Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2014
TRÊS TRISTES TIGRES

 

Três artigos de Vasco Pulido Valente sobre a Decadência de Portugal, saídos no Público em 21, 22 e 23/2, o primeiro sem subtítulo, o segundo, prolongado o título com o comentário síntese “o paradoxo da imitação” e o terceiro com “O bom aluno”. Três artigos de uma reflexão feita de saber e humor que, mergulhando em Antero – este, por sua vez apoiado em Herculano e influenciando Oliveira Martins – apontando como causas primeiras dessa decadência o Concílio de Trento, o absolutismo e o sonho ultramarino, revelam outros dados justificativos dessa decadência, já pressentidos no final de “Os Maias”, com a referência crítica de Ega à imitação do calçado bicudo francês acentuando as biqueiras das botas, em arremedo imitativo servil e provinciano, que se estendia, no século XIX, aos vários campos de actuação – moda, política, literatura. Tal característica de imitação de um país vivendo em permanente constatação da sua inferioridade cultural, prolongada no tempo até aos nossos dias, revela-se, contudo, paradoxal, pois não só o não consegue, em estigma social de inércia cultural desde sempre transparente, como pretende opor-lhe uma exaltação orgulhosa e passadista de outros parâmetros de actuação sua, valiosa na globalização do mundo, que vai progredindo, contudo, na indiferença natural desse papel passado, já irrelevante. Segue-se a constatação do falhanço, com Cavaco Silva atestando a “menoridade indígena” ao considerar o país “um bom aluno”, numa modernização de empréstimo, assente no betão mais do que num real desenvolvimento cultural e terminando em catástrofe. Três artigos de excelência argumentativa que poderiam conduzir um povo menos prostrado a uma ponderação de seriedade mais eficaz.

 

O primeiro: «A decadência de Portugal»:

 

As grandes crises têm invariavelmente provocado grandes teorias sobre a “decadência” de Portugal. As teorias, como é óbvio, variaram.

 

Mas nunca como hoje houve uma tão larga indiferença pelo nosso destino colectivo, ou seja, pela história e pela cultura, que nos trouxeram onde trouxeram.

 

As causas da desgraça em que vivemos e do esquálido futuro que aí vem são vagamente distribuídas por erros que toda a gente cometeu, pela intrínseca perversidade da política ou pela maléfica influência do “estrangeiro”. Sobre aquilo em que Portugal se tornou no fim do século XIX e no século XX nem uma palavra. É como se o país só existisse desde 2010, a partir do fracasso da democracia e da iminência da bancarrota.

 

Em 1871, Antero de Quental fazia uma conferência, parte das famosas “conferências do Casino”, em que atribuía a decadência indígena a três “fenómenos capitais”: “a transformação do Catolicismo pelo Concílio de Trento”, “o estabelecimento do Absolutismo, pela ruína das liberdades locais” e a obsessão geral com “conquistas longínquas”. Claro que os “fenómenos” de Antero não eram exactamente o que ele julgava. De qualquer maneira, serviam para “explicar” a crise portuguesa. O “despotismo religioso” imposto por Trento acabara com a liberdade de consciência e promovera a irresponsabilidade do indivíduo. O Absolutismo tornara a sociedade dependente do Estado, de quem passara a esperar a sua salvação e a temer a sua perdição. E as “conquistas” distraíam o povo do trabalho produtivo e do desenvolvimento interno.

 

As teses de Antero, apesar da sua manifesta fraqueza, foram o cânone da esquerda até muito tarde e inspiraram pensadores menores como o operoso António Sérgio. De facto, se diagnosticavam os males do país, também implicitamente ofereciam remédios: o anticlericalismo, a democracia e o que se veio a chamar “colonização interna”. A imagem que os portugueses tinham de si próprios (os da classe média, claro) mudou. Portugal não mudou imediatamente, excepto para pior. Mas no pensamento posterior a influência de Antero permaneceu e em parte continua a ser relevante mesmo em 2014. Só que 2014 não lhe responde. Agora, ninguém se importa com a natureza de Portugal.

 

O segundo: «A decadência: o paradoxo da imitação»:

 

Educados na hipocrisia e na imoralidade pelo Catolicismo, na resignação e na dependência do Estado pelo Absolutismo e no desprezo pelo trabalho pelas Conquistas, os portugueses não se recomendavam à “geração de 70”.

