Quarta-feira, 28 de Setembro de 2016
DO MALTRATO DOS TOUROS E DOS CÃES

 

As Touradas são Espelhos e Modelos de Vida individual-política-social

 

Num mundo em que a crueldade entre os humanos faz parte da ordem do dia, até parece cinismo erguer-se a voz contra a barbaridade com que se tratam animais em touradas ou contra a bestialidade com que se tratam outros animais.

 

É triste e de mau gosto a tradição de se terem cães acorrentados junto a casas de pessoas sem vergonha pelo trato indigno que lhes dão.

 

Dogo Canário.png

 

Também muitas pessoas passam ao lado sem atenderem ao pedido de um carinho ou ao grito de uma oração canina que apenas incomoda quem a ouve ou se torna desapercebida a quem já se habituou ao seu queixar: http://abemdanacao.blogs.sapo.pt/oracao-de-cao-1333096

 

Seria de registar, como indicativo do desenvolvimento de uma sociedade, o grau de sofrimento e na sua maneira como trata os animais.

 

De facto, a maneira de tratar um animal pode dizer muito sobre o carácter de uma pessoa ou sobre a realidade da sua consciência. Seria cinismo condenar-se certas atitudes de violência contra a vida em casa e na escola e ritualizá-las como divertimento e como exemplo em festas sociais.

 

As Touradas legitimam a guerra contra a inocência da vida

 

O Vaticano, embora respeite as tradições dos povos e as festas populares em torno das suas igrejas e capelas, sempre condenou as corridas de touros apesar de elas oferecerem possibilidades de lucros a nível local.

 

O primeiro espectáculo de touros registado terá sido no séc. IX na Espanha.

 

Em Portugal, o padre Manuel Bernardes (1644-1710) condenava as corridas de touros, dizendo: “O jogo de feras foi introdução do demónio, como todas as mais do gentilismo, para que o coração humano perdesse o horror à morte e ao derramamento de sangue humano e aprendesse a ferocidade de costumes e indómito das paixões”.

 

O Papa Pio V, em 1567 publicou a Bula “Salute Gregis Dominici” proibindo as corridas de touros e decretando pena de excomunhão imediata a qualquer católico que as permitisse ou participasse nelas. Ordenou igualmente que não fosse dada sepultura eclesiástica aos católicos que pudessem morrer vítimas de qualquer espetáculo taurino. Pio V, considerava estes espectáculos alheios de caridade cristã Cf. http://basta.pt/igreja-catolica-e-touradas/

 

A igreja na sua perspectiva de inculturação cedeu muitas vezes às necessidades do povo, tendo havido também párocos interessados nestas e noutras festas populares.

 

Não deveria ser legítimo, em nome da arte, permitir a agressão física e moral contra animais, pessoas ou grupos sociais, nem tão-pouco qualquer interesse político ou económico deveria legitimar ou negligenciar tais atitudes. O facto de um “socialismo” institucional estar interessado em apagar usos e costumes de culturas no sentido do estabelecimento de um igualitarismo universal, não pode constituir argumento para não se obstar à brutalidade expressa nas touradas.

 

António Justo.jpg

António da Cunha Duarte Justo



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 07:09
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Terça-feira, 27 de Setembro de 2016
CITANDO...

As obras-primas devem ter sido geradas por acaso; a produção voluntária não vai além da mediocridade.

 

Carlos Drummond de Andrade

 



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:19
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O PADRE JOSÉ MARIA

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Obra da Rua – Casa do Gaiato

 

 

Há já anos que a Obra da Rua procura canonizar o grande Homem que foi o Padre Américo Monteiro de Aguiar, o fundador desta Obra maravilhosa. E não tem conseguido.

 

Acabo de receber a notícia que outro dos Grandes Homens que abraçaram esta Obra, em idade avançada, e há vários anos a sofrer dum mal incurável, estaria deixando esta Terra onde tanto bem e tanto se dedicou sempre aos outros de forma integral, total, humilde.

 

O meu muito querido amigo, irmão, exemplo, o Padre José Maria que conheci em Lourenço Marques em 1971.

 

Fez uma grandiosa Obra em Moçambique. Há anos a sofrer, e conseguindo, Deus sabe com que sacrifício, esquecer as dores físicas, para continuar, simples como as criancinhas que Jesus chamou para o seu lado, a trabalhar arduamente para que a Obra da Rua não parasse e seguisse sempre em frente com a sua Casa do Gaiato, as creches, os postos de saúde, a construção de casas para velhinhos que tudo haviam perdido e com outras inúmeras acções e problemas.

