Sábado, 31 de Janeiro de 2009
FALTA DE RUMO*

 

 
 
 
 
Desde sempre, o agricultor português começa por produzir e só depois é que procura comprador para os seus produtos. Os compradores, sabendo que têm diante de si um proprietário de produtos perecíveis, dizem-lhe: «Ou me vendes os teus produtos ao preço a que eu os quero comprar ou ficas com eles a apodrecer e perdes tudo. Portanto, para não perderes tudo, melhor será que mos vendas ao preço que eu quero pagar por eles.»
 
Nos países avançados o agricultor consulta a Bolsa de Mercadorias para saber quanto valerá um determinado produto (p.ex. um cereal) dentro de 6 meses e faz a sementeira se a cotação lhe interessa ou, caso contrário, escolhe uma produção alternativa que se mostre mais vantajosa. Assim se viabiliza a empresa agrícola.
 
Essas operações sobre futuros – realizadas anonimamente em Bolsa de Mercadorias – nunca existiram em Portugal esão tituladas por um documento que é descontável (para além de endossável) permitindo ao seu detentor a obtenção de financiamento para a lavoura.
 
Eis como a Agricultura chegou no nosso País ao estado que todos lhe conhecemos, em contraste com os Centros Comerciais faraónicos que encontramos um pouco por toda a parte.
  
Ou seja, ao contrário do que é costume dizer, Portugal não tem um problema agrícola mas apenas e tão só um problema comercial.
 
A título de curiosidade, registe-se que na Bolsa de Londres se fazem futuros sobre … porcos.
 
E por cá? Não é estranho que os responsáveis na matéria – tanto públicos como privados – andem todos distraídos ou mais interessados noutros assuntos?
 
Lisboa, Outubro de 2008
 
 Henrique Salles da Fonseca
 
 
 
* - a pedido do Instituto da Democracia Portuguesa para publicação na rubrica RUMOS do Jornal OJE


publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:03
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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
CANTIGA DE AMIGO

 

Pintura de Miguel Angelo
 
VOU ESTAR AUSENTE
INTERVENÇÃO CIRÚRGIGA AOS MEUS OLHOS
Luís Santiago
 
(Justifica-se esta linda Cantiga de Amigo)
 
PARTINDO-SE
 
Senhora partem tam tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
Tam tristes, tam saudosos,
tam doentes da partida,
tam cansados, tam chorosos
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes
tam fora d'esperar bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
 
João Roiz de Castel-Branco, Cancioneiro Geral, III, 134
 
 

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 07:57
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Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
A mitologia do aquecimento global

 

 
Por Rui G. Moura *
 
O aquecimento global tornou-se um assunto mediático, sobretudo depois da seca observada nos Estados Unidos da América, no Verão de 1988. O receio de um novo e prolongado período de calor e de seca, como o que se verificou nos anos 1930 (cf. As Vinhas da Ira de John Steinbeck), explica a atenção particular dedicada à seca de 1988 e a dramatização que se lhe seguiu, até hoje.
 
Na verdade, a ideia do aquecimento global, com origem na emissão de gases com efeito de estufa (GEE) libertados na queima dos combustíveis fósseis, foi transformada num tema extremamente confuso, em que os alarmistas misturam tudo:
 
A poluição e o clima – tornou-se o clima num álibi para resolver a poluição. A evolução futura do clima é apresentada como um postulado e quem coloca dúvidas sobre o aquecimento global fica catalogado como favorável à poluição.
 
Os bons sentimentos e os interesses (in)confessados – alarma-se com um planeta em perigo, que é necessário salvar mas, em simultâneo, admite-se o direito de poluir, mediante o comércio de «direitos de emissão» de GEE.
 
As suposições e as realidades – apresentam-se modelos informáticos do clima sem relação directa com os mecanismos reais e avançam-se previsões tanto mais gratuitas quanto os prazos são mais longínquos (2100!).
 
O sensacionalismo e a seriedade científica – procura-se o furo jornalístico e ignora-se a informação devidamente fundamentada, com os políticos e os media a ajudar à confusão.
 