 

A “geração de 70”, que veio a público numa época de recessão – provocada pela diminuição das remessas do Brasil –, não encontrava nada de redentor na sociedade que a Regeneração (de 1851) fizera. Para Eça ou para Ramalho, Portugal não passava de uma imitação da França, traduzida em calão ou em vernáculo. A grande obra de Eça, Os Maias, acaba na Avenida da Liberdade, uma triste cópia de um boulevard, com amargas considerações sobre o carácter postiço da civilização indígena e da classe média que se passeia na rua, ociosa e ridícula.

 

Mas se os romances eram copiados da literatura francesa e também a poesia, os costumes, a moda e o próprio regime da Carta e do Acto Adicional vale a pena dizer que desde o princípio do século sempre o tinham sido. A “inteligência” educada e cosmopolita pedia um país “forte” e, sobretudo, “original”, mas não se lembrava (excepto no caso muito particular de Eça) que ela mesma se alimentava da França e um pouco da Inglaterra e da Alemanha. Sonhando com arroz no forno e com o Portugal típico do Senhor D. João VI, “modernizado” ou “regenerado”, queria simultaneamente um Portugal que não fosse diferente da Europa. O que hoje se chama “identidade nacional” coincidia, para ela, com uma “identidade” que se procurava nas grandes potências do século. A imitação acabava assim por se tornar na nossa principal fraqueza e na única verdadeira via de salvação.

 

Este paradoxo continua a acompanhar os portugueses. Por um lado, não há um cantinho da nossa vida que não se compare com a Europa e não há triunfo que não consista em encontrar semelhanças entre as coisas de lá e as coisas de cá. Por outro lado, os governos proclamam a nossa singularidade atlântica ou (nos casos de incurável loucura) mundial. O país balança entre um “papel” na Europa, que não encontrou, e um “papel” em Angola, no Brasil ou numa selva qualquer da África ou da Ásia, que manifestamente o excede. De qualquer maneira, como lamentava Eça, nesta apregoada época de “globalização”, Portugal está “desempregado”. Ninguém precisa dele e ele precisa urgentemente de sair da sua velha irrelevância. Imitando, sem imitar, claro. Como de costume e com os resultados do costume.                        

 

O terceiro: «A decadência: “o bom aluno”»

 

Empurrado pelas circunstâncias, foi Cavaco Silva quem finalmente atestou a menoridade indígena com a expressão “o bom aluno”. Bom ou mau o aluno é por natureza um ser incompleto e subordinado. A partir da altura em que se reconheceu como tal, Portugal adoptava para si o “modelo europeu”, a que de resto se conformou com zelo e até às vezes com entusiasmo.

 

Mas Cavaco, como a multidão de “modernizadores” que o precederam e seguiram, ignoraram dois pontos fundamentais. Primeiro, a sociedade não muda pela simples vontade política do poder. Segundo o “atraso” do país não se curava simplesmente com alguma disciplina financeira (a que, aliás, nunca chegou); ou com obras públicas para impressionar o estrangeiro e espantar o patego.

 

Claro que o país tinha de se tornar compatível com a civilização material a que pertencia. Só que, como habitualmente sucede com os plagiadores, exagerou. Os sapatos demasiado bicudos do epílogo de “Os Maias” não se distinguem em substância do excesso de amor pelo betão, que em parte nos levou ao presente sarilho. Pior ainda: a burguesia e a classe média, a que em última análise se devia a miséria de Portugal, e a populaça a que ela fora imposta, também adoptaram as regras do “bom aluno” e pediram irrecusavelmente o estatuto e a prosperidade de que lá fora gozavam os seus pares e que a nossa economia, fraca e quase paralítica, não lhes podia dar.

 

Houve desde o princípio um fosso entre o optimismo oficial do “bom aluno” e o que, na sua inocência, os portugueses queriam e esperavam.

 

Contrariada ou alacremente, o Estado preencheu esse fosso e, para o preencher, pôs de parte o código do “bom aluno”, como se ele já não lhe servisse e o país se bastasse a si próprio. Cavaco assistiu calado a este desastre, que ele próprio provocara, e consentiu sem uma palavra que a sociedade e o Estado se afundassem tranquilamente em dívidas tão absurdas como irredimíveis. Com a salvação da Pátria do PSD e de Passos Coelho voltaram as pragas tradicionais da “decadência” e do “atraso”, que depressa redescobriram os vícios atávicos do português: a sabujice, a dependência, a resignação e uma espécie de sebastianismo de trazer por casa na forma obscura e longínqua do BCE. Nem falta a ditadura dos partidos do centro, nem a melancólica impotência do Presidente da República. Depois do fracasso da “modernização” democrática, virão vinte anos de vacas magras e de cinismo ou desespero. E agora o remédio é duvidoso e talvez mortal.