 

Neste momento está, lá no altíssimo, o Cristo, de braços abertos, à espera da alma de um Homem que cumpriu, integralmente com o ensinamento: “amai aos outros como a ti mesmo... sobretudo as criancinhas”!

 

“Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos”.

 

Além da muita admiração e profundo respeito pela sua dedicação, aliás doação total da sua vida, uma amizade muito profunda nos unia, certamente fruto da minha pequenez humana face à grandeza da alma deste irmão.

 

Lembro com imensa saudade ver o Padre Zé, aos Domingos, na linda capela que ele projectou e lá está na Casa de Moçambique, fazer a sua homilia para aqueles fiéis moçambicanos que mal falavam português. Padre Zé, sem nunca ter perdido o seu sotaque do norte de Portugal, voz baixa, sem microfone, seu ar humilde, sua imensa simplicidade, falava àquele povo que o ouvia em profundo e respeitoso silêncio, sem possivelmente entender o que ele dizia. Não precisavam entender. Na frente deles estava um homem de Deus, que os amava e daquela alma, daquela boca, só podiam sair palavras que os abraçava a todos, no mesmo abraço fraternal, no abraço do Cristo que os amava.

 

Outro homem que deveria ser canonizado.

 

A vida segue. Mas o Padre Zé vai fazer muita falta.

 

Até a mim que há anos estou a milhares de quilómetros de distância, mas não esqueço aquela figura amiga de Homem de Deus, do seu exemplo, da sua amizade.

Impossível não deixar rolar cara abaixo umas quantas lágrimas.

 

A verdade é que nos sentimos mais pobres.

 

De dor, saudade, ternura, e muito respeito.

 

Que o Senhor tenha piedade de nós, os egoístas.

 

À Irmã Quitéria, que admiro profundamente e que fica agora responsável por aquela admirável Obra em Moçambique, todo o meu carinho, amizade e respeito.

 

Que Deus a ampare, sempre.

 

25/09/2016

Francisco G. Amorim-IRA.bmp

Francisco Gomes de Amorim

 

 AS PESSOAS | Casa do Gaiato, Moçambique

Director – Pe. José Maria Ferreira Costa
Directora Adjunta – Irª Quitéria Paciência Torres

 



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 06:54
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Segunda-feira, 26 de Setembro de 2016
DIZ-SE QUE HERR SCHÄUBLE É MAU!

 

 

Schäuble.png

 

 

Corria o ano de 2013 e dizia-se que «O ministro alemão das Finanças ignora de modo grotesco a crise social europeia»;

 

Herr Schäuble afirmava então: “Ignorem os profetas da desgraça. A Europa está a ser consertada.”

 

E mais se dizia que «O mundo, visto de Berlim, é quase perfeito: “A receita está a funcionar, para desgosto dos numerosos críticos nos media, nas universidades e nas organizações políticas internacionais. O ajustamento era ambicioso e, por vezes, doloroso, mas a sua implementação é flexível e adaptável. As redes de segurança europeias providenciaram uma mistura bem calibrada de incentivos e solidariedade para amortecer o sofrimento.”


O texto de Herr Schäuble é assustador porque é um dogma de fé. As “organizações internacionais” e as “universidades” bem podem produzir estudos – que, entretanto, se têm vindo a comprovar – sobre os riscos da política económica seguida pela Alemanha que, do alto do seu poder e da sua religiosidade intrínsecas, Schäuble ignora-os. A crise social nos países do Sul, os 27,8% da população grega sem emprego, os 16,5% de portugueses sem emprego, os 26,3% de espanhóis sem emprego e os 17,3% de cipriotas sem emprego não entram nas contas de Herr Schäuble.


O ministro alemão das Finanças ignora, de um modo grotesco, a mais grave crise social depois do fim da Segunda Guerra, afirmando que, “em apenas três anos, os custos unitários de trabalho e a competitividade estão rapidamente a ajustar-se (...) e os défices a desaparecerem”. A recessão na zona euro acabou.


O mais traumático no texto de Herr Schäuble, mesmo que tenha sido escrito na semana decisiva de uma campanha eleitoral onde o seu posto está a votos, é que ele despreza ostensivamente a realidade e, nomeadamente, os números. O final do texto é particularmente esclarecedor da arrepiante mistura de fé com bruxaria: “Os sistemas adaptam-se, as tendências mudam. Por outras palavras, o que foi partido pode ser reparado. A Europa de hoje é a prova.”


É extremamente grave o delírio de Herr Schäuble. Mas o mais grave ainda é que ele se pega.»

 

Assim dissertava Ana Sá Lopes no jornal «i» em 18 Set. 2013 – http://www.ionline.pt/iopiniao/herr-schauble-delirio-pega-se


E, contudo, sou da opinião de que Schäuble estava dentro da razão.

