Quarta-feira, 30 de Abril de 2008
Burricadas nº 30

 

Ai, Alan, Alan. que rica herança nos deixaste - VII

v      Assim, à primeira vista, dir-se-ia que a disciplina do mercado esteve a hibernar durante largos meses. E foi só quando os acontecimentos a espicaçaram que despertou, para reagir com maus modos - o que tem levado os Bancos Centrais a intervir e a intervir.

v      Quer antes, ao alhear-se do risco, quer mais recentemente, ao afastar-se, com o seu quê de histeria, das contrapartes (Bancos, Entidades de Investimento Colectivo, tutti quanti) mais expostas (de facto ou, apenas, supostamente) ao risco, a disciplina do mercado parece ter falhado. E foi falhar justamente nos mercados interbancários - logo aqueles onde Basileia II presume que ela seja mais proficiente!

v      Ponhamos de parte, por instantes, Autoridades Monetárias e Reguladores. O que terá embotado a tal ponto a sensibilidade de Supervisores e Bancos (os que estão no terreno) ao risco? Simples: as notações das Agências de Rating.

v      Os Supervisores, sem meios para construírem os seus próprios juízos sobre o risco - fosse o risco a que um dado Banco se expõe, fosse o risco que afecta o sistema financeiro como um todo - e sem grande experiência na matéria, louvavam-se, sempre que possível, nos ratings que as operações de crédito hipotecário e os instrumentos delas derivados iam recebendo.

v      Os Bancos, também. Mas, suspeito eu, com a reserva mental (moral hazard, diz-se por aí) de que, se algo corresse mal, alguém (leia-se, a Autoridade Monetária, e com ela os contribuintes) apareceria para resolver o imbroglio e cobrir a parada. Entretanto, os proveitos que daí pingavam sempre davam um certo jeito.

v      E as Agências de Rating lá iam vendendo, a uns e a outros, “certificados de qualidade” (dos activos financeiros onde se apostava) e “apólices de desresponsabilização” (que inocentavam quem decidia as apostas e quem verificava se tudo ia pelo melhor). Viu-se, agora, quanto valiam aqueles certificados. As apólices, essas, pelo que se ouve e lê, têm surtido efeito.

v      Mesmo as Agências de Rating andavam confundidas: agarravam na metodologia que tinham desenvolvido para avaliar o risco de crédito nas obrigações emitidas por grandes empresas, e aplicavam-na tal qual aos créditos hipotecários sobre pessoas singulares. Naquelas, a prevalência de informação financeira de qualidade (esqueçamos as ENRON...) e receitas mais ou menos diversificadas – enfim, o domínio privilegiado da análise financeira; nestes, a ausência de informação financeira específica e individualizada, a dependência de uma só fonte de rendimentos e riscos que só o tratamento estatístico por “grandes números” permite medir com razoável aproximação. Tudo tratavam elas por igual.

v      Acontece, porém, que não havia, à data, traço de evidência estatística sobre os créditos hipotecários subprime, muito menos sobre o que seria razoável esperar de devedores, pessoas singulares, obrigados a servir simultaneamente dois ou mais créditos. Só agora, por obra e graça da presente crise, é que essa evidência começa a ser recolhida e trabalhada.

v      Seria, porém, errado atribuir as culpas de tudo isto às Agências de Rating. Afinal, não é sobre elas que recai o dever de preservar a estabilidade dos sistemas financeiros – é sobre os Supervisores.

v      E estes, em vez de assumirem a sua impreparação em matéria de risco e daí tirarem as necessárias ilações (nomeadamente, a de terem de se preparar convenientemente para a tarefa), permitiram, por omissão, que a informação financeira que ia chegando ao mercado fosse de má qualidade. Notações não aferidas, que todos aceitavam de mão beijada, só poderiam redundar, como redundaram, em perdas inesperadas e em ilusões desfeitas.

v      Foi justamente esse afluxo de informação inconsistente que baralhou durante tanto tempo a disciplina do mercado. Por esses dias, parecia fácil compor instrumentos financeiros a pedido, sem limitações de quantidade e, jurava-se pelas alminhas, praticamente sem risco. E os Supervisores concordavam.

v      Baralhou, bloqueou, mas não eliminou. A disciplina do mercado sempre esteve lá - e irrompeu de forma violenta, depois de tanto tempo anestesiada, só para nos lembrar que ninguém lhe escapa. Nem Autoridades Monetárias, nem Reguladores, nem Supervisores.

v      Também para estes, tal como para os Bancos, o risco (riscos financeiros, bem entendido) é a sua profissão. Cumpre-lhes conhecê-lo em primeira mão, avaliá-lo e seguidamente calibrá-lo com os capitais que nos Bancos o respaldam. Mais lhes cumpre dar a conhecer o que vão fazendo para manter a disciplina do mercado de boa saúde. E têm de se convencer, por uma vez, que o acto de carimbar nada prova - nem acrescenta virtude.

v      Aqui a novidade. Quem se der ao trabalho de percorrer os setecentos e tal parágrafos do Novo Acordo de Basileia ficará, muito provavelmente, com a ideia de que a disciplina do mercado é só para os Bancos – que não bule com Autoridades Monetárias, Reguladores e Supervisores (para não falar nas Agências de Rating).

