Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
BOLSA DE MERCADORIAS DE PORTUGAL

 

 

Caro Dr. Salles da Fonseca,

Já havia prometido responder-lhe a esta questão da "Bolsa de Mercadorias" em Portugal. Já existiu, funcionava às 5ªs feiras no Terreiro
do Paço. Foi aí que iniciei as minhas actividades no Comércio de cereais, já lá vão 52 anos. Já nesse tempo - em que ainda não tínhamos computadores e muito menos Internet e que por conseguinte a informação era restrita ao Século, ao Diário de Notícias, ao Jornal do Comércio e pouco mais - assistia todas as semanas à manipulação dos preços. A coisa era assim: Um Senhor, que resolvi não identificar pelo nome e sim pelas iniciais "A.L.M." grande intermediário (hoje chamar-se-ia de "brocker") de Lisboa iniciava a sessão ditando para um quadro negro, os preços de compra e de venda dos cereais. Depois ele e um grupo de comerciantes ali reunidos - nunca lá vi um
agricultor - faziam umas transacções em que a regra era "agora perco eu e ganhas tu, a seguir perdes tu e ganho eu" de modo a que os preços finais de "transacções efectuadas" aparecessem no quadro. Claro que apenas reflectiam os interesses dos comerciantes ali reunidos - preços altos quando os comerciantes tinham produto para vender, preços baixos quando queriam comprar.

Desconfio que ainda hoje as coisas se passam de modo semelhante nas Bolsas mundiais como Chicago e Nova York.

Depois saía-se dali e todos se reuniam de novo para almoço num Restaurante  onde julgo que hoje se encontra o supermercado Celeiro - junto à estação de Caminho de Ferro do Rossio, e aí sim, colocavam as amostras dos produtos que tinham para vender em cima das mesas, e caso curioso, até, havia um ou dois intermediários que iam de mesa em mesa, levando amostras de uns para os outros, acertando preços e efectuando transacções reais.

No dia seguinte o Diário de Notícias lá transmitia os preços fixados na "Bolsa", que eram baixos, quando os comerciantes queriam comprar e altos quando nada havia para comprar na agricultura mas havia para vender na mão dos comerciantes.

Ainda há poucos anos, instituiu-se no Montijo uma "Bolsa do Porco" que passou a ser o "guia" para os preços do porco vivo a praticar
entre os matadouros e os criadores. Foi - e se ainda existe é - um "flop". Também aí um ou dois comerciantes estabeleciam ou ainda
estabelecem à sua vontade os preços indicativos para o porco gordo, sem que reflictam qualquer transacção real, mas que servem depois para guia dos preços a pagar aos criadores. É ou era uma fraude, que deveria ser legalmente punida, mas que ao contrário, tem sido tolerada e mesmo acarinhada pelas Autoridades.

Hoje, os preços mundiais das principais "commodities" agrícolas - desde os cereais às oleaginosas, passando pelos seus produtos finais, são fixados na Bolsa de Chicago (CBOT). Mesmo Bolsas de grandes espaços como a de S. Paulo no Brasil, apesar de o terem tentado, jamais conseguiram substituir-se a Chicago.

Caro Dr. Salles da Fonseca, entendo muito bem a sua proposta, em termos teóricos ela está certa. Porém, creia que na prática é impossível dar-lhe praticabilidade. Mesmo que os produtores agrícolas decidissem só vender os seus produtos através da Bolsa - e isso, em Portugal, já seria uma tarefa hercúlea - os preços que pretendessem praticar seriam sempre balizados pelos preços de outras origens, e aqui recordo, a mais recente e favorecida pela UE, que é Marrocos.

No Espaço da UE, os Governos podem regulamentar, podem legalmente impedir práticas de restrição da concorrência, de abuso de posição dominante, de "inside-trading" etc., mas não podem criar "bolsas".

Finalmente, aproveito a oportunidade e coloco aqui outra questão que é a do "roubo" que é feito legalmente pelos grandes distribuidores aos proprietários de produtos de marca. Uma marca, para além do nome, da insígnia, do desenho, da imagem, contém o produto, com os seus aspectos de qualidade distintivos, a publicidade, a promoção e O PREÇO. Quando se retira ao dono da marca a possibilidade de indicar o PREÇO de venda ao consumidor e se entrega esta faculdade ao distribuidor, destrói-se a marca e tudo o que nela se investiu. Qualquer manual de "marketing" explica isto. Hoje, a Lei em Portugal - julgo que em toda a EU - impossibilita a criação de novas marcas
para a "grande distribuição". Só existem as marcas líderes regionais, nacionais e internacionais e as marcas dos próprios distribuidores. Estranho que a CIP nunca tenha levantado esta questão ao mesmo tempo que se perde a discutir o salário mínimo, que, por tão baixo, nenhuma indústria paga, e que só interessa às Empresas distribuidoras para que também possam explorar os seus trabalhadores. Eu não entendo, o meu caro Dr. Salles da Fonseca entende?

Um grande abraço,

João A.J. Rodrigues



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:54
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Terça-feira, 15 de Maio de 2012
ONDE ESTÁ O PODER EM PORTUGAL? - 3

 

   

A maioria dos políticos não tem preparação alguma para os cargos que ocupam e apenas tentam melhorar a sua performance de actores bem-parecidos e bem-falantes para terem boa imagem à frente das câmaras.