Os alarmistas pretendem ver sinais da catástrofe anunciada nalguns acontecimentos recentes (ondas de calor, secas, cheias, evolução natural do mar gelado do Árctico e do Antárctico) os quais, no entanto, não têm qualquer relação com as emissões de GEE.
 
 
Seleccionam as informações favoráveis à ideia do aquecimento, ocultando as que dão conta de situações de arrefecimento. O que domina incontestavelmente o debate, e mais o falseia, é que as alterações climáticas são um assunto de climatologia, que está a ser tratado, maioritariamente, por não especialistas, nomeadamente pelos ambientalistas.
 
Com uma complacência geralmente proporcional à ignorância dos fundamentos da disciplina, muitos dos que têm a audácia de se proclamar cientistas apenas propalam as hipóteses oriundas dos modelos.
 
Deve-se começar por colocar fortes reticências ao mito segundo o qual os relatórios do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) são preparados por «milhares de cientistas». É falso. Não provêm senão de uma pequena equipa dominante.
 
Os conhecimentos actuais sobre climatologia são em geral limitados. O IPCC reconhece-o quando refere que «A aptidão dos cientistas para fazer verificações das projecções provenientes dos modelos é bastante limitada…».
 
As explicações do IPCC não reflectem a verdade científica, que é extremamente complexa. São em regra simplistas, próximas do slogan, a fim de serem facilmente apreendidas. Quanto mais simples a mensagem, maior a hipótese de ser adoptada pelos políticos e pelos media.
 
Este conhecimento superficial e esquemático é também imposto pelas «simplificações inevitáveis, transpostas para os modelos», os quais não podem integrar todas as componentes dos fenómenos climáticos.
 
Esta falha explica também a fé cega atribuída a uma ciência – a climatologia – idealizada por alguns, ignorando, geralmente, que a climatologia está num verdadeiro impasse conceptual há mais de cinquenta anos.
 
A climatologia não dispõe de um esquema explicativo observável da circulação geral da atmosfera (fenómeno este que é fundamental) apto a traduzir a realidade das trocas meridionais de energia e vive na ignorância dos mecanismos reais.
 
Este impasse tem conduzido, entre outros, aos «falhanços» dos serviços de meteorologia dos EUA na previsão das trajectórias dos furacões tropicais, por deficiente conhecimento da sua dinâmica.
 
O conhecimento é substituído pela convicção (sincera, ou pela fé) do género «estou convencido de que o aquecimento global do planeta é uma realidade» ou «há quem não acredite no aquecimento global». Isto é a negação do método científico.
 
É, pois, necessário fazer um ponto da situação. Sem complacências nem concessões, aprofundado, rigoroso e unicamente centrado na climatologia, pois o estudo do clima deve ser deixado aos climatologistas.
 
Torna-se necessário desmascarar a pretensa ligação Homem – poluição – GEE – aquecimento global – alterações climáticas. O Homem, neste caso, está inocente e a acusação que lhe fazem não se justifica.
____________
(*) Engenheiro electrotécnico (IST). A sua vida profissional foi ocupada no sector energético nacional. Trabalhou na Comissão Europeia, Bruxelas, como especialista português. Participou na realização do último Plano Energético Nacional, de 1992. Depois de se reformar dedicou-se ao estudo da climatologia.
Autor do blog: http://mitos-climaticos.blogspot.com
 


publicado por Henrique Salles da Fonseca às 10:07
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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009
ABORTO

 

 
Sabe que os profissionais de saúde objectores de consciência (médicos / enfermeiros) estão impedidos de participar nas consultas de aconselhamento das mães que pedem o aborto? Sabe que não se mostra à mãe a imagem do seu filho obtida por ecografia, embora essa ecografia exista de facto – para determinação do tempo de gestação?

