Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2012
AUSTERIDADE?

 

Por que é que os magistrados

  • Continuam a não pagar impostos sobre uma parte significativa das suas retribuições?;
  • Recebem mais de sete mil euros por ano como subsídio de habitação?;
  • Por que é que essa remuneração está isenta de tributação?

 

Por que é que os juízes e os procuradores do STJ, do STA, do Tribunal Constitucional e do Tribunal de Contas, além de todas aquelas regalias, ainda têm o privilégio de receber custas (de montante igual ao recebido pelos membros do Governo) por cada dia em que vão aos respectivos tribunais, ou seja, aos seus locais de trabalho?

 

 Marinho Pinto

Bastonário da Ordem dos Advogados



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 21:07
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Curtinhas CI

 

O cavalo do inglês – II

 

v      Voltemos ao guião de 1983-85, que ainda é instrutivo: desvalorizar; defender as reservas cambiais com controlos administrativos; sustentar a procura interna com despesa pública; monetizar a Dívida Pública, para escapar à “tirania dos mercados”; instrumentalizar os Bancos (através dos limites de crédito), para bloquear o excesso de liquidez; inflação (não tão controlada assim) para aligeirar o esforço de servir a Dívida Pública Interna (o grosso); e a benign neglect perante o deficit orçamental.

 

v      Desvalorizar está fora de causa (a menos que se saia da Zona Euro). Controlos administrativos à importação de bens (e serviços) e à exportação de capitais, também. Monetizar a Dívida Pública, nem pensar (embora seja isso o que o BCE ande a fazer, mas não para nos facilitar a vida). Inflação? Só a que importarmos, porque não há como financiar os deficits da BTC. Displicência quanto ao deficit orçamental? Frau Angela lança-nos ao Geena. Sobram os Bancos.

 

v      Mas, por aqueles já distantes dias, havia algo mais que o guião não mostrava: (i) o deficit habitacional, que abria oportunidades à construção civil, a principal criadora de empregos; (ii) o estado das infra-estruturas, que era um convite para obras públicas; (iii) os que tinham ficado para trás, numa agricultura de auto-consumo, que lá ia suprindo as carências dos que haviam recém-emigrado para as cidades.

 

v      Só a fome na Península de Setúbal dava um vislumbre do que viria a ser a crise actual: escassez de liquidez (pelo desemprego puro e duro, sem subsídios que mitigassem a provação); e populações predominantemente urbanas já sem uma retaguarda na “província” que lhes aliviasse a fome.

 

v      Quer dizer: à época, o que fazer estava mesmo diante do nariz, sem necessidade de grandes elocubrações teóricas ou de vénias ideológicas. E, é claro, a perspectiva de adesão à CEE foi um maná precioso que estimulou a procura interna.

 

v      Infelizmente, a razia que uma adesão negociada à pressa, e pior executada, provocou na agricultura e nas pescas ditou o que seriamos até hoje: inevitavelmente dependentes do exterior em energia, passámos a importar também quase tudo o que vem à mesa – sem que tivesse havido o cuidado de estimular a produção generalizada de bens transaccionáveis.

 

v      E, tal como desde os primeiros Planos de Fomento, continuámos a confiar no turismo, nas remessas dos emigrantes, num ou noutro investimento directo estrangeiro de encher o olho e na desvalorização cambial para evitar que a BTC descambasse - como se o crescimento do rendimento disponível e a pirâmide demográfica não tivessem uma dinâmica muito própria. Mas têm – e a BTC descambou.

 

v      Para reequilibrar a BTC há que reduzir o rendimento disponível (rendimento bruto menos carga fiscal) - eis a tese da troika, que é assim que vem nos livros. Certo? Nem tanto, porque o que determina a procura interna é o conceito bem pouco académico, mas profundamente prático, de “dinheiro para gastar” – ou seja: rendimento disponível (no sentido que indiquei acima) menos o serviço das dívidas mais os fundos obtidos por meio de novo endividamento.

 

v      Acontece que a procura interna representa o grosso da matéria colectável. Caindo, arrastará com ela, primeiro, a cobrança nos impostos indirectos (o que pode ser compensado em parte pelo alargamento da base tributável e/ou por taxas mais elevadas) e, seguidamente, a actividade económica - logo, menos receita também nos impostos directos (mesmo que as respectivas taxas subam). Em tal contexto, como reduzir o deficit orçamental sem contrair ainda mais a despesa pública e, consequentemente, o “dinheiro para gastar” e a procura interna? Pergunte-se à troika, que deve saber.

 

v      Manda o bom senso que, num primeiro momento, se reduza o “dinheiro para gastar” q. b. em função unicamente do equilíbrio externo. Ora, sendo o serviço das dívidas o que é (e o que o malparado se encarregará de mostrar), e sendo inconveniente cortar a fundo no rendimento disponível (por ser a variável que determina o nível da actividade económica doméstica e do emprego) - que tal refrear a propensão para contrair mais dívidas?

 

v      E é aqui que entram os Bancos. Fixar administrativamente tectos, como aconteceu em 1983-85 com os limites de crédito? Nem tanto. Basta aplicar-lhes com determinação as duas regras de ouro de Basileia II/III: (i) que façam o favor de incluir no preço do dinheiro que emprestam o risco de crédito a que se expõem (regra 1); (ii) que possuam Capitais Próprios bastantes para não caírem insolventes, caso sofram perdas superiores às esperadas (regra 2).

 

v      É que, de 1999 para cá, sob o olhar complacente do BdP: (i) os Bancos “de cá”, para lutar por quota de mercado, dedicaram-se a emprestar barato, como se não houvesse risco de crédito; (ii) o dinheiro barato estimulava a propensão para importar, sobretudo, bens (duradouros) e serviços (turismo) – além de facilitar a vida à generalidade das empresas (com destaque para as de construção civil, de obras públicas e de distribuição, afinal, os grandes empregadores, de par com a Adminiistração Pública); (iii) e os deficits enormes da BTC que de tudo isto resultavam eram financiados com o dinheiro que os Bancos “de cá” iam pedir emprestado a uma dúzia, se tanto, de Bancos no exterior.

 

v      É esta a verdadeira causa do desequilíbrio externo que importa inverter. Chegado o momento da verdade (em 2008/2009), constatou-se que os Bancos “de cá”, os tais que anunciavam aos quatro ventos a excelência da sua gestão, afinal, não possuíam, nem provisões, nem Capitais Próprios, para absorver as perdas que a crise lhes reservava (e das quais nem faziam ideia). E, com excepção do BCE, já não havia quem, lá fora, estivesse disposto a emprestar-lhes um cêntimo.

