Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
COMENTÁRIOS SOBRE BAUDELAIRE E MANUEL BANDEIRA


                                                                                                  
 
Charles Baudelaire (1821-1867) a hérité de la génération romantique, avec coqueterie du scandale. Après des études brillantes à Paris et un voyage à l'île Maurice, il mena une vie de dandy besogneux, enlisé dans d'indignes amours, miné par la maladie, jusqu' à une fin prematurée.
 A cotê d'éloges des póètes, ses Fleurs du Mal, lui valèrent un procès et trois cents francs ( antiques) d' amande. Sa nature frémissante avait trop demandé à la vie.  Il a eté sens et sentiment.   Baudelaire a eté le grand maître de la génération symboliste française.
 
Les parfums, les couleurs et les sons se répondent,
Il est des perfums frais comme des chairs d'enfants, 
Doux comme les hautbois, verts comme les prairies. ( Correspondences.)
 
Dados e foto:
Histoire Illustrée de la Littérature Française
   
 
                                                                                    
 
Manuel Bandeira  ( 1886-1968) natural de Recife mudou-se com a familia para o Rio de Janeiro, Estudou no Colégio Pedro II, onde mais tarde foi professor. Ainda com a familia, migrou novamente, para São Paulo onde fez a Escola Politécnica e trabalhou nos escritórios da Estrada de Ferro Sorocabana, aonde seu pai era funcionário. Mais tarde, tuberculoso, retorna ao Rio de Janeiro, onde o clima era melhor. Tratou-se  no estrangeiro e regressou ao Rio, onde desenvolveu  intensa e rica atividade literária. Percorreu  vários estados e se relacionou  com muitos outros escritores e poetas da época. .Morreu em Botafogo. Como Baudelaire era um parnasiano. Simbolista, amava os sentidos e a forma.
ARTE DE AMAR

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
                                                       Manuel Bandeira
Bandeira não acreditava em alma gemea.
Dados e foto
Manuel Bandeira Biografia: Internet
 
Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 20 de novembro de 2009

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Para Sobreviver

 

 

                               

                    Monumento ao Emigrante em São Miguel, Açores

 

Parece sina, mas para sobreviver, o Português tem que migrar!

No passado para não sucumbir nos lançamos ao mar e agora para onde devemos nos atirar? O que podemos dominar? O que podemos fazer para continuar a existir?

 

Talvez, quem sabe, pelas origens miscigenadas, místicas e belicistas, somos um povo inquieto, que gosta mais de se movimentar, de arriscar, de experimentar, de ver como é de perto! Não temos a virtude oriental para o exercício da mente, o espírito fleumático  saxónio para a pesquisa, a introspecção grega para a filosofia, o fanatismo deísta do muçulmano, a visão "umbelical" do americano, a paciência monástica para o desenvolvimento lento, educado, organizado, estudado. Gostamos de resultados, de preferência imediatos!

 

Temos que encarar as nossas tendências,  canalizá-las de um modo correcto. Temos que reaprender a desenvolver as nossas qualidades e a domesticar os nossos defeitos. É assim que começa a verdadeira independência.

Mas me pergunto, com muito receio:

 Será que a nova geração portuguesa ainda tem na mente a suficiente identidade e no coração o brio para tentar subsistir como um povo autónomo, dono de si e da sua consciência?

 

                                         Almas Cativas

                               (Antero do Quental, Sonetos)     

    

                          E eu entendo a vossa língua estranha,

                          Vozes do mar, da selva, da montanha...

                          Almas irmãs da minha, almas cativas!

                                              

 

Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 29 de Novembro de 2009

 


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Domingo, 29 de Novembro de 2009
LUSOFONIA – 4

 

 UM CONVITE AO SIGNIFICADO
 
A DIÁSPORA
 
Chegados às arribas, eis o limite inultrapassável. E como já não havia fuga possível, começaram os problemas de meter num pequeno espaço tanto fervilhar de vontades inquietas.
 
Alcandorados entretanto uns quantos à tarefa do mando, cumpriu a cada um garantir a sobrevivência do seu próprio feudo daí resultando na época medieval uma nobreza turbulenta mas entretida com a reconquista cristã. Mas quando em 1249 cai o último reduto árabe do Algarve, Silves, Portugal assume o actual território continental e ficam os irrequietos sem mais com que se entreter do que com quezílias intestinas.

