Domingo, 17 de Abril de 2011
FASTOS & NEFASTOS

 (*)

 

Ormuz, séc. XVI  *  Portugal séc. XXI

 

Tempo houve em que os portugueses se batiam por ideais, com uma valentia e determinação, quando “tão poucos valiam muitos”, e mudavam os caminhos da história e do mundo.

Seria veleidade estar a referir os nomes mais conhecidos da história. Muitos há, muitos, felizmente, que deveriam servir de exemplo, melhor, estarem ainda hoje vivos.

 

Fastos

Irritados os Persas da severidade com que escreveo huma carta o Capitão de Ormuz D. Luiz da Gama a hum General, se resolverão a vingar com as armas a injuria que supunhão lhe resultava, e como a Cidade de Ormuz se abastecia de agua, que lhe vinha do Comorão, tratarão os Persas (já nossos inimigos) de nos impedir o conduzi-la para aquella Cidade. Executarão o seu intento, e em breves dias gemerão os nossos moradores sem o preciso alimento, molestia que offendia o brio Lusitano, pois contra a reverencia da nossa Fortaleza, e de todo o Estado, se atreverão huns barbaros a impedir-lhe a agua e a trazer a guerra aos Portuguezes, de quem recebião Leys. Tratarão pois os nossos de castigar o seu orgulho e vaidade. Foy o primeiro que os buscou o Capitão Fernão da Silva, mas não respondeu a fortuna ao seu valor, porque ao tempo em que se começou a batalha, ou por desgraça ou por descuido, prendeo o fogo no payol da polvora, e voarão navio, e Capitão salvando-se unicamente a gloria do seu nome e da valentia com que se houverão em todos os conflictos da Asia. Sentirão os nossos a perda não só pela falta de tão esforçado Capitão, mas tambem os Persas com este acaso se fizerão mais ousados, cobrindo os mares de Ormuz com 300 barcas que infestavão aos amigos do Estado. Chegou n'aquella occasião Nuno Alvares Pereira, e não querendo perder a gloria de ven­cer aos inimigos, não foy tardo em logo os cometter, e pelejar de modo que depois de algum tempo forão rotos e desbaratados, não escapando das 300 barcas mais do que humas poucas, que servirão para contar o lastimoso estrago que padecerão. Soubemos a grandeza da victoria não só dos inimigos, a quem destroçamos, pelejando mar, mas ainda do grande terror que mostrarão os seus Generaes e o seu Principe, o Sophi, que temendo a geral ruina das suas Costas e Cidades maritimas, escreveo huma Carta ao Visorey, em que se desculpava da guerra de que dava por Author ao Cam de Xiras. O Visorey D. Jeronymo de Azevedo recebeo a satisfacão do Persa, como que estimava não ter guerra com aquelle Monarcha, e se contentava com a gloria de o ver temeroso das armas do Estado, em tempo em que erão combatidas por tantos e tão poderosos inimigos, e devemos ao respeito de tão sinalada Victoria as atenções do mais poderoso Principe, e o commercio das mayores utilidades».

 

Nefastos

Com que tristeza se assiste hoje à passividade do povo português, prestes a naufragar, desconsiderado mundo fora, sentado no conforto d’alguma cadeira assistindo à Tv, vendo o ex-primeiro ministro, demissionário (!!!???) nomear para postos altos da governança a uma imensidão de comparsas do PS, e não se vê uma única pessoa sair à rua a reclamar contra tamanho descaramento!

Todos os dias aparecem pela Internet piadas do tal sócrates: que é ladrão, que não é engenheiro, que... isto, que... aquilo..., mas ninguém, NINGUÉM, levanta o traseiro da poltrona e vai para as ruas exigir a moralização e o restauro da dignidade dum país que já foi mundialmente respeitado.

É sabido que acabaram impérios antigos e modernos, civilizações que se perderam no tempo e são hoje só curiosidade de arqueólogos, mas permitir, no conforto/desconforto de cada um e de todos, que o governo, aliás des-governo, arraste o país para a bancarrota, para a miséria, é uma demonstração de covardia que não se coaduna com a nossa história, com a dos nossos antepassados.

Milhares, ou milhões, não perdem um capítulo das novelas brasileiras, mas clamam contra o acordo ortográfico, como se isso denegrisse o país.

Milhares ou milhões não aceitam trabalho porque a Segurança Social lhes garante, sem incômodos, o mínimo de sobrevivência.

Milhares ou milhões que fazem falta para o desenvolvimento da agricultura, não querem mais trabalhar no campo. Entretanto há montanhas de imigrantes que se podiam aproveitar para esse fim. Mas quem toma decisões? Ninguém.

E onde está a juventude que sempre foi destemida, descomprometida e valente?

Será que ainda há jovens em Portugal ou está tudo velho, acomodado, vendo o barco afundar sem se incomodar a vestir o colete de salvação?

Sou português de nascença, africano de coração e brasileiro de adoção.

Mas ver tanto relaxamento, passividade e covardia num povo que foi destemido, dói.

Muito.

 

Rio de Janeiro, 05/04/2011

 

 Francisco Gomes de Amorim

 

(*)http://www.causamerita.com/legado.htm


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 23:59
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FORUM TSF

 

 

 

Há ou não espaço para uma cidadania à margem dos partidos

 

Partimos do exemplo de Fernando Nobre, que como candidato independente à presidência conseguiu cerca de 600 mil votos e é agora o cabeça de lista do PSD por Lisboa. Nos últimos anos têm surgido vários movimentos de cidadania com maior ou menor sucesso. No Fórum queremos ouvir a sua opinião.

 

Há ou não na nossa democracia espaço para uma cidadania à margem dos partidos? Os partidos políticos têm a ganhar com o contributo da sociedade civil? Comente.

 

Comentário:

 

 

 

Miguel Mota

11.04.2011/11:45

                       

Para haver democracia em Portugal é necessário alterar os artigos 149º e 151º da Constituição, da forma que já propus: Artigo 149º, alterar para: Os Deputados são eleitos por círculos eleitorais uninominais, constituídos por um conjunto de freguesias adjacentes, somando um total de (40.000 a 50.000 ?) eleitores. Artigo 151º, alterar para: 1 - As candidaturas serão apresentadas, nos termos da lei, por um grupo de não menos de X nem mais de Y eleitores do respectivo círculo eleitoral.



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:37
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O PATRIARCA DA ETIÓPIA

 Igreja S. Sebastião da Pedreira - Lisboa (*)

 

Igreja de S. Sebastião da Pedreira, Lisboa

 

Da embaixada de D. Rodrigo de Lima (1520-1526) tinham ficado na Etiópia dois dos elementos que a constituíam: o pintor lisboeta Lázaro de Andrade e o médico Mestre João.

 

Em relação ao primeiro pouco se sabe mas quanto ao físico, a situação é, felizmente, bem diversa.