 

O Estado Português assumiu, logo a seguir ao 25/4, que só se fez asneiras nos últimos 500 anos e por isso voltou as costas ao mar (e passou a ensinar isto nas escolas); que a partir daquela data, nós seríamos amigos de todos e que haveria reciprocidade, logo não teríamos ameaças e portanto não precisávamos de diplomacia nem tropas: se por acaso houvesse algum problema (quase um símbolo de impossibilidade), lá estaria a NATO para nos defender, e quanto às questões económicas o novo “El dourado” da CEE responderia às nossas necessidades, dando-nos de comer e boa vida…

 

O Estado Português passou a comportar-se como se Portugal não tivesse interesses e portanto ignorou a Geopolítica e menorizou a Estratégia.

 

Não tendo um pensamento político e estratégico a escorá-las, a esmagadora maioria das decisões resumem-se à conquista dos votos para alcançar o Poder (não é por acaso que o calendário das inaugurações estão intimamente ligadas aos ciclos eleitorais, o que requer dinheiro, cada vez mais dinheiro…) e em arregimentar negócios para si e os amigos ou correligionários.

 

O resultado, apesar de escamoteado durante anos e anos, está agora à vista de todos e já não pode ser escondido. Mas a população está longe, muito longe, de se aperceber da dimensão do desastre. Vai-se limitando a sobreviver…

 

Acresce a tudo isto, que o Estado Português depois de ter aderido à CEE, sem qualquer consulta à Nação – palavra cirurgicamente extirpada de qualquer documento oficial ou discurso público – se tem vindo a auto destruir. A razão é simples: a UE apenas se pode construir com o desaparecimento dos Estados nacionais que vão, sucessivamente, passando competências e soberania para aquela organização jurídica e politicamente indefinida (ou mal definida).

 

Ora, a passagem de uma realidade a outra exige uma transição. É nisso que estamos e ninguém sabe como o fazer, nem se entendem. E pensar que há filantropia nas relações internacionais é uma ingenuidade que mata.

 

Acontece que, aparentemente, o sistema financeiro internacional se descontrolou. Julgo que é apenas “aparentemente”, dado que os objectivos prendem-se com ganância; concentração (ainda maior), de riqueza em poucas mãos; guerra entre o dólar e o euro; aumento de poder para forçar a decisões políticas e preparação psicológica da opinião pública para aceitar imposições desmedidas.

 

A nível da UE, podemos estar a assistir a um “esticar de corda” de modo a que se crie uma verdadeira crise donde só se “poderia” sair com o avançar do federalismo, a começar na integração das economias, obviamente orientado pelo eixo franco-alemão. Quando os franceses já não conseguirem aguentar a Sr.ª Merkel, irão voltar-se para os ingleses. Pode dar guerra!

 

Se isto não for travado, Portugal desaparece…

 

Numa palavra: nas últimas duas décadas assistimos ao Estado Português a desconstruir-se a si próprio e a subverter (e a deixar subverter), a Nação dos portugueses. Uma das datas chaves deste último processo foi a liberalização das televisões.

 

Por falar em televisões, envolvendo tudo o que acabámos de dizer, existe a “ditadura” da comunicação social, o dito “quarto poder” de que se auto-arrogam, mas que ninguém elegeu e os políticos tardam em regulamentar com critério. O verdadeiro dilúvio noticioso (e programação “Pimba”), cuja liberdade de informar corre paredes-meias com a liberdade de manipular, provoca na maioria das pessoas a impossibilidade de estar informado…Mas consegue influenciar através de numerosas mensagens subliminares, que constantemente são emitidas.

 

Destrinçar entre o Bem e o Mal numa sociedade mediática onde impera o relativismo moral, é apenas alcançável por muito poucos. Ora o sistema democrático não está baseado na qualidade mas sim na quantidade dos votos…

 

Em síntese, a “aparência” do Poder está atomizado e disperso, resultando que nada de útil se produz para os povos (que supostamente deviam servir), sendo que a única capacidade real existente é a de cobrar impostos – enquanto a polícia funcionar e a população não se revoltar.

 

Mas é uma
situação muito conveniente para quem, com poder “de facto”, conseguir manobrar e mandar por “debaixo da mesa”.

 

Esta situação é nova na História de Portugal – com os contornos actuais – e muito perigosa, sobretudo porque o Poder Nacional desceu a um patamar crítico.

 

Tomar consciência disto é o primeiro dever de todos os bons portugueses. Colocar verdadeiros portugueses aos comandos da Pátria, é o segundo.

 

13/10/2011

 

João J. Brandão Ferreira


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:25
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Segunda-feira, 14 de Maio de 2012
ONDE ESTÁ O PODER EM PORTUGAL? - 2

 

 

Desde 1974, porém, que nos deixámos invadir por outro tipo de “maçonaria”, de fundo Financeiro (isto é, o poder através do dinheiro), que podemos, possivelmente, remontar à fundação do primeiro banco estatal, o banco de Londres, em 1698.

 

Daqui, teremos que saltar para a primeira metade do século XVIII, até Frankfurt, onde um ourives, de ascendência judia askenaze alemã, de nome Moses Amschel Bauer, que viria a mudar o seu apelido para “Rothschild” (escudo vermelho, em alemão), e teve 10 filhos, a partir de 1744. Cinco destes filhos, após casamentos vantajosos, foram colocados noutras capitais (Viena, Nápoles, Paris e Londres – para onde mais tarde se mudaria a sede de todo o grupo), à frente dos principais bancos, dando início a uma teia financeira de colossais proporções, que lhes trouxe uma incalculável riqueza e poder sobre numerosas personalidades e governos a quem emprestavam dinheiro.