 

Vasco Pulido Valente

 

 Berta Brás



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:23
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POR QUE É QUE AS PESSOAS COMEÇAM A ROUBAR?

 

 

Por que é que as pessoas roubam? Ou melhor, por que razão começam algumas pessoas a roubar como forma de vida? Por que razão a vidinha do crime, mais ou menos organizado, passa a ser uma opção?

 

A explicação dada pelo ar do tempo é sempre económica. Diz-se que as pessoas roubam porque têm fome, porque sentem necessidades, porque são pobres, porque não têm oportunidades. Esta explicação sempre me irritou. Nasci pobre, cresci em bairros populares, estou certo de que serei sempre um pé-rapado, conheci vários trafulhas mais ou menos profissionais e mais ou menos desdentados, mas nunca conheci ninguém a roubar por necessidade.

 

Como é óbvio, as pessoas que desenvolvem a desculpa economicista do larápio nunca foram pobres e nunca frequentaram bairros do povo, aliás, estou desconfiado que começam a sentir falta de ar logo ali na Calçada de Carriche. É por isso que não percebem que este raciocínio é um insulto a quem nasceu pobre. Porquê? Porque estabelece uma relação de causa-efeito entre um conceito económico (pobre) e um conceito moral (roubar), ou seja, assume que pobre é sempre um ladrão em potência.

 

Nunca encontrei, repito, esta associação imediata entre pobreza e ladroagem. Além disso, alguém me explica por que razão muitas betinhas são apanhadas a roubar lojas de roupa e quejandos? Alguém me explica o crime de colarinho branco? Alguém me explica a alta ladroagem também conhecida por corrupção ou isso-é-um-banco-demasiado-grande-para-cair?

 

A resposta, portanto, só pode ser psicológica e imaterial, as causas são morais e não materiais, estão na cabeça e não na carteira.

 

Neste sentido, vale a pena olhar para três portas diferentes.

 

Em primeiro lugar, a vida de gatuno é um desafio à inteligência. Quem é muito inteligente sente sempre um fascínio pela vidinha do crime, porque a recompensa é mesmo essa: mostrar a superioridade de uma cabeça, assumir o estatuto do tipo mais esperto do pedaço, «pá, eu roubo porque posso».

 

Em segundo lugar, roubar dá poder, gera uma tribo à volta do líder. Na Póvoa do antigamente, perdi a conta aos líderes históricos dos gangues, pequenos reis que andavam à procura não de dinheiro, mas de respect. Não queriam trocos, queriam território.

 

O grande motivo, porém, não está nem na inteligência nem no poder. Está, isso sim, na impunidade moral, ou melhor, na impunidade amoral. Tive o distinto prazer de conversar e partilhar pires de tremoços com uma série de bandidolas e todos partilhavam um ponto: a glorificação da impunidade, o prazer que sentiam por estarem acima do bem e do mal, sentiam-se pequenos deuses quando percebiam que os seus actos imorais eram invisíveis aos olhos da lei. A impunidade é o lado negro da força mesmo para um trafulha sem sabre de luz.

 

O chefão da filosofia ocidental, Platão, percebeu este ponto. Logo no início, A República confronta-nos com a metáfora do anel de Gyges, um anel que torna as pessoas invisíveis (sim, Tolkien furtou Platão). Se somos invisíveis, se ninguém vê os nossos actos, o caminho para a impunidade está aberto, porque fazer o bem passa a ser única e exclusivamente uma escolha moral e não uma imposição legal. Rico ou pobre, ninguém pode dizer que está livre desta tentação, ninguém pode dizer desta água não roubarei.

 

18 de Fevereiro de 2014

 

 Henrique Raposo



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 15:15
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A ENTREVISTA

 

Assisti, na TV, à entrevista do Dr. António Capucho. Depois de tratar do caso da expulsão do entrevistado pelo PSD, de acordo com os estatutos (que, no entanto, não foram aplicados a muitos outros casos…), falou-se longamente de eleições.