v      Na verdade, a disciplina do mercado pune os Bancos severamente – no limite, lança-os na falência. E pune as Agências de Rating com não menor severidade – retirando-lhes credibilidade e levando-as a fechar portas.

v      Mas não pune Autoridades Monetárias, Reguladores e Supervisores - entes que os ordenamentos jurídicos nacionais raramente deixam falir. Talvez os punisse em termos de credibilidade, se a credibilidade de todos eles não assentasse mais na política que no mercado. Pune, isso sim, as respectivas economias – e pune-as com corridas aos Bancos, complicações no sistema de pagamentos, desvalorizações cambiais, inflação e cargas fiscais mais pesadas.

v      Sob este ponto de vista, Autoridades Monetárias, Reguladores e Supervisores não são, de facto, sujeitos, ou alvos, da disciplina do mercado - visto que o mercado não dispõe de meios para os coagir (e daí um certo perfume a moral hazard que deles por vezes emana).

v      São, sim, os motores da disciplina do mercado: uns (os Reguladores), desenhando-lhe os contornos; outros (as Autoridades Monetárias), criando os ambientes em que ela terá de se manifestar; outros ainda (os Supervisores), vigiando para que os “pares” permaneçam vigilantes. Ora, para tal acontecer, muita coisa terá que mudar por esse mundo fora.

v      Ultrapassada a presente crise (esse dia há de chegar, sossegai!), será imprudente persistir na ideia, velha de décadas, de que Autoridades Monetárias, Reguladores e Supervisores pairam acima de nós, comuns mortais - crendo e fazendo crer que jamais erram: é a realidade que, azar dela, nunca faz o que deve. A realidade que se explique, pois!

v      Para os teóricos, o grande desafio é, de há muito, bem diferente: congeminar modelos que “endogenizem” todas estas instituições – ou seja, que as ponham, finalmente, ao alcance da disciplina do mercado. (cont.)

 

Lisboa, Abril de 2008

 

A. PALHINHA MACHADO


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Terça-feira, 29 de Abril de 2008
Elogio ao silencio

      


 

Todos os dias o progresso nos chega num ritmo vertiginoso e alarmante. Até mesmo nas pequenas e longínquas cidades rurais as novidades elétrico-eletrônicas da era tecnológica aparecem com muito estardalhaço e ruído.

 A mais nova geração, a digital, gosta de barulho e movimento, como se quisesse ocupar com eles, de fora para dentro, o espaço interior. São os carros “envenenados” que, com o som ligado às alturas (com muito mais dos 80 decibéis aconselháveis), emitem um ruído ensurdecedor. É a música eletrônica, batida, em ritmo tribal, repetitivo, que entra pelos ouvidos, mexe com o corpo e aliena a alma, a ponto de acharmos que estamos num estado surreal quando ela acaba ou pára.

O frenesi da vida em sociedade faz esquecer o valor e a necessidade do silêncio. O lema da TV nossa de cada dia nos ensina que se comunicar é preciso. Durante a semana trabalho e compromissos empresariais, no final dela as reuniões festivas ou “baladas”.

 Lá se foi o tempo em que o silêncio era apreciado e respeitado como uma forma inteligente de manter a saúde, quando as pessoas rotineiramente se refugiavam no aconchego e tranqüilidade dos seus lares ao fim do dia. Poucos e privilegiados são aqueles que podem ou vão, nos finais de semana e férias, à calma e dormência de uma florida casa no campo, ou ao sossego paradisíaco de alguma praia isolada, em busca de paz, à procura de momentos de silêncio e recolhimento, para simplesmente descansar e repor o equilíbrio e as energias vitais.

É na quietude profícua da contemplação, longe do tumulto e do barulho, que ouvimos as nossas vozes interiores, que entendemos as nossas necessidades, que surgem as idéias e as palavras que abrem a mente.  É no silencio que ouvimos a natureza, o rolar das pedras do caminho, o vento, o murmurar das águas, a verdadeira música, a que vem de dentro, a que nos descobre e sensibiliza. É ainda em silencio que crescemos interiormente, que apreciamos a beleza e admiramos a magnificência do céu numa noite estrelada. Enfim, é em silêncio que  sentimos a onipresença de Deus, que desvendamos os mistérios da vida e encontramos a força para vencer os obstáculos cotidianos, para que possamos renascer a cada novo dia.

 

Uberaba, 26/04/08

Maria Eduarda Fagundes


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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
CRÓNICAS DO BRASIL

O  desenvolvimento  negativo

 

Ultimamente tem-se falado muito no Brasil: a destruição da Amazônia, o teórico pagamento da dívida externa, a quase inesgotável capacidade de produção de alimentos e a liderança (?) no etanol. Também se comenta que por aqui morre mais gente assassinada do que no Iraque, mas a isso a imprensa mundial não liga muita importância porque já entrou no trivial.