 

É mister acrescentar que, mais tarde, a família do “escudo vermelho”, passou a apoiar o Sionismo e à obtenção de um território, onde a diáspora judaica pudesse ter um lar e um Estado. A declaração Balfour, de 2/11/1917, é um ponto fundamental neste desígnio.

 

Outro salto é mister dar até à segunda metade do século XIX e de novo a Inglaterra (onde a Maçonaria especulativa, “clássica”, tinha visto oficialmente a luz do dia, em 1717), país em que nasceu, em 1819, John Ruskin, mais tarde regente da cadeira de “fine arts” na Universidade de Oxford. Preocupado com os problemas sociais e económicos que o rápido desenvolvimento da industrialização causava, começou a desenvolver doutrina relativamente à organização do Estado e da Sociedade, que são considerados como o germe de um projecto global para o governo da humanidade. Tal deveria começar por ser aplicado a todo o povo inglês e rapidamente exportado para o seu império colonial.

 

As prédicas de Ruskin acabaram por influenciar numerosos alunos de Oxford (por ele considerados como “membros da classe privilegiada dos dirigentes”). O mais famoso, e influente dos seus discípulos foi o magnate Cecil Rhodes (1853-1902), que terá decidido pôr em prática as ideias do seu mestre (cabe aqui lembrar que Rhodes foi nosso figadal inimigo e cuja acção está na origem do “Ultimatum”).  

 

Com sólidos apoios em Inglaterra procurou financiamento para o seu projecto. Deste modo obteve o apoio de Lord Rothschild e de Alfred Belt e com ele consegue o monopólio da exploração de diamantes, com a companhia “De Beers e, ainda criar a “Gold Fields”para a exploração das minas de ouro. Em 1890 Rhodes tinha já um rendimento anual superior a um milhão de libras

 

Este dinheiro permitiu-lhe fazer um pouco de tudo, tendo fundado, em 5 de Fevereiro de 1891, uma sociedade secreta, juntamente com Milner Stead (importante jornalista) e Lord Esher, que se destinava a ligar todos aqueles já comprometidos com as ideias de Ruskin. Chamaram-lhe inicialmente “Association of Helpers”, que deu origem aos “Round Table Organizations”.

 

A pouco e pouco a organização foi-se desenvolvendo e alargando a outros países, nomeadamente aos EUA. Dada a importância crescente deste país, a liderança da “organização” passou para lá, tendo o apoio dos principais magnatas da finança e da indústria, como os Rockefeller, J.P.Morgan, Carnegie, Whitney, Lazard Brothers, etc.

 

Convém ainda apontar que o Federal Reserve System, conhecido na gíria como “Fed”, foi fundado, em 23/12/1913, após forte oposição de políticos e instituições americanas. O Fed funciona como um banco central, mas não é controlado pelo governo americano, mas sim pelas financeiros privados que o formaram…

 

Toda esta organização (que ninguém elegeu) foi crescendo desmesuradamente, criando e dominando variadíssimas estruturas, desde o Banco Mundial à ONU, do FMI à Trilateral, etc., estabelecendo-se fortemente, na Europa, EUA e Japão. Não deve ser só por coincidência que quase todos os primeiros-ministros em Portugal só o foram depois de terem sido convidados para uma reunião do “Grupo de Bilderberg”, cuja agenda nunca é dada a conhecer…

 

O sistema financeiro foi-se desenvolvendo baseado no juro e nas comissões e daí partiu para emprestar dinheiro que não tinha (e não estava coberto por ouro, divisas, ou não tinha correspondência na economia); desenvolveu esquemas para emprestar fundos que pura e simplesmente não existiam, até que a ganância levou à especulação desenfreada e à invenção de produtos “tóxicos” e “lixo financeiro”, o que desembocou na crise de 2008, que está a arrastar todo o mundo. Tem sido esta gente que nos tem emprestado dinheiro, depois de nos terem posto de joelhos (e nós termos deixado e colaborado).

 

Ao Professor Salazar devemos essa boa acção extraordinária de ter mantido a influência maligna desta gente afastada da nossa fronteira e das nossas vidas, durante 40 anos…

 

No centro de tudo isto temos o Estado Português, absolutamente impreparado e incapaz de lidar com a realidade. E em muitos casos conivente com o que se passa. O sistema político está viciado e bloqueado. Para piorar as coisas é semi-presidencialista, ou seja, não é carne nem é peixe…

 

(continua)

 

13/10/2011

João J. Brandão Ferreira


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:32
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Domingo, 13 de Maio de 2012
ONDE ESTÁ O PODER EM PORTUGAL? - 1

 

 

                                                                                                                                    
Em política, nada acontece por acaso. Cada vez que um acontecimento surge, podemos estar certos de que foi previsto para ser levado a cabo dessa maneira.

Franklin D. Roosevelt

 

 

Eis uma pergunta que não tem ocorrido a ninguém fazer.

 

Os mais pueris e ingénuos (e que tenham destas coisas algum conhecimento), responderão algo surpreendidos – como se de uma evidência se tratasse – que, naturalmente, o poder em Portugal se encontra no PR, no Governo e na AR, eleitos por todos nós! E, também supostamente, nos Tribunais, que nós não elegemos mas que velariam pelo castigo de quem violasse as leis da comunidade.

