ou
ABAIXO O ACORDO ORTOGRÁFICO!

Já pela minha vida passaram várias reformas ortográficas, os êstes e as estrêlas acentuados, creio que já escrevi mãi com i. Mãe passou a escrever-se com e na sequência de outros ditongos nasais de idêntica forma - (em cães, pães) - resultantes de uma etimologia latina ( -anes). O que estava mal era o ãi, que não existe.
No novo acordo, pelo contrário, a etimologia latina deixou de interessar, escreve-se como se quiser, afinal, conforme se pronunciam ou não determinados sons, não há uma uniformidade de critérios, não sei como será para se ensinar ortografia, num caldo linguístico de puro desrespeito até por uma Europa novilatina que não se dá a esses afãs de renegar a sua escrita, como nós.
Uma bandalheira própria de um povo abandalhado, muito justamente na cauda.
Berta Brás

... MUITO SOFRE UM BANCÁRIO!
"Bom dia. Quero saber se o meu obstrato já chigou?"
"Queria o nibel da conta"
"Queria um carneiro de cheques"
"A minha retrete já veio?"
"Dou o meu abalo ao suscritor"
"Quero dissolver esta conta"
"Desculpe, a partir de que valor é que a conta fica negativa?"
"A sua colega que está na máquina multibanco ficou-me com as notas!"
"A máquina comeu o meu cartão Securitas!"
"O multibanco enganou-se. Posso falar com a Sr.ª que está para ali a falar dentro da máquina?"
"Queria fazer umas perguntas sobre aquele cartão "nespresso"
"Estou muito nervosa, o meu cartão foi extraviolado..."
"Bom dia. Tou a chegar agora da França e venho aqui para ver se os seus chiffres batem com os meus..."
"Porque é que os cartões agora têm um chispe?"
Recebido por e-mail, Autor não identificado
Estou a começar a convencer-me de que temos, no Brasil, o melhor governo do mundo! Voltámos à época, de onde aliás nunca saímos, do “rouba mas faz”, só que agora o lema é outro: “rouba, não faz, mas também não atrapalha –muito - os que querem fazer”!
Recorda-me um jogo do tempo em que eu era menino (bota anos nisso...): jogava-se com feijões e uma espécie de pião com quatro faces, onde estava escrito “Rapa – Deixa – Tira – Põe”. Todos começavam por pôr um feijão na mesa e jogava-se. Se saía “Rapa” o felizardo ficava com todos os feijões da mesa, e os parceiros tinham que repor um feijão cada. No “Deixa” nem tirava nem punha. No “Tira” tirava um, e no “Põe” colocava um na mesa.
Aqui ainda se mantém esse jogo, de forma “um pouco” diferente: no “Rapa” o excelentíssimo, rapa tudo quanto pode, no “Deixa”, deixa ficar como está, i.é, no próprio bolso, no “Tira”, tira ainda mais o que puder, e no “Põe”... põe num paraíso fiscal.
Enfim.
O ano passado a madama dona presidenta, na sua fobia por reduzir custos, gastou somente, sem licitação, teoricamente obrigatória, a módica quantia de 17,5 biliões! Uns trocados equivalentes a dez biliões de dólares. Pulso forte é isso aí.
Entretanto no departamento de estradas federais, do ministério dos transportes, durante o mesmo período, sumiram, sumiram, somente R$ 680.000.000 – seiscentos e oitenta milhões – que não serviram para tapar buracos das estradas mas para... para que? Toda a gente sabe – polícia, governo, congresso, tribunais, etc. – mas não vale a pena procurar por essa grana. Sumiu e está o assunto encerrado.
Como é evidente as estradas estão bastante caóticas.
O ministério da justiça (???) decidiu comprar um monte de cameras de circuito interno para controlo nas prisões. E como o pessoal do ministério é esperto, brasileiro que sempre consegue “dar um jeitinho”, comprou as cameras mais baratas. No Paraguai. Dali entraram no país de contrabando, “contabando legítimo” como dizia Odorico Paraguassu (o saudoso Paulo Gracindo), prefeito de Sucupira quando interpretava a novela “Bem Amado”! (Isto, sim, uma maravilha!)
Como as cameras, além de serem de segunda ou quinta qualidade, não tinham assistência técnica no Brasil, hoje... nem uma só funciona mais! Nem umazinha!
Descanso para quem estava de vigia!
