de humanidade nos outros tempos. Mas deviam lembrar-se do silêncio como de ouro, embora não para os amantes da democracia.

O direito inalienável de falar

João Miguel Tavares.png João Miguel Tavares

18/12/14

Na caixa de comentários ao meu texto de terça-feira, um leitor discordante deixou este desafio: “E já agora... qual é o comentário de JMT à proibição de entrevistas imposta a José Sócrates? Não o incomoda?” Como imaginam, sou incapaz de dizer “não” a um bom repto, sobretudo quando está em causa o meu tema favorito.

A resposta directa é: incomoda. Mas convém começar por fazer um esclarecimento prévio, porque o modo como a proibição foi transmitida à comunicação social pelo advogado João Araújo está muito longe de ser exacta. Disse ele: “Fica patente que a decisão de condenar o meu constituinte à prisão foi tomada não só para investigar, mas também para o calar.” Louve-se o efeito retórico, mas condene-se a falta de rigor. Ninguém proibiu Sócrates de falar – coisa que, aliás, ele já fez abundantemente na primeira semana, através da sua colorida correspondência do cárcere. Aquilo que o juiz Carlos Alexandre proibiu, sim, foi uma entrevista presencial – repito: presencial – a partir da cadeia de Évora. Que eu saiba, nada proíbe José Sócrates de dar entrevistas por escrito, enviar correspondência para as redacções ou falar ao telefone com um jornalista, como já falou há três semanas com o Expresso.

Feito o necessário esclarecimento, convém, ainda assim, distinguir dois planos. O primeiro tem que ver com a logística dos serviços prisionais e a necessária igualdade de tratamento dos presos. Se batesse à porta da prisão de Évora uma qualquer estação de televisão a querer falar com o ex-primeiro-ministro, não me pareceria razoável exigir aos serviços que reservassem uma sala simpática, acomodassem toda a equipa técnica e encontrassem um décor devidamente prisional para gravar uma entrevista supimpa. Neste plano, puramente logístico, a nega do juiz pode fazer sentido. Sócrates não deve ter privilégios que são negados a outros.

Mas no plano da liberdade de expressão, que é certamente o mais importante, não faz qualquer sentido que José Sócrates seja impedido de falar, ainda que preso. As ditaduras encarceram os corpos e calam as vozes. As democracias prendem pessoas mas não lhes roubam a voz ou o direito a queixarem-se. Uma pessoa razoável admite com certeza que Sócrates poderia perturbar o inquérito se não ficasse em prisão preventiva, mas dificilmente aceitará que aquilo que ele possa dizer numa entrevista feita a partir da prisão vá prejudicar a recolha de provas por parte da justiça. Esteja Sócrates em prisão preventiva ou já condenado e com sentença transitada em julgado, ele mantém o direito inalienável de falar. Se alguém que é acusado tem direito ao silêncio, também terá certamente o direito à fala.

***

Donde, se a entrevista ao Expresso fosse dada no intervalo de tempo destinado às visitas, e não envolvendo outra logística além de um simples gravador, percebo mal que ela tenha sido recusada pelo juiz Carlos Alexandre. Até porque com o desgraçado segredo de justiça que temos, impor o silêncio a José Sócrates dificulta a defesa do seu bom-nome no espaço público, que obviamente está posto em causa e é território de fervoroso debate. Não me parece que esse seja um direito que lhe possa ser retirado – aí, sim, seria atribuir um poder manifestamente excessivo aos guardas. Como facilmente imaginam, eu dificilmente acreditarei algum dia numa palavra que saia da boca de José Sócrates. Mas não me passa pela cabeça impedi-lo de dizer o que quiser.

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Berta Brás



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:26
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Sábado, 27 de Dezembro de 2014
JOSÉ SÓCRATES, O BERLUSCONI PORTUGUÊS?

 

Prisão de Évora.png

 

Do caso insólito de uma Nação inteira em orgasmo fora do lugar

 

José Sócrates – o Berlusconi português – parece um figo maduro a gingar na figueira 25 de Abril. Esta tem muitos outros figos prontos a cair e outros ainda a amadurecer, neste jardim outonal de brandos costumes “à beira mar plantado”. Será que Portugal se quer restabelecer? Por enquanto, ainda se encontram muitos outros figos melados bem agarrados à figueira já murcha por tanto chupar e pela já sumida terra do jardim. Mas Portugal se se quer salvar, por algum lado há-de começar. Do húmus dos figos caídos talvez a terra se torne fértil.