Porquê?

Porque:

  • A Europa do Sul foi tomada por uma classe de políticos que não hesitou em «comprar» votos usando a demagogia paga com dinheiros públicos e daí surgiram os gigantescos défices;
  • A Europa do Sul sempre gostou muito mais de folgar nas belas praias (o famoso licenciado em «5º ano de praia») do que estudar nos livros, daí a grande deficiência na instrução e formação e, daí, a pobreza estrutural dos PIB's com inerente dependência económica externa e consequentes dívidas privadas;
  • Os políticos da Europa do Sul convenceram as suas populações de que é aos ricos que cumpre pagar a crise travestindo esse conceito marxista na famosa «solidariedade europeia»;
  • A Europa do Sul contou com todos esses ovos na cloaca da galinha e agora diz que os culpados são os ricos que não querem pagar a factura dos seus dislates, da sua «dolce vita»;
  • O escol de cada povo da Europa do Sul (não confundir com Governos nem com políticos demagogos) já percebeu que a mudança era inevitável e urgente;
  • O escol de cada povo da Europa do Sul rapidamente se apercebeu de que ele próprio teria que ser o agente dessa mudança não esperando pelas medidas de política sempre emperradas por Tribunais Constitucionais e organizações quejandas;
  • O escol de cada povo da Europa do Sul não perguntou aos Governos o que deveria fazer: fez!

Schäuble tinha razão quando proferiu aquelas afirmações: a Europa do Sul estava a safar-se, a modificar estruturalmente os «modelos de desenvolvimento» que a tinham atirado para o abismo, acabando com as actividades que se tinham revelado perniciosas e a desenvolver as que são efectivamente virtuosas, a substituir inaptos por gente profissionalmente competente, a exportar em vez de chorar sobre a ruína dos respectivos mercados domésticos.

 

Mas, entretanto, concertaram-se pérfidas «geringonças» e a evolução sã corre agora o risco de ruir. E depois dessa hecatombe virá por certo à tona o populismo de direita de que a «Alternative für Deutschland» e o «Front National» são meros exemplos.


O drama está em que, à falta de hábitos de estudo e da preferência pela «dolce vita», o escol de cada povo da Europa do Sul não conta com quaisquer ovos na cloaca das galinhas. E, se necessário, o populismo há-de inventar galinhas sem cloaca!


A demagogia tanto saúda de punho erguido como de braço estendido. É uma chatice!

 

Henrique Salles da Fonseca-16AGO16-2

Henrique Salles da Fonseca



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:58
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Domingo, 25 de Setembro de 2016
CAMÕES, O “IMPARCIAL”

 

 

O trinca fortes, Camões

 

As armas e os barões...

Cantando espalharei por toda a parte

Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

 

 

 

O nosso épico não se fez rogado a enaltecer os feitos lusíadas nem a denegrir os que se nos opunham: nós, os heróis; eles, os vilões.

 

E assim fomos criados num imaginário glorioso que então nos levou «além da Taprobana» mas que ainda hoje nos faz sonhar com a Lusitânia Armilar onde cabem todos os que se sentem portugueses mesmo que já não falem a nossa língua e já lhes rareiem os genes lusitanos.

 

E é nestas brumas poéticas que me lembro de Heródoto, o pai da História, que tanto contava os feitos dos vencedores como dos vencidos para «impedir as grandes e gloriosas acções de gregos e de bárbaros de perderem o tributo de glória que lhes é devido».

 

Sim, Heródoto praticava a imparcialidade e era objectivo na descrição dos feitos que relatava. Por isso se credibilizou como historiador e não como poeta ou contista.

E se essa objectividade lhe atribuiu a «paternidade» da História, ela inspirou também todo o método científico, o mesmo que nos permite, tantos séculos depois, estarmos onde estamos, a desbravar os limites do Universo e a «tratar por tu» o núcleo das células.

 

Hoje, os lusíadas do século XXI, estamos todos em pé de igualdade, sem suseranos nem servos, sem dominadores nem dominados. Assentes na realidade, cumpre-nos aceitar as coisas como elas efectivamente são e, não querendo discutir as situações a que a História nos conduziu, resta-nos a possibilidade de tirarmos o maior proveito das circunstâncias, sem cenários mirabolantes.

 

Apetece, no entanto, perguntar como teria sido o nosso percurso nacional se em vez de Camões tivéssemos sido influenciados por Heródoto. Ninguém consegue imaginar os resultados duma experiência não experimentada mas talvez possamos admitir um percurso como o da Nação grega. E vai daí, não haveríamos por certo de querer a troca quando pela Grécia só a metade Sul de Chipre sonha enquanto nós temos – apesar de tudo – uma dimensão universal.