Mas que foi uma economia formidável que o ministro fez, não há porque duvidar. (A propósito: o ministro não foi demitido! Para que? É tudo fruto da mesma...)
E como há juízes que chegam a receber, legalmente, até cento e cinquenta mil por mês...
Bom, apesar de tudo isto, e muito mais, o governo, consciente das suas responsabilidades faz curiosas habilidades:
- no tempo do tal sapo barbudo, o dito, insatisfeito com o crescimento do PIB, mandou (o chefe mandou!) que se reformulasse outro método de calcular o tal do PIB. E assim tipo “fada madrinha” o PIB que teria sido de 1% (ou menos, já nem recordo bem) passou para 3,5%.
M A R A V I L H A !!! Assim é que eu gosto. Contas são contas.
Agora... com a inflação a ultrapassar a meta pré estabelecida pelos crânios tecnocratas, a solução seguirá os mesmo passos.
Por exemplo, em vez do chuchu, comida barata, popular, vão entrar os telefones celulares, que como se sabe qualquer dia estarão a ser oferecidos, grátis. E a inflação baixa.
Também se retirou um peixinho qualquer baratucho, mas bom, que todos consumíamos, e entra o salmão, porque, dizem os sábios, como o povo está a comer melhor, aumentou o consumo do salmão! (Vou sugerir que entre também o caviar... iraniano!)
E vai entrar o item automóveis. Não entra ouro porque está muito caro, mas talvez diamantes. E a inflação “vai baixar”!
Mas nós, os otários, que sempre temos que ir ao supermercado fazer compras – há que sobreviver – é que vemos que cada vez mais, com o mesmo dinheiro, se compra menos!
E com toda esta fantástica evolução continuam a viver cerca de onze milhões de brasileiros com índice de pobreza tal, que mal conseguem comer.
Mas não se preocupem. Nem tudo é tristeza, porque, além do Carnaval estar próximo, também tem notáveis candidatos à política. Verdadeiramente brilhantes:
- um radialista de IPU, um município do intériô do Ceará, chamado Demizão, apresenta no seu programa de candidato a vereador, “criar um albergue com psicólogos, para cuidar dos cornos da cidade.” Segundo o grande Demizão, Ipu está cheia de homens que sofrem quando as mulheres os corneiam!
E assim este continente, celeiro do mundo, cheio de riquezas naturais, segue viagem à ilharga do velho continente agonizante e dos snobs do Norte destas bandas, cumprindo a visão de Pedro Vaz da Caminha: “aqui, em se plantando, TUDO dá!”
Até corno!
Rio de Janeiro, 24/01/12
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Quando eu escrevo a palavra acção, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o C na pretensão de me ensinar a nova grafia. |
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Foto: arquivo particular da Autora
Em época de chuvas de verão, o centro-oeste e o sudeste do país passam por situações graves de calamidade pública. São os rios que sobem de nível assustadoramente, são os desabamentos de terra facilitados pelo desmatamento indiscriminado e criminoso nas áreas de preservação ambiental. Nas cidades são as construções irregulares, feitas em lugares impróprios, perigosos, numa desobediência às determinações da segurança pública, com a passividade e anuência de autoridades corruptas, indiferentes ao bem-estar da população. É o manto asfáltico impermeabilizando o chão, escoando as águas pluviais para as regiões mais baixas e bueiros obstruídos pela sujeira deixada por uma população mal-educada e um serviço público ineficiente. Tudo isso e as chuvas constantes favorecem às enchentes que põem em alerta a defesa civil, e a sociedade em geral. Quando os desastres acontecem, todos colaboram e ajudam com trabalhos voluntários, roupas, alimentos, remédios, produtos de limpeza, numa demonstração inequívoca do carácter bom e sensível do povo brasileiro. Mas todo o ano é a mesma história, chuvas, alagamentos, quedas de barreiras, famílias desabrigadas, mortes por soterramento, acidentes nas estradas. O bom-senso nos diz: - Por que não prevenir, por que não evitar todas essas situações de calamidade pública? Por que é que a população mais carente é a que mais sofre com as mudanças de tempo e os desastres naturais? O que fazem as autoridades?