Agora com esta crise mundial que, segundo os entendidos, fez desaparecer, como por encanto, talvez mais de 3 trilhões de dólares que circulavam (circulavam?) nos mercados financeiros, e com a infame especulação em torno do valor dos alimentos, o Brasil, com medo da inflação, voltou a aumentar os juros básicos, que regem ou deviam reger o desenvolvimento.

A diferença não foi muito grande, mas suficiente para mostrar que de economia, por aqui, quem sabe alguma coisa são as donas de casa que têm que se governar com o salário, magro, na maioria, que recebem, elas ou os maridos.

Não há dúvida que o povo tem comprado mais. Para ele o dinheiro não tem valor, e desde que possa pagar em prestações... está tudo bem.

Continuamos a ter a maior taxa real de juros do planeta – veja o quadro abaixo – e assim os especuladores preferem aplicar na ciranda financeira a investir na produção, e o governo, perdão, desgoverno, deixa crescer a dívida interna (e externa, mas camuflada na interna, porque da interna o povo nada entende, como... ) que já está muito perto do valor total do PIB nacional!

O big líder que tudo quanto fez até hoje, desde que assumiu o cargo maior, foi comprar um Airbus e viajar em permanente comício, a mentir descaradamente a um público babaca que não se dá conta de que não se investiu um centavo em infra-estruturas e que em NADA tem melhorado a educação.

Feliz e contente, afirma que “a melhor coisa do mundo é ser presidente do Brasil”, diz que telefona ao Bush e o trata por “Ó meu fio, cai na tua e dêxa a gente”, e acaba de criar a 27ª diretoria do Banco do Brasil para a preencher com mais uns quantos cargos de apaniguados.

Não se faz uma reforma de base, deixa-se o MST fazer a baderna que quiser, destruindo propriedades e assaltando edifícios públicos, permite-se que guerrilheiros das FARC dêem instrução subversiva a diversos grupos de falsa capa social, não se coadunam as despesas com as receitas, porque tudo isto custa em popularidade e o PT está louco para seguir por aqui o exemplo do paranóico Chavez para se perpetuar no governo.

Tem sido um bodo! A devastação dos dinheiros públicos é incomparavelmente mais danosa do que a da floresta amazônica.

Há dias a PF (Polícia Federal) “descobriu” uma ladroagem de 280 milhões de reais na Assembléia Legislativa do Estado de Alagoas. Só nesse Estado. Com este dinheiro poderiam ter-se construído 10 ou 20.000 boas casas populares, dando muito trabalho a muita gente. E tudo vai “ficar por isso mesmo” sem que se condenem os vagabundos ladrões, nem que se os obrigue a devolverem o que roubaram.

Os bancos riem à toa. Mais ainda com a crise mundial que ainda aqui não chegou. Os seus lucros são fabulosos, ofensivos, imorais.

Mas com taxas como estas

            -          Ao comércio                            102,82 % aa

            -          Cartão de crédito                     228,17 %

            -          Cheque especial                       145,46 %

            -          Crédito direto ao consumidor    43,41 %

            -          Empréstimo pessoal bancos       87,12 %

            -          Empréstimo financeiras             259,03 %

 

alguém acredita que o Brasil vai para a frente? Mesmo com a imensa capacidade de produção agrícola e com os preços absurdos dos produtos base?

Mas há que lembrar que a agricultura vive de créditos! E está mais endividada do que Jó na barriga da baleia!

Quando menos se esperar a bomba estoura. E não vai ser o Padim Ciço nem a Senhora da Aparecida que nos vão salvar.

Cícero Romão Batista

 
Padre Cícero Romão Baptista (1844-1934), aliás Padim Ciço

Se os que detém o poder só querem salvar as suas bolsas... as almas que as carregue a barca de Caronte!

E nós?

Nós, quem?

 

Rio de Janeiro, 26 de Abril de 2008

Francisco Gomes de Amorim



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Domingo, 27 de Abril de 2008
DOMÍNIO INGLÊS NO BRASIL - 4

OS TRATADOS DE 1810

 

 

Final da parte 3: Estabelecido no Brasil o governo luso, a Inglaterra se comprometeria a não reconhecer como rei de Portugal outro príncipe que não fosse o herdeiro legítimo da casa de Bragança. As negociações seriam, então, iniciadas para a assinatura de um tratado de comércio e de assistência entre a Inglaterra e Portugal. Uma clausula adicional estipulava que, caso fossem fechados os portos lusos aos navios ingleses, seria estabelecido na ilha de Santa Catarina ou em qualquer outro ponto da costa brasileira um porto pelo qual as mercadorias inglesas transportadas por navios ingleses pudessem ser importadas pelo governo ou por comerciantes sujeitas às mesmas taxas que pagavam até aí nas alfândegas de Portugal. A localização em Santa Catarina do porto  que pleiteavam e que conseguiram era estratégica e a condição estava realizada para isto: o fechamento dos portos lusos aos navios ingleses. De Santa Catarina as mercadorias poderiam chegar, sem maiores dificuldades à área platina.