Que razões pode haver para tal disposição do legislador senão o interesse mórbido em maximizar o número de abortos, reduzindo na mesma proporção o de nascimentos? Optando por uma tão radical redacção, os deputados nossos representantes (?) deram ao desprezo o princípio do "consentimento informado" por parte da mãe. E ignoraram, na prática, as recomendações incluídas na mensagem enviada aos deputados pelo Presidente da República:
 "Importa, desde logo, que a mulher seja informada, nomeadamente sobre o nível de desenvolvimento do embrião, mostrando-se-lhe a respectiva ecografia, sobre os métodos utilizados para a interrupção da gravidez e sobre as possíveis consequências desta para a sua saúde física e psíquica". Para o Presidente da República, "a existência de um «período de reflexão» só faz sentido, em meu entender, se, antes ou durante esse período, a mulher grávida tiver acesso ao máximo de informação sobre um acto cujas consequências serão sempre irreversíveis".
 
Movimento Portugal pro Vida

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 10:01
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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009
CRÓNICA DO BRASIL

 

Bolivarianos e barbeiragens
 
No ano passado o primário evo morales, o Bolívar da Bolívia, decidiu nacionalizar os investimentos brasileiros em seu (seu?) país, defraudando o Brasil em muitos milhões de dólares e ainda impondo um aumento violento do preço do gás, que abastecia quase 80% das nossas necessidades, com 30 milhões de m3 por dia.
O nosso grande (des)governo acovardou-se, baixou as orelhas, o kxk vomitou um pronunciamento anti nacional (pelo que deveria ter sido preso!) dizendo que os coitadinhos dos irmãos bolivianos deviam olhar pelos seus interesses, e deixou tudo “por isso mesmo”. Perderam-se os investimentos, negociou-se um novo preço para o gás e... o povo brasileiro paga! Como sempre.
VII Colóquio Internacional
Estes ano choveu muito. Todas as barragens estão cheias o que permite reduzir o consumo de gás nas industrias, trocando-o por energia elétrica, e anunciou-se ao amigo e camarada morales bolivariano que em vez de 30 só queríamos agora 19 milhões de m3/dia. O camarada ficou p. da vida, reclamou, xingou, chamou pela mãe (coitada da senhora), que assim o país perdia uma verba que lhe fazia muita falta, etc., etc. O nosso kxk lá se condoeu mais uma vez do camarada e em vez de 19 comprometeu-se a comprar 21, mas – haja Deus – foi avisando que não tarda (aliás tarda muito!) o Brasil será auto suficiente em gás, o que deve ter deixado o moralito apavorado sem saber onde vai enfiar aquele gás todo. (Acho que eu teria uma sugestão a dar-lhe nesse sentido!!!)
Entrementes os big kxks destas bandas reuniram-se junto à fronteira do Brasil, para discutir, uma vez mais aquilo que não vai nunca realizar-se: uma espécie de União Européia na América do Sul.
Declaração final do nosso super big kxk a propósito do desespero do outro kxk bolivari-venezuelano em conseguir aprovar no circo do seu congresso uma alteração constitucional que lhe permita ficar ad aeternum a comandar aquele país semi-falido apesar de ser um dos grandes produtores de petróleo: “Acho muito bem que o chavez se perpetue no poder, se for vontade do povo. O Uribe (que anda a tramar algo na mesma direção!) é que não, porque isso de ficar no poder o tempo que se queira é prerrogativa de governos de esquerda!”
Maravilha! Já tenho muitos anos, vi muita coisa, o Stalin e o Mao abocanharem o poder, e lá ficarem o quanto quiseram, mas declarações de tal modo, como direi, insensatas, para não dizer pior, desconhecia.
Isto é na chamada esquerda, porque a direita, lhe é semelhante. O presidente Sarkozy concedeu empréstimos bilionários para salvar os bancos que os seus administradores levaram à falência. Pois não é que os mesmos administradores querem empochar alguns milhões que lhes estariam prometidos por contrato para gerirem, e não por falirem, os mesmos bancos!
Sugestão ao Presidente da França: mande esses ladrões de presente ao chavez! Livre-se dessa corja de malandros e ineptos. Se não o fossem não teriam entrado em negociatas excusas e ruinosas, e ainda querem gratificação por isso!
Na verdade, até ao dia em que fecharmos os olhos, estamos a aprender, e a confirmar que a espécie humana está condenada à auto destruição!
 