 

E como estaria hoje a nossa auto-estima se não fossemos diariamente achincalhados pelos telejornais?

 

E como estaria hoje a nossa determinação se não fossemos diariamente desmotivados pelos gatunos?

 

E como estaríamos hoje se os políticos se entregassem ao bem comum com a mesma tenacidade com que se dedicam ao «tira-te tu para me pôr eu»?

 

E como estaríamos hoje se a base da nossa cultura não fosse a fantasia épica e sim a verdade histórica?

 

Seríamos talvez uma Nação sorumbática, instalada, maçuda e rica mas não teríamos certamente as gargalhadas das anedotas nem os sonhos de voltarmos a ser a Nação gloriosa que nos contaram. E sem esperança não há futuro.

 

VIVA CAMÕES!

Dança com serpente.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(algures na Amazónia, MAR16)



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:27
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Sábado, 24 de Setembro de 2016
PÁTRIA PEQUENA

 

POEMAS MAIATOS

MILHEIRÓS

 

No meio dos milheirais de Milheirós

Havia cantigas de gente

Em tempo de ceifa

E de toda a passarada

Em tempo de Primavera.

Pelos Invernos

Rigorosos

Ficávamos tempo esquecido à lareira

Ouvindo o vento que gemia

E os uivos dos lobos

Ao longe…

 

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ponte-de-alvura.jpg

 

Além da Ponte de Alvura

Vai meu amor acenando,

Além da Ponte de Alvura

Até quando, até quando?

 

Além da Ponte de Alvura

Vai pequenino ficando

Águas claras em dor pura

Vão os meus olhos chorando…

 

Além da Ponte de Alvura

Moinhos de água, moendo

Junto da água, em secura

Eu vou morrendo, morrendo…

 

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Junto com o milho

Debulhei lágrimas salgadas

Como as mulheres da beira-mar

As debulham

Nos cais da espera…

 

Maria Mamede.jpg  Maria Mamede



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 19:43
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TU E O MEU BOLO DE CHOCOLATE

 

NOTA PRÉVIA: texto escrito para o Clube de Escritores (Porto) cujo 1º Encontro se realizou em 20 de Março de 2010; o mote era “Tu e o meu bolo de chocolate” e os textos teriam que caber numa página A4; não estive presente e alguém o terá lido para a audiência; não tenho informação sobre o volume da pateada, só sei que NÃO recebi qualquer prémio.

 

* * *

 

puppy-boy.jpg

 

Quando é que já se viu eu comer um bolo de chocolate e não lamber os dedos? Sim, quando? NUNCA! Era o que faltava eu deixar aqueles bocadinhos de gula desperdiçados num qualquer pano de resguardo de sebências ou afogá-los num frio lavatório e mandá-los pelo cano a baixo como se faz aos abortos. ERA O QUE FALTAVA! Os guardanapos são para limpar cerimónias; os lavatórios para excomungar porcarias. Chocolate, não… esse merece lambidela.

 

Mas diz a Tia Alzira que é feio lamber os dedos. Ah! E eu ralado. Feio é desperdiçar. Isso, sim, é que é muito feio! - Pois fique a Tia sabendo: eu lambo o chocolate dos dedos! E se for uma Bola de Berlim, também lambo o açúcar dos dedos!

 

- Olha, Caramelo! Tu sabes que o chocolate te faz mal, não sabes? E o Caramelo dá ao rabo porque eu estou a falar com ele. E porque vê o chocolate nos meus dedos e concorda comigo que tal preciosidade não deve ir pelo cano a baixo como alguém fez aos irmãos dele quando nasceram. E esses não eram abortos: eram cãezinhos completos e sãos… Então, sem os adultos verem, deixo a minha mão descair até à altura da boca do Caramelo e logo sinto a língua gulosa a lamber o chocolate…

 

Mas cão não tem rabo discreto e logo se põe a abanar o apêndice a pedir mais. E os adultos reparam que o Caramelo pede mais porque alguém o iniciou na lambarice. E esse alguém só posso ser eu. E então é a mim que zurzem… Porque isto e porque aquilo!!!, não têm mais nada que fazer do que chatear criança e cão por causa duns restos de chocolate nos dedos de um guloso amigo de um cão tão guloso como o dono dos dedos.

 

E sabem que mais? O Caramelo dá ao rabo de satisfação e eu não faço isso porque não tenho rabo mas também o faria se o tivesse e fosse cão.

 

Uma pergunta: como fazem os cães que não têm rabo? Deve ser muito triste. Acho que deve ser como a gargalhada que o mudo não dá.