Ao fazer minha caminhada diária, numa manhã fria e acinzentada, sob um céu nublado, com a ameaça de novos temporais para o final da semana, encontrei servidores da limpeza urbana varrendo os meio-fios, limpando as praças, recolhendo o lixo acumulado, para diminuir o risco de enchentes na cidade. Pensei, era uma atitude acertada da Prefeitura, que deveria ser feita com mais regularidade, porém estava sendo executada de maneira incorrecta, com alguns elementos, ao fazerem o seu trabalho, deixando para trás com frequência, papéis, garrafas pet, pequenos animais mortos na estrada, num serviço malfeito e insuficiente. Perguntei a mim mesma, será que esses indivíduos não percebem a importância do seu trabalho? Será que eles têm a consciência de que estão arriscando a saúde da população com essa displicência? Será que não se importam com a impressão de desleixo que as ruas sujas e mal arranjadas passam? Será que só o dinheiro que recebem no final do mês é o que esperam do que fazem? Será que estão insatisfeitos com seus salários? Por que esta atitude relaxada, descompromissada com a Prefeitura e a com sociedade a que pertencem?
Enquanto andava, busquei na memória da história a resposta às minhas indagações.
Não há como negar, a sociedade e cultura brasileiras tiveram uma forte influência portuguesa. Nos primórdios da existência, como nação civilizada, o Brasil foi gerido e administrado pela elite portuguesa, que empregava escravos índios e negros, brancos pobres e ignorantes, imigrados, como mão-de-obra barata para os serviços sujos, pesados, manuais, menos reconhecidos socialmente. Esse sistema governativo, importado do Império Português, era alicerçado numa rede social e familiar de privilégios, de troca de favores, de serviços prestados pagos com terras, mercês, mordomias, cargos de comando e administração, que garantiam uma base política de sustentação do poder. Essa maneira de governar ficou entranhada na memória brasileira, apesar das mudanças de épocas e governos.
Ainda hoje, o nepotismo, o jogo de favorecimentos, o caixa dois, os conchavos, a tendência para tirar vantagens, quando em posição de comando, são manchas que envergonham a actividade pública brasileira, que atravancam o progresso, e desacreditam os políticos, perante a sociedade e as democracias estrangeiras.
Já o povão menosprezado ficou, continuou sem educação. Mão-de-obra barata, massa humana de manipulação, trabalhava para os interesses daqueles que detinham o poder. Num sistema social como aquele, que não valorizava o trabalho duro e não oferecia estudo à população, raramente se via um dos seus componentes atingir uma posição social de destaque ou de importância política.
Como escravos ou empregados pouco instruídos e mal pagos, não tendo voz ou poder de cobrança e reacção, para se vingar daquela submissa situação, usavam de subterfúgios para enganar, faziam pequenos roubos, sabotavam os serviços, até envenenavam donos e patrões.
Mesmo na actualidade, com a escola, ainda deficiente em qualidade, porém acessível a todos, há por parte do homem comum, mais simplório, a ideia cristã-velha, que o trabalho manual, menos visível socialmente, diminui a pessoa. O importante é ser rico, famoso, e influente. O patrão (entidade ou pessoa) é aquele que tem o poder, que apesar de lhe dar emprego, é a constatação da sua inferioridade, da sua submissão, merece a antipatia e a sabotagem.
Apesar das mudanças sociais que ocorreram ao longo dos anos, no subconsciente do povo brasileiro, ainda existe aquela impressão social depreciativa, herdada do regime antigo, que não tem mais lugar na sociedade contemporânea, onde fazer o bem-feito, qualquer que seja o métier, dá reconhecimento e dinheiro! Já no governo..., muita coisa ainda tem que ser feita!
Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 12/01/12

Foi La Fontaine um fabulista
Que às fábulas de Fedro ou de Esopo
Soube acrescentar traços de poeta
E de romancista.
Assim, acrescentou, para sua glória,
Nesta nova história, que não é da treta,
Mas dum Lobo que de gente se disfarçou
Para melhor alcançar o que a sua fome pedia,
Traços de humor, numa caracterização
Feita de sabedoria,
E de muita certeza
A respeito da humana natureza:
«O Lobo tornado Pastor»
É como se chama a fábula de mais uma ladinice
De grande qualidade,
Com que La Fontaine brindou a humanidade:
«Um Lobo, que começava a colher parte escassa
Das ovelhas da vizinhança
Achou que, para sua bonança,
Devia com a pele da raposa se prover
E gizar uma nova personagem
Para se dar sorte.
Veste-se de pastor, enfia uma farda
Faz o cajado dum pau bem forte
Sem a gaita-de-foles esquecer.
Para o embuste levar até ao fim,
Gostaria de ter escrito no chapéu:
“Sou eu que sou Guillot, pastor deste rebanho”.