O Ministério Público na sequência de investigação de casos de crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais mandou deter José Sócrates (ex-primeiro ministro) para interrogatório judicial e também um sujeito ligado ao grupo Lena, outro à empresa de Carlos Santos Silva e um outro representante da empresa multinacional farmacêutica Octapharma, de que José Sócrates é empregado desde 2013, segundo informou o jornal Sol.

Muitos “inocentes”, ficaram escandalizados pelo facto de Sócrates ter sido preso no aeroporto de Lisboa às 22H, à chegada de Paris e lá já se encontrarem as câmaras de TV, caso que os leva a especular sobre “fugas de informações”.

Fuga de informações?! Quando é que as não houve em Portugal? Isto parece conversa encomendada para desviar do assunto principal (a corrupção institucionalizada) para coisas marginais. A opinião pública portuguesa é geralmente encharcada com coisas que falam ao coração para desviar da mente e assim desobrigarem a atenção duma corrupção tanto da esquerda como da direita mas que se quer manter anónima nas caves da nação. Também a Justiça e os órgãos do Estado precisam do folclore das detenções para se irem safando; a corrupção também banha as suas praias; não vivêssemos nós num Portugal tão pequenino de amigos e vizinhos.

Também se fala de “Justiça versus Política”! Isso também não, nunca houve; o que sempre houve foi uma política telenovela para o povo português e muitíssimos mações e amigos bem posicionados também na Justiça que bem sabem contribuir para a desinformação. Justiça atenta à política seria completamente impossível no nosso Portugal moderno atendendo à actividade da maçonaria (de timbre inglês e francês) e outras forças fomentadoras da promiscuidade política, financeira, dos Media e da Justiça, que manobram a partir de um Portugal subterrâneo, onde se encontram em erupção, desde as Invasões Francesas.

O problema da interferência e conivência entre os poderes é já antigo, é um legado republicano que vem não só da politização da Justiça mas da “judicialização” da política que se deve a um Estado minado por organizações fortes, num país pequeno onde todos os grandes se conhecem e se julgam ser a casa do povo de um país ordinariamente partidarizado porque despolitizado. Defender uns para atacar outros implicaria reduzir a questão à alternativa: Lúcifer ou Belzebu; o que significaria continuar a fomentar um pensar bipolar que leva a pactuar com a corrupção!

A Democracia portuguesa está já saturada de corrupção; é de recordar, entre outros, os casos dos diamantes em torno de Soares, dos projectos para um novo aeroporto, das parcerias público-privadas (PPP), da Casa Pia, dos Submarinos, dos vistos gold, de José Sócrates, etc.; tudo deu em águas de bacalhau; tudo isto revela apenas a ponta do icebergue, num Portugal de esquerdas que se tornaram milionárias quando queriam acabar com as direitas milionárias.

Chegou a hora em que seria óbvio salvar a honra da República e devolver a dignidade ao povo, deixando de continuar a pensar apenas no tradicional sistema bipolar. Seria chegada a hora de saudar e apoiar as forças do Ministério Público e de Juízes que mostrem carácter e boa intenção, para que se comece a arrumar com o suborno e a corrupção encostada ao Estado Português; em vez disso enxovalha-se o juiz que precisaria da força de uma opinião pública renovada, para se atreverem a iniciar outros processos. Muitos acólitos dos diferentes senhorios ficam medrosos e logo se apressam a desculpar a corrupção vigente, com o argumento que personalidades do outro partido também são corruptas, segundo a máxima: os meus são ladrõezitos e os dos outros são ladrões. Nesta lógica, do salve-se a ladroeira, legitima-se toda a corrupção e o país em vez de se regenerar continua a masturbar-se, como sempre.

A coragem do juiz poderia ser um sinal de que a honradez e a justiça de muita gente desorganizada mas honrada querem ter palavra em Portugal. Naturalmente, também a Justiça deveria, para se tornar credível, proferir um mea culpa e deixar de se servir de direitos reservados para Deputados, Secretários de Estado e Ministros; não o faz porque acima da Justiça imperam certamente outros interesses e outras ordens.