 

Lamber os dedos é feio… E fazer abortos e deitar cãezinhos pelo cano a baixo é bonito?

 

Melo e eu - 3.jpg

Henrique Salles da Fonseca



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:30
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016
MAIS DUAS “CARTAS DO BRASIL”

 

 

SAUDADE DE ÁFRICA

 

Se não tivesse escrito estas “Cartas do Brasil” estaria possivelmente a estas horas a escrevê-las ainda de Angola ou Moçambique! Vivi, vivi muito intensamente naquelas paragens mais de vinte anos, e até hoje guardo uma forte saudade daquele tempo, daquelas terras, daquelas gentes. Até do clima de Luanda que era mais bravo que o do Rio, com temperaturas menos altas mas teor de humidade mais elevado. O que lhe valia eram aquelas praias e a Ilha, maravilhosas...

 

Quando os (des)governantes da revolução de Abril (os meses escrevem-se mesmo com maiúscula) concluíram, na conferência de Alvor, que os únicos representantes das colónias eram os africanos, eu não tive dificuldade em verificar que, apesar do meu coração vibrar por África, a minha pele era clara! Dei o fora. Vim para o Brasil que me abriu as portas. Como um parente pobre, que tendo um só pão para comer, sem regatear, o dividiu comigo. Nessas alturas o meu país considerava-me fascista só porque ao fim de vinte e cinco anos de trabalho eu tinha atingido um escalão alto na hierarquia da minha profissão! Achei que era melhor não me meter no meio duma briga, que eu certamente acabaria por comprar, e aceitei o pão, suado, que o Brasil me oferecia.

 

Comi pão duro, mas dado com carinho, e à medida que a qualidade do pão foi melhorando procurei reparti-lo. Ao meu lado trabalham hoje (sim, porque eu ainda trabalho! Os meus vinte anos de África... a (in)segurança social portuguesa - tudo com minúsculas - não considera para me aposentar! Um dia volto a falar nisto.) mas estava dizendo que ao meu lado trabalha gente de todas as cores. Desde louros de olhos azuis, brasileiros há tantas gerações que desconhecem as suas origens, até um angolano de M´Banza Congo, que a fome fez imigrar há cerca de dois anos.

 

Como é de calcular, em mais de vinte anos de trabalho em África, juntei alguma coisa, sobretudo apertei o cinto para comprar uma casa. Casa, sendo um bem imóvel, teve que ficar, lá onde foi construída. Para mim acabou sendo, não um bem, mas um mal imóvel. Mais valia ter bebido o dinheiro que ali, tão suado, chorado e desperdiçado, investi. E se havia onde beber!

 

Mas os capitães de Abril, depois que enfiaram os cravos nas espingardas, fotografaram-se em posição de conquistadores do mundo, e... deixaram o país ao desgoverno. Total. Os líderes africanos, ao verem tamanha falta de disciplina e vergonha, impuseram as suas condições para a independência, como vencedores duma guerra que, para eles, não estava perdida, quando muito empatada. Quem por fim capitulou, vergonhosamente, foi Portugal. Abandonou os povos africanos e os timorenses ao seu triste destino e os portugueses que lá viviam aos seus próprios cuidados.

 

Tinha que acabar a guerra colonial? Evidente. Nunca devia ter começado. Mas não se podia ter virado costas. Uma página de vergonha na história de Portugal. Para esquecer, o que é difícil.

 

Mas, esta deveria ser uma Carta do Brasil. A saudade leva-me para África, e daqui a ter que me lembrar dos (in)capazes, os (ir)responsáveis pelo tal (des)governo que teve consequências dramáticas.

 

Veio muita gente de Angola e Moçambique para o Brasil. Não posso garantir se a maioria ficou ou acabou regressando a Portugal. Os que ficaram, quando descobrem alguém que andou por aquelas terras, ganham logo um novo amigo, e a conversa vai voando para as gambas de Luanda ou do Alto Maé, uma pescaria na baía de Benguela ou em Vilanculos, o encontro dos três mundos na Ilha de Moçambique, a beleza da Tunda Vala ou da Gorongosa, e acaba sempre com uns finos, que aqui são chopes! Há um não sei quê que veio d´além-mar que envolve as pessoas ad aeternum e de onde não adianta fugir, o que aliás ninguém quer. As recordações daquele tempo são muito fortes.

 

Ir à Bahia, onde veio viver e acabou morrendo o grande pintor angolano e muito querido amigo Albano Neves e Sousa, é quase uma viagem a Angola. Apesar da grande influência do Candomblé, trazido da região do Benin, em cada canto há um jeito de ser angolano, um requebro, um ensaio de capoeira. E, dando à cidade do Salvador um toque de magia, de conto de fadas, as baianas, gordas ou magras, velhas ou novas, impecavelmente vestidas de branco, só me lembram as mamanas de Luanda, imponentes nos seus trajes impecavelmente pretos.