 

De origem galega, João Bermudes embarcou a primeira vez para a Índia em Abril de 1515 na armada de Lopo Soares de Albergaria. Em 1520 desembarcou na Etiópia onde permaneceu até 1535, ano em que viajou por terra de regresso a Portugal. Aqui chegado em 1538, logo decidiu regressar à Etiópia mas acabou retido por doença só regressando à Índia no ano seguinte. Desembarcou novamente na Etiópia em 1541 ali permanecendo até 1559, ano em que regressou definitivamente a Portugal.

 

E o que fez ele durante os 33 anos que viveu na Etiópia?

 

Presume-se que de 1526 a 1535 tenha exercido a sua profissão de físico, aquela a que hoje chamamos de médico.

 

Contudo, em 1535 encontrando-se o Patriarca da Igreja Etíope, Abuna Marcos, moribundo devido à muita idade, o Imperador «pediu» (evidente eufemismo de «mandou») que ordenasse João Bermudes como seu sucessor e futuro Patriarca.

 

De nada terão valido os rogos de João Bermudes junto do Imperador e muito menos os argumentos da sua condição laica junto do moribundo: foi ordenado pelo velho Patriarca e, à morte deste, empossado no cargo pelo próprio Imperador.

 

Nada consta dos registos históricos até hoje conhecidos sobre quaisquer reclamações que os fiéis possam ter feito em relação a alguma irregularidade cerimonial ou sequer a menos ortodoxas argumentações teológicas por parte do médico recém-arvorado em Chefe máximo da Igreja Etíope. Como terá D. João Bermudes, o novo Abuna, conseguido conciliar a filosofia trinitária da Igreja Romana – da qual aprendera na catequese e ao longo da vida adulta – com a doutrina monofisista da Igreja Etíope, eis um mistério que seria interessante algum investigador da História da Diplomacia tentar descortinar.

 

O que se sabe é que mal foi empossado, logo o Imperador lhe «pediu» que chefiasse embaixada a Roma e, daí, a Lisboa: (…) & mais me rogaua que por my, & por elle, & todos seus Reynos fosse a Roma a dar obediecia ao S. Padre: e dahi viesse a Portugal a dar cõcrusã a hua ebaixada q qua tinha mandada per hu homem daquella terra chamado Tegazauo (…)

 

Da diligência junto da Santa Sé, conta o próprio que: (…) cheguey a Roma presidindo na See Apostólica o Papa Paulo terceiro o qual me recebeo cõ muyta clemência & fauor, & me confirmou tudo o q de la trazia feyto, & a meu requerimento tornou a retificar tudo, & me mandou assentar na cathedra de Alexandria, & que me intitulasse Patriarcha, & Pontífice daqlla See (…)

 

Zagazabo (e não Tegazauo como lhe chamara D. João Bermudes), bispo etíope, chefiara a segunda embaixada do Preste João a Lisboa cá chegando em 1527. O objectivo era o mesmo do da anterior: estabelecer uma aliança que permitisse assegurar a sobrevivência da Etiópia como reino cristão totalmente cercado por aguerridas potências muçulmanas.

 

Tinham-se passado 9 anos e o Imperador não tinha notícias do seu embaixador. Eis ao que vinha D. João Bermudes: saber se Zagazabo era vivo e se a desejada aliança com Portugal era possível.

 

D. João III recebeu muito bem a embaixada do Preste João e logo tratou de lhe juntar Zagazabo que por aí andava no «bem bom» sem nada fazer de útil quer para Portugal quer para o Imperador da Abissínia, como então se chamava à Etiópia. D. João Bermudes não nos deixa dúvidas sobre o assunto: (…) que auia doze annos que qua estava, se negociar cousa algua por sua mera negligencia. Pello q o Emperador Onadinguel me mandou q lhe tirasse o carrego de embaixador, & o prendesse & levasse comigo preso.

 

Dos pedidos do Preste João ao nosso Rei, há a salientar – para além de soldados e armas – o do casamento dos filhos dos dois monarcas a fim de aproximar e unir os dois povos e o do envio de técnicos que o ajudassem a desviar o curso do Nilo assim votando à desertificação o seu inimigo do norte, o Egipto.

 

Conta-nos a História que D. João III não casou o seu filho com nenhuma princesa etíope; conta-nos a realidade actual que o Nilo continua a correr pelo curso que a Natureza lhe deu.

 

Como resultado da sua vinda a Lisboa, D. João Bermudes conseguiu uma força expedicionária de 450 homens que muito ajudaram a preservar a segurança etíope.

 

Chegados à Etiópia em 1541, assumiu o comando dessa força expedicionária D. Cristóvão da Gama, filho do célebre navegador e por lá andaram a acudir aos interesses do Imperador Abexim até que, já fartos de muitas tropelias, constatando que as riquezas do «reino do ouro, do incenso e da mirra» não passavam de pura imaginação, decidiram regressar a Portugal. Mas o Imperador não os queria deixar partir e tiveram que fugir. Foi nessa fuga que morreu em combate D. Cristóvão da Gama. D. João Bermudes já se tinha livrado da mitra e do báculo conseguindo chegar ao Mar Vermelho onde, em Massuá, foi recolhido por uma armada portuguesa. Corria o ano de 1559. Por Diu e por Goa, viajou para Lisboa...

 

Finalmente em sossego, entreteve-se D. João a escrever as memórias, livro que dedicou a D. Sebastião, ali relatando os acontecimentos mais atribulados da sua vida de grande aventureiro.

 

Faleceu em paz no dia 30 de Março de 1570 em S. Sebastião da Pedreira, então arrabalde de Lisboa em cuja igreja foi sepultado e onde ainda hoje pode ser visitado no seu túmulo. Mais exactamente, no fim da coxia central, na base do degrau fronteiro ao altar-mor.

 

Depois de tanta tropelia, bem merece que lhe votemos: requiescat in pace.

 

Lisboa, Abril de 2011

 

HSF - retrato por FGA

Henrique Salles da Fonseca

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

 

Curto, Pedro Mota – HISTÓRIA DOS PORTUGUESES NA ETIÓPIA (1490-1640), Ed. Campo das Letras, Outubro de 2008, (pág. 193 e seg.)

 

 

 

(*)

 

http://www.pbase.com/image/108171571

 


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 10:06
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Sábado, 16 de Abril de 2011
VENDER O “FORTE DA GRAÇA”!

 (*)

 

Algum tempo depois de ter começado a trabalhar em Elvas, travei conhecimento com um homem de elevado nível, o Capitão Jorge Faro Valadas.

 

O encontro ocorreu na “Cibele”, a livraria que era um centro intelectual da cidade e quem nos apresentou foi o Casimiro Abreu (um de vários irmãos de quem eu já era amigo) e que pouco antes, em 1950, fundara, com Ernesto Ranita Alves e Almeida, o “Linhas de Elvas”.

 

O Capitão Valadas encontrava-se “preso” no Forte da Graça, na sequência dum dos mais monstruosos processos que ocorreram neste País, de não menor gravidade que o caso Dreyfus em França.