Construída a figura assim,
Os pés da frente pousados no cajado,
Guillot, o sicofanta, aproxima-se devagar.
Guillot, o verdadeiro, na erva estendido,
Dormia profundamente;
Também o seu cão estava adormecido
E a gaita igualmente;
Das ovelhas a maioria
Dormia, dormia.
O hipócrita deixou-os dormir;
E para poder
Para o seu forte as ovelhas conduzir
Quis acrescentar
A palavra à acção
Isto é, ao vestuário,
Coisa que ele achava necessário.
Mas o que se passou
Foi que esse embuste o primeiro estragou,
Por não conseguir
A voz do pastor reproduzir.
O tom que usou
Fez o bosque troar
E toda a sua farsa denunciar
Mesmo sem um detective a ajudar.
Cada um a esse som despertou,
As ovelhas, o cão, o rapaz.
O pobre Lobo, com todo este escândalo,
Impedido pelo vestuário,
Não pôde nem defender-se nem fugir.
Sempre por qualquer indício
Os embusteiros se deixam apanhar.
Quem for lobo deve como tal agir:
É o mais certo, por ser menos fictício.»
Quanto a mim, esta fábula prova
Uma vez mais,
Que o silêncio é de oiro
E a palavra de prata.
Direi mesmo de lata.
Às vezes o maior pecado
Está no excesso de explicação
Que por simpatia ou até compaixão
Pelo povo que se diz maltratado,
Um poderoso pretende denunciar
Um paralelismo ou sequer uma igualdade
Bem longe da realidade.
Mas os pastores são horríveis a vingar-se,
Autênticos lobos ferozes a rebelar-se,
Contra o pobre lobinho definhado.
Berta Brás
Carta Aberta a Sua Excelência o Senhor Presidente da República,
Excelência,
Tenho-me dedicado, neste espaço de intervenção, a outras matérias que não são a análise da situação que actualmente vivemos.
Acho que não vale a pena estar a juntar mais uma voz aos incontáveis opinion makers que por aí pululam, em telejornais, jornais, rádios e blogues. Nem da comunidade do facebook já faço parte, ao contrário de Vossa Excelência.
Desactivei a minha inscrição!
E venho falar-lhe das suas palavras sobre as suas reformas. Não sou seu fã, mas há duas coisas que respeito e que dependem uma da outra:
A Ética e a Verdade.
O alarido que se levantou à volta das suas palavras só pode ser entendido como o descarado aproveitamento que em Portugal, há anos a esta parte, se faz, maldosamente, das declarações de responsáveis políticos, com vista a criar manobras de entretenimento popular e a desviar-nos do essencial.
E ambos sabemos a quem interessam as manobras de recreação!
Na verdade, as afirmações de Vossa Excelência não me afectaram porque não tenho nada a ver com o que Vossa Excelência faz do seu dinheiro; e, só afectam quem não sabe ou finge não saber o que é uma reforma.
E uma reforma, numa ideia muito simples, é um pagamento que fazemos a uma entidade que serve de fiel depositária do dinheiro que é propriedade de quem sofre o desconto no seu vencimento. Essa entidade que funciona como um banco, com a diferença que não paga juros do depósito, é fiel depositária do dinheiro que lhe entra cofres adentro. Qualquer fiel depositário, se nomeado judicialmente, responde perante os Tribunais, pelos bens que tem à sua guarda.
E quando nas pensões de reforma se vem falar de reformas de luxo e que alguns recebem, estão a esquecer-se que essas pessoas também pagaram mais ao tal fiel depositário para que lhe guardasse o dinheiro.
Quem descontou para o luxo terá, também, o direito ao luxo.
A questão actual é saber se, numa situação de gravíssima crise económico-financeira, é justo que aja uma gritante desigualdade social.
Mas isso é outro debate!
Que o Governo tirasse o subsídio de natal aos funcionários públicos é entre o Governo e os funcionários públicos, apesar de incumprir com as promessas eleitorais feitas pouco tempo antes, mas, ainda assim, o dinheiro é do Estado…
Que o Governo tire o subsídio de natal aos pensionistas é um acto ilegal, contraria um diploma que nem sequer tiveram o cuidado de revogar primeiro, dando-se o caso de o dinheiro não ser do Estado, ser dos próprios que foram lesados.