 

Estas vendiam legumes, frutas e pescado. Às vezes uns doces que a garotada adorava. Aquelas vendem acarajé, um bolinho feito de feijão fradinho, frito em azeite de dendém, servido com molho de pimenta, cebola e camarão! Uma delícia afro-baiana.

 

Em todas o mesmo sorriso simpático, as mesmas palavras carinhosas que nos deixam ficar suspensos no meio do Atlântico, desejando voltar aos tempos de menino e pedir que uma Mãe Preta nos acarinhe e cante uma cantiga de ninar!

Nestas condições eu até me proporia ser menino de novo!

 

FGA-O DIA.jpg

Jornal “O Dia” – 01/06/99

 

***

 

ALÔ! ALÔ! ESTÁ LÁ?

Lusíadas, Canto III, 5

Camões.jpg

 

Além disso, o que a tudo enfim me obriga

É não poder mentir no que disser,

Porque de feitos tais, por mais que diga,

Mais me há-de ficar inda por dizer.

 

Este intróito só pretende levar os leitores a ficarem com maior certeza de que o que escrevo, pode ter mais ou menos floreados, mas mentira não é. Pode ser inacreditável, anedótico ou triste conforme o ângulo ou a disposição de quem lê, mas é verdade.

 

A minha opinião sobre este imenso país está expressa, impressa e divulgada. Tem um povo maravilhoso, mas... de vez em quando, como diz um primeiro ministro muito conhecido nessa terrinha, isto parece a famigerada república das bananas.

 

No caminho do progresso e da desburocratização, o governo tem privatizado tudo quanto pode. Bem ou mal vai deixando de ser empresário, péssimo empresário aliás, para procurar centrar as suas atenções no óbvio. Assim pensam muitos como eu que acham que o governo, quase sempre desnecessário – a Itália já o demonstrou - tem que se preocupar com a saúde e educação e pouco mais. O resto é acessório, como por exemplo justiça, já que as leis dos homens... feitas pelos poderosos, dificilmente são igualitárias para os pobres ou miseráveis.

 

Continuemos a privatizar. Privatizou-se a rede de telefonia, dividindo-se o país em diversas áreas, separando-se a telefonia tradicional, fixa, da celular, móvel, e passou-se esse serviço para empresas concessionárias, entre as quais está um grupo português. Aplausos.

 

Há dias procedeu-se à separação do “que é de quem” introduzindo-se prefixos vários dando a opção ao usuário de servir-se de uma ou outra prestadora desses serviços.

 

Os jornais, tv, rádio, outdoors, indicavam mais ou menos: fale pelo 27 que é melhor, ou ligue pelo 35 que é o máximo, etc. sem que alguma explicitasse qual ou quais as vantagens de utilizar esta ou aquela servidora. Mas, tudo bem, brasileiro é paciente e aguardou para ver o que a concorrência lhe proporcionaria, se é que...

 

“Um... Dois... Três!” A partir das zero horas do dia “D”, felizmente na noite de sexta para um sábado, entrou o novo sistema em acção. Foi o fim da macacada! O sistema embananou-se de tal forma que ninguém conseguiu fazer uma ligação interurbana! Ligava-se para as informações e a resposta, mecanizada, informatizada, respondia as mesmas parvoeiras que na véspera! Ligava-se para a nova empresa e ela respondia o mesmo, isto é, nada. Todos perdidos. Um caos! Ninguém se entendia. E assim se passou o sábado e domingo.

 

Segunda-feira o assunto, como é evidente, era manchete nos jornais, nos noticiários de tv, etc. Afirmava o presidente da Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações – órgão governamental encarregado de supervisionar e fiscalizar o serviço das concessionárias, que a culpa era das ditas. Estas, que era daquela. O ministro da justiça – letra minúscula é melhor - atribuía o desastre ao Ministério das Comunicações, zangavam-se os dois, e o problema, resolver-se é que nada.

 

Vai levar uma semana a normalizar! informaram os órgãos de informação!

 

Ao fim de quase quatro dias, sexa, o Presidente da República decidiu intervir, pessoalmente. E montou um circo. Informação presente e os dois ministros em causa: Então o que se passa com as ligações interurbanas? Quero isso pronto em 72 horas.

 

Brilhante! Já o público estava informado que as empresas iam levar 72 horas para resolver a vergonha, quando o Presidente, energicamente, exigiu o mesmo prazo. Vejam lá se não é comovente! Dá a sensação que o governo durante os primeiros quatro dias não sabia o que se passava!