 

v      Acontece que o Programa de Ajustamento parte do pressuposto de que a causa da nossa actual desgraça é pouca exportação. Não é. É, sim, demasiada importação, da indispensável (alimentos, energia) àquela que os Bancos “de cá” se apressavam a financiar - e com a qual prosperavam. Se a “bolha de dívida” teve o efeito de uma revalorização cambial, a aplicação estrita de Basileia II/III traduzir-se-á numa verdadeira desvalorização – ainda que um ou outro Banco fique pelo caminho.

 

v      Consequentemente, o primeiro alvo do Programa de Ajustamento não deveria ser, como tem sido, o equilíbrio orçamental,  mas a Banca. E a Banca em duas vertentes: (i) recapitalização (para absorver os muitos empréstimos que a crise se encarregará de deixar incobrados); (ii) um esquema expedito para a liquidação dos Bancos que caiam insolventes arrastados por perdas várias que não souberam acautelar (o BCE, até ver, não é muito esquisito em matéria de adequação de Capitais Próprios, tratando todos os Bancos por igual, pelo que não será uma ruptura de tesouraria a ditar-lhes o fim).

 

v      A primeira medida (recapitalização) exige dinheiro? Exige, sim. E muito. Mas exige também uma boa varridela na gestão bancária/supervisão bancária “à portuguesa”. E, se tudo correr bem, será um dinheiro recuperável (vidé o que se está a passar nos EUA e, em menor medida, no UK).

 

v      A segunda medida exige, mais do que dinheiro, garantias que acautelem os depósitos (e só os depósitos; não como o que se está a passar no BPN) nos Bancos liquidados.

 

v      Paralelamente, a contracção da procura interna provocada pelo desendividamento de empresas e famílias deveria ser atenuada através de: (i) política fiscal (aliviando alguns impostos directos; agravando os impostos indirectos que atingem, sobretudo, bens e serviços importados); (ii) instrumentalização da despesa pública (o que não significaria abandonar o combate ao desperdício na administração pública); (iii) incentivos à recapitalização das empresas (e não, como hoje, em que a tributação premeia o endividamento).

 

v      Ou seja: o deficit orçamental seria o que tivesse de ser. Só que inteiramente financiado por Dívida Pública Interna. Para o dinheiro da troika, usos mais nobres: (i) refinanciamento da Dívida Pública Externa; (ii) capitalização dos Bancos (como em Espanha); (iii) capitalização das empresas.

 

v      Pelo andar da carruagem, não deve estar longe o dia em que veremos um governante, de ar compungido, dizer: “Já é azar! Agora que tínhamos, finalmente, tratado da saúde ao duplo deficit (orçamental e externo) é que a economia resolve dar o triste pio.”

  a. palhinha machado

DEZEMBRO de 2012



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:05
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012
AÍ ESTÁ ELA...

 

... A EVOLUÇÃO SURPRESA!

 

Há cerca de 3 ou 4 meses   começaram a dar-se alterações profundas, e de nível global, em 10 dos   principais factores que sustentam a sociedade actual. Num processo rápido e   radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com   resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses... E que irá mudar as nossas   sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos!
 
  ... tal como ocorreu noutros períodos da história recente: no status   político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações induzidas   pelo Vietname/ Woodstock/Maio de 68 (além e aquém Atlântico), ou na crise do   petróleo de 73.
 
 
  Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer aos "10   factores":
 
  1º - A Crise Financeira Mundial:   desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso   (leia-se "bancarrota") e só se tem aguentado porque os 4 grandes   Bancos Centrais mundiais – a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro   Britânico – têm injectado (eufemismo que quer dizer: "emprestado   virtualmente à taxa zero") montantes astronómicos e inimagináveis no   Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de   cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá acabar esta história!...
 
  2º – A Crise do Petróleo: Desde   há 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima   ideia/teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o   petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é   adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China e da Índia que o   compram e amealham!) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos   custos de energia, de transportes, de serviços. Por exemplo, quem utiliza   frequentemente o avião, assistiu há 2 semanas a uma subida no preço dos   bilhetes de... 50% (leu bem: cinquenta por cento). É escusado referir as   enormes implicações sociais deste factor: basta lembrar que por exemplo toda   a indústria de férias e turismo de massas para as classes médias (que, por   exemplo, em Portugal ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente   desaparecer em 12 meses! Acabaram as viagens de avião baratas (...e as férias   massivas!), a inflação controlada, etc...
 
  3º – A Contracção da Mobilidade: fortemente afectados pelos preços do   petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer contracção profunda e as   trocas físicas comerciais (que sempre implicam transporte) irão sofrer   fortíssima retracção, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e   na interpenetração económica mundial.
 
  4º- A Imigração: a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca   de 40 milhões de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e   formação, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos   para fazer os trabalhos não rentáveis, mas mudam radicalmente a composição   social de países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália).   Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos! A   Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder   e melhor estatuto sócio-económico (até agora, vivemos nós em ascensão e com   direitos à custa das matérias-primas e da pobreza deles)!
 
  5º – A Destruição da Classe Média:   quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o   movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar apenas a   acontecer em Portugal e à custa deste governo) está de facto a   "varrer" o Velho Continente! Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra   ou mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e (descontados   alguns matizes e diferente gradação) as pessoas estão endividadas, a perder   rendimentos, a perder força social e capacidade de intervenção.
 
  6º- A Europa Morreu: embora ainda estejam projectar o   cerimonial do enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa   moribunda já não tem projecto, já não tem razão de ser, que já não tem   liderança e que já não consegue definir quaisquer objectivos num   "caldo" de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns!... Já nenhum   Cidadão Europeu acredita na "Europa", nem dela espera coisa   importante para a sua vida ou o seu futuro! O "Requiem" pela Europa   e dos "seus valores" foi chão que deu uvas: deu-se há dias na   Irlanda!
 
  7º – A China ao assalto!   Contou-me um profissional do sector: a construção naval ao nível mundial   comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer entregas de barcos   nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros navais do Mundo têm TODA a   sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios.... da China. O   gigante asiático vai agora "atacar" o coração da Indústria europeia   e americana (até aqui foi just a joke...). Foram apresentados há dias no mais   importante Salão Automóvel mundial os novos carros chineses. Desenhados por   notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos,   os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de   Mercedes (eu já os vi!) e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000   euros! E quando falamos de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia...helás!   Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor   económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta ameaça,   a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças! (Os chineses estão   estrategicamente em todos os cantos do mundo a escoar todo o tipo de produtos   da China, que está a qualificá-los cada vez mais).
 
  8º - A Crise do Edifício Social:   As sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade baseada na   célula familiar! As pessoas já não se casam, as famílias tradicionais   desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não querem laços de   projecto comum, os jovens não querem compromissos, dificultando a criação de   um espírito de estratégias e actuação comum...
 
  9º – O Ressurgir da Rússia/Índia: para os menos atentos: a Rússia e a Índia   estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade   estonteante! Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos   ultrapassarão a Alemanha!
 
  10º – A Revolução Tecnológica:   nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a   biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a integração   tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes   superior à média dos últimos 5 anos!
 