Rio de Janeiro, 19 de Janeiro de 2009

 

 Francisco Gomes de Amorim



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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009
DOMÍNIO INGLÊS NO BRASIL
                                 OS TRATADOS DE 1810 - Parte 12
 
Final da parte 11: A classe dominante platina, contrária ao movimento revolucionário, reconhecia a força dos partidários da solução monárquica, que rodeavam o Rio de Janeiro. Como a classe dominante brasileira, a platina também preferia continuar colonial a sofrer qualquer alteração em seus privilégios.
 
No Brasil, a luta por uma solução democrática para a emancipação deflagraria os acontecimentos da Regência quando as forças do latifúndio acabariam por impor o seu domínio. No Prata, aquela luta prolongou-se no período de anarquia e caudilhismo. A turbulência aqui e no Prata estava relacionada à profunda e alastrada luta por formas mais avançadas de governo e de organização nacional.
 
Parte 12: Negociações
 
  A primeira das exigências alcançadas por Strangford, posteriormente incorporadas ao texto dos acordos, foi relativa ao Juiz Conservador britânico no Brasil, com funcionamento imediato na Bahia e no Rio de Janeiro. Foi assinada uma convenção para estabelecer uma linha de navegação entre a Inglaterra e o Brasil. As partes em entendimento concordavam em afirmar tratados definitivos que sancionassem a nova situação.
 
Mapa do Continente da Colónia do Sacramento e Rio Grande de São Pedro até à Ilha de Santa Catarina
 
  A resistência consistia, quase unicamente, no facto de que do lado português, pretendia-se da Inglaterra reciprocidade de tratamento alfandegário. Estava incluído nesse ítem o problema dos gêneros tropicais que a Inglaterra recebia de suas colônias e que eram os mesmos que constituíam a exportação brasileira, na maior parte. Strangford resistia sempre à essa exigência. Em novembro de 1808, Sousa Coutinho informou ao ministro inglês a decisão do governo de permitir a baldeação e reexportação  das mercadorias inglesas nos portos brasileiros mediante taxa de trânsito insignificante assegurando-lhe que tal concessão constaria no texto de acordo definitivo que ambos negociavam. A concessão estava ligada à conquista do mercado platino e à exigência ainda não abandonada de um porto na ilha de Santa Catarina.
 
Continua
 
 Therezinha B. de Figueiredo 

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:51
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Domingo, 25 de Janeiro de 2009
LIDO COM INTERESSE – 40

 

 
 
Título: D. Teresa – a primeira rainha de Portugal
Autor: Marsilio Cassotti
Tradutora: Ana Isabel Ruiz Barata
Editores: A Esfera dos Livros
Edição: 1ª, Junho de 2008
 
 
 
 
Viseu foi a capital da Galiza e um Arcebispo de Braga que foi Papa, eis duas novidades que aprendi neste livro. Mas para todos os que fizemos a instrução primária portuguesa durante o século XX, a Condessa D. Teresa não passava disso mesmo: uma Condessa. Mais nos habituámos a pensar que ela queria continuar integrada na Galiza, que se amancebou com um Conde galego e que por isso o seu filho legítimo, D. Afonso Henriques, a venceu militarmente ali pelos arrabaldes de Guimarães nos campos de S. Mamede agrilhoando-a de seguida até ao seu passamento.
 
Com dimensões aceitáveis, o livro compõe-se de 215 páginas de texto, 40 apenas com gravuras e respectivas legendas, 5 de árvores genealógicas, 22 de notas explicativas e 3 de bibliografia. Prefácio de Guilherme d’Oliveira Martins com a qualidade de conteúdo e estilo a que nos habituou e que dispensa apresentações.
 
Dá para imaginar que se trata de tese académica – tal a qualidade (e quantidade) da fundamentação – que foi trazida aos circuitos comerciais por se tratar não só de tema relativamente acessível mas sobretudo porque a população portuguesa em geral o encara de forma diversa da aqui apresentada.
 