 

Os portugueses, na sua quase totalidade, clamam que vivemos em democracia, simplesmente porque podem protestar. Mostram não saber que, em democracia, o sistema em que o poder reside nos cidadãos, não há uma ou meia-dúzia de cidadãos a dizerem aos eleitores em quem é que eles têm licença de votar, ou seja, delegar o seu poder. Desse mal se queixavam na anterior ditadura, mas parece que já o esqueceram.

 

O que se tratou em grande parte da entrevista foi exactamente de saber quem é que o partido devia determinar que fosse candidato. Com a maior naturalidade, como se a vontade dos cidadãos fosse letra morta. Ou seja, os cidadãos são os detentores do poder, mas só o podem delegar em quem os chefes dos partidos (os actuais ditadores) decidem que seja o candidato.

 

 

Como, para as autarquias, se abriu uma pequena janela democrática, o sistema já não está completamente blindado. Os portugueses têm vindo, progressivamente, a eleger cada vez mais candidatos independentes e é de esperar que esse modelo seja incrementado.

 

Chamei-lhe “uma pequena janela democrática” porque os independentes têm de enfrentar barreiras que os candidatos nomeados pelos partidos não têm. Nas últimas Autárquicas, foram treze os candidatos independentes eleitos Presidentes de Câmaras Municipais, derrotando os candidatos dos partidos. Nas eleições de 2009 tinham sido apenas sete. É de esperar que, em próximas Autárquicas, mais alguns sejam eleitos, pelo menos enquanto a Constituição não for alterada e todas as eleições sejam, como é a do Presidente da República, totalmente independentes, limitando-se os partidos a apoiar o candidato que entenderem.

 

Os partidos têm toda a razão para existirem, mas não como órgãos de poder. E muito menos como órgãos de poder ditatorial, como temos no nosso país.

 

27 de Fevereiro de 2014

 

 

 

Miguel Mota

 

Publicado no "Linhas de Elvas"



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 07:47
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Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2014
CRIANÇA



Nos olhos ávidos
o desejo de aprender
no sorriso cândido
a força de amar
na cabeça altiva
a pressa de crescer…
e corre e corre
e age e grita
e enfrenta no mundo
a sorte e a desdita…
e vai e cai
e cresce e aprende
e da vontade nasce
o que escreve
e o que entende;
e se a vida lhe sorri
e é feliz
sonha
como qualquer petiz…
mas se a vida é madrasta
e lhe corta o caminho
pula
gesticula
e espeta os dedos nus
na besta
no focinho
e mostra a toda a gente
que é preciso
olhar de frente

num sorriso
o que dói
o que fere
e cravando as unhas
no destino
guarda no coração
seu tempo de Menino
e é Homem
e é Futuro
e ambição
porque o Mundo é seu
porque a Vida o deu
e porque o Amanhã
é a sua direcção!...

 Maria Mamede

(In “Folhinha Poética”-Brasil – 2013)



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 22:11
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40 ANOS DEPOIS DOS CRAVOS DE ABRIL…

 

Festejam-se agora os 40 anos da revolução de Abril de 74.

 

Excelente momento para se fazerem os balanços e as comparações tão queridas dos comentadores e dos pensadores.

 

Cá por mim, olho para trás e o que vejo: os primeiros 40 anos da minha vida vivi-os numa ditadura comandada por um chefe autoritário que tomou o poder quando o país estava à beira da bancarrota e da dependência externa e os segundos 40 anos da minha vida vivi-os numa ditamole comandada por um bloco central pouco autoritário, que tomou o poder dando a esperança de mudança para melhor vida dos portugueses, mas colocou o país à beira da bancarrota e da dependência externa.

Será tempo para festejos ou para mudar de rumo?

 

26 de Fevereiro de 2014

 

  José Carlos Gonçalves Viana



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 16:57
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O JUIZO QUASE FINAL

 

 

 

As coisas que se ouvem...