 

Tivera a ”ousadia” de mostrar competência e honestidade e de denunciar os casos de incompetência e corrupção que o acaso lhe pusera no caminho. Oficial distintíssimo, com as mais altas classificações e louvores, o Capitão Valadas sofreu as maiores prepotências e uma espécie de julgamento fantoche, pelo que se encontrava “preso” no Forte da Graça, como DESERTOR !!!

(Alguns anos antes, quando da invasão de Timor pelos japoneses, o Capitão Valadas oferecera-se, como voluntário, para qualquer operação de guerra que o governo considerasse conveniente. A bateria que comandava – era oficial de artilharia – ofereceu-se, em peso, para qualquer acção para onde fosse o seu comandante).

 

Oficial do maior aprumo e em absoluto fiel à Pátria, à Honra e às virtudes militares, nunca desistiu da luta jurídica em que, por necessidade, se tornara mestre.

 

Recusou o passaporte e dinheiro que lhe foram oferecidos para “fugir “ para qualquer país, pois pretendia a completa reabilitação e reintegração no posto que lhe competia.

 

Embora tenha, alguns anos depois sido libertado - era afrontosa demais essa prisão e causava um certo mau estar ao regime - não parou a sua luta jurídica, incrementada após o 25 de Abril, sem conseguir resultados efectivos, apesar duma decisão da Assembleia da República recomendando a reintegração como, na altura, descrevi em artigo publicado no “Linhas de Elvas”.

 

Os directos responsáveis do pós 25 de Abril fizeram-se moucos e o Capitão Valadas faleceu em 1987 sem que lhe tivesse sido feita justiça e reintegrado no exército no posto que lhe cometia. Compreende-se: o Capitão Valadas nunca foi comunista nem socialista...

 

Várias vezes, especialmente ao Domingo e até 1955, quando deixei Elvas e a chefia do Laboratório de Citogenética da Estação de Melhoramento de Plantas, para ir para o Departamento de Genética da Estação Agronómica Nacional (onde trabalhara como tirocinante durante três anos para a elaboração da minha tese de Engenheiro Agrónomo), ia com a família até ao Forte da Graça, para uma visita e umas horas de agradável convívio e conversa com o Capitão Jorge Valadas.

 

A sua acção cultural nas belas instalações do Forte – onde o encontrava sempre atarefadíssimo, com as mesas pejadas de livros e mapas – era notável.

 

Aproveitou aquelas “férias” forçadas para estudos aprofundados dessa peça magnífica que é o Forte da Graça e da famosa Batalha das Linhas de Elvas, cuja vitória portuguesa foi importantíssima para liquidar as veleidades da Espanha de recuperar o domínio de Portugal de que nos tínhamos libertado em 1640.

 

Várias vezes trazia, dessas visitas, clandestinamente, documentos elaborados pelo Capitão Valadas para dar a conhecer o seu caso e para rebater com os mais evidentes argumentos, as falsidades com que o Estado tentava abafar ou combater um caso tão afrontoso. Muito me honrou ter podido ser veículo de divulgação de alguns desses documentos.

 

Pude constatar, nessas visitas a, como já disse, extraordinária acção cultural do Capitão Valadas. Para além de cursos que fazia, para presos e soldados da guarnição, não consentia o mínimo desleixo e era enorme o seu prestígio e a consideração com que todos o tratavam, sendo evidente que “mandava” mais ali do que o Comandante e o Governador do Forte da Graça. Várias vezes disse que, se o Capitão Valadas quisesse, era-lhe fácil reunir os soldados da guarnição e ir conquistar Elvas.

 

Para alem dum livro que escreveu sobre “A Batalha das Linhas de Elvas” e para o qual tive o prazer e a honra de o ajudar a preparar uns mapas, mostrou-me (e a alguns amigos que, por vezes ali levava, especialmente visitantes que recebia em Elvas) o que era essa fortaleza monumental, que Valadas explicava nos seus mais ínfimos pormenores.

 

O Forte, como elemento da defesa da fronteira, foi construído no Monte da Graça, a uma altitude superior a qualquer ponto muitos quilómetros em redor. Os planos são do Conde de Lippe (durante anos foi designado por “Forte de Lippe”) e a sua construção, iniciada em 1763, só ficou terminada em 1792, tendo ocupado, durante esse período, cerca de seis mil homens e muitos animais de tiro. O que se vê do exterior, especialmente da planície ou mesmo dos pontos altos da colina onde está a cidade, é uma parcela pequena duma construção enorme e valiosíssima. No seu género e daquela época é, provavelmente, a melhor peça de arquitectura militar existente no mundo.

 

Embora me falte competência para a avaliação, julgo que não será de desprezar o seu valor militar, mesmo hoje. A solidez de uma tal estrutura, talhada na rocha, com abrigos protegidos e no alto dum monte, é uma posição privilegiada que será sempre de valor em qualquer situação de guerra.

 

*

Com estes antecedentes, compreende-se o que senti quando vi nos jornais – entre eles o “Linhas de Elvas” - que o Estado ia VENDER o Forte da Graça! Custava a crer. Parecia uma mentira do 1º de Abril, daquelas que se topa logo que são mentira, tal o seu absurdo. Mas, infelizmente, era verdade.

 

Mesmo assim, quis ver... E, naturalmente (como deve suceder sempre, para se falar com conhecimento de causa e a formação de cientista a isso obriga), fui às fontes autênticas, neste caso o “Diário da República”.

 

Na I Série, de 26 de Maio de 1994, lá estava, no Decreto-Lei nº 151/94:

 

Artigo 1º É autorizada a alienação, em regime de hasta pública ou em regime de cessão a título definitivo e oneroso, a pessoas colectivas de direito público ou a instituições particulares de interesse público, dos imóveis seguintes:

..........................................

s) PM1/Elvas, designado “Forte da Graça”, a área aproximada de 46 850 m2, situado na serra de Nossa Senhora da Graça, freguesia de Alcáçova, município de Elvas, omisso na respectiva matriz predial;

........................................

 

A condição “de interesse público” das “instituições particulares” e algumas outras restrições que possam estar incluídas no “regime constante” dos artigos tais de alguns decretos-lei não anulam o facto de a alienação ser feita a “ título definitivo”, isto é, o Estado despede-se definitivamente da posse. E, como a alienação é “a título oneroso”, conclui-se que o objectivo é o Estado “fazer algum”.

 

Transcende a minha capacidade de compreender e fico a pensar quando verei algo semelhante em relação à venda da Torre de Belém, que está para Lisboa como o Forte da Graça para Elvas. Talvez a Torre de Belém não renda tanto pois, apesar da excelente localização e também ser possível adaptá-la a Pousada, não tem a dimensão do monumental Forte da Graça, com a sua área total de quatro hectares e meio.

 

A adaptação a Pousada e o seu arrendamento, como tem sido feito com outros casos, seria admissível, desde que se mantivesse o monumento. Aliená-lo da posse do Estado parece-me inconcebível. Penso que a inclusão deste monumento numa lista de quartéis e outros edifícios sem interesse só pode ter acontecido por uma enorme falta de informação sobre o que é o Forte da Graça e tenha escapado, no meio duma lista muito longa, aos responsáveis do governo. Espero que ainda seja corrigido o erro e não seja consumado um acto de tal gravidade.