Se a esta inquietude somarmos um clero de duvidosa formação doutrinária e moralmente desleixado, não encontramos motivos para deixar de compreender que tanto os camponeses como os pescadores fossem laboriosos à custa do embrutecimento a que foram remetidos por quem assim os queria para não levantarem ainda mais problemas do que os que já existiam.
 
Como muito mais tarde viria a dizer Eça de Queiroz, a esta mole ignara somava-se uma população urbana de artesãos e servos que constituía uma «plebe beata, suja e feroz». E esta população urbana abandonara os campos em fuga da miséria ou a caminho do anonimato na escuridão de becos e azinhagas já que dois terços do solo português não têm qualquer vocação agrícola por serem esqueléticos, rochosos ou escarpados. E se a esta realidade somarmos um tenebroso regime pluviométrico de seca e enxurrada, bem se compreende que a escassa população medieval do Reino – um milhão, no máximo – era excessiva para a exploração das riquezas naturais do território.
 
Com permanente borbulhar de mentes inquietas em cenário de miséria interna e acossado pelo vizinho que não lhe perdoa a autonomia, Portugal só descobre então uma hipótese de sobrevivência: a conquista de além-mar.
 
Assim chegámos ao século XV.
 
Eis-nos de novo em tal situação neste início do XXI.
 
Sim, também hoje temos na diáspora o preço a pagar pelo Centro.
 
 
Bragança, 5 de Outubro de 2007 – VI Encontro da Lusofonia
 
 
 Henrique Salles da Fonseca

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Sábado, 28 de Novembro de 2009
BAUDELAIRE E BANDEIRA

 

 
A Professora Berta Brás, autora do texto anterior, sugeriu-me que publicasse um comentário com as poesias completas de Charles Baudelaire e de Manuel Bandeira, respectivamente “L’invitation au voyage” e “Vou-me embora pra Pasárgada”, pois deve haver quem não as conheça na íntegra.
 
Só que os comentários têm um número limitado de caracteres e então decidi dar-lhes o estatuto de texto original para não quebrar o conjunto.
 
Eis o que segue por ordem cronológica:
 
L’invitation au voyage
Mon enfant, ma soeur,
Songe à la douceur
D'aller là-bas vivre ensemble !
Aimer à loisir,
Aimer et mourir
Au pays qui te ressemble !
Les soleils mouillés
De ces ciels brouillés
Pour mon esprit ont les charmes
Si mystérieux
De tes traîtres yeux,
Brillant à travers leurs larmes.

Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.

Des meubles luisants,
Polis par les ans,
Décoreraient notre chambre ;
Les plus rares fleurs
Mêlant leurs odeurs
Aux vagues senteurs de l'ambre,
Les riches plafonds,
Les miroirs profonds,
La splendeur orientale,
Tout y parlerait
À l'âme en secret
Sa douce langue natale.

Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.

Vois sur ces canaux
Dormir ces vaisseaux
Dont l'humeur est vagabonde ;
C'est pour assouvir
Ton moindre désir
Qu'ils viennent du bout du monde.
- Les soleils couchants
Revêtent les champs,
Les canaux, la ville entière,
D'hyacinthe et d'or ;
Le monde s'endort
Dans une chaude lumière.

Là, tout n'est qu'ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.
 
(Charles Baudelaire)
 
 
Vou-me embora pra Pasárgada
 
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar

 – Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
 
(Manuel Bandeira)
 
Claramente, não estavam bem no local em que se encontravam…
 
Henrique Salles da Fonseca

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TEXTOS DA SAUDADE, TEXTOS DE EVASÃO

 

Lembrou bem, Salles da Fonseca, o poema simples de Manuel BandeiraVou-me embora pra Pasárgada”, lembrou bem o belo poema de BaudelaireL’Invitation au Voyage”. No seu texto de “A Bem da Nação”, sobre o significado da Diáspora, que expandiu a lusofonia por estradas várias do mundo, num formigueiro de inquietação que desde longa data nos fizeram assentar arraiais longe do lar, para voltar sempre a ele, em saudoso retorno, bem à maneira do “Regresso ao Lar” de “Os Simples” de Guerra Junqueiro, na romântica amargura dos seus roteiros de desilusão:
 
 
Ai, há quantos anos que eu parti chorando
Deste meu ditoso saudoso lar!...
Foi há vinte?... há trinta? Nem eu sei já quando!...
Minha velha ama, que me estás fitando,
Canta-me cantigas, para me eu lembrar!...
 