 

 

Parte 4: Tais concessões foram discutidas por Strangford em Lisboa, durante os preparativos da partida do Príncipe e da Família Real. Acerca das concessões na América, que o tratado secreto de Outubro previra, tinha dito o Ministro dos Estrangeiros, Antonio de Araújo de Azevedo, que, no caso de partir o Príncipe com a Família Real, todas as dúvidas desapareceriam. Não era este o parecer de Strangford, que na última hora, já embarcado o Regente, foi à nau Medusa, onde o Ministro se encontrava, fazer as exigências seguintes: abertura dos portos do Brasil ao comércio; cessão de um deles aos ingleses; tarifa especial nas alfândegas reduzidas para a Inglaterra. Mais ou menos o que a convenção secreta, além do prometido, implicava. Na falta do acordo o Almirante Sidney Smith não deixaria sair do Tejo a esquadra portuguesa.  

Almirante Sir William Sidney Smith (1764-1840)

O Príncipe e a Família Real ficavam prisioneiros dos franceses. Portugal teve de ceder: “A posse do Brasil, de cuja riqueza dependia a metrópole era a preocupação maior da Coroa e dos seus Conselhos. Era preciso cuidar para preservá-lo ou nele procurar abrigo. Assim, a assinatura da convenção secreta de Londres havia estabelecido a base jurídica de que Canning tinha necessidade para impor a proteção britânica à ameaçada dinastia Bragança”. Como, apesar da convenção secreta, a Corte ainda hesitasse em partir, Canning instruiu Strangford e o Almirante Sidney Smith que obtivessem a decisão da partida.

 

Na manhã de 29 de novembro de 1808, sob escolta inglesa e em trinta e seis navios, a Corte portuguesa deixava o país. Strangford acompanhou a frota até a altura da Madeira de onde a 5 de Dezembro se dirigiu a Inglaterra para prestar contas das suas ações.

Na véspera, Junot deixara Sacavém com uma vanguarda de quatorze homens e um exército de mil e duzentos soldados, restos da tropa de mais de vinte e três mil com que se deslocara de Bayonne, cujas possibilidades de combate eram mínimas. Sem cavalaria, artilharia, munições, sapatos ou géneros alimentícios, cambaleando de cansaço, a tropa parecia mais a evacuação de um hospital do que um exército que marchava triunfalmente para a conquista de um reino. Antes de encerrar o ano de 1808, o país foi libertado com a cooperação das forças inglesas mediante acordo que firmariam em 1810.

 

(Continua)

 

Belo Horizonte, 26 de Abril de 2008

Therezinha B. Figueiredo  

 


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Sábado, 26 de Abril de 2008
Burricadas nº 29

20020910-033 NewYork financial wall street.JPG

Ai, Alan, Alan. que rica herança nos deixaste - VI

v      Que esta não é uma crise bancária “canónica” (pelo menos, no seu início), já poucos duvidam. Porque segundo o cânon as crises bancárias começam com os depositantes, aflitos, a retirarem todo o seu dinheiro dos Bancos (o que ainda não aconteceu, excepção feita ao Northern Rock Bank, no Reino Unido) e terminam com inúmeras falências e outras tantas injecções de dinheiros públicos.

v      Até agora, quase tudo se tem passado no selecto círculo dos mercados interbancários, que praticamente secaram de um dia para o outro. A dura realidade é que os Bancos deixaram de emprestar fundos uns aos outros, ainda que só por prazos muito curtos. Por precaução, preferem manter esses fundos sob a forma de depósitos junto do Banco Central – ou utilizam-nos para adquirir títulos que, em caso de necessidade, dêem acesso imediato às facilidades de liquidez estabelecidas pelo Banco Central.

v      E em vez de uma “corrida aos Bancos” por parte do vulgar depositante (o episódio do Northern Rock Bank, como disse, é um caso por enquanto excepcional), assiste-se, sim, a uma “corrida aos resgates” (de unidades de participação em Entidades de Investimento Colectivo) – e ao paralelo definhamento de tantas e tantas linhas interbancárias.

v      Resultado: a distribuição da liquidez, quer a nível global, quer no interior dos sistemas bancários nacionais, está a ficar cada vez mais assimétrica. E se hoje alguns Bancos se debatem já com problemas de liquidez, é muito provável que, no futuro próximo, os sistemas bancários que dependam estruturalmente de fundos externos venham a encontrar-se em situação semelhante – e, com eles, as respectivas economias. Cuidado! Crises cambiais dispersas não se encontram tão distantes assim!

v      Curioso. Do que é dado ver, dir-se-ia que esta crise foi desencadeada precisamente pela disciplina do mercado. Uma disciplina talvez demasiado exacerbada, aqui e ali com tiques de histeria – mas que, não obstante, traduz de modo inequívoco a reacção dos “pares” (isto é, dos Bancos parceiros nos mercados interbancários) perante situações, ou a suspeita de situações consideradas excessivamente expostas a determinados riscos.

v      Ora, a disciplina do mercado foi pensada para servir de defesa avançada das Autoridades Monetárias – uma espécie de sistema imunitário que eliminaria, logo no embrião, comportamentos imprudentes, excessivo apetite pelo risco e insuficiências, apenas suspeitadas, de capital.