 

Embora em escala diferente, não posso deixar de pensar nos dirigentes que alienaram Tanger e Bombaim, dados como dote duma princesa.

 

 Miguel Mota

 

 

Publicado no “Linhas de Elvas” de 5 de Agosto de 1994

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://3.bp.blogspot.com/_F6F-nnCd-9I/SWp4jESmHZI/AAAAAAAAANY/PEMS1AEFWNQ/s400/Forte%2Bda%2BGra%C3%A7a%2B-%2BElvas.jpg&imgrefurl=http://elvascidadeviva.blogspot.com/2009/01/monumentos-28-sobre-elvas-ndice.html&usg=__rIC5f2Fj3fKRZNODFFBw1f6MWUE=&h=240&w=320&sz=28&hl=pt-PT&start=0&zoom=1&tbnid=apoALwyiCwdsEM:&tbnh=127&tbnw=181&ei=OU2pTeb-EcSwhAf2rJWeCQ&prev=/images%3Fq%3DForte%252Bda%252BGra%25C3%25A7a%252BElvas%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbm%3Disch&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=405&oei=OU2pTeb-EcSwhAf2rJWeCQ&page=1&ndsp=17&ved=1t:429,r:0,s:0&tx=108&ty=74


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:59
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2011
O PRIMEIRO-MINISTRO DOS ÚLTIMOS DIAS

 

O

 Partido Socialista pôs alguns tenores a criticar “falta de isenção” do Presidente da República e a tentar condicionar a sua acção. Deviam ter mais cautela. Se o Presidente não mandar José Sócrates para casa mais cedo, mostra pelo PS e pelo Governo uma consideração que este mostrou não merecer.

O Presidente não tem só o poder de demitir o primeiro-ministro “para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas” (artigo 195º, nº 2 da Constituição). O Presidente tem, acima de tudo, o dever positivo de garantir o “regular funcionamento das instituições democráticas”, dever que integra a própria definição constitucional do seu cargo (artigo 120º).

Ora, Sócrates acabou da pior forma, escancarando absoluto desrespeito institucional. E gera enormes inquietações quanto à capacidade para assegurar, com dignidade, patriotismo e espírito de serviço, as tarefas de um governo de gestão.

Por isso, ao ouvir hoje os partidos políticos e, depois, o Conselho de Estado, o Presidente da República deve auscultá-los não só sobre a dissolução da Assembleia e as eleições, mas também quanto à demissão compulsiva do primeiro-ministro e à possível formação de um governo de gestão interino.

 

N

a véspera do PEC IV, o governo já mostrara desrespeitar a Assembleia. Exibiu igual desdém pelos partidos, ao recebê-los sobre a Cimeira de 11 de Março, escondendo-lhe o essencial da posição portuguesa. Foi idêntico o desprezo pelos parceiros sociais. E violou o dever constitucional de “informar o Presidente da República acerca dos assuntos respeitantes à condução da política interna e externa do país” (artigo 201º).

Anteontem, Sócrates confirmou a falta de respeito ao ausentar-se do debate parlamentar, mandando-nos notícias pela televisão com a noite entrada. Nada fora por acaso. O desprezo institucional é linha política, estilo e convicção.

O caso é ainda mais sério no plano nacional. Lembremos as afirmações de Jean Claude Juncker, no início da semana: “é claro que há compromissos assumidos por Portugal [a 11 de Março] e não podemos afastar-nos de compromissos assumidos [no PEC  IV], que foram “endossados pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu”. E isto tem um grave significado: Sócrates, na cegueira e sofreguidão do seu póquer político terminal, não hesitou em comprometer externamente Portugal sem para isso estar minimamente habilitado.

Juncker não é um qualquer porta-voz. Não é carregador de malas do Presidente da Comissão, nem alguém ao modo “porreiro, pá”. É primeiro-ministro, um líder europeu, o líder do Eurogrupo. Quando sublinhou aquilo e que as posições do governo foram assumidas como boas não só pelo Conselho, mas também pela Comissão e pelo BCE, Juncker pôs a nu toda a gravidade do procedimento institucional de Sócrates.

A seguir a isto, se o episódio não for suficientemente higienizado, um futuro primeiro-ministro não pode surpreender-se se, numa reunião do Conselho, comprometendo-se num quadro europeu com medidas portuguesas, lhe for pedido uma acta notarial para aferir da capacidade para vincular o Estado português. Sócrates, que – já sabíamos – desrespeita a sua palavra, desrespeitou a palavra de Portugal. Pode – e deve – ser sancionado por isso.

 

F

ace à velocidade da crise e à linha afirmada por todos os partidos, a margem de acção do Presidente reduziu-se muito. Cavaco esteve bem ao chamar a atenção para essa “velocidade”. E bem também ao retardar a aceitação da demissão do primeiro-ministro para depois do Conselho Europeu. Mostrou, entre outras coisas, ser o estadista que Sócrates fez questão de querer mostrar não ser.

Mas Cavaco Silva tem mais coisas essenciais a assegurar, coisas do interesse de todos.

Primeiro, como pedia António Barreto, o Presidente deve garantir, com o Banco de Portugal e outras instituições, a informação objectiva e detalhada aos portugueses sobre o estado real das nossas finanças. Tão cedo quanto possível e bem antes das eleições.

Segundo, deve poder assegurar que o governo de gestão actue com o patriotismo, a isenção, a dedicação e a competência que são exigidas pela dureza financeira do momento. Quando Portugal tem de colocar até Junho quase 9 mil milhões de euros de dívida e cumprir uma gestão orçamental rigorosíssima, bem como favorecer o financiamento da economia, o pior que pode acontecer-nos é ficarmos entregues a um governo em campanha eleitoral, como o discurso de Sócrates e doutros ministros e dirigentes do PS são o sinal inequívoco.

Em 2009, Sócrates e o governo enganaram redondamente o país quanto à real dimensão do défice e prolongaram o regabofe financeiro do Estado. Em 2009, o aparelho socrático não hesitou em usar o Taguspark para pagar 750 mil euros a Luís Figo e associá-lo a um pequeno-almoço de campanha eleitoral. Outros factos, agravados por estas faltas de respeito pela Constituição e pelas instituições, permitem recear o pior. E Portugal não pode suportá-lo. Isto não é uma brincadeira.

Compreendo que é difícil e duro demitir o primeiro-ministro, definindo um outro quadro seguro para o governo de gestão. Mas, se Sócrates não for demitido depois do que fez, o rasto do desrespeito institucional extremo não será apagado. E a desonra externa da palavra de Portugal ficará gravada na memória do Conselho, da Comissão e do BCE.

Se Sócrates continuar, apesar dos antecedentes de 2009 e dos perigos nacionais de 2011, é bom que o Presidente da República se certifique que essa é a vontade positiva dos partidos e a opinião do Conselho de Estado. É que é seu – e de mais ninguém – o dever de garantir o regular funcionamento das instituições democráticas.