  Eis pois, a Revolução!
 
  Tal como numa conta de multiplicar, estes dez factores estão ligados por um   sinal de "vezes" e, no fim, têm um sinal de "igual". Mas   o resultado é ainda desconhecido e... imprevisível. Uma coisa é certa: as   nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças   marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 20 anos, forçando-nos a ter   carreiras profissionais instáveis, com muito menos promoções e apoios   financeiros, a ter estilos de vida mais modestos, recreativos e ecológicos.
 
  Espera-nos o Novo! Como em todas as Revoluções!
 
  Um conselho final: é importante estar aberto e dentro do Novo, visionando e   desfrutando das suas potencialidades! Da Revolução! Ir em frente! Sem medo!
 
  Afinal, depois de cada Revolução, o Mundo sempre mudou para melhor!...

 

Autor não identificado

 

Recebido por e-mail



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 23:59
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QUANDO AS AMIGAS CONVERSAM...

 

NADA PARA DIZER

 

Isto disse a minha amiga, a escusar-se ao comentário que lhe pedi sobre o discurso do P. M. que me chocara a mim pelo que me parecia de enfianço de barrete que nos estava uma vez mais a impingir, na seriedade de uma atitude de tristeza e simpatia, mas simultaneamente de atrevimento na esperança que impinge, na promessa de mudança e de seguimento no bom caminho, quando o que se prepara são mais cortes, mais impostos, mais despedimentos, mais miséria e sofrimento.

 

- Não, mas eu não tenho nada para dizer - disse. Ele, com ar muito triste, a dizer que vai ser tudo melhor. Depois veio o do PS a dizer o número dos desempregados, e os outros a falar em discurso irrealista, os economistas a negar o direito ao optimismo… Um país que não está a criar riqueza como pode começar a recuperar?

 

- Mas há indícios de que vamos ter petróleo em Alcobaça – largo eu, que só quero ser conquistada pela fé, acabrunhada que me sinto com as histórias sórdidas do nosso estar no mundo de conivência com o nosso ser genérico.

 

- Sim, e ouro na terra do Alentejo, concluiu rápida a minha amiga que não se fica atrás em ambições de crença concomitantes com o mesmo estado de acabrunhamento. Mas um país onde tudo fecha, hotéis como empresas, pequenas e grandes, é um país que vai fechar.

 

Falámos no escândalo do BPN, nos montantes astronómicos das dívidas que vieram a público, quase todos do PSD, dissera o meu marido, e a minha amiga contou pormenores:

 

- Os nomes e as quantias, é bárbaro. Não é o Zé Povo que tem que pagar as quantias dos ladrões? Isto agora é que vai ser falado! Houve a pausa do Natal para descanso. O Governo fez esta coisa incrível de tomar conta do Banco. Aquele trabalho da Sic está bem feito e aprofundado. Com certeza ninguém se vai calar. Mas é claro que o dinheiro não está cá. Olha aqueles fulanos a saberem tudo como é que se faz, a deixarem-no cá ficar!...

 

Mais ia por diante o monstro horrendo dizendo nossos fados” quando eu, sentada, interrompi a minha amiga, mostrando-lhe o DN de 24 de Dezembro, que tirei da mala em ar de triunfo, pois competimos na questão das notícias sensacionalistas, embora eu nisso me mostre muito mais reservada, que não sou de mexericos, o que não significa que a minha amiga seja, longe disso, o que ela é, é mais desconfiada. A informação era sobre um tal de burlão, Artur Baptista da Silva, bem-falante e contador de histórias pessoais de sucesso, que já lhe ouvíramos e que o DN desmascara acompanhando a notícia com a respectiva fotografia. Não, os nossos sucessos comportamentais não têm fim, vejamos a síntese do DN:

 

«Impostor: O falso colaborador das Nações Unidas, que andou a divulgar um relatório sobre Portugal, dando entrevistas e conferências, tem uma série de processos por burla e apresenta-se como professor de uma inexistente universidade americana.»

 

Acusa para mais o povo português de o ter feito passar o Natal deste ano “no pelourinho da praça pública”, como “vítima de um julgamento sumário” que lhe aplicou uma imediata “pena de linchamento de carácter”, coitado!, que tão bem se exprime.

 

Ambas soltámos um simultâneo “E esta hein?!” em homenagem a Fernando Pessa, que tanto se admirou na vida, e que provavelmente não teria hoje palavras - nem sequer essas – interdito que ficaria, como ficou a minha amiga quando afirmou não as ter.

 

Eu por mim expressei com redundância que devíamos antes sentir um certo orgulho na nossa indústria embusteira, tão fértil e variada em exemplares dignos de linchamento e até requeri para ela o ressarcimento da nossa dívida externa, pela admiração que deveria merecer aos nossos credores o “engenho e arte” de tais “obras valorosas” libertadoras “da lei da morte” aos novos heróis, tal como fizeram aos velhos, “barões assinalados”.

 

 Berta Brás



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 17:08
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A PRIVATIZAÇÃO DA TAP

 

 

Tanto as mal denominadas nacionalizações de 75 como as privatizações actuais têm levantado inúmeras questões que sempre vão ficando por esclarecer.

 

As primeiras foram de facto estatizações pois as empresas em causa nacionais já o eram e não me parece terem sido nacionalizadas empresas estrangeiras.

 

Mas agora cada vez que se fala em privatizações logo surge a questão da perda do poder por parte do País quando o capital privado é estrangeiro.

 

Curiosamente quase ninguém se importou quando as maiores empresas de navegação, de metalo-mecânica e outras desapareceram por pura inépcia e imediatismo dos governantes e das entidades corporativas de Portugal. E isto foi uma das causas da situação de quebra financeira e de insegurança económica em que estamos.

 

No caso da TAP parece ser indispensável aumentar o seu capital o que sendo ela estatizada e não tendo o Estado a necessária capacidade financeira terá por isso que ser privatizada. E como não há, pelos vistos, nenhuma empresa portuguesa capacitada para tal, foi procurar-se no estrangeiro a solução, com a imediata perturbação pelo perigo representado pela possibilidade do novo accionista não gerir a empresa da melhor forma para os interesses nacionais.

 

Mas se há muitos interessados na manutenção do capital em mãos portuguesas desde os seus colaboradores até a muitos clientes habituais, passando por empresas ligadas ao turismo, etc., por que razão não se faz a privatização com aumento de capital para pequenos investidores residentes em Portugal?

 

Se somando todos os partidários de ter uma TAP portuguesa houver um milhão de interessados, bastava, em média, cada um comprar 400 euros de acções para obtermos o aumento de capital necessário e tudo ficaria resolvido sem mais complicações.

 

É claro que seria também muito conveniente e oportuno estabelecer o sistema de acções nominativas pois o capital anónimo está demonstrado ser uma porta aberta para a ausência de responsabilidade que tem sido uma das bases das grandes perturbações financeiras e sociais das últimas décadas.