v      Será esta crise um caso patológico de imunodeficiência, em que os defensores (a disciplina do mercado) se voltam contra aqueles que deveriam proteger (a estabilidade do sistema financeiro, a margem de manobra das Autoridades Monetárias e, em última análise, o dinheiro dos contribuintes)?

v      Se for, é preocupante. Desde logo porque, no quadro de Basileia II, a disciplina do mercado (e a “vigilância dos pares”) é um dos três pilares sobre os quais assenta a estabilidade dos sistemas financeiros (sendo os outros dois: o nível de capitalização dos Bancos e a supervisão prudencial por uma entidade independente). Vê-la a desestabilizar causa arrepios – e suscita uma pergunta fatídica: será que a arquitectura actual do sistema financeiro é tão sólida quanto os seus mentores não se cansam de repetir?

v      Sim e não. Explico-me: sim – porque aqueles três pilares bastam para manter qualquer sistema financeiro suficientemente estável; não – porque Autoridades Monetárias, Reguladores e Supervisores não parecem estar ainda preparados para exercerem de forma producente as funções que o 2º pilar (a supervisão prudencial) lhes confia, tal como os “pares” têm ainda um longo caminho a percorrer até atingirem um estágio de vigilância (3º pilar) continuada e profícua. E esta crise veio revelar à saciedade isso mesmo.

v      Tivessem os “pares” sido mais vigilantes e, estou em crer, os Bancos com maior apetite pelo risco, ou demonstravam possuir capitais à altura, ou deparar-se-iam nos mercados interbancários com um custo de capital mais elevado, se não mesmo com menor disponibilidade de fundos – e, em tais circunstâncias, financiar posições expostas a grandes riscos não seria tarefa fácil.Tudo vai de saber, então, porque é que as coisas não se passaram exactamente assim? (cont.)

Lisboa, Abril de 2008

 A. PALHINHA MACHADO


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Sexta-feira, 25 de Abril de 2008
Burricadas nº 28

grrrr.jpg

Ai, Alan, Alan. que rica herança nos deixaste - V

v      De início, no Verão passado, era apenas uma simples turbulência com epicentro nos empréstimos hipotecários subprime - coisa de americanos.

v      À medida que o final de 2007 se aproximava, ouvia-se já falar de crise, circunscrita embora a uns poucos mercados hipotecários nacionais. E havia mesmo quem predissesse (sotto voce, é certo) que os efeitos poderiam extravasar a economia dos EUA.

v      Poucos dias volvidos, com muitos dos Bancos internacionalmente mais activos a divulgarem perdas em crescendo, a coisa passava a crise bancária – e os Bancos Centrais das maiores economias ocidentais andavam já numa roda-viva para manter os mercados interbancários suficientemente líquidos.

v      Mais recentemente, conhecidas as contas deste 1º trimestre, tudo aponta para uma crise que se instalou bem no âmago do sistema financeiro internacional - uma crise financeira profunda que não deixará incólume a esfera real da economia.

v      Resta saber se esta crise vai acabar por irromper, sabe-se lá quando, no mercado da dívida de taxa fixa - muito especialmente a que é emitida pelas agências imobiliárias norte-americanas (FANNY MAE, FREDDIE MAC; GINNY MAE, etc.). Se isso acontecer, será o colapso do sistema financeiro internacional, tal como tem vindo a ser laboriosamente construído nos últimos vinte e cinco anos.

v      Decorridos todos estes meses, uma conclusão parece, desde já, segura: os esteios do sistema financeiro internacional (as Autoridades Monetárias, os Reguladores, os Supervisores, as Agências de Rating) falharam em toda a linha.

v      Falharam quando deixaram que as taxas directoras se arrastassem demasiado tempo por níveis muito inferiores ao ritmo a que as suas economias estavam a crescer.

v      Falharam quando faziam vista grossa a taxas de retorno (pricing) nas operações de crédito bancário que mal cobriam as perdas a que os Bancos se expunham.

v      Falharam quando subestimaram repetidamente desequilíbrios nos mercados financeiros cuja gravidade era por demais evidente.

v      Falharam quando não se aperceberam dos sinais que prenunciavam tempos de crise – se é que chegaram a detectá-los alguma vez.

v      Falharam quando permitiram que o quadro de regulação prudencial que tinham instituído, e que tudo faziam para preservar intacto, fosse perdendo aderência à realidade.

v      Falharam quando lhes escapou a verdadeira dimensão do risco que se acumulava nos Balanços dos Bancos – designadamente, a espiral risco de mercado (preços das casa) / risco de crédito (posições longas em crédito hipotecário) / risco de mercado (cotação dos instrumentos de titularização); mas outras havia, e há.

v      Falharam quando não cuidaram de tipificar as cláusulas nucleares dos activos subjacentes às operações de desintermediação e de titularização (Atenção! Não estou a defender a fixação de contratos tipo que tolham a liberdade das partes e espartilhem a vida financeira).

v      Falharam quando tomaram por bom, para efeitos prudenciais, todo e qualquer contrato de transferência de risco, por mais abstrusas e imprecisas que fossem as respectivas condições de exercício.