 

Dá para conceber um país de 180 milhões habitantes ficar com os telefones todos, todos não, mas três quartas partes deles, sim, sem conseguirem comunicar-se? Não dá.

 

O defeito terá sido no programa do computador. Como sempre o computador é que paga! Mas mexer num sistema que funcionava muito bem sem que se tivesse testado exaustivamente primeiro um outro, não parece coisa de empresas de primeiro mundo!

 

Três dias depois, as reclamações oficialmente registradas - em Portugal seriam registadas - eram cento e quarenta e quatro mil cento e oitenta e duas! Isto porque o brasileiro é bom, calmo, paciente, e está já condicionado a ter que esperar, sofrer e, no fim... pagar! Porque se fosse na Alemanha que tem só 60 milhões de habitantes, as reclamações teriam sido 20 milhões, admitindo que cada lar tem três habitantes! Nem um só se calaria. Exigiriam que o Bundesverfassungsgericht propusesse ao Oberlandesgericht que demitisse o Bundesregierung e ainda os membros do Bundestag e do Bundesrat, e apoiariam em uníssono o regresso de outro Hitler para arrumar a casa!

 

Mas aqui... não é a Alemanha, graças ao bom Deus que será brasileiro, segundo se diz e até se acredita. Mesmo que se procurasse com uma lupa não se encontraria nenhum Hitler, e se por milagre do demo aparecesse, não estaria disponível! Mas no que tange a Bundes... ahh! isso é outra história, porque enquanto na Alemanha as bundes parece pertenceram exclusivamente à política, aqui, com uma ligeira tradução, bundas, são altamente democratizadas. São de todo o povo, e por isso, neste país jamais alguém se atreveria a demitir uma única bunda! Pelo contrário.

 

Alô! Alô! Está lá? Não. As Bundas estão cá!

 

Então? Deus é brasileiro ou não é?

 

Pequeno léxico para ajudar os menos práticos na língua tedesco-política:

 

Bundesverfassungsgericht – Tribunal Federal Constitucional

Oberlandesgericht – Suprema Corte

Bundesregierung Governo Federal

Bundestag – Câmara baixa.

Bundesrat – Câmara alta.

 

 

Junho 1999

 

Francisco Gomes de Amorim

Francisco Gomes de Amorim



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:09
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LIDO COM INTERESSE – 68

Maimónides.jpg

 

Título – O MÉDICO DE CÓRDOVA

 

Autor – Herbert le Porrier

 

Tradutora – Clara Alvarez

 

Editora – Bizâncio

 

Edição – 5ª, Junho de 2016

 

O médico judeu Moisés Ben-Maimon, conhecido no Ocidente por Maimónides, nasceu em Córdova em 1135 e morreu aos 69 anos no Cairo, corria o ano de 1204, depois de a errância o ter levado – com o pai e o irmão – a Fez e à Palestina.

 

Nesta história, cujo narrador é o próprio Maimónides, o autor confessa que, consultados os documentos históricos, foi fiel ao espírito mas não à letra produzindo uma obra de divulgação histórica de muito fácil leitura. Admito que o trabalho tenha partido de um amontoado de informação bruta que o vulgar leitor (eu, por exemplo) se recusaria a folhear e a ler sequer por alto.

 

Para além do pai do nosso personagem central, o rabi Maimon, ficamos a saber coisas interessantes sobre o muçulmano Averróis (Ibn-Rushd) muito pouco ou mesmo nada religioso que Maimónides sempre teve na mais alta consideração e que tomou por mestre desde os 12 anos, sobre o muçulmano de origem berbere (?) nascido em Algeciras de seu nome Al-Hajib al-Mansur por cá conhecido por Almançor que se gabava de ser analfabeto e sobre o curdo Saladino (Salah-al Din Yusuf) que ao conquistar o Egipto se «agarrou» ao nosso herói para dele beber o máximo de cultura.

 

Portanto, com excepção do bruto conquistador almóada da Península, todos eram personalidades da mais elevada cultura. E como nesta história não dá para distinguir com exactidão onde acaba a realidade comprovável pelos estudiosos para começar a imaginação do autor, tudo se enquadra na plausibilidade do que temos como verídico no âmbito do confronto das Civilizações, i. e., das Religiões, ao nível do esmero cultural de cada uma dessas personagens.