Sim, Portugal teve esta primeira Rainha mesmo antes de ser um Reino independente. Parece um contra-senso mas não é: houve um Papa que nomeou a Infanta Teresa de Rainha de Portugal sem que se visse na necessidade de reconhecer a nossa independência relativamente a Leão e Castela. É o que se chama dar uma no cravo e outra na ferradura. E como uma Rainha só poderia prestar vassalagem a um Imperador, nada mais fácil do que deixar ao Rei de Leão e Castela intitular-se Imperador. Fizesse-se-lhe a vontade se isso o enchesse de gáudio e simultaneamente resolvesse problemas típicos da hierarquia medieval.
 
Como nota aparentemente menor, registe-se que se a gravura da capa da autoria de Bernat Martorell pertencente ao Museu Nacional de Arte da Catalunha corresponde à realidade fisionómica da protagonista do livro, podemos afirmar que se tratava de mulher especialmente bela. Mesmo hoje e salvaguardadas as distâncias, não se poderia dizer que D. Teresa ofendesse os nossos conceitos de estética feminina. Isso dá para imaginar o que em vida ela terá posto de cabeças masculinas – laicas, confessas, eruditas e prosaicas – às voltas… O Conde Fernando Perez de Trava não era seguramente insensível à estética feminina, não descuraria por certo as mordomias resultantes duma ligação amorosa alternativa a um casamento de conveniência política que na juventude lhe tinha sido imposto, não haveria de menosprezar o exercício do poder que D. Teresa lhe concedeu como governador de Coimbra. Fernando Perez de Trava comportou-se como homem e ponto final na discussão. Isso de um novo Reino era coisa que não estava ainda perfeitamente clara na ideia de muitos. Na dele, por exemplo, que tinha interesses materiais do outro lado da futura fronteira.
 
E o Autor conduz-nos pelos meandros interessantíssimos do feudalismo medieval com uma sabedoria tão fundamentada que só podemos concluir pela evidência de que a vida existia por estes lugares antes da batalha de S. Mamede. É que do modo como a História nos foi contada pelas professoras primárias até parecia que antes de D. Afonso Henriques só havia celtas e cartagineses enamorados por princesas mouras encantadas…
 
E foi nessas épocas para nós algo obscuras que Viseu foi capital da Galiza, que ali morreu um Rei de Leão varado por uma seta moura e que o Conde D. Henrique chegou cá como se costuma dizer «com uma mão a trás e outra à frente». Mas deu-se ao respeito pelos méritos que foi evidenciando não só junto do sogro, esse grande monarca que foi Afonso VI de Leão, mas também perante a nobreza mais ou menos importante desde a da corte leonesa até à dos vales do Mondego, do Minho e do Douro. E foi ele o primeiro a conquistar aos mouros cidades importantes como Santarém e Lisboa entretanto perdidas por inépcia do seu cunhado o Conde Bermudo casado com Urraca, futura Rainha de Leão e Castela, meia-irmã da nossa D. Teresa.
 
E são tantas e tantas as novidades que vamos lendo ao longo do livro que dá para imaginar como a História pode ser escrita de formas diferentes sem nunca faltar acintosamente à verdade.
 
 
Sim, posso contar o final do livro: é feliz e consiste na independência de Portugal.
 
Se todas as teses académicas fossem deste modo apresentadas ao grande público, a Academia não andaria por certo tão ausente da vida corrente da nossa Nação.
 
Lisboa, Janeiro de 2009   
 
 Henrique Salles da Fonseca

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Sábado, 24 de Janeiro de 2009
IDENTIDADES E DIFERENÇAS

 

 
Presidente do Tribunal de Contas Juiz Conselheiro Guilherme d'Oliveira Martins Guilherme d´Oliveira Martins, Portugal: Identidade e Diferença. Lisboa, Gradiva, 2007
 
9 – Fala-se muito de identidade, mas há sempre a tentação de valorizar o que é próprio, em vez de cultivar a ligação com o outro. ..Se a memória deve ser preservada, tem de o ser com sentido de equilíbrio, para que a amnésia e a indiferença não se tornem perigosos ingredientes da barbárie, o para ressentimento não ocupe o lugar do respeito e da humanidade…
 
    Quando se fala de Portugal, verificamos amiúde que nós conhecemos mal, que tendemos a cariacaturar-nos por excesso ou por defeito, que nos iludimos quer sobre o mítico bem donde julgamos provir quer sobre o mal onde julgamos    estar e que facilmente se confunde com uma fatalidade .
 