v      Falharam, quando toleraram durante tanto tempo que as regras da contabilidade bancária capturassem de modo extremamente deficiente os efeitos patrimoniais dos instrumentos derivados e dos contratos contingentes, em geral.

v      Falharam, enfim, quando permaneceram agarrados a modelos de informação financeira que pouco tinham a ver já com as actividades que lhes competia orientar, regular e supervisionar.

v      Na raiz de tantos e tão persistentes falhanços: (a) a ineficiência dinâmica – lançada a propósito, e prolongada a despropósito, pelo FED e por tantas outras Autoridades Monetárias - que criou a ilusão de que eram possíveis ganhos substanciais sem trabalho e sem risco; (b) a crença dos Supervisores de que o risco se deixaria amestrar pelos rituais e formalidades de uma burocracia acomodada; (c) muita displicência a propósito das operações de transferência de risco; (d) a fé cega de todos, Supervisores e Bancos supervisionados, em esquemas concebidos unicamente para recolher e tratar o que aconteceu, mas completamente inadequados para proporcionar uma visão razoável sobre o que possa vir a acontecer (ou seja, sobre a incerteza e o risco inerentes à actividade económica e aos mercados financeiros).

v      Em comum, como se vê, uma só coisa: risco.

v      Melhor: por um lado, o modo como todos os intervenientes nos mercados financeiros (sem esquecer, Autoridades Monetárias, Reguladores e Supervisores) abordavam, mediam e lidavam com o risco; por outro, o modo como era divulgada a exposição ao risco para que a disciplina do mercado pudesse actuar e assim reforçar a estabilidade dos sistemas financeiros. E, até ver, nada mudou.

v      As falhas apontadas mais acima que não envolvem directamente a gestão do risco podem ser prontamente corrigidas. Agora, verdadeiramente difícil será ver Autoridades Monetárias, Reguladores e Supervisores, todos eles, comprovadamente habilitados para, primeiro, avaliarem a exposição dos seus sistemas financeiros ao risco e, seguidamente, determinarem o capital adequado a esse perfil do risco.

v      Ora, é justamente para o risco e a disciplina do mercado que a presente crise veio chamar a atenção, numa altura em que o Novo Acordo de Basileia dá os seus primeiros passos (começou a ser aplicado em 2007). Daí o sentimento de que, bem vistas as coisas, se trata de uma crise muito, muito oportuna. (cont.)

 

Lisboa, Abril de 2008

 

A. PALHINHA MACHADO


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Quinta-feira, 24 de Abril de 2008
ACORDO ORTOGRÁFICO - 4

CAPUCHINHO VERMELHO

(Versão Acordo Ortográfico de 2058)

(Autor desconhecido, texto recebido por e-mail)


 
Tás a ver uma dama com um gorro vermelho? Yah, essa cena! A pita foi obrigada pela kota dela a ir à toca da velha levar umas cenas, pq a velha tava a bater mal, tázaver? E então disse-lhe:

- Ouve, nem te passes! Népia dessa cena de ires pelo refundido das árvores, que salta-te um meco marado dos cornos para a frente e depois tenho a bófia à cola!

Pá, a pita enfia a carapuça e vai na descontra pela estrada, mas a toca da velha era bué longe, e a pita cagou na cena da kota dela e enfiou-se pelo bosque. Népia de mitra, na boa e tal, curtindo o som do iPod...

É então que, ouve lá, salta um baita dog marado, todo chinado e bué ugly mêmo, que vira-se pa ela e grita:

- Yoo, tá td? Dd tc?

- Tásse... do gueto ali! E tu... tásse? - Disse a pita

- Yah! E atão, q se faz?

- Seca, man! Vou levar o pacote à velha que mora ao fundo da track, que tá kuma moka do camano!

- Marado, marado!... Bute ripar uma até lá?

- Epá, má onda, tázaver? A minha cota não curte dessas cenas e põe-me de pildra se me cata...

- Dasse, a cota não tá aqui, dama! Bute ripar até à casa da tua velha, até te dou avanço, só naquela da curtição. Sem guita ao barulho nem nada.

- Yah prontes, na boa. Vais levar um baile katéte passas!!!

E lá riparam. Só que o dog enfiou-se por um short no meio do mato e chegou à toca da velha na maior, com bué avanço, tázaver? Manda um toque na porta, a velha "quem é e o camano" e ele "ah e tal, e não sei quê, que eu sou a pita do gorro vermelho, e na na na...". A velha abre a porta e PIMBA, o dog papa-a toda... Mas mesmo, abre a bocarra e o camano e até chuchou os dedos...

O mano chega, vai ao móvel da velha, saca uma shirt assim mêmo à velha que a meca tinha lá, mete uns glasses na tromba e enfia-se no VL... o gajo tava bué abichanado mêmo, mas a larica era muita e a pita era à maneira, tásaver?

A pita chega, e tal, e malha na porta da velha.

- Basa aí cá pa dentro! - Grita o dog.

- Yo velhita, tásse?

- Tásse e tal, cuma moca do camâno... mas na boa...