 

E uma vez isto definido, o passo seguinte será o da adopção do critério anti-colonialista que obrigue os accionistas das empresas classificadas como de interesse nacional ou regional serem residentes respectivamente no País ou na região. Aquilo a que em tempos defini como residencialismo, será o antídoto para os inconvenientes resultantes para as pequenas economias nacionais e regionais do neo-colonialismo económico que tantos prejuízos tem provocado por esse país fora.

 

Portanto espero que os nossos deputados e as nossas forças corporativas que não estão de acordo com a privatização da TAP em curso se unam para apoiar uma solução deste tipo.

 

Lisboa, 21 de Dezembro de 2012

 

 José Carlos Gonçalves Viana

 

Publicado no DN em 26 de Dezembro de 2012



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:37
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O CINEMA COMO INSTRUMENTO DE DIVULGAÇÃO AGRÍCOLA

Alguns casos antigos

Se a palavra escrita, através dos livros ou das revistas de divulgação agrícola, é uma das bases principais da transposição para o agricultor dos conhecimentos criados pela investigação, o cinema é um complemento indispensável desse trabalho.

 

As imagens estáticas são transmitidas pelo homem desde há milénios. As gravuras de Foz Côa já eram uma forma de comunicação. Quando, há cem anos, foi inventado o cinema, o homem passou a poder transmitir aos outros imagens dinâmicas.

 

A imagem em movimento é uma excelente forma de demonstrar práticas agrícolas que só poderiam ser vistas, no campo ou no laboratório, por números restritos de pessoas. Além disso, o cinema vai mais longe nas suas possibilidades, pois permite repetir qualquer cena quantas vezes se desejar e apresentar em poucos minutos uma série de acções que, na realidade, estariam separadas no tempo e exigindo mais do que uma visita como, por exemplo, trabalhos realizados desde a sementeira à colheita. Permite, ainda, ver com aceleração ou ao retardador fenómenos que, à sua velocidade normal, seriam de difícil observação, por serem demasiado lentos ou demasiado rápidos, como a eclosão duma lagarta ou o lançamento espontâneo de sementes ou esporos. Finalmente, permite-nos ainda ver, com utilização da lupa ou do microscópio, fenómenos impossíveis de observar a olho nu.

 

Cedo isso foi aproveitado em Portugal para a divulgação agrícola. O Ministério da Agricultura foi o segundo (o primeiro foi o Ministério do Exército), em Portugal, a criar os seus Serviços Cinematográficos. Marcaram época os filmes realizados pelo primeiro encarregado desses serviços, o senhor Adolfo Coelho, que se notabilizou como realizador.

 

O Ministério da Agricultura produziu, a partir de então, uma quantidade muito grande de filmes agrícolas variados, de grande valor didático, muitos deles com assinalável qualidade artística. Esses filmes eram utilizados pela extensão como uma das suas ferramentas de trabalho e o único defeito que posso apontar - porque a extensão sempre foi fraquíssima, embora não tanto como actualmente, e estando sempre muito abaixo do que era necessário - é que os filmes não eram utilizados com a frequência que a sua utilidade justificaria.

 

Após a morte de Adolfo Coelho, dirigiu esses Serviços o Eng.º Agrónomo António Félix da Cruz, responsável pela realização de alguns filmes. Hoje esse sector é o Centro de Formação e Produção de Audiovisuais, dirigido pela Engª Isabel Almeida Martins, que produz diariamente, na televisão, o "Boletim Agrário".

 

***

 

Tínhamos pensado, se houvesse folga no programa, projectar alguns desses filmes. Contudo, por o programa estar totalmente preenchido, essa ideia teve de ser posta de parte. Está previsto fazer, talvez neste auditório, algumas sessões de cinema.

 

Em 1991 a Ordem dos Engenheiros - onde eu exercia então o cargo de Coordenador da Comissão de Especialidade de Engenharia Agronómica - promoveu, em colaboração com o Ministério da Agricultura e a Cinemateca Portuguesa, uma “Mostra Retrospectiva do Filme Agrícola Português”, com sessões durante três tardes seguidas.

 

Nessa mostra se apresentaram alguns dos melhores filmes existentes, entre os quais um que ficou famoso, “Flores - mundo de beleza”, dirigido pelo notável investigador que foi o Prof. Eng.º Agrónomo e Silvicultor Joaquim Vieira Natividade e pelo Eng.º Agrónomo António Félix da Cruz.

 

Os filmes apresentados nessa “Mostra” foram os seguintes:

 

No primeiro dia (3 de Julho de 1991), “Os toiros na faina agrícola ribatejana” (1939), “A vida do linho” (1942), “Aprenda a comer” (1945) e “O combate à praga dos gafanhotos” (1946), todos de Adolfo Coelho.

 

No segundo dia (4 de Julho de 1991), “Flores - Mundo de beleza” (1957), de Joaquim Vieira Natividade e António Félix da Cruz, “A floresta portuguesa” (1967), “Milho híbrido” (1971) e “Laranjas de Portugal” (1971), todos de António Félix da Cruz.

 

No terceiro dia (5 de Julho de 1991), “O sobreiro” (1959), de João Mendes, “Cooperativas agrícolas” (1970), “Horticultura moderna” (1972/73) e “Reconversão da vinha no Noroeste Português” (1972/73), todos de Alice Gamito.

 

Gostaria de ter apresentado um dos melhores, ainda de Adolfo Coelho, sobre a lagarta do sobreiro, a Lymantria dispar, mas tal não foi possível.

 

Quando quis fazer a “Mostra Retrospectiva do Filme Agrícola Português” era ainda Luís de Pina o Director da Cinemateca e bem se lembrava desse filme sobre a lagarta do sobreiro. Mas não existia na Cinemateca uma única cópia do filme e, quando indaguei no Ministério, contaram-me que tinha havido em tempos um incêndio e também já lá não havia qualquer cópia desse filme, pelo que não pôde ser apresentado.

 

Luís de Pina entretanto faleceu e à data da realização da “Mostra” já era Director da Cinemateca o antigo Subdirector, o Dr. João Bénard da Costa.

 

 

 

Para se fazer ideia do que era a categoria do filme sobre a Lymantria dispar, contarei algo que com ele se passou.

 

Quando, nos finais da década de 1940, Portugal aderiu ao Plano Marshal, vieram ao nosso País alguns altos funcionários americanos ver o que é que havia e o que é que faltava, para ajudarem a agricultura portuguesa. Viram, além de publicações de divulgação, que elogiaram - que nessa altura eram produzidas em maior quantidade e qualidade do que hoje - e viram os nossos filmes. Eram tão bons que do da Lymantria dispar pediram uma cópia. Tinham dois ou três filmes sobre essa matéria, na Califórnia, mas o nosso era muito superior.