 

A célebre trilogia dos “poderes executivo, legislativo e judicial” – tão do agrado dos seres bem pensantes – que Montesquieu doutrinou e a Revolução Francesa implantou, mas que teve origem nos filósofos ingleses do fim do século XVII.

 

E a nós portugueses, que sempre nos tínhamos governado de modo diferente, lá nos obrigaram a isto após a Revolução vitoriosa de 1820 e 100 anos de guerra civil.

 

Este sistema assenta em vários mitos amplamente arreigados e difundidos.

 

O primeiro sendo de que os três poderes pudessem ser independentes uns dos outros e se equilibrassem. Na prática, porém, as coisas nunca se passam assim, havendo sempre proeminência de um sobre os outros. E, se calhar, até é bom que assim seja, pois se o equilíbrio fosse equidistante, resultaria não haver resultante e ninguém saía do mesmo sitio… O que retrata a situação presente em
Portugal, mas já lá iremos.

O segundo mito é que o povo, cujo voto passou a legitimar politicamente os governantes, manda alguma coisa. O povo, de facto, manda pouco e esse “mandar” é circunstancial e está muito ligado à maturidade cívica e cultural das respectivas sociedades. O povo, no actual sistema político ocidental, não é a causa da governação mas sim o objecto da acção político – partidária – por norma demagógica e desonesta – a fim de o levar a votar em si.

 

Finalmente, o terceiro mito é o de que os governos governam, isto é, conseguem (ou querem) fazer o que escrevem nos seus programas, ou são independentes no agir.

 

De facto tomar uma decisão e fazê-la cumprir, tornou-se uma acção de tal modo complexa pela legislação a atender e aos interesses e agentes envolvidos, ou a envolver que, no mais das vezes, tentar fazer algo se torna numa experiência frustrante.

 

Vamos tentar ilustrar o que queremos dizer com um exemplo prático.

 

Neste momento existem três forças com Poder real, em Portugal, independentemente das forças políticas representadas no Parlamento: a Igreja Católica, o PCP e a Maçonaria. Estas “forças” são auto – exclusivas entre si, e cada uma tenta não se deixar infiltrar pelas outras.

 

As Forças Armadas que foram sempre um poder “de facto” a ter em conta – embora nunca tentassem ter o exercício do poder político para si – estão perfeitamente neutralizadas, pois ainda não recuperaram do 25 de Abril – em que foram protagonistas, mas não
conseguiram controlar os acontecimentos (nem estavam em condições de o fazer) – e porque todo o espectro político actual se uniu, tacitamente, para as anular.

 

A Igreja está, contudo, diminuída, pois tem sofrido ataques demolidores de vários lados, ao mesmo tempo que a sua hierarquia, padres e leigos, em geral, têm demonstrado uma falta de coesão e combatividade, quase suicida.

 

PCP tem vindo a emagrecer em número de militantes ao passo que a média das suas idades tem vindo a aumentar. Sem embargo, ainda possui uma percentagem eleitoral elevada e a sua capacidade de mobilização e de intervenção é muito superior a essa expressão eleitoral. O PCP é o único partido a sério, na sociedade portuguesa, pois só ele tem uma doutrina sólida (embora errada), servida por uma hierarquia, organização e disciplina, capazes.

É uma espécie de mistura religiosa e estrutura militar… Está, seguramente, habilitado a passar à clandestinidade, em 48H.

 

A Maçonaria infiltrou-se em tudo o que era instituição nacional, a partir da revolução vitoriosa de 1820 e, basicamente, comandou o país até 1926. É ela que está no cerne de todas as desgraças porque passámos desde então. Não descansou enquanto não acabou com o
Trono e predispôs-se a acabar, também, com a Igreja o que, até agora, não conseguiu.

 

Proibida, em 1931, ao tempo do Estado Novo, ficou tolerada, até porque muitos da sua filiação se predispuseram a colaborar na reconstrução do País. Renasceu em força após 1974 e está sentada à direita de tudo o que mexe. Mantém o secular hábito de não se identificarem (as excepções existem para confirmar a regra), nem darem a conhecer o que fazem, mantendo um secretismo anacrónico (ou talvez não), numa sociedade que se diz democrática.  

 

Será que o Papa Clemente XII, que os condenou e tornou incompatíveis com a religião de Cristo, em 24 de Abril de 1738, tinha razão ao afirmar “se não estivessem a fazer mal, não odiariam tanto a luz”? (Carta Apostólica “In Eminenti”).

 

Esperemos que as suas dissensões internas não voltem a provocar guerras civis como no passado.

 

(continua)

 

13/10/2011

João J. Brandão Ferreira


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 22:34
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Sábado, 12 de Maio de 2012
MARCAS PORTUGUESAS ESPALHADAS PELO MUNDO

 

Mombaça, onde está o hotel?

 

http://www.youtube.com/watch_popup?v=Rrx0W_5KmQo&vq=hd720


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:04
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Sexta-feira, 11 de Maio de 2012
CASSANDRA-AO-CONTRÁRIO

 

 

Sim, é chato, mas há boas notícias sobre Portugal

 

 

Sim, eu sei que é doloroso. Sim, eu sei que custa ouvir. Mas a Cassandra-ao-contrário tem de registar mais um conjunto de boas notícias sobre Portugal. É, de facto, escandaloso e quiçá inadmissível, mas o Apocalipse da choldra vai ter de esperar. E, atenção, as boas notícias já não ficam limitadas às nossas exportações supersónicas. Parece que o investimento directo estrangeiro também quer ajuda. Subiu 270% em 2011 e continua em alta em 2012. Há duas semanas, a Easyjet inaugurou uma nova base em Lisboa, um pormenor que
representa um impacto directo de 600 milhões na nossa economia (Expresso economia, 21 de Abril). Há dias, a Nokia/Siemens anunciou um novo investimento em Portugal, um pormenor que representará 1500 postos de trabalho. Não por acaso, a consultora Gartner considera Portugal como um dos países desenvolvidos com mais potencial para serviços off-shore de tecnologia de informação (Expresso Economia, 28 de Abril).