 

  José Ribeiro e Castro

 

In Jornal i



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:06
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Quinta-feira, 14 de Abril de 2011
FOI PEDIDO O RESGATE

 (*)

 

Bom, dado o que está em causa é tão só o futuro dos nossos filhos e a própria sobrevivência da democracia em Portugal, não me parece exagerado perder algum tempo a desmontar a máquina de propaganda dos bandidos que se apoderaram do nosso país. Já sei que alguns de vós estão fartos de ouvir falar disto e não querem saber, que sou deprimente, etc, mas é importante perceberem que o que nos vai acontecer é, sobretudo, nossa responsabilidade porque não quisemos saber durante demasiado tempo e agora estamos com um pé dentro do abismo e já não há possibilidade de escapar.


Estou convencido que aquilo a que assistimos nos últimos dias é uma verdadeira operação militar e um crime contra a pátria (mais um). Como sabem há muito que ando nos mercados (quantos dos analistas que dizem disparates nas TVs alguma vez estiveram nos ditos mercados?) e acompanho com especial preocupação (o meu Pai diria obsessão) a situação portuguesa há vários anos. Algumas verdades inconvenientes não batem certo com a "narrativa" socialista há muito preparada e agora posta em marcha pela comunicação social como uma verdadeira operação de PsyOps, montada pelo círculo íntimo do bandido e executada pelos jornalistas e comentadores "amigos" e dependentes das prebendas do poder (quase todos infelizmente, dado o estado do "jornalismo" que temos).

Ora acredito que o plano de operações desta gente não deve andar muito longe disto:

  1. Narrativa: Se Portugal aprovasse o PEC IV não haveria nenhum resgate.

  Verdade: Portugal já está ligado à máquina há mais de 1 ano (O BCE todos os dias salva a banca nacional de ter que fechar as portas dando-lhe liquidez e compra obrigações Portuguesas que mais ninguém quer - senão já teriamos taxas de juro nos 20% ou mais). Ora esta situação não se podia continuar a arrastar, como é óbvio. Portugal tem que fazer o rollover de muitos milhares de milhões em dívida já daqui a umas semanas só para poder pagar salários! Sócrates sabe perfeitamente que isso é impossível e que estávamos no fim da corda.  O resto é calculismo político e teatro. Como sempre fez.

  1. Narrativa: Sócrates estava a defender Portugal e com ele não entrava cá o FMI.

Verdade: Portugal é que tem de se defender deste criminoso louco que levou o país para a ruína (há muito antecipada como todos sabem). A diabolização do FMI é mais uma táctica dos spin doctors de Sócrates. O FMI fará sempre parte de qualquer resgate, seja o do mecanismo do EFSF (que é o que está em vigor e foi usado pela Irlanda e pela Grécia), seja o do ESM (que está ainda em discussão entre os 27 e não se sabe quando, nem se, nem como irá ser aprovado).

  1. Narrativa: Estava tudo a correr tão bem e Portugal estava fora de perigo mas vieram estes "irresponsáveis" estragar tudo.

Verdade: Perguntem aos contabilistas do BCE e da Comissão que cá estiveram a ver as contas quanto é que é o real buraco nas contas do Estado e vão cair para o lado (a seu tempo isto tudo se saberá). Alguém sinceramente fica surpreendido por descobrir que as finanças públicas estão todas marteladas e que os papéis que os socráticos enviam para Bruxelas para mostrar que são bons alunos não têm credibilidade nenhuma? E acham que lá em Bruxelas são todos parvos e não começam a desconfiar de tanto óasis em Portugal? Recordo que uma das razões pela qual a Grécia não contou com muita solidariedade alemã foi por ter martelado as contas sistematicamente, minando toda a confiança. Acham que a Goldman Sachs só fez swaps contabilísticos com Atenas? E todos sabemos que o engº relativo é um tipo rigoroso, estudioso e duma ética e honestidade à prova de bala, certo?

  1. Narrativa: Os mercados castigaram Portugal devido à crise política desencadeada pela oposição. Agora, com muita pena do incansável patriota Sócrates, vem aí o resgate que seria desnecessário.

Verdade: É óbvio que os mercados não gostaram de ver o PEC chumbado (e que não tinha que ser votado, muito menos agora, mas isso leva-nos a outro ponto), mas o que eles querem saber é se a oposição vai ou não cumprir as metas acordadas à socapa por Sócrates em Bruxelas (deliberadamente feito como se fosse uma operação secreta porque esse aspecto era peça essencial da sua encenação). E já todos cá dentro e lá fora sabem que o PSD e CDS vão viabilizar as medidas de austeridade e muito mais. É impressionante como a máquina do governo conseguiu passar a mensagem lá para fora que a oposição não aceitava mais austeridade. Essa desinformação deliberada é que prejudica o país lá fora porque cria inquietação artificial sobre as metas da austeridade. Mesmo assim os mercados não tiveram nenhuma reacção intempestiva porque o que os preocupa é apenas as metas. Mais nada. O resto é folclore para consumo interno. E, tal como a queda do governo e o resgate iminente não foram surpresa para mim, também não o foram para os mercados, que já contavam com isto há muito (basta ver um gráfico dos CDS sobre Portugal nos últimos 2 anos, e especialmente nos últimos meses). Porque é que os media não dizem que a bolsa lisboeta subiu mais de 1% no dia a seguir à queda? Simples, porque não convém para a narrativa que querem vender ao nosso povo facilmente manipulável (julgam eles depois de 6 anos a fazê-lo impunemente).

Bom, há sempre mais pontos da narrativa para desmascarar mas não sei se isto é útil para alguém ou se é já óbvio para todos. E como é 5ª feira e estou a ficar irritado só a escrever sobre este assunto termino por aqui. Se quiserem que eu vá escrevendo mais digam, porque isto dá muito trabalho.

 Henrique Medina Carreira

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://img.photobucket.com/albums/v224/Rioabaixo/Finisterra/Nick-Resgate.png&imgrefurl=http://cabodofimdomundo.blogspot.com/2008/10/operao-de-resgate.html&usg=__EkkndRVXHaqoVc3-szM7eewHHPM=&h=446&w=370&sz=147&hl=pt-PT&start=0&zoom=1&tbnid=B8i03TYpVjPSDM:&tbnh=143&tbnw=125&ei=nh6nTeSxHomJhQfapK2nCQ&prev=/images%3Fq%3Dresgate%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbm%3Disch&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=187&oei=nh6nTeSxHomJhQfapK2nCQ&page=1&ndsp=22&ved=1t:429,r:6,s:0&tx=60&ty=81

 


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EUGÉNIO GUDIN FILHO

 (*)

 

Anarquismo Dionisíaco (29/06/70)

 

 

Em recente artigo (18 de Maio último) sobre a participação da juventude no desafio aos alicerces da civilização, eu atribuía, em grande parte, essa participação ao culto, generalizado nos últimos 25 anos, da preservação da personalidade da criança e do adolescente contra a erosão resultante dos métodos de formação e de educação, até então adoptados. Esta preservação da personalidade, e portanto da animalidade não corrigida, dá lugar, dizia eu, a um maior coeficiente de agressividade da juventude, fenómeno que se exacerba com o declínio da autoridade paterna e da influência religiosa.