- Toma esta cena, pa mamares-te toda aí...

- Bacano, pa ver se trato esta cena.

- Pá, mica uma cena: pa ké esses baita olhos, man?

- Pá, pa micar melhor a cena, tázaver?

- Yah, yah... E os abanos, bué da bigs, pa ke é?

- Pá, pa poder controlar melhor a cena à volta, tázaver?

- Yah, bacano... e essa cremalheira toda janada e bué big? Pa que é a cena?

- É PA CHINAR ESSE CORPO TODO!!! GRRRRRRRR!!!!

E o dog manda-se à pita, naquela mêmo de a engolir, né? Só que a pita dá-lhe à brava na capoeira e saca um back-kick mesmo directo aos tomates do man e basa porta fora! Vai pela rua aos berros e tal, o dog vem atrás e dá-lhe um ganda-baite, pimba, mêmo nas nalgas, e quando vai pa engolir a gaja aparece um meco daqueles que corta as cenas cum serrote, saca de machado e afinfa-lhe mêmo nos cornos. O dog kinou logo ali, o mano china a belly do dog e saca de lá a velha toda cheia da nhanha. Ina man, e a malta a gregoriar-se toda!!!
E prontes, já tá...

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:37
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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008
DOMÍNIO INGLÊS NO BRASIL - 3
                           OS TRATADOS DE 1810
 
 
Final da parte 2: Strangford representava a Inglaterra em Portugal,quando este país se deparou com a pressão francesa de rompimento com seu país. O diplomata britânico era um característico representante do mercantilismo inglês em expansão e começou a tomar as providências que o caso exigia.
 
 
Parte 3: No final de 1807, a Corte de Lisboa se deparou com a pressão francesa e a britânica. As forças francesas marchavam sobre Lisboa e as informações diárias eram preocupantes. No estuário do Tejo a esquadra inglesa estava pronta para agir pela força. Nesse ambiente em que Dom João se encontrava é que Strangford desenvolveu a sua ação pertinaz para preservar os interesses britânicos seriamente ameaçados não só pelas tropas de Junot, que avançavam rapidamente, como pela dificuldade da Corte em obter por uma  resolução. Stranford defendia a decisão da retirada da Corte portuguesa para o Brasil  sob a proteção da esquadra inglesa. Temia-se em Lisboa, que se repetisse ali o acontecido em Copenhague:  o bombardeio da cidade e a  captura da esquadra dinamarquesa efetuado por Napoleão.
 
A ação de Strangford não se resumia em defender a solução da retirada para o Brasil. A Inglaterra pretendia evitar o aprisionamento da frota lusa pelas forças francesas para que a ação praticada em  Copenhague não se repetisse contra o aliado tradicional. Era preciso fazer pagar o apoio, pressionar no sentido de extrair o máximo de concessões do governo português. Os lucros ingleses no episódio foram realmente vultosos. Strangford sugeriu a Canning que se aproveitasse a situação em que Portugal se encontrava para obter vantagens comerciais excepcionais para a Inglaterra. O acordo consistia em Portugal conceder à Inglaterra o direito de estabelecer casas comerciais no Brasil e de exportar tecidos de algodão para os domínios portugueses. Neste mesmo plano estava previsto a revisão do tratado de 1654 e da Carta dos Privilégios Ingleses num sentido mais favorável à Inglaterra. A Corte inglesa exigiu a entrega da ilha da Madeira para servir de base naval compensando a perda dos portos lusos, o que foi concedido. Foram delegados poderes ao representante luso em Londres, Sousa Coutinho, para negociar a convenção secreta que presidia as relações entre a Inglaterra e Portugal até a assinatura de tratado efetivo. A convenção foi firmada em outubro de 1807. Ela originou os acordos de 1810.
 
A convenção constatava a necessidade do governo luso fechar os portos portugueses à navegação britânica para evitar a guerra com a França. Mas o governo inglês reconhecia as dificuldades da decisão e se dispunha a ajudar o governo luso a transferir para o Brasil a sede da monarquia portuguesa, evitando que caíssem nas mãos dos franceses tanto as possessões lusas como os navios de guerra e mercantes e as forças militares de Portugal. No texto do acordo era concedido à Inglaterra o direito de ocupar a ilha da Madeira em troca do apoio à retirada do governo luso para o Brasil sob garantia da esquadra britânica. Seriam levados para a colônia ou enviados para a Inglaterra, os navios de guerra  e mercantes portugueses. Estabelecido no Brasil o governo luso, a Inglaterra se comprometeria a não reconhecer como rei de Portugal outro príncipe que não fosse o herdeiro legítimo da casa de Bragança.
 D. João VI - um dos mais relevantes inaptos registados na nossa História, claramente preocupado com a posse do trono; não tão claramente preocupado com a sorte de Portugal
As negociações seriam, então, iniciadas para a assinatura de um tratado de comércio e de assistência entre a Inglaterra e Portugal. Uma clausula adicional estipulava que, caso fossem fechados os portos lusos aos navios ingleses, seria estabelecido na ilha de Santa Catarina ou em qualquer outro ponto da costa brasileira um porto pelo qual as mercadorias inglesas transportadas por navios ingleses pudessem ser importadas pelo governo ou por comerciantes. A localização em Santa Catarina do porto que pleiteavam e que conseguiram era estratégica e a condição estava realizada para isto: o fechamento dos portos lusos aos navios ingleses. De Santa Catarina as mercadorias poderiam chegar, sem maiores dificuldades à área platina.
 