Dei a volta ao mundo, dei a volta à vida…
Só achei enganos, decepções, pesar…
 
Não foi verdade, em todo o caso, que fossem só de desilusão os roteiros a que se refere Junqueiro, creio que figurativamente. Não foi por terras dos descobrimentos que andou perdido, penso que se refere às saudades da infância, tema que Pessoa retomará com maior originalidade, nos paradoxos da sua angústia existencial:
 
Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.
 
Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo
Estou só e sonho saudade.
 
E como é branca de graça
A paisagem, que não sei,
Vista através da vidraça
Do lar que nunca terei!
 
Aprendemos na história que o sonho do Império, para além da expansão da fé, repousava sobretudo na ambição material, por roteiros marítimos, livres da fiscalidade e perseguição a que a rota pelo Levante era sujeita. Mas a evasão e o sonho também estiveram na origem dessa epopeia, que Salles da Fonseca ilustra com os dois poemas primeiro citados.
 
Assim, de Manuel Bandeira, na simplicidade da linguagem corrente, as ambições dos prazeres comezinhos, libertadores das malhas duras da vida:
 
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Aqui não sou feliz
Lá a existência é uma aventura…
....Vou-me embora pra Pasárgada.
 
De Charles Baudelaire, o poema de doçura e evasão, Invitation au voyage, em três momentos do sonho “d’aller là-bas” – o convite, o descritivo do espaço interior imaginário, de requinte oriental, o descritivo do espaço exterior igualmente imaginário, de luz e doçura, visto da janela:
 
Mon enfant, ma soeur,
Pense à la douceur,
D’aller là-bas, vivre ensemble...
 
Là, tout n’est qu’ordre et beauté
Luxe, calme et volupté.
 
...
 
Salles da Fonseca considera que o sonho da aventura, que veio trazendo os povos europeus desde a sua origem levantina, firmando-os gradualmente nos territórios respectivos, mais ordeiramente os do centro, ou empurrando os mais rebeldes para ocidente, na mira do desconhecido, já dando provas dessa rebeldia no tempo dos romanos, após a epopeia marítima estão confinados ao terreno donde partiram para ela. Na desordem. Sem Pasárgada. E sobretudo sem rei.
 
 
Berta Brás

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Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
LUSOFONIA – 3

 

 UM CONVITE AO SIGNIFICADO
 
 
A DIÁSPORA
 
A cultura portuguesa tem hoje uma dimensão universal pois tivemos que nos fazer à vida – e ao mundo – para ganharmos a dimensão necessária à salvaguarda da Soberania Nacional. E essa dimensão universal desmaterializou-se pois subsiste mesmo já depois de confinados ao território permitido.
 
Assim, foi pensando em Pasárgada que construímos um Império mas foi na realidade da vida que mantivemos a nostalgia da terra natal, ela também entretanto miragem do lugar longínquo, lura para o regresso sonhado.
 
Eis o caminho da diáspora e o do regresso, o sentimento do centro, o culto da origem, a que ganha dimensão com a periferia. Assim andam os portugueses numa permanente peregrinação entre lá e cá.
 
E donde vem esse “formigueiro” que nunca nos deixa parar?
 
Se o povoamento da Europa se fez a partir do Levante como rezam as crónicas, das hordas que chegaram da Ásia seguindo a rota do Sol foram-se uns quantos fixando no caminho e seguindo em frente os demais. Ficavam os que entendiam que para eles bastava de aventura; seguiam os que queriam mais ou que não se acomodavam às normas sedentárias entretanto estabelecidas. Sede de aventura e inconformismo dá uma mistura que não é compatível com a pacatez dos sossegados. E se isto foi acontecendo ao longo dos milhares de léguas que distam da foz do Danúbio ao Cabo da Roca, fácil será compreender o grau de apuramento a que a dita mistura levou os que alcançaram o extremo ocidental e se debruçaram das arribas sobre o mar, nesta parte do mundo a que nos tempos megalíticos chamariam Ofiuza, a terra da serpente.
 