 

Depois convém registar que os juros da nossa dívida soberana continuam a cair. Um pormenor que parece não interessar as nossas TVs. Quando os juros subiam, a notícia abria os telejornais. Agora os juros estão a descer, mas a notícia não abre os telejornais. Confesso-me fascinado por este critério editorial, até porque é mais fácil encontrar referências a este facto num telejornal estrangeiro (BBC World ou Deutsche-Welle). De igual modo, as redacções desprezaram um relatório da OCDE muito simpático para Portugal. O que diz esse relatório? Todos os países desenvolvidos terão de cortar na despesa do estado no sentido de assegurar a sustentabilidade das dívidas soberanas. Reino Unido, EUA e Japão estão nos lugares mais complicados, e - que escândalo! - Portugal aparece no pelotão da frente. Ou seja, "Portugal não vai precisar de tanta contenção orçamental no futuro porque a maior parte do trabalho de reestruturação da despesa está a ser feito agora".

 

Para terminar, a Cassandra-ao-contrário gostava de apontar para uma mudança de paradigma na nossa economia. Os nossos sectores tradicionais continuam fortes, sim senhora, mas o dado mais positivo não é a resiliência do sector do vinho, cortiça ou vestuário e calçado. O que é realmente determinante é o sucesso de Portugal em novos sectores de ponta. Já vimos que Portugal é um jogador no campo das tecnologias da informação, e agora podemos olhar para outro pormaior: já exportamos mais saúde do que vinho ou cortiça. O chamado turismo da saúde, uma actividade que precisa de ciência e tecnologia, é uma actividade central no nosso PIB . Quem diria? Quem diria que o país da choldra iria ser uma potência da economia da saúde? Um escândalo, de facto.

 

2 de Maio de 2012

 

(www.expresso.pt)


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 15:38
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O INCRÍVEL VASCO PULIDO VALENTE

 

 

É de Vasco Pulido Valente o texto que me permito transcrever, extraído do Público de Domingo, 6 de Maio:

 

«O Incrível Sr. Hollande»

 

«Para acreditar na megalomania francesa, fora os franceses, só há os portugueses. A esquerda política e a esquerda bem-pensante que por aí se arrasta resolveu que o sr. Hollande, se ganhasse, ia com certeza mudar a Europa e o mundo. Isto mostra, em primeiro lugar, a ignorância de que a França se tornou desde a abjecta derrota de 1940 numa potência económica e militar de quinta classe, que vai aguentando um lugarzinho ao sol, pelo favor da América, que ela ostensivamente tanto detesta. E também mostra que na cabeça dos portugueses ficaram ainda os vestígios do tempo em que De Gaulle não se calava com a imaginária “grandeza” que supunha representar; e a “lúmpen-inteligência” indígena lia aplicadamente Sartre e Althusser. Com o “25 de Abril” e o “cavaquismo”, a França tinha desaparecido pouco a pouco do nosso pequenino universo. Mas parece que, talvez por desespero, voltou agora a ressuscitar.

 

Na falta de “socialistas” o Sr. Hollande acabou por servir. A França do sr. Hollande é uma França com mais de 10 por cento de desemprego, um défice ameaçador, uma dívida de 90 por cento do PIB e uma economia em estagnação. De quase nenhuma destas pequenas contrariedades se falou na campanha. O Sr. Sarkozy exibiu a sua xenofobia (até ameaçou que poderia sair de Schengen) e o Sr. Hollande, com a imaginação que se lhe conhece, preferiu insistir na “social-democracia” da sua adolescência e prometeu 60.000 novos professores, 150.000 “empregos de futuro”,diminuir a idade da reforma, um subsídio de família maior e um imposto estapafúrdio, que atinge o número nunca visto de 200 ricos: por outras palavras, prometeu um magnífico regresso a 1960.

 

Os franceses que se avenham, com ele. Mas, seja qual for o resultado, no meio deste delírio, o Sr. Hollande não se esqueceu da “Europa”. E, para a “Europa”, ele quer, evidentemente, uma mutualização da dívida, o BCE a imprimir papel (que já, de resto, imprime em grande quantidade) e um obscuro e definitivo “programa de crescimento”. Que a França não esteja em posição de impor nada à “Europa” aparentemente não o preocupa: a grandeza da França bastará para convencer os pategos. Sucede que de Helsínquia a Amesterdão, os pategos, embora possam seguir (prudentemente) a Alemanha, não seguirão com certeza o Sr. Hollande sobretudo quando ele se prepara para meter uma “Europa”, desorientada e frágil, num grande sarilho.

 

Vasco Pulido Valente é, há muitos anos, para mim, um verdadeiro senhor de uma escrita arguta e desassombrada, feita de uma lúcida análise dos acontecimentos que vai desmontando e historiando com a mordacidade que lhe merecem as imparáveis irregularidades de que o país tem sido palco pelos seus executores, sucedâneos na governança ou no compadrio dela, após a viragem que tanto ansiavam, pelos motivos que se vão clarificando em cada ano que passa.