13 – [faz-se] uso de uma espécie de esquecimento de encomenda (não nós lembremos das coisas…mas)
 
 Eduardo Lourenço, The Little Lusitanian House: Essays on Portuguese Culture. Providence, Gávea-Brown, 2003
 
29 – Portugal is…a kind of ongoing miracle, the expression of God´s will – is a constant not only in the country´s historic-political mythology, but also in its cultural mythology.
 
55 – What we played, brilliantly or painfully, was the role of reactor
 
59 – [Portugal´s] ancestral nationalism
 
67 – The critical function has practically ceased to exist in the country
 
87 – [Portugal] cannot bear to be looked at by those unmindful or unaware of
 [its] imaginary life
 
 José Gil, Portugal Hoje: O Medo de Existir. Lisboa, Relógio d´Água, 2005
 
53 – Não vemos mais longe do que…as nossas fronteiras, a nossa região, a nossa cidade, a nossa família colados a um falso presente sem passado (as narrativas míticas dos reis e dos Descobrimentos já não alimentam o nosso presente nem futuro)
 
25 – Não há debate político…com regras predeterminadas
 
26 – Os lugares, tempos…e pessoas formam um pequeno sistema estático que trabalha afanosamente para a sua manutenção
 
 
 Eduardo Lourenço e a Cultura Portuguesa, de Miguel Real, Lisboa, QuidNovi, 2008
 
31 – Sintetizando os seus trabalhos [de Lourenço]…sobre a cultura portuguesa, considera que a dupla posição tradicional portuguesa sobre a Europa que tanto fez deste continente a salvação de Portugal quanto diaboliza o movimento científico, tecnológico, religioso, filosófico, económico e político que tornara a Europa a vanguarda do mundo entre os séculos XVI e XX, incorre no mesmo erro ´ortodoxo´.
 
33 – O delicioso paraíso do autocontentamento mais inexpugnável que se viu neste século, êmulo digno dos bons tempos de D. João V
 
34 – Um dogmatismo sem fendas, transfigurando na prática em suficiência e intolerância.
 
43 – O  irrealismo prodigioso da imagem que os portugueses fazem de si mesmos.
 
 
 John Howard Wolf
 

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:21
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009
Curupira, um mito do Brasil

 

 
 
O imaginário está presente na mente de todos os homens, em todas as épocas e civilizações. Faz parte da cultura e da história, ajuda a educar  os sentimentos  que não se entende, a interpretar os fenómenos  da natureza, a se posicionar e agir em relação àquilo que se desconhece,  identifica  povos.
 
E não foi diferente quando os europeus chegaram ao novo mundo. Depararam-se com outros mitos e lendas de um povo desconhecido, selvagem, que, mais tarde, miscigenado,  enriqueceu o folclore do Brasil.
 
Já no tempo em que chegaram os primeiros jesuítas, o padre José de Anchieta, em carta de 1560, relatava: “ ... aqui há certos demónios a que os índios chamam de CURUPIRA, que atacam muitas vezes no mato dando-lhes açoites e ferindo-os bastante”. Ele se referia a um ente mitológico tupi-guarani que, para os índios, protegia a floresta. Descreviam-no como um anão, de cabelos vermelhos, dentes verdes e com pés voltados para trás, para despistar os invasores da mata. Seria ele o responsável pelos ruídos misteriosos, pelos medos inexplicáveis que acometiam os homens, e pelo desaparecimento de caçadores, enganados pelas suas pegadas. Na ameaça de tempestades, despertava as árvores sacudindo-as para que acordassem e pudessem reagir aos ventos e à chuva.  Curupira, como outras entidades fantásticas,  gostava de fumo e de cachaça, mas tinha medo da cruz. Quando a encontrava mudava de rumo. Quem o desagradasse não conseguia mais sair da floresta, tinha morte certa. Para agradá-lo os caçadores deixavam esteiras, penas e cobertas nas clareiras, levavam sempre fumo, para lhe oferecer caso o encontrassem.
 