 

Não temos em Portugal uma única cópia desse tão valioso filme, o que mostra a fenomenal inépcia dos portugueses perante a sua cultura.

 

Todos os técnicos agrícolas e os agricultores teriam vantagem em ver muitos destes filmes antigos. Se as técnicas evoluíram e, sob esse ponto de vista, são hoje obsoletos, muito do que mostram da biologia das plantas e dos animais, dos aspectos históricos e etnográficos da agricultura portuguesa e, até, da arte cinematográfica, são justificação suficiente.

 

Esta ferramenta maravilhosa, que exige quase sempre a colaboração entre pessoas da investigação e pessoas da extensão, é algo que nós devemos ter sempre em mente e utilizar com muito mais intensidade, para transformar a agricultura portuguesa numa actividade económica altamente produtiva.

 

 

Miguel Mota

 Presidente da Sociedade Portuguesa de Extensão Agrária

 Estação Agronómica Nacional e Universidade de Évora

 

Comunicação apresentada ao “II Simpósio Nacional sobre a Articulação entre a Investigação e a Extensão na Agricultura”, em Évora, em 23 de Janeiro de 1998

 



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:20
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Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2012
QUANDO AS AMIGAS CONVERSAM...

 

OS OBREIROS DO FUTURO

 

Eu acabava de contar à minha amiga a seguinte conversa com a minha mãe, pelas quatro ou cinco da madrugada, depois de bastas vezes ter sido por ela acordada, nessa noite para esquecer, nos seus pânicos e inseguranças sobre a hora da partida, com as minhas prontas e quantas vezes iradas mostras de cansaço e sono:

 

- Tu assim não duras muitos anos. A esse ritmo. Vai dormir!

- Só se tu me deixares. Não me acordes.

- Só se for por uma coisa boa.

 

A minha amiga riu e admirou a pronta resposta da minha mãe, o que eu não deixei de corroborar, apesar de notar a serena perfidiazinha do discurso materno penalizado, distanciando-se da sua inteira responsabilidade no meu fim à vista.

 

Chegou a minha filha Paula que trouxe a notícia do grave escândalo, que a minha amiga também escutara na TVI na reportagem de Ana Leal.

 

Ao que parece, o grupo de colégios privados GPS, ligados ao poder político, recebera dos cofres estatais 81 milhões de euros nos últimos dois anos e meio. E enquanto as escolas públicas tinham um número diminuto de turmas, que por isso eram superlotadas, dadas as aulas nas condições mais ineficazes, o Orçamento do Estado preparando-se para cortar na Educação, na Saúde, etc., favorecera inexplicavelmente os tais colégios GPS – 26, surgidos de governos anteriores – com verbas desconformes, que a corajosa reportagem de Ana Leal denunciara, entrevistando responsáveis, daqueles que se foram enchendo nos escândalos sucessivos de governações endividantes, num país impunemente a saque.

 

A minha filha insurgia-se, acompanhada na ladainha da indignação pela minha amiga, uma vez mais nos debruçámos sobre os cortes nos vencimentos e subsídios favorecedores das trafulhices com raízes fundas nos diversos governos de uma democracia criada exprès para esses e seus acólitos.

 

Realmente, não temos escapatória, os escândalos brotam continuamente, como tortulhos em dias de invernia, e não há segadora que ceife o mal pela raiz, que as raízes se vão espetando mais e mais profundamente nos terrenos, numa época em que a inocência parece extinguir-se, sem retorno.

 

A inocência que transparece nos últimos versos de que tomei nota já há uns tempos, nas diversões solitárias da minha mãe:

 

Meu filho, respeita os ninhos!

Pensa na pena que tem

A pobrezita da mãe,

Quando se vê sem filhinhos.

 

“Respeita os ninhos”: fórmula educativa ligada a sentimentalismos ultrapassados. Há muito já que acordámos para “uma coisa boa”, não a subentendida no sagaz dito da minha mãe, envolvendo qualquer nova feliz, mas a onomatopeia “Tlim! Papo!” dos versos de João de Deus, responsável pela marcha do nosso progresso em desordem.

 

 Berta Brás



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:22
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CRISE EM TERRA, OPORTUNIDADES NO MAR

 Bugio - aqui nos fazemos ao mar

 

 

XVII COLÓQUIO DOS OLIVAIS

Novembro de 2011

 

1ª Questão: Que crise é esta?

 

É geral? É só nossa? E é o que se passa agora ou o que se passou de errado e agora é hora de pagar? É a primeira crise que temos ou já tivemos outras durante a nossa longa história? O que é de facto uma crise?

 

Já no tempo de Eça de Queirós também Portugal estava em crise com contornos idênticos aos de hoje conforme se pode apreciar em vários textos sobejamente conhecidos e que por isso me abstenho de transcrever.

 

Mas, antes de entrar no tema proposto, há uma explicação a dar quanto ao título pois não se julgue que só há oportunidades no mar, pois também as há e muitas na terra, i.e., na agricultura como a actual Ministra apontou ainda há uns dias, ou na exploração mineira, na retoma de indústrias metalomecânicas que já tivemos, na informática, no turismo, etc., desde que saibamos reformar algumas estruturas como a Justiça, os transportes, a forma de decidir os investimentos, e se conseguirmos motivar correctamente os gestores e os trabalhadores portugueses de forma a não precisarmos de importar mão-de-obra em vez de se assistir às inúmeras recusas de ofertas de trabalho por preferirem o subsídio de desemprego, etc.

 

Por muito grave que seja a nossa situação actual, há, como veremos, ainda mais oportunidades para conseguirmos dar a volta por cima desta crise, na condição de corrigirmos os erros que a provocaram.

 

Nunca esqueçamos os erros cometidos até os corrigirmos, pois se os não reconhecermos nunca melhoraremos. Já um filósofo disse: uma consciência tranquila é quase sempre o resultado de uma memória fraca.

 

Se falo em particular no Mar é porque tem sido demasiadamente esquecido nestas últimas duas décadas e meia, de tal forma que ainda há dias vi num jornal a notícia da possível criação de uma marca Portugal e nas bases invocadas não havia qualquer referência ás actividades marítimas que constituíram a mais brilhante contribuição de Portugal para a evolução da civilização mundial.

 

Vamos então à crise.

 

Para começar vamos desmistificar, não desmistificar, a palavra crise que parece assustar muita gente, e a propósito, notamos haver pessoas e entidades, com grandes responsabilidades, que neste momento andam muito críticos em relação aos programas de correcção do rumo suicida que vínhamos a praticar há cerca de duas décadas, mas que, pelo menos há uma década, tinham obrigação de se manifestarem tanto ou mais como agora fazem, quando os vários governos foram cometendo erros, e não só, que conduziram o País á situação actual. E não o fizeram.