 

Leio agora em três trabalhos de autores ilustres, mas de origem e formação diversas, a observação coincidente de que os membros da rebeldia negativista e contestatária da juventude universitária não se recrutam nas classes menos favorecidas e sim entre filhos da burguesia abastada.

 

O Prof. Nisbet, de sociologia, da Universidade de Berkely (um dos maiores focos da insubordinação estudantil), diz, em um dos últimos números da conhecida revista Encounter, que é “caracteristicamente nos estudantes da classe média” que se encontra a grande maioria dos negativistas e que “os actos de vandalismo e destruição desses inconformados” não tem origem em qualquer idealismo e sim “no sentimento de tédio” que domina esses adolescentes.

 

Em outro interessante estudo do distinto escritor uruguaio Alphonse Max, sobre os tupamaros do Uruguai, diz o autor que esses grupos subversivos, cujo núcleo é formado de criminosos e bandidos profissionais entrosados como mercenários no serviço dos partidos, atraem para si “elementos complexados da burguesia” enfastiados da frustração que os aflige. Os “Complexos dos filhos da alta burguesia”, sentindo consciente ou inconscientemente a segurança e o amparo que lhes dá a situação económica de seus pais e liberados da preocupação de ganhar a vida e estudar, aderem à boémia politizada de uma esquerda festiva, enquanto alegam defender as classes sub privilegiadas, cuja vida eles na realidade não conhecem.  A violência é para eles uma forma de escape ao tédio que os aflige.

 

A leitura de Mão, Che Guevara ou Marcuse, além de ser muito menos árdua do que o estudo das ciências ou da matemática, proporciona-lhes no meio universitário uma notoriedade que de outra forma nunca conseguiriam.

 

Nos Estados Unidos, lê-se, em outro estudo de uma grande revista americana, que esse género de vida se associa invariavelmente ao uso da marijuana e ao hábito externo dos hippies, cuja personalidade não vai além dos predicados capilares e indumentários, que se descaracterizam pela generalização.

 

Na já célebre reunião de Bethel (Estado de Nova York), diz o autor, 90% dos participantes faziam uso de entorpecentes e uma boa metade era composta de “estudantes da média e alta burguesia”.

 

A aglomeração de Bethel, acrescenta o ensaio, exibiu em larga escala ao mundo “os valores e estudos de vida” dos hippies, desde a indumentária psicadélica até a nudez desabusada e a prática, sem qualquer recato, dos actos sexuais, tudo acompanhado dos batuques do rock and roll.

 

O perigo dessa anti cultura caracteriza-se por seu proclamado desprezo pela racionalidade, pela exaltação do indivíduo contra a sociedade e por suas manifestações de um anarquismo dionisíaco que nada mais é do que um primitivismo imbecil e despudorado.

 

Fica-se então a pensar que espécie de civilização se poderá esperar dessa gente. Seu divertimento consiste no prazer da baderna, do chahut, como a chamam os franceses, de depredar móveis e objectos, e de instalar-se nos gabinetes dos reitores, com os pés na mesa e os papéis pelo chão.

 

No esforço daqueles que, como eu, tentam, talvez por ingenuidade, buscar a substância e o sentido dessas manifestações dos contestatários, é interessante notar a convergência das opiniões de três escritores de formação e nacionalidades diversas, sobre o fato de ser filhos da burguesia abastada que se encontra o maior suprimento desses curiosos exemplares do género humano, que vivem à cata de excentricidade como meio de notoriedade.

 

*   *   *

*Eugênio Gudin Filho (Rio de Janeiro, 12 de Julho de 1886 - Rio de Janeiro, 24 de Outubro de 1986) foi um economista brasileiro, ministro da Fazenda entre Setembro de 1954 e Abril de 1955, durante o governo de Café Filho.

 

Formado em Engenharia Civil em 1905 pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, passou a interessar-se por Economia na década de 1920. Entre 1924 e 1926, publicou seus primeiros artigos sobre Economia em O Jornal, do Rio de Janeiro.

 

Em 1944, o então ministro da Educação, Gustavo Capanema, designou Gudin para redigir o Projecto de Lei que institucionalizou o curso de Economia no Brasil. Nesse mesmo ano, foi escolhido delegado brasileiro na Conferência Monetária Internacional, em Bretton Woods, nos Estados Unidos, que decidiu pela criação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird)

 

Durante os sete meses em que foi ministro da Fazenda (1954-1955), promoveu uma política de estabilização económica baseada no corte das despesas públicas e na contenção da expansão monetária e do crédito, o que provocou a crise de sectores da indústria. Sua passagem pela pasta foi marcada, ainda, pelo decreto da Instrução 113, da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), que facilitava os investimentos estrangeiros no país, e que seria largamente utilizada no governo de Juscelino Kubitschek. Foi por determinação sua também que o imposto de renda sobre os salários passou a ser descontado na fonte.

 

 

 Ricardo Bergamini

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://independenciasulamericana.com.br/wp-content/uploads/2010/04/gudin.jpg&imgrefurl=http://independenciasulamericana.com.br/2010/04/page/2/&usg=__uj8p2vRVVlT7fkAXGsMdtF6GGVY=&h=420&w=303&sz=33&hl=pt-PT&start=0&zoom=1&tbnid=sUA74ThB-95IPM:&tbnh=131&tbnw=95&ei=Z6amTa3hF4aChQex1LSpCQ&prev=/images%3Fq%3DEug%25C3%25A9nio%252BGudin%252BFilho%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbm%3Disch&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=204&vpy=182&dur=1029&hovh=264&hovw=191&tx=119&ty=148&oei=Z6amTa3hF4aChQex1LSpCQ&page=1&ndsp=23&ved=1t:429,r:7,s:0



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:43
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Quarta-feira, 13 de Abril de 2011
INVESTIGAÇÃO E EXTENSÃO...

... OS MAIORES "SUBSÍDIOS" QUE PODEM SER DADOS A QUALQUER AGRICULTURA*

 

 

 (**)

 

Os preços de muitos produtos agrícolas não resultam simplesmente do normal mecanismo da oferta e da procura. Em muitas regiões do globo e para variadíssimos produtos o preço é resultado dum complexo mecanismo de acordos, subsídios, direitos alfandegários e outras formas de intervenção.

 

Variados países ou grupos de países consideram importante proteger a sua agricultura, não só por ser um sector importante da sua economia, mas, também, pelo seu alto valor estratégico. Os Estados Unidos, onde a população agrícola se limita a uns meros 2% da população activa total, têm, desde sempre, dado uma elevada protecção à sua agricultura. A CEE muito cedo criou uma Política Agrícola Comum (PAC), o único sector em que, desde logo, funcionou de Mercado Comum, com a qual deixou de ser deficitária para a maior parte dos produtos agrícolas, para se tornar praticamente auto suficiente e excedentária em vários deles.