 

Trechos que chamaram a minha atenção:

 

Não eras, como eu, educado de pais para filhos para enfrentar a adversidade; não pertencias ao meu povo que nunca deixou extinguir o pavio da esperança no auge da tempestade, no mais escuro da noite. Há mais de doze séculos que temos um encontro capital marcado a que não podemos faltar: no ano que vem, em Jerusalém. (...) Terás certamente notado que nunca invoquei Deus. Ele terá a sua hora. Tem-nas todas. (pág. 13)

[No âmbito da Civilização] quando o fio carnal tinha interrupções, no vínculo do espírito não havia hiatos. (pág. 99)

Um judeu a fingir que é muçulmano para salvar a pele? Mais vale um cão vivo que um leão morto. Os Árabes são senhores da forma e nada distingue, à primeira vista, uma forma vazia de uma forma cheia. Que nos pedem? Que digamos que Alá é grande e que Maomé é o seu Profeta. (...) tudo é permitido desde que não nos deixemos apanhar. (...) cada um é livre de se empenhar à sua maneira no caminho da salvação. (pág. 121)

Para além de ter cortado a cabeça ao responsável máximo da Universidade de Córdova, Almançor mandou queimar a biblioteca num alegre auto-de-fé para gáudio da populaça, ou seja, dos que não tinham [tido] acesso à festa, [para] o prazer daqueles que o prazer [da cultura] havia excluído. (pág. 130)

A constante da nossa herança [judaica] era o hábito do provisório. O exílio não deveria constituir excepção. (pág. 143)

O que é um povo?, interrogava-se o meu pai. São muitos homens que se alimentam do mesmo reservatório de língua e de cultura, que se submetem sem esforço a um complexo de tradições idênticas, que se reclamam duma história comum e dum futuro convergente. (pág. 161)

Averróis descurava o rito da oração. Encontrava-se preso na contradição irredutível entre o peripatetismo e o dogma corânico, principalmente no que respeitava ao conceito da criação. – Que Deus tivesse feito o mundo a partir do nada, era inconcebível para um espírito humano pois nada pode nascer do nada, como nenhuma quantidade pode estar contida no nada, a menos que desviemos a noção de nada do seu significado essencial. (...) Ao que Maimónides respondeu que não convinha tomar à letra a palavra revelada e que havia que a aceitar como pura alegoria. (pág. 164 e seg.)

Que idiotas são os que nos atacam por errarmos pelo mundo. (...) faço questão de me afastar do seu caminho pois nunca ninguém convenceu um idiota da sua idiotice. (pág. 197)

 

Estas, algumas das «coisas» que despertaram o meu interesse. Muitas outras passagens, quiçá mais importantes, ficam à disposição do futuro leitor desta curiosa obra. A não perder.

 

Setembro de 2016

 

Henrique Salles da Fonseca, Delhi.JPG

Henrique Salles da Fonseca



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 07:35
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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2016
TEORIA ECONÓMICA APLICADA

 

Circulação monetária.jpg

 

É um dia calmo numa pequena cidade da Irlanda. Está a chover e as ruas estão desertas. Os tempos são de crise, toda a gente deve dinheiro e vive a crédito. Chega à cidade um rico turista alemão, dirige-se ao único hotel e põe uma nota de 100 dólares[1] em cima do balcão, dizendo ao proprietário que deseja inspeccionar os quartos para escolher um para passar a noite.

 

O dono do hotel entrega-lhe as chaves de vários quartos e assim que o visitante sobe as escadas, o hoteleiro pega na nota de 100 dólares e vai à loja ao lado para pagar a sua dívida ao dono do talho. Este, pega na nota e corre rua abaixo para pagar o que deve ao Criador de porcos, seu fornecedor. Este, por sua vez, pega na mesma nota e vai a correr pagar a sua dívida ao fornecedor de rações. Este, pega nos 100 dólares e corre para pagar a sua conta no pub da terra. O dono do bar, discretamente, entrega a nota à prostituta que frequenta o bar que, também vivendo tempos difíceis, tinha sido obrigada a fazer uns “servicinhos” a crédito. Esta corre para o hotel e paga a conta do quarto que habitualmente utiliza.

 

O dono do hotel volta a colocar a nota de 100 dólares em cima do balcão quando, momentos depois, o turista alemão desce as escadas dizendo que os quartos que viu não lhe agradam, pelo que vai seguir viagem. Apanha a nota de 100 dólares e deixa a cidade.

 

* * *

 

Ninguém produziu nada, ninguém ganhou nada. Contudo, todos pagaram as suas dívidas e encaram o futuro com muito mais optimismo!

 

Eis a circulação monetária no seu melhor!

 

Autor Anónimo.png

 

(recebido por e-mail, Autor não identificado)

 

[1] Para evitar qualquer conflito cambial, podem substituir dólares por euros, ienes, rublos ou yuans.



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 13:19
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