 

...que alguém decidiu que andávamos a viver acima das nossas possibilidades... mas os saldos negativos da Balança Comercial que já considerávamos eternos eram disso prova inequívoca

 

...que a Merkel é a Führerin do IV Reich... mas ela apenas quer deixar de suprir aos défices que os perdulários provocam na governança dos respectivos Estados

 

...que se lixe a Troika... mas se não fosse ela já estaríamos há muito com senhas de racionamento

 

...que estamos a matar o Estado Social... mas todos exigimos ao Estado que nos dê tudo não querendo, nem ao longe, ouvir falar de qualquer tentativa de reequilíbrio das contas públicas

 

...que Jorge de Sena terá dito que «Não quero morrer sem ver a cor da liberdade»... mas pisgou-se para outras paragens quando não assumiu as consequências técnicas do parecer negativo que deu à construção da ponte sobre o Tejo em Lisboa

 

...que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho... mas os sistemas de segurança social europeus praticamente nada têm a ver com a capitalização dos descontos que cada um faz pelo que o Estado apenas se comprometeu a pagar aos reformados com os descontos dos que estão no activo

 

...que 5% dos sem abrigo têm cursos superiores... mas resta saber se se trata de cursos com procura real no mercado de trabalho

 

...que há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha... mas até há 40 anos partiam para África e choravam menos ou não choravam de todo

 

...que “irrevogável” quer dizer exactamente o contrário do que está escrito no dicionário... mas na verdade a estrutura política do Governo foi corrigida de modo a prevalecer a lógica de coligação

 

... que não se conte com a Esquerda para continuar a austeridade... mas não diz onde se vai financiar para voltar a gastar ao seu estilo perdulário

 

...que as conquistas de Abril são irrevogáveis... mas afinal não são porque já não há quem as pague

 

Fevereiro de 2014

 

 Henrique Salles da Fonseca



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:32
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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014
NÚCLEOS CEREBRAIS

 

 

O núcleo do tracto solitário e o núcleo parabraquial recebem sinais que descrevem o meio interno de todo o corpo. Nada lhes escapa. Chegam-lhes sinais da espinal-medula e do núcleo trigémeo e até mesmo sinais de regiões cerebrais tal como da área prostrema, bastante próxima, desprovidas da barreira protectora entre o sangue e o cérebro e cujos neurónios reagem directamente a moléculas que se deslocam na corrente sanguínea. Os sinais formam um panorama global do meio interno e das vísceras, tratando-se essa imagem da componente principal dos nossos estados de sentimentos. Estes núcleos estão ligados abundantemente uns aos outros tal como estão interligados abundantemente à substância cinzenta periaquedutal (periaqueductal gray, PAG), situada na proximidade. A PAG é um conjunto complexo de núcleos, com múltiplas subunidades, e é aí que tem origem uma vasta gama de reacções emocionais relacionadas com a defesa e com a agressão e ainda com a dor. O riso e o choro, as expressões de aversão ou de receio bem como as reacções ao frio extremo ou a fuga em situações de medo, tudo isso é desenvolvido a partir da PAG. O emaranhado de ligações entre estes núcleos adequa-se bem à produção de representações complexas. O diagrama básico destas regiões qualifica-as para um papel de criação de imagens e os sentimentos constituem o tipo de imagens criadas por estes núcleos. Além disso, como estes sentimentos representam passos fundamentais na construção da mente e são também essenciais para a manutenção da vida, faz sentido, a nível da «engenharia evolutiva», que a maquinaria de apoio se baseie em estruturas alojadas, literalmente, ao lado das que regulam a vida.

 

 

In António Damásio, “O LIVRO DA CONSCIÊNCIA”, ed. Círculo de Leitores (1ª edição, Novembro de 2010), pág. 107



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 22:39
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A ORDEM DOS FACTORES

 

 

Lendo o Breviário, um dominicano e um franciscano encontram-se no intervalo de um evento religioso.

 

Enquanto rezava, o franciscano puxou dum cigarro e pôs-se a fumar.

 

Escandalizado, o dominicano perguntou-lhe se o Superior franciscano autorizava que ele fumasse enquanto rezava.

 

- Ah! É que eu perguntei-lhe se posso rezar enquanto fumo e ele disse que sim.

 

Afinal, a ordem dos factores não é arbitrária.

 

 Henrique Salles da Fonseca



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 15:38
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OUTRA VEZ CRUCIFICADOS

 

 

Recebi há poucos dias uma notícia, no mínimo inusitada e ao mesmo tempo aterradora, que a cidade de Barcelona estaria em negociações com um dos (inúmeros) e arquimilionários príncipes das arábias – de algures daquelas bandas, Qatar, Dubai, or else – para vender a Plaza de Toros Monumental, para aí ser erguida a maior mesquita da Europa!