 

No texto de Pulido Valente está bem patente o desprezo que lhe merecem os de cá como os de lá – da França – apressando-se a eleger mais um papagaio de cartilha mais que lida, feita de promessas angariadoras de votos vitoriosos.

Fica-se com a ideia de que, pese embora o nosso parco mérito na cena mundial, ou mesmo só europeia,  temos um ex-ministro que, enrolado em França nas filosofias concitadoras de vasta audiência juvenil, tal como outrora o seu sósia – em nome – conseguiu obter adeptos de idêntica categoria mental, certamente que inspiradoras de mais um Platão escrevinhador dos seus diálogos. A dimensão intelectual que uns e outros de outrora tiveram – Sócrates, Platão, Diálogos – poderá ter correspondência – embora patega – nos nossos de agora. A pateguice em dimensão também leva à glória. Para mais reforçada pelos Magalhães do nosso orgulho.

 

O certo é que as promessas de Hollande de criação de empregos e de facilidades nos trazem à mente as que por cá se fizeram pelo ministro antes de se tornar um ex triunfante, lá na Gália, como o fora cá, com tanta gula.

 

Mas os nossos antigos de cá, pertencentes a igual partido, em palmadas e abraços de recuperação e regozijo, envolvem-se de novo em cravos promissores da desordem que se avizinha, anciãos largamente experientes em destruição pátria.

 

E os da Inteligência seguidista bradando como eles, fingindo amor pelos desvalidos, mas forcejando por os tornar mais desvalidos, na desordem que preparam, discípulos e colaboradores beneméritos dos primeiros, ou actuando fogosamente e gostosamente por conta própria.

 

Torpedear. Eis o que irmana velhos e novos – os velhos que já foram novos, os novos ou de meia-idade que vão a caminho. Todos eles criticando o velho governante que governou até cair da cadeira. Todos eles ambicionando a cadeira do poder e continuando no poder da fama protegidos pelos pategos da sua escolta crescente. A coberto, hoje, do Sr. Hollande e da nação francesa que o elegeu.

Como afirma V. P. V., “Com o “25 de Abril” e o “cavaquismo”, a França tinha desaparecido pouco a pouco do nosso pequenino universo. Mas parece que, talvez por desespero, voltou agora a ressuscitar.”

 

Por pouco tempo será, infelizmente, cada vez mais desprendidos dos valores culturais da França das Luzes.

 

Uma nação arruinada e patega não tem contratorpedeiros para responder. Está condenada.

 

 Berta Brás


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:31
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2012
ALEMANHA LIDERA MAIS DE METADE DOS SECTORES INDUSTRIAIS DO MUNDO

 

Formiga setentrional

 

A INVEJA AFIRMA-SE CONTRA OS ALEMÃES

 

Não há nação no mundo que produza tantas empresas de topo como a Alemanha. O segredo está no facto de as suas firmas conseguirem unir tradição com inovação e de se manterem, em grande parte, nas mãos de famílias. As empresas são continuadas no espírito pioneiro das famílias que as fundaram sendo, ao mesmo tempo, tidas como história e com um pedaço de cultura da região donde provêm. Nelas se pode ver uma parte da radiografia da alma alemã, uma alma que vive da floresta mas na procura do Sol. A tradição garante alta qualidade, sempre acompanhada por tecnologia inovadora do futuro. Actualmente, esta tradição encontra-se ameaçada pela pressão internacional, apenas interessada na ganância do lucro, que, no processo global e europeizante, obriga as firmas alemãs a incluírem nelas o cavalo de Tróia accionista, com os especuladores internacionais.

 

A revista económica alemã “manager magazine” fez um estudo acurado sobre 1.000 firmas alemãs líderes de mercado mundial. Segundo o gráfico da revista, a Alemanha lidera no mundo o maior número de sectores industriais (cf. Manager magazine 10/10). Assim, a Alemanha tem 27 indústrias com uma quota de exportação de 41%, enquanto os USA têm 21 com 11%, a China 19 com 25%, o Japão 10 com 13%, a Inglaterra 6 com 28%, a Itália 5 com 24% e a França 4 com 23%.

 

A “manager magazine” apresenta como critérios de sucesso dos alemães: a presença no mercado, suficiente experiência (qualidade testada) e produção em massa. Faltou-lhe referir o horizonte que tudo isto possibilita, ou seja, o carácter/identidade civil alemão que não se define apenas pelo ego individual mas também pelo «nós» comunitário.

 

Favorece-os o facto de estarem presentes há muito tempo no mercado, como demonstram, por exemplo, o grupo BASF (1865) e Siemens. Não estão presentes no estrangeiro apenas com os produtos técnicos mas também com as suas instalações e fábricas. Vários Estados alemães estão presentes na China, com as suas fábricas e instituições culturais, desde o início da industrialização chinesa.

 

Entre os Estados alemães (regiões) nota-se também uma necessidade de presença e competição colectiva. Um alemão sente-se simultaneamente como indivíduo tornado pessoa, trazendo consigo também a aldeia donde vem, a região, a nação e o mundo a que pertence. (O latino, ser mais complexado, nega a província de que se envergonha!).

 

Um outro factor em benefício dos alemães está em experimentarem suficientemente o produto antes de o passarem a comercializar e a exportar (made in Germany). As deficiências são corrigidas e pagas pela experimentação a nível nacional.