 

O significado da palavra crise, que se pode aplicar a toda e qualquer evolução seja ela de pessoas, ou de condições de vida de instituições ou outras, tendo como propriedade comum a circunstância de se passar de uma situação melhor para outra pior, ou até muito pior como acontece nos casos de doenças graves.

 

Ora considerando esta definição, haverá certamente muito pouca gente que na sua vida não tenha tido uma ou mais crises e da mesma forma não há país algum que se possa gabar de nunca ter tido crises e se em alguns casos houve desfechos fatais, como aliás cada pessoa terá sempre uma garantida, na maioria não só se resolveram como por vezes até foram motivadoras de progressos e melhorias civilizacionais. Exemplo da construção naval: quando houve uma crise por falta de árvores próprias para a construção de navios cada vez maiores, desenvolveu-se a utilização do aço. É claro que os países que não tinham aço ficaram sem construção naval competitiva.

 

O primeiro passo a dar na análise de uma crise é ter a percepção, tão rigorosa quanto possível, das suas causas, pois estas podem ser exteriores às pessoas, isto é, os comportamentos delas em nada influenciaram o desenvolvimento da crise em questão, como é o caso de um terramoto ou da queda de um meteorito ou outro fenómeno natural, ou ao contrário, serem as suas causas os comportamentos dos povos e principalmente daqueles que mais responsabilidades têm na condução dessa sociedade, isto é, na sua cultura, entendendo-se esta como o conjunto de atitudes e de actividades que orientam a vida dos cidadãos envolvidos.

 

Não se podendo escamotear o facto de que vivendo em regime democrático a população não poder argumentar que os causadores de uma crise são apenas uma meia dúzia de pessoas principalmente quando se verifica haver nas eleições elevadas percentagens de abstenções e ausências de tomada de posição, e estas pelo menos idênticas às que tomam na altura em que rebenta.

 

O que acontece com as crises é parecido com o que acontece com as ondas do mar: vão se formando pela acção do vento e conforme se aproximam da costa encastelam e já perto da praia, rebentam e por vezes destroem o que estiver à sua frente.

 

Esta crise está nesta segunda categoria: foi provocada pelos comportamentos errados dos nossos dirigentes, praticamente desde a nossa entrada na CE, e a onda da ineficiência e da falta de competitividade da sociedade portuguesa, personificada na dívida externa, foi crescendo sempre até que …ficou em estado de rebentar; ou seja em termos reais de cairmos em bancarrota, que, como entretanto deixámos de ser minimamente auto-suficientes em alimentação e já o éramos em energia, significaria uma palavra terrível para definir a nossa vida neste caso: miséria generalizada.

 

Mas as coisas não assim tão simples: na verdade a crise tem duas componentes das quais a mais importante é a interna que além de ser da nossa inteira responsabilidade é estrutural, é cultural e portanto de mais difícil correcção.

 

A segunda componente é conjuntural pois está influenciada pelo comportamento do conjunto de países em que estamos integrados e da própria evolução de toda a humanidade graças à globalização de que fomos os iniciadores e na qual a nossa capacidade de influência é praticamente nula, só nos restando sabermos gerir o nosso país de forma eficiente para nos defendermos das dificuldades, e tirarmos proveitos das oportunidades que estão sempre a surgir mas que exigem ter populações bem preparadas e motivadas, o que não tem sido devidamente conseguido, nesta últimas décadas.

 

Acontece que esta cultura distorcida e insensata de desprezo pelo trabalho manual em benefício pela utopia dos serviços, sem alguma vez serem explicitados que serviços seriam esses que nos dariam a indispensável sustentabilidade, não foi exclusiva de Portugal, mas também de outros países como a Grécia, a Espanha, a Itália, os E. Unidos, e outros, agravada pelo convencimento generalizado das populações que seria possível prolongar indefinidamente viver gastando mais e tendo mais regalias, os chamados direitos adquiridos, sem garantia alguma de sustentabilidade, mas apenas vivendo do crédito.

 

Crédito este concedido com a maior leviandade e ganância imediatista por entidades privadas e estatais que assim, durante algum tempo acumularam largos proventos em juros.

 

Por outro lado não podemos esquecer a enorme mudança demográfica global donde resulta a população mundial estar já nos 7 biliões e a esperança de vida ter-se aproximado dos 80 anos o que significa aumentar a proporção de idosos em relação aos jovens, de tal modo que não só a idade da reforma terá que aumentar mais, como toda a estrutura laboral terá que se alterar pois o paradigma utilizado há 50 anos não é mais válido.

 

Da mesma forma o paradigma da economia ainda adoptado e muito influenciado pela filosofia dos finais do século XIX do crescimento sistemático em quantidade está esgotado e terá que ser substituído pelo paradigma da sustentabilidade maximizada sem o qual se adensa a perspectiva da autodestruição.

 

Infelizmente algumas forças políticas e algumas organizações sindicais não interiorizaram ainda estas realidades e lutam por vezes veementemente contra todas as mudanças indispensáveis em nome de direitos adquiridos, que era, há um século a realidade, mas era, não é agora mais que uma memória histórica de uma luta que foi fundamental para a justiça social e para o progresso da civilização.

 

Aliás esta situação é idêntica à dos seguidores actuais do neoliberalismo que julgam resolver todos estes problemas sócio-económicos com desregulações, cujos resultados catastróficos estão bem à vista, e com predominância da iniciativa privada e até privatizações muito discutíveis, e mantendo a irresponsabilidade do sistema financeiro baseado no anonimato do capital , e sem apresentarem soluções concretas para eliminar esta irresponsabilidade, o desemprego e a alienação crescente dos jovens e a própria insegurança do país já em tempos por nós, portugueses, experimentada.

 

Nesta fase da evolução dos povos o fundamental para a humanidade é conseguir sobreviver e isso só é possível na base da sustentabilidade, ou seja da aplicação rigorosa de princípios morais e de gestão eficiente.

 

Tudo isto que foi apresentado aplica-se certamente a outros países mas devemos concentrar as nossas diligências no nosso país onde vivemos e onde devemos ter influência.

 

É claro que não podemos deixar de avaliar a “ajuda” que estamos a ter e os seus custos, na verdade os nossos custos, e de ganharmos consciência da forma mais eficiente de nos defendermos, que não é certamente caindo na bancarrota que teremos sucesso. Como o desenvolvimento deste tema ultrapassa os limites desta apresentação fico-me por aqui.

 

Portanto vamos agora a factos concretos, pois só conversa pode ser excelente para passar um bocado no café, mas resolver os problemas essenciais para sobreviver e viver melhor, só com propostas concretas e sustentáveis se obtêm resultados positivos.

 

2ª Questão: O que é o mar?

 

E já agora, o que é a marinha? Porque sem marinha, o mar é pouco mais que um espectáculo mais ou menos saudosista e tantas vezes inspirador de obras de arte, um obstáculo e um local para banhos, em especial no verão.