 

Com capacidade para 40.000 dentro e 80.000 fora, seria, na realidade um tremendo monumento.

 

Só que... recordo que há uns bons anos, estava eu de passagem por Madrid, e uns dias antes, outros príncipes das mesmas bandas se tinham pronunciado pela reconquista, mais dia, menos dia, do sul, no mínimo do sul da Espanha, porque lá estaria a sua mais maravilhosa obra de arquitectura, o famoso e maravilhoso palácio da Alhambra – "Qal'at al-hamra" (Fortaleza Vermelha) – a maioria do qual construído durante os séculos XII e XIV.

 

Lembro que isto provocou uma imensa onda de indignação nos espanhóis, sobretudo nos andaluzes, que naquela época se propunham até a constituir uma legião para ir bater nos atrevidos árabes na outra banda do Mediterrâneo.

 

O tempo passou, os ânimos acalmaram, mas... como o Qatar já é quase o dono do Futebol Clube de Barcelona, daí a dar mais uns barris de petróleo e comprar a Plaza, a distância parece curta.

 

Depois, com a sua forte, fortíssima base islâmica em Barcelona, poderão ir descendo a costa, atropelando Valência, agora sem Cid, Murcia, e já na posse de Granada, porque não? Córdova e Sevilha?

 

Os órgãos de informação, raros se preocupam com as notícias do mundo islâmico, a não ser o preço do petróleo, as miríficas construções em Abu Dhabi, e as pseudo primaveras árabes que se têm transformado em autênticos infernos.

 

Mas, porque o Islão se espalhou tão depressa por uma imensidão do mundo, todo o Magrebe e Egipto, a Hispânia, todo o Médio Oriente e povos circundantes, os povos do Hindus, Indonésia, Bactria, os Balcãs, chegando às portas de Viena e ainda bem mais longe?

 

Depois que Maomé venceu a batalha de Badr, deixou de ser um simples comerciante para ser o grande líder da região, e como é mais seguro estar ao lado dos vencedores, dos mais fortes, a sua autoridade não foi contestada e cada vez se fortaleceu mais. Depois que escreveu o Corão e transformou as suas ideias de conquista em religião, que favorecia sobretudo os homens, não foi difícil reunir exércitos que se foram espalhando pelo mundo.

 

E, em todo o lado onde chegavam, mais fortes e poderosos, não lhes era difícil impôr as suas leis.

 

Até que um dia Napoleão chegou e subjugou o Egipto, coração do mundo islâmico e a partir daí outros europeus começaram a colonizar regiões de grande parte desse mundo: os países árabes, a Índia, sobretudo na região do Paquistão.

 

Chegavam as novas ideias da Revolução Francesa, o modernismo, a ciência e os muçulmanos verificaram que a sua supremacia, que durara mais de mil anos, estava em derrocada perante o Ocidente. No princípio do século XIX raras eram as mulheres no Egipto que usavam a hijad. Depois Kemal Attaturk modernizou a Turquia, a seguir foi Gamal Abdel Nasser quem fez piada da mesma hijad e da Irmandade Muçulmana na televisão nacional do Egipto, sendo largamente aplaudido e provocando imensos risos. E a milenar perseguição, e ataque dos muçulmanos contra a Europa, sobretudo aos cristãos de todas essas regiões anteriormente conquistadas, sentiram um século de paz. Pareciam ter acabado as perseguições.

 

Mas essa paz durou pouco. Se em 1900 vinte por cento da população do Médio Oriente era cristã, hoje dificilmente chega a dois por cento!

 

A jihad que, até então, tinha sido usada sem a violência que hoje é aberrante e evidente, voltou com leis complementares, mostrando cada vez maior intolerância. Não há muito o Grande Mufti da Arábia Saudita declarou que era necessário destruir todas as igrejas da Península Arábica. Nos países árabes onde algumas que quase por milagre não foram destruídas, estão proibidas de receber obras de conservação, e muito menos de serem reerguidas, e em hipótese alguma se permite a construção de novas.

 

Há várias explicações para este crescendo anti ocidente, anti cristão muito mais do que anti judaico, sendo uma delas o medo dos tais príncipes das arábias e dos aiatolás de perderem o poder para o povo, e assim alimentarem os ulemas e muftis que continuam a espalhar o islamismo e a jihad, como meio de luta, permanente e armada contra os infiéis, infiéis sendo todos os não muçulmanos.