 

A economia alemã provém duma tradição de base familiar incardinada no meio e portanto com uma sensibilidade especial para o bem-comum. A honra do alemão não se revela apenas no carro que conduz e na casa que tem para mostrar mas também na sua presença cultural no meio onde se situa. Cerca de 70% dos líderes alemães do mercado mundial, encontram-se em famílias. Uma família, ao planear o seu investimento e os produtos, pensa em termos de gerações, tem uma consciência de sustentabilidade, ao contrário de muitos concorrentes estrangeiros que só pensam no lucro imediato da venda do produto. Os produtos em massa são aferidos às necessidades dos clientes. Os alemães são pessoas enraizadas na natureza, daí a sua simplicidade e até ingenuidade natural. São trabalhadores, correctos e disciplinados, como pude constatar em 35 anos de observação directa a nível individual e social.

 

Neste sentido, passo a citar uma sentença popular alemã que revela parte da sua alma maternal e da sua sabedoria: "Am deutschen Wesen soll die Welt genesen" e que traduzo: "O mundo deve-se recuperar no espírito alemão” (“No espírito alemão é curado o mundo").

 

A sua vantagem está em antecipar-se tecnicamente. Num mundo de cigarras continuam a querer ser formigas! Vão sempre um passo à frente nas tecnologias porque aplicam grandes capitais na investigação científica e têm um grande mercado interno onde os podem testar. Um exemplo: Há mais de 20 anos o Estado alemão fomentou a investigação e o consumo da energia solar voltaica, tornando-se assim tecnologicamente campeã (SMA) neste sector a nível mundial. A Universidade de Kassel donde saíram os criadores (da SMA) está incardinada na região sendo um dos seus importantes motores de progresso económico. (Modelo de regionalismo e inserção no meio, o que é comum na Alemanha).

 

Cigarra meridional

MAIS DE UM MILHÃO DE ALEMÃS VIOLADAS

 

Na Alemanha do pós-guerra chegou a haver pessoas que morreram à fome. Pessoas mais velhas deixavam de comer para as crianças não morrerem de fome. A terra, no Inverno, era tão dura (-15 graus) que não se podiam enterrar os mortos. Faltava até a madeira para as pessoas se aquecerem. As famílias viam-se obrigadas a tirar as cercas de madeira dos seus jardins para se poderem aquecer. 50% das habitações tinham sido destruídas pela guerra.

 

As mulheres foram as grandes heroínas do pós-guerra. Mais de um milhão de alemãs tinham sido violadas pelos soldados russos; os filhos, os noivos e os maridos tinham morrido na guerra ou ficado em campos de trabalho prisões. Para dominar tanta dor, o povo, que em grande parte não estava ao corrente das atrocidades do sistema de Hitler, lança-se ao trabalho de reconstruir a Alemanha. Em poucos anos conseguiram colocar o país à altura de muitos imigrantes poderem ver nele chances de melhoramento da própria condição.

 

Por este mundo fora, encontra-se muito boa gente, muito mal informada e desconhecedora do carácter alemão, preferindo viver na inércia do preconceito cómodo. A ignorância leva-a a reduzir a imagem do alemão a um ser de botas militares ou de calças de couro. O espírito de trabalho do alemão e a sua disciplina levam-no a ser mais eficiente que outros povos, a nível de produção. O seu porte disciplinado pode dar a impressão de soldado. Tem muito de comum com os portugueses (herança talvez goda, só que aos portugueses falta a disciplina). Emigram com as suas fábricas e instalações, levando com eles a natureza, tornando-se num enriquecimento das terras para onde emigram e instalam as suas fábricas; tornam-se em verdadeiros promotores dos autóctones. Orientam as suas firmas como os políticos orientam o Estado. A sua presença tem uma influência muito benéfica nos países onde se instalam.

 

A inveja, o comodismo e o medo da concorrência podem muito. Tal como na fábula da Cigarra e da Formiga, deparamo-nos com mundos diferentes e de hábitos diversos que se confrontam e vivem, muitas vezes, da meia informação. Uma avaliação da realidade é sempre polémica, se vista pelos olhos da cigarra ou pelos da formiga.

 

 António da Cunha Duarte Justo


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 15:44
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EM BUSCA DO TRABALHO PERDIDO

 

Manifestações bafientas, «déjà vues», séc. XIX em pleno

 

O 1.º de Maio foi sempre usado para a celebração ideológica dos trabalhadores como um grupo homogéneo. A existência de diferentes relações laborais e capitalismos não impedia que o trabalhador fosse encarado como uma categoria, com uma relativa união e capacidade de acção colectiva. Visto desta forma, o trabalhador seria alguém que, por estar subordinado a outro, por ter a sua esfera de liberdade dependente de outro, tinha facilitada a aquisição da sua identidade política.

E, no entanto, no mundo ocidental o trabalho atravessa uma das crises mais violentas da sua história. A principal ameaça não está hoje em relações de força opressivas e desequilibradas. O que está agora em causa é o processo de destruição e rarefacção do trabalho, um processo que, na realidade, começou há algum tempo com a maquinização do mundo. Um desemprego crescente e resistente criou uma nova classe social politicamente sub-representada: o desempregado de longa duração.

O mundo laboral construiu várias distinções sociais, a começar pela que dividia os detentores dos meios de produção dos outros. A ascensão dos profissionais dos serviços, de todas as pragas de consultores, aliada à indústria da educação, trouxe outro importante foco de separação: entre trabalhadores especializados e não especializados – engenheiros de um lado, telefonistas do outro.