 

Que me desculpem aqueles que já ouviram algumas comunicações minhas, onde eu venho insistindo nestas definições, mas tendo iniciado esta campanha em prol da marinha e do aproveitamento do mar para o país criar riqueza, já lá vão mais de trinta anos, com muito pouco sucesso, compreenderão facilmente porque insisto tanto. Até poder continuar a fazê-lo ou até o País ter sucesso.

 

O mar que interessa aqui analisar é o suporte para todas as actividades que se processam utilizando embarcações, e além disto é também a parte do planeta Terra onde existem inúmeras riquezas quer nas suas águas quer nos seus fundos.

 

A Marinha é constituída pela Armada, pelas Marinhas de Comércio ou Mercante, de Pesca e de Recreio e tendo como acessórias todas as actividades a montante e a jusante ligadas à sua actividade essencial – navegar – e que sempre existiu integrada na Marinha até Julho de 1974 e agora é denominada como o “cluster”do mar, à moda de Michael Porter.

 

A lista das actividades marítimas passíveis de constituírem meios de aumentar a riqueza nacional é muito longa e neste momento interessa sobretudo aproveitar as de mais rápido retorno enquanto se preparam as bases para, a seguir, aproveitar as outras, se entretanto nos prepararmos, o que só será possível se a nossa população estiver integrada nas actividades marítimas e não, como está agora de costas para o mar, porque, mesmo que queira, não tem acesso ao seu usufruto.

 

Com efeito ter uma Marinha Mercante pelo menos como tínhamos antes de 1974 exige alterações na nossa sociedade que levam alguns anos a conseguir desenvolver, mas em contra partida temos outras, como a Marinha de recreio e as Pescas que têm possibilidades de se desenvolverem de imediato.

 

Se houver da parte do Governo Central e dos Autarcas dos municípios com esses potenciais o entendimento desta realidade e das decisões que é indispensável tomar rapidamente.

 

Com o agravante de que se assim não for feito, não só perderemos os ganhos destas actividades, em dinheiro e em postos de trabalho, mas também estaremos a por em risco sério a nossa capacidade de virmos a aproveitar as riquezas existentes na vasta área do oceano sob nossa jurisdição por ausência de entidades nacionais capazes de o fazer. Tal como aconteceu com os territórios de África do mapa cor-de-rosa de triste memória.

 

Devo dizer-vos que em 1984 tive ocasião de apresentar na Academia de Marinha uma comunicação intitulada “O mar nas origens e no futuro de Portugal” onde tudo isto está descrito mas que pouca gente ouviu ou leu, e tirando o excelente trabalho realizado pela Missão encarregada dos assuntos relacionados com a zona do oceano Atlântico a ficar sob a responsabilidade portuguesa, poucos e fracos passos têm sido dados no sentido positivo.

 

3º Concretizando:

 

Vou apresentar-vos, como exemplos concretos, uma lista de empreendimentos possíveis de realizar, com fortes ligações ao turismo de máximo valor acrescentado, quase todos para investidores privados e os que não o são no início por razões operacionais, deverão posteriormente ser privatizados ou em certos casos especiais ficarem parcialmente municipalizados.

 

Tendo em atenção, que do ponto de vista ambiental, todos os exemplos indicados se pressupõe terem qualidade ambiental do mais elevado nível, o que aliás também é essencial para o seu sucesso económico pois, como têm ligação ao turismo só interessam empreendimentos de 5 ou 6 estrelas.

 

Bem basta o que se passa com a Ria Formosa que continua a ser gerida deficientemente, portanto com baixo nível de qualidade ambiental e consequente baixo nível económico e social.

 

1 - Fecho da Golada na zona do Bugio, com aproveitamento de cerca de 120 ha sobre o cachopo sul, aproveitando para proteger definitivamente a Caparica e a margem direita do Tejo até Paço de Arcos e para melhorar o acesso do canal da barra

 

2 - A construção de uma ilha no cachopo norte, na barra do Tejo, para um empreendimento de 5 ou 6 estrelas, aproveitado para melhorar o canal da barra e proteger a praia de Carcavelos

 

3 - Desenvolvimento do Barreiro como o maior centro náutico do país

 

4 - Dinamização do estuário do Tejo, em particular o Mar da Palha, para a pesca profissional e desportiva ligada ao turismo

 

5 - Marina de Castro Marim com cerca de 2000 postos de amarração, em que parte será para utilização dos munícipes e outra para “resort” de nível 5-6 estrelas

 

6 - Marina em Vila Real de Santo António, na foz do Guadiana, com cerca de 2000 postos de amarração sem imobiliário pois o objectivo é complementar o imobiliário existente em Monte Gordo, que sofre o efeito da elevada taxa de sazonalidade por falta de um equipamento deste tipo e desta dimensão

 

7 - Portos de recreio em Tavira, situados em Cabanas, Santa Luzia, 4 Águas e centro num total superior a 2000 postos de amarração

 

8 - Porto de recreio “off shore” em frente de Vale do Lobo e da Quinta do Lago que sendo empreendimentos de elevado nível têm no entanto a falta deste equipamento para atingirem o grau mais alto da excelência, além do efeito protector da costa que causa danos e preocupações todos os Invernos.

 

9 - Ainda se poderão considerar mais oportunidades, mas não tenho os mesmos pormenores, como seja em Olhão, onde já foi iniciado pelo município este desenvolvimento, bem como o rio Arade, o estuário do Sado, a ria de Aveiro etc.

Estes empreendimentos permitirão a criação de alguns milhares de postos de trabalho directos e permanentes, quer nas actividades próprias quer nas actividades induzidas, além dos implicados na construção cujo sector atravessa uma situação muito deficil neste momento.

 

Além dos efeitos na economia e na participação da população nas actividades marítimas, também há a considerar o efeito psicológico porque se trata de uma abertura de novas oportunidades e não de fechos ou cortes, pois embora sendo estes necessários é essencial haver a contrapartida de factos futuros positivos.

 

Lisboa, 16 de Novembro de 2011

 

 José Carlos Gonçalves Viana

 

Publicado nos Cadernos Culturais de Telheiras nº5/ Outubro 2012



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 15:48
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A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ

 

“Vocês sabem qual é a pata direita do cavalo de D. José? – Não??? – É a esquerda!”

 

Esta era uma brincadeira do meu tempo de menino, que nos obrigava a ir constatar o fato! Basta ir lá ver o dito cavalo!

 

Agora a Câmara de Lisboa mandou restaurar a estátua. Está lá há 237 anos, foi feita pelo grande artista Machado de Castro sob projecto de Eugénio dos Santos, o arquitecto que, junto com Carlos Mardel e sob a supervisão do engenheiro chefe, Manuel da Maia, projectou a Baixa de Lisboa, totalmente destruída pelo terramoto de 1755.