 

Para além do erro de não ter sabido graduar os preços para que os excedentes não atingissem grande volume e do facto de uma grande parte do dinheiro gasto não ter chegado aos agricultores, o principal defeito foi não ter promovido um efectivo aumento de eficiência, mas ter aumentado a produção quase exclusivamente à custa de preços altos.

 

Os custos de produção na agricultura dependem em parte das condições naturais (nomeadamente solo e clima) mas também muito da técnica utilizada, que tirará melhor ou pior partido dessas condições naturais. Isso é evidente quando se analizam os índices de produtividade, dum país ou duma região, com as mesmas condições naturais, ao longo dos anos, com a evolução da técnica utilizada.

 

Para umas dadas condições naturais, o custo de produção vai depender, portanto, da possibilidade de se trabalhar com maior ou menor eficiência em todos os passos a efectuar, desde a decisão do que se vai cultivar até à comercialização.

 

Na muito complexa actividade que é a agricultura, não há um único dos numerosos passos do processo que não admita melhorias. Desde a decisão de quais as espécies e variedades vegetais a cultivar e das espécies e raças de animais a criar, à mais adequada preparação do solo, à mais eficiente e mais económica fórmula de alimentação para os animais, às máquinas mais adequadas, ao pessoal bem treinado para as usar e manter da forma mais apropriada, até, em última análise, à melhor comercialização, o agricultor é obrigado a escolher tudo pelo melhor e no momento próprio. Qualquer erro cometido, qualquer demora anormal, qualquer interferência que não conseguiu prever ou remediar, tudo vai aumentar o custo e, consequentemente, reduzir a margem que lhe cabe entre este e o preço final de venda.

 

Para que tudo corra pelo melhor, é preciso que "exista" o conhecimento necessário. Ele só "aparece" como resultado duma intensa e ampla "investigação agronómica", desenvolvida ao longo de muitos anos, em instituições bem apetrechadas e servidas por investigadores de alto nível. E, ao contrário do que é possível fazer no campo da indústria ou da medicina, em que é normalmente muito fácil utilizar soluções que outros já descobriram, noutros locais do mundo, na agricultura, só em raros casos essa utilização é possível e, mesmo assim, só após ensaios que confirmem a sua validade para as nossas condições ambientais.

 

"Criado" esse conhecimento, nas instituições de investigação agronómica, torna-se necessário levá-lo até aos agricultores, transformando estes de forma a serem mais sabedores e a terem melhores elementos para decidir. Como se sabe, a tarefa dessa "transposição de conhecimento" cabe a um serviço de "extensão", nome que se generalizou a partir dos serviços criados com esse nome, nos Estados Unidos, em 1914.

 

*

*       *

 

A diferença entre a agricultura dos países que têm estes dois serviços, "investigação" e "extensão" bem desenvolvidos e a daqueles onde eles são rudimentares é enorme. Estes últimos, por vezes, não se apercebem disso e atribuem a sua baixa produtividade à pobreza do solo e à irregularidade do clima. É fácil demonstrar a falta de razão dessa desculpa se compararmos a agricultura que têm hoje com a que os países mais desenvolvidos tinham há 10, há 20 ou há 50 anos, sempre com as mesmas condições naturais. Mesmo nos países de agricultura menos desenvolvida - e na Europa comunitária estão nesse caso Portugal e a Grécia - a produtividade da agricultura de hoje é superior à que tinham há 10, há 20 ou há 50 anos. Se, ao longo dessas décadas, tivessem caminhado mais e melhor no binómio "investigação e extensão", a sua posição não seria hoje tão precária.

 

A principal crítica que tenho dirigido à PAC - e, além de outras intervenções, já a fiz em carta pessoal enviada ao Presidente Jacques Dellors - foi não ter sabido investir em investigação e extensão uma pequena parcela dos biliões gastos pela PAC ao longo dos seus trinta anos de existência. O que se gastou nesses sectores foram quantias ínfimas e, se algumas pequenas melhorias conseguiram, ficaram muito aquém do que se poderia ter obtido, em ganhos de produtividade, se se investisse mais dinheiro em serviços onde há um grande potencial humano em parte subaproveitado. É provável, mesmo, que a parcela dos gastos da PAC que fosse investida na investigação e na extensão acabasse por ser reembolsada, pois ela faria baixar os custos de produção, permitindo reduzir os altos preços dos produtos. Talvez não estivessem interessados nisso aqueles que, não sendo agricultores, levam uma substancial fatia dos gastos da PAC.

 

*

*       *

 

Os problemas dos subsídios e dos preços de protecção têm sido sempre objecto de polémica e objecções dos países que, por causa deles, não conseguem colocar noutros os seus produtos, cujo preço, em mercado livre, seria perfeitamente concorrencial. O cúmulo dessas objecções são as que se têm levantado no GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) onde alguns países, principalmente os Estados Unidos, atacam fortemente os subsídios ou preços proteccionistas da CE.

 

Acontece que, ao longo de muitas décadas, os Estados Unidos "deram" à sua agricultura - para além de várias medidas proteccionistas - o melhor subsídio que lhe podiam dar: uma excelente e de alto nível "investigação agronómica", assente no poderoso Agricultural Research Service (ARS), nas suas Agricultural Experiment Stations e em diferentes departamentos das universidades e uma eficientíssima "extensão", cobrindo todo o território em malha apertada e sempre em muito boa articulação com a "investigação".

 

Como resultado, a agricultura americana, apesar de pagar altos salários, consegue produzir a preços baixos, pela simples optimização de todos os vários passos da exploração agrícola. O nível de conhecimentos dos agricultores é alto e mantém-se em permanente actualização.

Considerando que esse nível de conhecimentos, que permite baixos custos de produção, equivale a um enorme "subsídio" ou a um alto preço proteccionista, parece indicada a solução, especialmente para os países, como Portugal que, com algumas raras excepções, "produzem pouco, mau e caro".

 

O valioso subsídio indirecto que é dado através das actividades de "investigação" e de "extensão" tem ainda o particular interesse de não levantar objecções. Ninguém, no GATT, que seja do meu conhecimento, alguma vez protestou contra o facto de os Estados Unidos "subsidiarem" a sua agricultura através dos resultados da sua "investigação" e que lhe são transmitidos pela "extensão".

 

Bom seria que o resto do mundo e particularmente os doze países da Comunidade Europeia aprendessem tão valiosa lição. O potencial existe e a Europa e muito particularmente Portugal podem baixar os seus custos de produção, melhorar o ambiente e evitar os grandes "stocks" de alguns produtos agrícolas simplesmente se quiserem desenvolver de forma substancial os seus serviços de "investigação" e de "extensão", para o que dispõem dum potencial subaproveitado.