Aqui, onde a terra acaba e o mar começa...
 
 
 
Talvez seja esta a explicação para o queixume do romano Augusto quando se lastimava de que cá nos confins da Ibéria havia um povo que não se governava nem se deixava governar…
(continua)
 
Bragança, 5 de Outubro de 2007 – VI Encontro da Lusofonia
 
 Henrique Salles da Fonseca

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Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
POSTAIS ILUSTRADOS XXXII

 

 
 
Raphanus Raphanistrum
 

“O Pai ama o Filho e tem entregue todas as coisas na sua mão” João, 3:35

 
 
Não sou botânico, mas hoje venho abordar o tema de plantas e flores, mais concretamente, venho falar-vos do dito cujo raphanus raphanistrum que significa rábano silvestre ou selvagem. Faz parte da família das crucíferas (o nome não condiz) porque este de que vos falo não se dá bem com as cruzes. Cresce sem cultura em quase todo o Portugal, mas faz parte mais intensa da flora da Serra da Adiça. Esta Serra fica convenientemente próxima da fronteira espanhola. (O raphanus emigrou para Espanha por causa de lhe meterem um livro no Index nacional e cortarem-lhe o almejado subsídiozito). A Serra caracteriza-se pelas suaves lombas avermelhadas e esta planta, herbácea de ADN, é de um vermelho doentio, mas aparece muitas vezes com cores rosáceas. As lombas da Serra estão cobertas de oliveiras e vejam a coincidência, Jesus Cristo partiu do Monte das Oliveiras para a cruz. Mas este raphanus raphanistrum escreve sobre Jesus da mesma forma como vive do húmus da terra, rasteiro, colado ao solo, para melhor sugar e viver. Só ataca quem garantidamente lhe oferece a outra face. Não vá o diabo lembrar-se e arranjar-lhe uma caldeirada salmon rushdiana e acontecer-lhe o mesmo que a Jesus: a morte. O Raphanus raphanistrum traduz-se do latim como o rábano dos rábanos, i.e., o only one. O especial. Para terminar. Se for ao dicionário Houaïss e procurar o significado de saramago lá encontra a classificação botânica latina raphanus raphanistrum, mas, explorando a enciclopédia luso-brasileira, lá encontraremos: “gracioso de comédias, personagem burlesco em certas farsas, tipo lacaio”. E aparece na botânica brasileira a espécie de água, como planta crucífera brasileira chamada rábano bastardo. E concluo por aqui o meu estudo, pois acho que já gastei o meu latim...
 
 Luís Santiago

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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
LUSOFONIA – 2

 

 UM CONVITE AO SIGNIFICADO
 
 
CULTURA – O QUE É?
 
O que é, então, a essência da cultura?
 
É o conjunto das obras intemporais, as perenes, as que não passam de moda, as grandes obras humanistas, as que desenvolvem o pensamento especulativo. É a conjugação lógica de axiomas para a construção de novos silogismos e para a definição de doutrinas inovadoras. Eis o âmago da cultura, de uma qualquer cultura: o raciocínio especulativo, a independência relativamente à letra, a interpretação dessa mesma letra, a busca do significado. Quanto mais uma cultura se identificar com os valores humanistas e os promover, mais elevada é essa cultura.
 
E o que é ser culto? Será saber muitas coisas? Não, isso é uma enciclopédia. O conhecimento dos factos não define a cultura mas apenas a dimensão do conhecimento. O culto é aquele que está aberto à nova interpretação, o que busca o significado.
 
E o que é ser educador? É «convidar os outros para o significado».
 
Eis ao que as elites devem andar: a transmitir o significado das ideias;
eis ao que elas têm andado: a imprimir um cunho pessoal aos acontecimentos.
 
Assim não se transmite o significado;
Assim se esmaga quem apenas serve para servir;
Assim se espanta quem vale.
 
(continua)
 
Bragança, 5 de Outubro de 2007 – VI Encontro da Lusofonia
 
 Henrique Salles da Fonseca

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Terça-feira, 24 de Novembro de 2009
VIVER A VIDA

 

 
 
 
 
Dentro da visão cultural ocidental, a morte sempre foi vista como um mal a ser combatido. Morrer, perder um ente querido, um amor, um emprego, algo material ou uma posição social, são situações para as quais não somos treinados para  encara-las como coisas naturais da vida. Desde que abrimos os olhos e passamos a perceber o que nos rodeia somos programados para tê-las, não para perdê-las.
 