 

D. José não quis posar e o artista teve que recorrer a retratos. Para evitar diferença acentuada na parecença, baixou-lhe o capacete e deu-lhe uma cara de jovem... quando o rei estava já envelhecido. Como é óbvio, o Marquês de Pombal também quis ficar na estátua e lá está a cara dele bem na frente, num grande medalhão que, quando da sua morte e condenação foi de lá retirado, mas, recolocado em 1833!

 

Pronta, foi a estátua colocada no lugar onde ainda está, uns dias antes da inauguração, entretanto resguardada por cortinados de tafetá carmezim até 6 de Junho, quando o rei fazia 61 anos!

 

Estátua de D. José no Terreiro do Paço, Lisboa

 

Na noite da inauguração acenderam-se 28.000 luzes na Praça do Comércio, além das habituais.

 

Houve festas vistosíssimas nas salas da Junta da Casa dos Vinte e Quatro, na do Juiz do Povo, no Colégio de Santa Maria de Jesus, com concertos, discursos, recitações poéticas nas línguas grega, hebraica, arábica, inglesa, francesa que por fim eram traduzidas para português, porque...

 

No segundo dia vieram suas Majestades à Praça do Comércio ver passar o cortejo alegórico, com 8 carros triunfais, acompanhados de danças! Tão grandioso o desfile que durou a noite toda.

 

Na noite seguinte queimou-se vistoso fogo de artifício depois do que os monarcas passaram à Sala da Alfândega, sala com 223 palmos de comprido e 96 de largura, onde se sentaram na tribuna real para assistir a uma sonata cantada em italiano, L’Eroe Coronato.

 

Na sala imediata, iluminada com 1.200 luzes, fora preparada uma ceia descomunal e opípara, com lagos rodeados de flores onde “navegavam” miniaturas de todos os tipos de embarcações do rio Tejo.

 

Custou 100.000 cruzados, o que seria hoje algo como... 2.000.000 Euros.

 

Consumiram 226 arrobas de vaca, 118 de vitela, 112 de presunto, 39 de carneiro, 55 de bacalhau, 4 de toucinho, 459 galinhas, 170 perus, 26 peruas, 312 pombos, 18 perdizes, 4 porcos, além de 4.154 ovos, 24.725 pães, 5 barricas de azeitonas, 358 arrobas de açúcar, 13 de canela, 16 arráteis de baunilha, 954 canadas de leite e 624 arrobas de gelo para sorvetes! (Por favor multipliquem as arrobas por 15 e verão a bestialidade da despesa!)

 

E vinhos? Nacionais e estrangeiros custaram só o equivalente hoje a 100.000 euros!

 

E ainda se consumiram 2.292 barris de água!

 

Depois da ceia houve o baile, iniciado pelo Conde de Oeiras e a Embaixatriz de Espanha, e a Marquesa de Pombal com o Embaixador, só entrando nesta primeira dança as Senhoras de primeira Grandeza que não fossem solteiras!

 

No último dia repetiu-se a passagem do cortejo com os mesmos carros alegóricos e danças, à noite foi queimado mais um grandioso fogo de artifício e o importante capitalista Anselmo José da Cruz Sobral fez representar nessa noite, à sua custa, o drama musical O Monumento Imortal. Finda a representação foi servida mais uma esplêndida ceia, apresentada em ricas porcelanas da Saxónia.

 

El-Rei D. José por se encontrar doente e melancólico, olhou todas estas manifestações festivas com a maior indiferença e desprazer. Ano e meio depois... falecia!

 

É de esperar que na reinauguração da estátua, após a sua restauração, a CML não gaste tanto dinheiro... a menos que a UE financie!

 

26/11/2012

 

 Francisco Gomes de Amorim

 



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 13:27
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O FIM DO MUNDO

 

 

A Vingança dos Bons só chega no Fim dos Tempos

 

2012 tem sido um tempo grávido de pessimistas e moralistas. A terra tem sido pródiga em catástrofes sísmicas, atómicas, económicas e políticas. O seu rosto macabro produz sismos de medos com reacções em cadeia em almas hipersensíveis. A crise social, a insegurança existencial, numa palavra, o medo do futuro é o melhor húmus para a fertilização de cenários apocalípticos. O medo revela-se como o odor dos cadáveres; logo que surge rondam em torno dele as gralhas do oportuno.

 

Alegadamente, o calendário Maia previa para 21 de Dezembro o fim duma era (isto é o seu calendário acaba ali).

 

Na constelação social actual, para admiradores do exótico, nada viria mais a preceito que a história dum povo devastado que prevê o próprio fim. Um clima insuportável fomenta crenças obscuras. Um efeito colateral do medo do apocalipse é branquear os problemas do clima, meio ambiente, matérias-primas, corrupção estatal, etc. Ao adiar-se a solução dos problemas aceita-se, implicitamente, ser vítima deles. A impotência e o desamparo humano tende a diferir as soluções dos problemas do dia-a-dia dando oportunidade às moscas do sofrimento alheio. O negócio com o esoterismo revela-se, hoje, como o milagre económico para as editoras e outras indústrias afins.

 

Geralmente, a vingança dos bons e dos sofredores/oprimidos chega atrasada; dá-se só no fim dos tempos.

 

Muitos livros, em vez de esclarecerem os necessitados, servem-se dos seus problemas para os embrulhar, por momentos, na lã fofa e quentinha do sentimento.

 

Até o Estado joga nesta lotaria: o ministro russo da defesa civil chega mesmo a afirmar que tinha “informações inequívocas” (HNA, 21.12.2012) segundo as quais o fim do mundo não se daria no dia 21.

 

As mitologias das religiões falam dum “fim do mundo” que prevê, depois da catástrofe, a felicidade.

 

O cristianismo fala dum “Apocalipse” (revelação divina, tirar o véu), num tempo depois do tempo e do qual surgirá um novo céu e uma nova terra! Um modo simbólico de metanoia humana.

 

A mitologia nórdica prevê o fim do mundo no “destino dos deuses” que depois de três anos de luta entre eles e de três anos glaciares daria lugar à luta das forças destrutoras da natureza em que os monstros lutam contra os deuses; por fim o mundo arde e Ódin, o supremo deus germânico, cria, de novo, a terra.

 

Nostradamus publicou em verso as suas profecias que chegariam até ao ano 2242. Segundo ele, dar-se-á uma catástrofe cósmica e uma catástrofe climática depois das quais o mundo surgirá de novo.

 

Em 1910 também cientistas tinham previsto o fim do mundo devido à aproximação da terra pelo cometa Halley.

 

Já outros fins do mundo tinham sido profetizados para 1981, 1999, 2000 e os próximos previstos pelos especialistas do fim estão já agendados no calendário para acontecer em 2060 e 2076.

 

A “vingança” dos bons revelar-se-á produtiva quando não se refugiar nas ideias e se desculpar no que há-de acontecer. Somos o acontecimento onde o princípio e o fim se encontram.

 

 António da Cunha Duarte Justo



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 07:57
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