 

Outra explicação vem da decadência dos costumes na Europa a partir dos anos 60. O abandono das crenças religiosas entre os cristãos, a promiscuidade sexual, a pornografia no cinema e na televisão, o desmantelar do respeito nas famílias, tudo isso são situações intoleráveis para os seguidores de Maomé.

 

E a sua admiração pelo ocidente moderno, ruiu.

 

Só faltava, para coroar essa situação, a sempre mais do que idiota intervenção americana. Foi a cereja no bolo! Depois de ter saído vergonhosamente da Coreia e do Vietname, gananciosos e estúpidos foram destroçar o Iraque e não sabem mais como sair do Afeganistão.

 

Não eram necessários mais “insultos” aos “crentes”! E como uma guerra aberta, como a que os levou a tomarem conta da Hispânia e do que é hoje o Paquistão, seria impossível, passaram à guerrilha urbana, massacrando civis, e sobretudo matando, prendendo, assassinando cristãos, com requintes de mistura de comunismo stalinista e do complexo muçulmano de inferioridade.

 

O mundo aplaudiu o novo primeiro-ministro do Irão, Hassan Rohani, convencido que uma nova era de entendimento havia chegado, mas para os cristãos daquele país nada mudou: continuam as perseguições, prisões, condenações à morte, fechamento de igrejas, etc.. Como no Egipto, Mali, Repúbliuca Centro-Africana, Nigéria, etc.

 

Novamente crucificados!

 

E o mundo ocidental assiste, pacífico, vendo os seus filmes de violência, ganância e sexo, ao sistemático destruir dos seus valores, que ele próprio contribui para apagar.

 

A Noruega teve uma resposta de dignidade quando os muçulmanos pediram para ali construírem uma mesquita: “Como autorizar uma mesquita no nosso país se no vosso as igrejas são proibidas?”

 

Problemas recentes de imigração na Suécia têm levantado preocupações em toda a Europa, que a situação da imigração islâmica está ganhando força e em breve poderá estar fora de controle, se algo não for feito em breve para deter tais influências.

 

Extremistas muçulmanos não fazem segredo do fato de que seu objectivo final é para ganhar controle sobre o mundo não muçulmano. Muitos analistas islâmicos têm alertado para as consequências há décadas.

 

Em Inglaterra as previsões são de que por volta de 2050 os muçulmanos serão a maioria no país. A França, perdida no meio da Europa, terra de greves, revindicações, diminuição de horas semanais de trabalho, aumento do tempo de férias, e constante perca de mercado, interno e internacional, acarinha e ajuda a financiar novas mesquitas, e agora a Catalunha pretende vender a famosa e imensa Plaza de Toros para se transformar na maior mesquita da Europa!

 

Não tarda, os “infiéis” vão voltar a ter uma sobrecarga nos seus impostos! E para fugir a isso muitos adoptarão o islamismo, e seus filhos, se o quiserem renegar ficarão sujeitos à pena de morte!

 

Bela perspectiva para a velha Europa.

 

Há muitos anos que venho dizendo que está velha, gasta e débil mental.

 

Agora agoniza.

 

Como Portugal, que ainda mantém no seu hino nacional frases absurdas como “levantai hoje de novo, o esplendor de Portugal”!

 

Talvez começando já a vender também aos príncipes árabes a Sé de Lisboa e de Évora, que, aliás, já foram mesquitas.

 

Nota: parte da informação retirada do livro “Cruxified Again” de Raymond Ibrahim, 2013

 

25/02/2014

 

 Francisco Gomes de Amorim



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:44
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Terça-feira, 25 de Fevereiro de 2014
AVALIAÇÃO BANCÁRIA NA HABITAÇÃO

Em janeiro de 2014, o valor médio de avaliação bancária da habitação no total do país fixou-se em 1.010 euros/m2, o que corresponde a uma diminuição de 0,4% face ao mês anterior e a um aumento de 0,2% em termos homólogos.

 

 

No mesmo mês, o valor médio da avaliação bancária dos Apartamentos foi de 1.042 euros/m2, registando uma diminuição de 0,7% em relação ao mês anterior e um aumento 0,5% em relação ao período homólogo. O valor médio da avaliação bancária das Moradias fixou-se em 952 euros/m2, aumentando 0,1% face ao mês precedente e diminuindo 0,8% em termos homólogos.

 

 



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:06
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