 

 Miguel Mota

 

 

* Comunicação à IV Semana de Extensão Rural

Évora, 27 a 30 de Abril de 1992

 

(Publicado, com o título Os maiores "subsídios" à Agricultura, na Gazeta das Aldeias, Ano 97º, Nº 2996, Julho de 1992)

 

(**)http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://i.olhares.com/data/big/204/2041428.jpg&imgrefurl=http://br.olhares.com/seara_madura_e_o_trigo_a_ser_ceifado_foto2041428.html&usg=__Xcwz95nuHNhqWc-YjwfYDcQTCHM=&h=500&w=750&sz=180&hl=pt-PT&start=0&zoom=1&tbnid=rU4RHq3jPMcsdM:&tbnh=152&tbnw=193&ei=EE2lTf3tD4uwhAfD-q2XCQ&prev=/images%3Fq%3Dseara%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbm%3Disch&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=331&vpy=315&dur=1498&hovh=183&hovw=275&tx=145&ty=91&oei=EE2lTf3tD4uwhAfD-q2XCQ&page=1&ndsp=12&ved=1t:429,r:5,s:0



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:07
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Terça-feira, 12 de Abril de 2011
Só FMI!

 

O último Conselho de Estado, noticia o Expresso, terá discutido a possibilidade de recorrer a um empréstimo de urgência do Fundo Monetário Internacional, antes de o próximo Governo eleito pedir ajuda definitiva ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira.

A razão disto é técnica: o FMI é mais célere e eficaz. Há uma outra razão técnica para fazer isso: o FEEF não funciona. Grécia e Irlanda, únicos Estados a recorrer a esse mecanismo recente, estão pior, não melhor. A razão é simples: o Fundo Europeu é governado por políticos, que têm de pensar no que os seus eleitores permitem gastar com a ajuda aos parceiros endividados. Daí as cautelas e exigências que enterram os devedores.

 

O FMI tem apenas a função técnica de recuperar a credibilidade e a solidez financeira do país. Como sabemos dos acordos de 1978 e 1983, dói mas funciona. O que Portugal devia fazer era esquecer a União Europeia e, como os países pobres, recorrer só ao FMI. Teria terapêutica dura, mas depressa ganharia equilíbrio e reputação, como a América Latina na última década.

 

A razão para não fazer isso é política: ia parecer mal aos nossos parceiros, que se esforçaram tanto a criar um mecanismo de protecção, que não funciona por razões políticas. Por acaso são os mesmos que vigiam as nossas contas públicas há décadas, sem evitarem, por razões políticas, que nós caíssemos no descalabro.

 

Política é também a nossa doença: os nossos governos gastaram durante décadas, com excelentes razões políticas, sem atenderem à razão técnica: não havia dinheiro.

 

  João César das Neves

 

in DESTAK | 06 | 04 | 2011  


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:45
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Segunda-feira, 11 de Abril de 2011
VAE VICTIS!

O nosso PM demissionário disse que era o único que pensava no país – cuido que no seu – e foi lá para fora para comprovar isso e receber os beijos e os abraços, que se via que eram sentidos, dos seus correligionários. Ele estava bem no seu elemento, protegido e confortado pelos parceiros sociais, alguns dos quais dirigiram repreensões aos que, no seu “paizito”, se atreveram a chumbar as coisas cozinhadas entre eles e aplicáveis entre nós, chumbo, aliás, que ele ajudou a perpetrar, com as suas pressas provocatórias, sem dar cavaco aos que mereciam recebê-lo, tais o PR, por ser o representante mor do “paizito”, e o PSD que faz parte da coligação com o seu governo minoritário, como todos sabemos.

 

O Dr. Pacheco Pereira na “Quadratura do Círculo” até explicou muito bem a armadilha montada pelo PM, contrário a acordos (acôrdos mesmo, os acórdes são coisa de música), de provocação para o chumbo do PEC, para que novas eleições se fizessem que o desresponsabilizassem a ele, armadilha na qual o Dr. Passos Coelho se apressou a cair, contrariamente ao Capuchinho Vermelho, que se escondeu no armário com a Avozinha e não se deixou tragar pela boca do Lobo, que ela descobriu não poder pertencer à vovó, por ser superiormente grande.

 

Comentámos sobre a cena das fotos parlamentares europeias, a minha amiga lembrou, em paralelo evocativo, as meninas da escola que rodeiam com amizade a menina rica em lágrimas – de mimo e não de crocodilo, como apelida o Dr. Lobo Xavier as da estratégia de vitimização do Sr. PM – por castigo da professora, apesar de brando, porque menina rica não deve, em princípio, ser castigada, nem sequer brandamente - mas eu logo demonstrei que os pobrezinhos aqui foram os que castigaram, chumbando o PEC – pois imediatamente o Sr. PM demissionário se deslocou à Europa, a queixar-se e acolher-se entre os seus pares europeus que têm a força e lançam sobre nós as pedras, indiferentes aos desmandos cometidos pela nossa menina rica, muito aldrabona, muito trapalhona, autêntico tsunami da sua pátria, e que promete continuar, sempre apoiada pelos que lhe dão força e que não se importam com as suas aldrabices e desígnios destruidores - (encobertos sob virtuosa capa patriótica, que convence idênticos Tartufos e os Orgons anjinhos).

 

E são esses - ou os seus pares europeus que, se o desprezam não o confessam, e que de longe ditam as regras, como sempre ditaram; ou os parceiros de cá que se vê que souberam aproveitar-se dos desmandos de uma governação à base do arranjinho e da trafulhice e que não querem perder as benesses; ou até os intervenientes na opinião pública da SIC, Canal 5, sobretudo as senhoras que se vê que adoram o Sr. Engenheiro que é maneirinho e bem vestido e até sabe apelar à lágrima sincera, não a de crocodilo como a dele, mas isso da lágrima é só o que pensa o Dr. Lobo Xavier, que, tal como os seus pares do CDS antigo – Amaro da Costa, Freitas do Amaral, Lucas Pires e Adriano Moreira sem esquecer Pacheco Pereira, embora doutro clube - são expoentes da nossa Pátria que mereciam mais atenção/eleição do seu povo, autênticos príncipes na dignificação da língua e da pátria portuguesa, ao contrário de todos os que a têm vandalizado, das mais diversas formas.

 

Indiferente à elegância de expressão e pensamento dos intervenientes na “Quadratura do Círculo” que eu lhe aponto, com entusiasmo, a minha amiga só diz, ao seu jeito emotivo:

 

- Ele agora atira as culpas para os outros, tentando convencer-nos da sua inocência no processo, e vem aí uma borrascada medonha. Isto vai derrapar à doida.

- Pois vai, mas todos temos culpa, com as greves manipuladas por uma esquerda que só exige porque não se responsabiliza nunca, e nós, pobres anjinhos, caímos na manipulação, indiferentes à salvação do país, que há tantos anos anda em derrapagem, achando que todos temos o direito de mergulhar no saco, mesmo furado, dos dinheiros que outros ganharam com a sua produção e trabalho.

 

E a nossa conclusão é de amargura:

- Não, o País não mereceria ser considerado mendigo, pois já foi pátria credora de respeito, pela sua participação na visão do mundo.

 

 Berta Brás


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:55
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