Se um banco fizesse desaparecer da conta bancária de um seu depositante o dinheiro do seu depósito, sem o consentimento daquele, sofreria um processo judicial pelo crime de abuso de confiança.
Vossa Excelência, mal ou bem, tem direito às pensões para que descontou e não tinha que abordar publicamente esse tema, ainda por cima, na situação de carência social que vivemos.
Como se diz na gíria popular: "Um tiro no pé!"
Creio que Vossa Excelência poderia patrocinar uma associação que se destinasse ao debate destes actos políticos que a maioria das pessoas não compreende e de cuja ingenuidade e desconhecimento servem, estrategicamente, para fomentar alaridos. Dando-se o caso de o berço da nacionalidade ser a capital europeia da cultura, aproveitaríamos, nesses debates, para sermos esclarecidos, entre outras coisas, sobre as pensões dos Senhores Deputados, a forma como as decidiram para eles próprios e os montantes que descontaram para as obter… e ficaríamos, assim, politicamente mais cultos.
E nessa associação, poderia falar-se, também, de fábulas (aqui no blogue há peritos nessa matéria) e uma das próximas que irei abordar nos meus textos, é a fabula da cigarra e da formiga. Aliás, esta fábula julgo, se a memória não me trai, já ter sido usada e comentada por Vossa Excelência.
Essa associação, nos debates que traria a público, teria de demonstrar e provar ao povo português que de formiga não temos nada, ou teremos muito pouco.
Infelizmente, assemelhamo-nos mais a uma cigarra cantadeira…
De Vossa Excelência,
Respeitosamente,

Num Reino cadaveroso, rei improbo distribuiu os tesouros reais de modo tão incauto que em breve todo e Estado ficou na lama.
O Rei morreu e foi sucedido por outro que quis compor a situação caótica.
Trabalho hercúleo. Os súbditos, que outrora desprezavam o soberano devido à sua incúria, embora vivessem à larga devido a essa mesma incúria, viram-se obrigados a fazer poupanças e desataram em altos berros a protestar contra o novo rei, porque este os obrigava a sacrifícios.
Desonestidade não está bem, mas penúria com decoro – isso de maneira nenhuma, que dá choro!
Furtum est necesse, decus non est necesse.
E houve quem furtivamente tivesse saudades do rei improbo.
Joaquim Reis
“Se você tiver a coragem de enfrentar outras pessoas em nome dos seus homens, ou, de no momento crítico, enfrentar os seus homens em nome das exigências da missão; se tiver a coragem física de ser o primeiro a enfrentar o perigo ou se tiver a coragem moral de ser coerente e defender os seus princípios, então, você conseguirá o respeito e a confiança da sua equipa, que o seguirá lealmente. No entanto, se eles virem que você cede à primeira investida violenta do ataque de alguém, e se virem que você receia vencer, ou até tentar vencer um obstáculo mental ou físico, então, você perderá rapidamente o respeito e apoio dos seus homens”.
Extracto de um folheto sobre Liderança, distribuído no Royal Air Force College – Cranwell
O que se disse no “Exame de Consciência às Tropas” aplica-se “ipsis verbis” – e por maioria de razão – a todos os que passaram pelos postos mais elevados da hierarquia militar.
Neste caso, porém, é necessário ir mais além dadas as responsabilidades envolvidas e inerentes.
A seguir ao 25 de Novembro de 1975 a Instituição Militar estava escaqueirada, tanto em termos materiais como, sobretudo, morais. As imagens dessa época ao invés de terem ficado arquivadas deviam ser mostradas, anualmente, em todos os cursos de promoção a oficial superior e relembradas no curso de promoção a oficial general…
Deste modo se compreende que a prioridade, na época, fosse o de reconstruir o “edifício”, o que se fez com espantosa rapidez e eficácia. Talvez por causa da Lei da Física da “acção e reacção”…
Indubitavelmente as FAs recuperaram muito mais rapidamente do que o resto da Nação. Porém, a convulsão tinha sido profunda e deixou feridas graves no âmbito da ética, camaradagem, espírito de corpo, lealdade e … confiança mútua. O facto do processo de “sarar feridas”e apuramento de responsabilidades, não ter ocorrido nada bem (com culpas muito grandes, também, da classe política), não ajudou nada. A piorar as coisas a imagem das FAs, por uma razão ou por outra – que não vou agora especificar – saiu ferida em praticamente todo o país.