Se o povo não está atento – e não pode está-lo – esta será a hora dos operadores subterrâneos do Estado que desconversarão sobre esta “tragédia pessoal” de grande quilate, de modo a ficar tudo na mesma, com tudo a favor da contínua tragédia de um povo indefeso. Partidarizar o discurso é justificar a corrupção que em Portugal é institucional, como já foi constatado publicamente.

Sem a mudança radical da Justiça portuguesa, Portugal não toma emenda. Portugal não tomará emenda enquanto continuar a analisar a sua vida sob as perspectivas partidárias.

A prisão de José Sócrates parece um acto desesperado no sentido de recuperar alguns créditos na confiança popular. Naturalmente, para engavetar este tubarão teriam de engavetar muitíssimos outros e estes não deixam porque são todos amigos entre si e a rede que os assiste foi feita à prova de corrupção. Em Portugal, e em países frágeis, em vez de se engavetar os criminosos engavetam-se os processos.

A questão é de tal modo enredada e a luta das famílias tradicionais e das famílias partidárias é tal, num Portugal pequenino mas dos grandinhos, que não deixa espaço para uma solução satisfatória. Enquanto em Portugal, para se subir, for preciso entrar em instituições parasitas do Estado, não será possível formar-se uma alternativa honrosa.

Sócrates, ex-primeiro ministro português, agora o número 44 da Prisão de Évora, é uma grande oportunidade para toda a nação pensar sobre as razões que levaram Portugal e as instituições portuguesas a chegar ao ponto extremo onde chegaram.

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António da Cunha Duarte Justo



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 19:19
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TEXTO DE 1757 APLICADO A PORTUGAL EM 2014

 

 

 

Escolhamos um dia para representar a tragédia mais sublime e comovente à nossa disposição; designemos os actores mais populares; não olhemos a gastos na encenação e decoração; unamos os grandes esforços da poesia, da pintura e da música; e quando tivermos reunido o nosso público, exactamente no momento em que as suas mentes estiverem tensas de expectativa, divulguemos a notícia de que um criminoso de Estado de extracção elevada está prestes a ser executado na praça ao lado; num ápice o teatro esvaziado demonstraria a fraqueza relativa das artes imitativas e proclamaria o triunfo da simpatia real.

 

Edmund Burke (1729-1797)

 

In «Uma Investigação Filosófica Acerca da Origem das Nossas Ideias do Sublime e do Belo» com primeira edição em 1757, ed. Edições 70, Setembro de 2013, pág. 66



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:15
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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2014
A QUEDA DO CRUDE

LESO-crude.jpg

 

Maryam, senhora Iraniana conhecedora e interessada na geopolítica da sua região natal ouviu-me questionar os astros sobre as causas e significado da queda do preço do petróleo e foi descartando com meros gestos de mão tanto as minhas conjecturas de natureza tecnológica como os raciocínios fundados na estatística da oferta e procura, na recessão global por um lado e no regresso da Líbia à produção, por outro. Estabelecido o vazio de razões, assim falou:

 

- Pensei muito sobre o assunto e concluí que a baixa do crude é manipulação americana (aproveitando, claro, a auto-suficiência que o xisto betuminoso proporcionou). De um só golpe, deixaram Putin e Hassan Rouhani sem vintém para prosseguirem com políticas hostis aos interesses americanos. No Irão (5º maior produtor mundial), os proveitos do petróleo representam 70% da receita orçamental e cobrem a totalidade do orçamento de Defesa. Os cálculos orçamentais para 2015 foram feitos na previsão do barril a $120. Veja em que situação fica o Governo e o Exército com o barril a $60 ou menos. Ao contrário do Irão, Rússia, Angola e Venezuela que estão fortemente endividados, os países árabes aliados dos americanos – Sauditas, Bahrein, Emiratos, etc. – têm reservas de activos financeiros suficientes para suportarem o choque. O afluxo de capitais aos mercados internacionais poderá ressentir-se imediatamente desta queda de rendimentos mas os EUA, mediante artifícios de política monetária, podem restabelecer o nível conveniente de liquidez.

 

- Muitos coelhos de uma só cajadada, comentei e ela observou:

 

- Mas há ainda mais; a baixa do preço do crude visa também (ou principalmente) mostrar à Senhora Merkel que a Rússia não é mercado alternativo. E ela que é sagaz decifrou a mensagem e decidiu que se a Rússia não é, a China será.

 

Será ou não será, o tempo o dirá.

 

26-12-14

 

Luís Soares de Oliveira.jpg

Luís Soares de Oliveira



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:14
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