Do Maranhão para o resto do país é confundido com outro mito protector dos animais e das matas, o Caiapora ou Caapora que tem a  imagem idealizada parecida com a do Curupira,  só que com os pés na posição normal, sendo que na região sul do país tem o aspecto de um gigante peludo. É comum este aparecer montado num porco do mato, agitando um galho de japecanga  e , à vezes, seguido por um cachorro,  para assustar e castigar  os caçadores que quebrarem o trato de não pouparem os animais filhotes e as fêmeas da floresta. 
 
Os mitos se misturam e tomam aspectos diferentes de acordo com as tribos e os locais do país onde são contados. Mas o importante é que eles tentam preservar uma identidade cultural que está sendo drasticamente descaracterizada pela aculturação e contacto com o branco, como acontece, por exemplo,  em certas áreas da Amazónia, onde o turismo chegou, em que  o índio e o caboclo aprendem a explorar até  as cobras, como animais domesticados, para ganhar dinheiro dos turistas mais corajosos.   
 
 
Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 18/01/09
 
Dados :
Enciclopédia Universal

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:34
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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
CRÓNICA DO BRASIL

 

O país da camarada... gem !
 
O camarada Battisti, um pseudo revolucionário vermelhusco italiano, há tempos, lá em terras etruscas, lembrou-se que não gostava de uns quantos indivíduos que não pensavam, como ele, em vermelho, e vá de passar a faca nos inimigos.
 
À sombra de pseudo filosofias trotskistas, ASSASSINOU quatro indivíduos e deu o fora da Itália. Para onde? Brasil, o país que acolhe ladrões, ditadores assassinos e outras belezuras, e por aqui se deixou andar até que a Itália descobriu o paradeiro do malandro e pediu a sua extradição. Acusação: quatro assassinatos, em país democrático, com eleições livres, etc.
 
O Brasil pensou, estudou as leis, analisou e quando estava pronto a despachar o facínora de volta à terra dele, o camarada kxk* brasiliensis, ao abrigo da democracia do proletariado ignorante que o colocou no pedestal de supremo magistrado na nação... concedeu abrigo POLÍTICO ao criminoso!
 
Como, de qualquer modo, quem manda hoje neste país são os revolucionários de há 30 anos, com direito, nos seus currículos, a assaltos a bancos, sequestros e outras brincadeirinhas, o colega-camarada Battisti deve por aqui ficar, sentadão nas praias de Ipanema apreciando os fios dentais e a beber umas cervejinhas, e vai ainda (podem apostar que vai) conseguir um apoio financeiro do estado (de sítio!) brasileiro!
 
Viva a democracia stalinista!
 
Mas tem outro tipo de camaradas! Há uns sete anos, um cabeleireiro chamado Policarpo (nome inventado, mas história verídica), abandonou a mulher e três filhos e juntou-se ao grande amor da sua vida, um colega, também cabeleireiro, Evanildo, e desde essa época juntos vivem um lindo romance entre penteados e outros afagos.
 
 
 
 
Agora o tribunal confiou-lhes a guarda de quatro garotos, irmãos, abandonados por sua família, com idades entre os 4 e os 12 anos. Até aqui... bem... disfarcemos, mas o mais interessante é que o mesmo tribunal que tomou tal decisão, deu ordens para se emitirem novas identidades aos garotos que vão ter como pai e mãe... o Evanildo e o Policarpo!
 
Não se conhece quem ficará consignado como mãe, mas é indiferente. Só não é indiferente quando mais tarde os garotos tiverem que explicar isso aos amigos, que os vão ridicularizar, ou a outro juiz, que em perfeito juízo não poderá admitir que, quem quer que seja, tenha por mãe... dois pais.
 
Mas como esta é a terra da camarada... gem, ninguém precisa ficar preocupado. No fim tudo dá certo, e até os italianos que neste momento estão oficial e seriamente zangados com o Brasil... vão ter que engolir esta afronta jurídica!
 
* leia-se “caxique”!
 
Rio de Janeiro, 16 de Janeiro de 2009
 
 Francisco Gomes de Amorim
 

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