Isto causou uma perda severa de auto – estima e uma inibição psicológica de actuação. A evolução do sistema político e da sociedade fez o resto. Ou seja, ainda não superámos tudo isto o que resulta, na prática que, individualmente e como instituição, nos deixámos de dar ao respeito. Ora quem não se dá ao respeito não pode ser respeitado.
Convenhamos - para termos uma referência/fronteira - em que a fase de estabilização da IM terminou em 1982, com a publicação da Lei de Defesa Nacional e das Forças Armadas (Lei 29/82). Esta lei, todavia, nunca teve, na prática, nada a ver com Defesa Nacional no seu todo, mas apenas com a sua componente militar, pelo que deveria, com propriedade, ser rebaptizada como Lei para as FAs (e o próprio
ministro, como ministro das FAs). E que passou a ser entendida pelos políticos como a Lei para pôr “ordem na tropa”, para a submeter em vez de a subordinar.
Seguindo uma prática, que não deixa de ser ideológica, de não colocar todos “os ovos no mesmo cesto” – que tem sido aplicada, aliás, a todo o país tornando-o uma espécie de helicóptero em estacionário, ou seja, sem resultante - a lei prevê um equilíbrio de poderes entre os quatro chefes militares e entres estes e o MDN, que dificulta muito as decisões e a sua implementação.
A partir da existência desta Lei os sucessivos governos – em progressão aritmética a partir do 1º governo de Cavaco Silva – começaram a asfixiar progressivamente as FAs em termos financeiros, em pessoal e legislativos. Descambou agora na situação de exiguidade e disfuncional idade em que estamos.
Ora perante tudo isto a hierarquia militar reagiu, por norma, tarde (e atrás dos acontecimentos), dividida e em termos ténues.
A primeira (e talvez única) estratégia ensaiada foi a do “facto consumado”. Isto é, pedem-se os meios e depois da sua chegada, solicita-se dinheiro para os manter e operar. Nunca resultou, pelo simples facto dos políticos estarem olimpicamente desinteressados de tais coisas.
A verdadeira grande “estratégia”, contudo, que se pode divisar e comum aos três Ramos foi a de “encaixar danos”. Fez-se isto em nome da subordinação (que os políticos entendem como submissão) militar; na “profundidade estratégica” – sobretudo no Exército; na esperança de melhores dias; que o governo caísse e viesse outro melhor; que a conjuntura internacional ou a percepção de ameaças
mudasse o modo como as FAs são encaradas, etc.
Ora nada disto se passou e nunca se cortou capacidades com medo de nunca mais as voltar a ter, foi-se degradando tudo até chegarmos à actual indigência e limiar da sobrevivência em que nos encontramos.
Tudo isto, sobretudo, pela falta de entendimento crónica entre os Ramos que roça a irracionalidade; outro sim, por um erro de análise profundo que resulta de se ter incluído a generalidade dos políticos, oriundos dos partidos políticos de que somos servidos, na “Ordem de Batalha” das “Forças Amigas”! Não faz sentido que assim não fosse, mas o que é certo é que o seu comportamento não o permite ou aconselha.
Ora se nós fizermos uma ordem de batalha errada está-se mesmo a ver o resultado…
Estes dois últimos aspectos saltam à vista, por exemplo, na definição de missões e nas Leis de Programação Militar. Resumidamente: as FAs “nunca têm dinheiro a menos, podem ter é missão a mais”. De modo que, quando os políticos não dão os meios para se poderem cumprir as missões, que eles definiram, que derivam do Conceito Estratégico que eles aprovaram; que, por sua vez, decorre da Política que eles definiram (se é que alguma), então os chefes militares só têm uma coisa a fazer, depois de se (des)entenderem: é apresentarem um estudo de Estado-Maior com várias opções, vantagens, inconvenientes e consequências e forçarem, é o termo, a que haja uma definição política sobre isto e que seja assumida publicamente (naquilo que não for classificado).
Assim é que não. Ainda não repararam os senhores generais e almirantes que o comum dos políticos não tem pejos éticos na sua actuação e a única coisa que daqui resulta é terem colaborado no seu jogo pouco limpo e porem-vos uns contra os outros a lutarem por migalhas do orçamento?
Porque se permitiu que um grupo de inspectores das finanças fosse vasculhar as contas dos Ramos, nos moldes em que tudo se passou, em vez do sargento da guarda (se é que ainda há…) os mandar fazer 180º?