Mas, como diz a música de Vinicius de Morais e Toquinho, Sei lá... A vida tem sempre razão, quando nascemos, começamos a morrer. Não há perdas sem ganhos, não há ganhos sem perdas. E é assim no viver. Morremos e renascemos todos os dias, através das nossas células, num se repetir, “ad eternum”, como um xérox biológico que se apaga pouco a pouco com o tempo, trazendo outros contornos, até desaparecer. São as mudanças e transformações que aparecem no nosso corpo, no entanto,  na mente,  permanece a ideia inalterada do EU, da individualidade do Ser. Perdemos as formas de criança, ganhamos as de adolescente, de adulto e de velho, num perde e ganha, alternadamente, até que, como todos os seres viventes, desaparecemos e voltamos à terra para fazer parte dela novamente.
 
Ter medo de morrer, de como a morte virá nos recolher é natural, é o medo do desconhecido. Porém, devemos procurar entender que a morte faz parte da vida e que ela deve ser aceita, mesmo com tristeza, quando não há mais jeito de evitá-la. Mesmo os profissionais da Medicina têm dificuldade em administrar esse facto. Com remédios e procedimentos cada vez mais sofisticados, muitas vezes postergam a morte do indivíduo, mantendo as funções vitais por aparelhos, quando o cérebro já morreu. É a tecnologia querendo ser Deus.  Devemos reaprender com os antigos, a respeitar a natureza, quando não há mais condição digna de vida, a aceitar o direito humano à ortotanásia.
 
Prolongar a vida, não é adiar artificialmente a morte. É simplesmente criar a ilusão que podemos enganá-la, posterga-la, que somos “temporariamente” imortais. Bom mesmo é viver a vida, da melhor maneira possível, sendo felizes e fazendo os outros felizes, lembrando todo o dia, ao abrir os olhos, que a nossa companheira inseparável está ali, ao nosso lado, esperando, para nos tornar eternos.
 
 Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 22 de Novembro de 2009.
 

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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
LUSOFONIA – 1

 

 UM CONVITE AO SIGNIFICADO
 
 
CULTURA – O QUE É?
 
Quando em 1938 Thomas Mann chegou aos Estados Unidos, fugindo ao nazismo, deu uma conferência de imprensa em que disse: «Onde eu estiver, está a cultura alemã»
 
0102016390500
 
Logo houve quem atribuísse esta frase a uma grande dose de arrogância e a simpatia com que foi recebido ficou claramente moldada pela impressão assim causada. Foi necessário esperar alguns anos para que essa frase fosse explicada pelo seu irmão mais velho, Henrique, quando nas suas memórias se refere ao episódio e o explica com a frase de Fausto: «Aquilo que de teus pais herdaste, merece-o para que o possuas».
 
Não fora, pois, arrogância mas sim um profundo sentido de responsabilidade que levara o escritor a identificar-se daquele modo com a sua própria cultura. O conhecimento do que outros fizeram antes de si já levara Hölderlin (1770 - 1843), o poeta atacado de mansa loucura, a afirmar que «Somos originais porque não sabemos nada».
 
Em 1518, Ulrich von Hutten (1488-1523), companheiro de Lutero, escrevia a um amigo que, embora fosse de origem nobre, não desejava sê-lo sem o merecer: «A nobreza de nascimento é puramente acidental e, por conseguinte, insignificante para mim. Procuro noutro local as fontes da nobreza e bebo dessa nascente. A verdadeira nobreza é a do espírito por via das artes, das humanidades e da filosofia que permitem à humanidade a descoberta e reivindicação da sua forma mais elevada de dignidade, aquela que faz distinguir a pessoa daquilo que também é: um animal
 
Ou seja, a nobreza conquista-se, não se adquire por via hereditária. Afinal, era isso que Mann significava quando chegou à América …
(continua)
 
Bragança, 5 de Outubro de 2007 – VI Encontro da Lusofonia
 
 
 Henrique Salles da Fonseca

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