Dito isto, essa distinção só era possível porque todos tinham emprego, embora alguns empregos fossem aceites como melhores. Mesmo hoje, apesar da sua notória queda, ainda subsiste um prémio de remuneração para quem acabou uma licenciatura.

Sucede no entanto que é impossível pensar no trabalhador de hoje sem reconhecer a crise destas distinções. O trabalhador diplomado e doutorado que ninguém tragicamente compra, simboliza a grande revolução do nosso modo de ver o mundo do trabalho. Um licenciado que não conseguiu mais do que trabalhar num call-center arrasa com décadas de políticas nos países ricos que apostaram tudo na educação e nas oportunidades.

Foi, de facto, a competição global no trabalho que colocou esses trabalhadores numa posição inédita e vulnerável. Não é verdade que a globalização dinamitou apenas as profissões fabris, os ditos operários dos têxteis e sapatos. A globalização destruiu milhões de empregos de topo, entre consultores, analistas, arquitectos, isto é, profissões que podem ser desempenhadas em qualquer lugar.

Há uns anos, o economista Alan Blinder escreveu na Foreign Affairs que o mundo do trabalho deixou de assentar na antiga divisão entre educados e não educados. Agora, a divisão crítica opõe trabalhos que podem ser prestados através de ligações electrónicas e trabalhos em que isso não é possível. Por outras palavras, o mercado distingue hoje entre "serviços pessoais" e "serviços impessoais". Um médico não precisa de se preocupar com a globalização do seu trabalho, mas outras profissões como consultores, programadores, analistas sofrem as consequências de na Índia ou nas Filipinas existirem milhares disponíveis para trabalhar mais por menos. E se acrescentarmos o efeito dos computadores, ficamos com um aterrador cenário de irrelevância humana.

O feriado do trabalhador corre por isso o risco de ser um feriado histórico, idealizando um mundo laboral que deixou de existir. E é porque estas transformações do trabalho afectam tanto os de cima como os de baixo que é hoje bem mais incerto perceber como pensa politicamente a classe dos que trabalham e dos que desesperam para trabalhar.

 

 Pedro Lomba


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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:27
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2012
O preço do petróleo

 

 

 

Eu não sou especialista em matérias de energia mas alguns factos que me parecem evidentes têm-me levado a escrever algo sobre esse tema. Nalguns casos provou-se que tinha razão. Em 1982 publiquei "A agricultura é que há-de substituir o petróleo", além de vários outros sobre o mesmo tema. Muitos anos mais tarde, o mundo passou a usar combustíveis obtidos a partir de produtos agrícolas.

 

O preço do petróleo tem subido vertiginosamente e continua a subir. O encargo que esses aumentos causam na economia dos povos e no dia a dia das pessoas é enorme. Tudo indica que vai continuar a subir, enriquecendo astronomicamente os países onde ele abunda. Eu creio que há uma maneira de travar tão perniciosa subida e, eventualmente, causar uma regressão a níveis mais baixos. E essa maneira é aproveitando mais e melhor a abundante energia que todos os dias o sol derrama sobre a terra, aproveitamento que tem variadíssimas formas.

 

Para além das células fotovoltaicas, cuja utilização creio que pode ser aumentada e melhorada e das eólicas, que julgo que podem ser ampliadas e, quiçá, cortando algo aos altos lucros actuais, há uma, que já tenho referido várias vezes, que os governos têm negligenciado, talvez porque não encontraram ainda forma de dar lucros chorudos a uns amigos, mas que o interesse nacional exige, que é o biogás. Lembro, como já descrevi, que os autocarros da cidade sueca de Helsinborg são movidos a biogás e o líquido sobrante, um bom fertilizante para a agricultura, é conduzido por pipeline até aos campos. Creio que a produção de biogás em zonas onde abundam as suiniculturas seria óptima para eliminar a poluição, o que é um valor importante no cálculo do preço do gás. Seja em grandes ou pequenas unidades, penso que seria de grande utilidade.

 

Portugal, com a sua extensa costa atlântica, tem aí duas fontes de energia potenciais, a energia das ondas e a energia das marés. Tanto quanto sei, qualquer desses casos não dispõe ainda de tecnologia suficientemente dominada pelo que está dependente de investigação. Tenho notícia de algumas mais ou menos tímidas tentativas, normalmente com estrangeiros, creio que com a ideia de imediata utilização, mas nada vi de concreto. Sei que há um Centro de Energia das Ondas, creio que como parte duma organização internacional, que tem ensaios na ilha do Pico, nos Açores, mas ainda não sei de aplicações de rotina a produzir energia eléctrica noutros locais.

 

Se Portugal tivesse governos que percebessem o que pode render a investigação científica - em todos os campos - estas duas fontes, ondas e marés, há muito seriam objecto de investigação, talvez já com aplicação e venda de patentes para muitos países.

 

Mas teria de ser investigação entregue a pessoas com muita capacidade e com grande imaginação, para serem capazes de encontrar formas de dominar essas potentes fontes de energia, pondo-as ao serviço do homem.

 

Quando muito mais energias renováveis fossem utilizadas e o petróleo já só fosse necessário em muito menor quantidade, o seu preço baixaria aos níveis de há muitos anos. Utopia? Talvez. Possibilidade? Talvez.

 

 

 Miguel Mota

 

Publicado no Linhas de Elvas de 12 de Abril de 2012



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 17:11
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