No último Conselho Superior Militar o Sr. Ministro da Defesa fez, aparentemente, um trocadilho de mau gosto, entre a diferença entre “ilegalidade” em linguagem jurídica e uma “ilegalidade” em linguagem militar que, pelos vistos, os outros intervenientes na reunião engoliram sem que lhes doesse a traqueia (em que compêndio jurídico é que isto virá?).
Ora ponham lá a mão na consciência, já não deviam ter mudado de atitude e de estratégia, há muito tempo?
16 de Janeiro de 2012
João José Brandão Ferreira
TCor/Pilav(Ref.)

“Pouparam!” – disse a minha amiga, presa de admiração.
Eu também manifestei a minha. Os nossos vencimentos não têm dado para isso, devido a factores adversos diversos, que existem em todas as famílias dependentes dos diversos factores adversos, geralmente sem reversos, mas por isso mais propensas à admiração e quem sabe se a um resquício de inveja pelos que, ao inverso, fizeram poupanças, como o nosso presidente que afirmou desde sempre ter feito poupanças, juntamente com a sua mulher, por serem ambos poupados, o que foi uma lição para os esbanjadores, que somos todos os do adverso.
Até nos pegámos, a minha amiga e eu, pois eu não aceitei bem os lamentos do nosso presidente e desta vez fui eu que o achei zezinho, que era uma designação muito dela, já eu lha criticara, pela simples razão da necessidade de deferência para com os nossos superiores, mas a minha amiga, não sei por que carga de água - talvez porque as provações incitam aos receios dos castigos divinos, embora ela ache que estamos mais dependentes dos castigos humanos, resultantes de factores controversos entre os quais uma calçada adversa, avessa aos pés calçados e muito mais aos descalços – a minha amiga, digo, embandeirou numa de generosidade e abertura, frisando que o nosso presidente pretendeu essencialmente mostrar que estava com os portugueses mal vistos em questão de finanças, irmanando-se com eles, por um dos vencimentos não lhe dar para as suas despesas familiares, omitindo, contudo, os restantes vencimentos que se diz que tem.
Ainda nos perguntámos se porventura o novo governo iria interceder junto das finanças no sentido de resolver o problema do nosso presidente, aumentando-lhe a reforma referente a esse vencimento, ou aconselhando-o antes a um menor despesismo em virtude da situação precária do nosso país esbanjador, contrariamente às atitudes poupadas do nosso presidente e da esposa, que se vê bem que é sua alma gémea nas poupanças e na reciprocidade da estima.
Na realidade, eu não me admirei muito da saída queixosa do nosso presidente. Somos um povo dado ao queixume e os nossos jornalistas bem fazem os possíveis por demonstrar isso, interrogando as pessoas sobre isso e as pessoas dando dados disso. Até me lembrei de uma observação do meu pai, nos meus tempos da infância, quando se encontrava em momentos de euforia, definindo o povo português através de uma expressão de expressivo chorinho: “Chora a mãe trabeculosa junt’à filha qu’agoniza”. Assim éramos, segundo o maroto do meu pai, que não gostava do fado gemido. Ainda somos, mas com o fado alcandorado agora a património da humanidade, por muito imaterial que se apresente. Mas o nosso choradinho dá sempre matéria a sempre ouvido canto – elegíaco - até mesmo em prosa, como fez Samuel Usque a respeito das tribulações do povo israelita, o que prova que não somos só nós a prantear-nos.
Ora porque havia o nosso presidente de ter um canto diferente? Eu própria acabei de exprimir um queixumezinho de desengano – ou de engano, nem destrinço bem - neste meu texto que pretendia ser de sentido humor!
Ninguém deve lançar pedras sem antes fazer exame de consciência, bolas, já Jesus disse!
Não há nada como a reflexão para nos compreendermos melhor.
E a consciência de que as poupanças do nosso presidente e da esposa lhes podem proporcionar uma velhice tranquila, encheu-nos, finalmente, as medidas. Até lhes dirigimos o canto dos aniversários, do íntimo dos nossos seres:
“Parabéns a você
Pela poupança obtida.
Muitas felicidades,
Muitos anos de vida.”
Berta Brás
história
lusofonia
GALIZA-Academia Galega de Língua Portuguesa
Observatório dos Luso-Descendentes
cultura
Casa de Estudos de Alhos Vedros
Linha do Tempo - José Adelino Maltez
Novo Círculo de Cultura Musical
economia
CIP-Confederação da Indústria Portuguesa