 
Continua
 
Belo Horizonte, 20 de abril de 2008
Therezinha B. de Figueiredo 

 


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:42
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Terça-feira, 22 de Abril de 2008
Acreditar é preciso
 
 
 
Cada vez que ouço e vejo as noticias divulgadas e estampadas no noticiário brasileiro, confesso,  sinto uma ponta de desalento. É a violência, é a falta de respeito, civismo e patriotismo, é a indiferença dos políticos e do povo ao que se passa no governo e na Amazônia brasileira. Mas,  por mais que a realidade seja contundente ainda procuro,  teimosamente, lá no fundo do meu ser , um lampejo de esperança de um tempo melhor para o país.
É um sentimento que transcende o  entendimento, uma "espécie " de força que nos faz acreditar , caminhar , ir sempre em frente, na busca de algo melhor,  ou do  racional impossível. E é através  da oração, do empenho e da ação,  quando levantamos as mãos para o céu em movimento de louvor ou arregaçamos as mangas em movimento cotidiano de labor que permanecemos firmes na fé que  tudo isso que aí está, um dia  irá se modificar .
 
Neste mundo carregado de egoísmo e ambição, carente de amor e respeito fraternos, descruzar os braços e sair do imobilismo, lutar pela vitória do bem sobre o mal, do amor sobre o ódio, é preciso. Acredito que só a  fé-compromisso  do trabalho nosso de cada dia é que trará a possibilidade de um tempo melhor para nós, para o Brasil e para o mundo.
 
Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 16/04/08

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:30
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Segunda-feira, 21 de Abril de 2008
LÁGRIMAS DO BRASIL

Aquarela... borrada  do  Brasil !!!

 

Noticiário da Internet: Domingo, 13 de abril de 2008, 16h37

Pasárgada: um dos 16 prefeitos continua preso

A Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais informou que 15 dos 16 prefeitos que foram presos na Operação Pasárgada, da Polícia Federal, já estão em liberdade. Os outros 35 suspeitos, entre eles o juiz federal de 1ª instância, Weliton Militão, que estava detido em Brasília, também já foram soltos.

» TRF determina soltura de prefeitos

O único dos 51 detidos pela PF a não ser liberado é o prefeito de Juiz de Fora, Carlos Alberto Bejani (PTB). Ele está na penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

De acordo com o advogado Marcelo Leonardo, o cliente dele não foi liberado porque a PF encontrou na casa de Bejani cinco armas, uma delas de uso exclusivo da própria Polícia Federal.

"Amanhã vou entrar com um pedido de liberdade provisória no Tribunal de Justiça de Minas Gerais," explicou Leonardo, por telefone. Os agentes federais também apreenderam na casa do prefeito de Juiz de Fora R$ 1,12 milhão em dinheiro.

A Superintendência da PF em Belo Horizonte divulgou na última quinta-feira que 51 pessoas haviam sido presas na Operação Pasárgada, todas suspeitas de participar de um esquema de liberação irregular de verbas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Entre os detidos estavam 16 prefeitos (14 de Minas Gerais e dois da Bahia), nove advogados, quatro procuradores municipais, um juiz federal, um gerente da Caixa Econômica Federal e dois lobistas. Há também secretários municipais e servidores da justiça presos.

Segundo a PF, a suposta quadrilha causou um prejuízo que pode ultrapassar R$ 200 milhões. A investigação foi iniciada há oito meses. O esquema consistiria em repassar verbas do FPM de forma irregular a municípios com débito no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

Essas cidades teriam feito um acordo legal com o INSS para ter 6% do FPM bloqueado com intuito de suprir o que deviam. Foram apreendidos dois aviões, 36 automóveis de luxo, duas motocicletas, cerca de R$ 1,3 milhão e US$ 20 mil.

Na noite de sexta-feira, a Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF), em Brasília, determinou a liberação dos prefeitos e demais suspeitos.

A decisão do TRF atendeu a um recurso do juiz federal Weliton Militão, que estava preso em um batalhão da Polícia Militar, em Brasília, e foi estendida aos demais suspeitos.

Os desembargadores do TRF consideraram que o corregedor-geral Jirair Aram Meguerian não tinha poder para decidir sozinho sobre os pedidos de prisão dos investigados, "uma vez que sua atuação é meramente administrativa, não alcançando medidas judiciais restritivas de direitos".

 

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei...

  Manuel Bandeira (1886-1968)

Ir embora pra Pasárgada? Quem? Isto é o paraíso... da gatunagem!

Todo o mundo sabe que isto das prisões da Polícia Federal... Deixa p´ra lá.

 

Rio de Janeiro, 13 de Abril de 2008

Francisco Gomes de Amorim


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 16:53
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